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Amplifest 2016 Preview • A diminuir entre mundos

12 de Agosto, 2016 ArtigosJoão "Mislow" Almeida

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Finalmente a sós, com as arcadas, as colunas e o palco. Gritamos bem alto.

Para que seja celebrado de uma forma justa, e nada contida, estes 10 anos de atividade, envolvimento e entrega por parte da Amplificasom não só à cena musical portuense, como à cena musical nacional, compete à Wav o melhor dos trabalhos de descrever e antecipar aquilo que será um dos, senão o mais promissor evento deste ano. Candidato a este título todos os anos, o Amplifest dá às redondezas e a todos os viajantes de fora do Porto e de Portugal, uma oportunidade única de testemunhar música e arte, e de vivê-las, como nunca.

Um projeto que tomou iniciativa há aproximadamente 6 anos, nascido de uma atividade ambiciosa e criativa por parte da Amplificasom e que tem como objetivo central dar à cidade invicta argumentos para esta voltar a ser colocada no mapa, e a dar a este movimento mais do que razões intermináveis para continuar a viver e a prevalecer.  Esse mesmo objetivo tem sido progressivamente alcançado ao longo dos anos: marcando ou promovendo concertos, eventos e atividades semelhantes, diluídas no meio-ambiente da cena musical local. Algo que tem sido, sem dúvida alguma, o DNA da Amplificasom é a genuína humildade perante os artistas, a arte e os apreciadores desta. Também a naturalidade ao encarar estes três elementos torna tudo mais fácil na interação, sem nunca rebaixar terceiros no processo. Algo que ao longo do tempo tem-se traduzido cada vez mais nos milhares de elogios que a organização recebe, seja por parte das bandas, artistas, locais e da imprensa à volta da europa e mundo.

Com uma edição de 2015, ainda hoje, difícil de esquecer, que abrangeu nomes tão sonantes quanto a acústica do Hard Club, a Amplificasom desafia as adversidades e dá-nos um cartaz que deixa qualquer um de queixo no chão, clichés à parte. A contar com os veteranos Neurosis, conquistadores e padrinhos do post-metal, a serem os primeiros anunciados e, como que já a conquistar títulos, garantiram com eles uma multidão de pessoas a comprar os tão cobiçados bilhetes para dia 20 e 21. Agora, com um plantel de luxo, onde se incluem Caspian, Mono, The Black Heart Rebellion, Downfall of Gaia e Oathbreaker. Sendo que a dimensão de um artista é um fator pouco relevante para a personalidade da organização, acreditamos que a consagração não passa de uma palavra que pouco ou nada nos dá, por isso dependemos somente de um fator: o conteúdo e a experiência. E isso é algo que todos os nomes nos conseguem proporcionar sem limitações.

Tendo em conta a versatilidade da organização e a ideia de que não existem headliners numa experiência coletiva, o Amplifest consegue oferecer-nos um horário incrivelmente flexível com concertos alternados entre as Salas 1 e 2 e com um plano de cardápio  bastante delicioso que conta com exibições de filmes/documentários e Amplitalks.  Antes de aprofundar nos detalhes que faz do Amplifest tão apelativo e único, vamos falar naquilo que esperamos dele todos os anos: a música. Tendo já mencionado algumas bandas de aclamada dimensão, a Wav faz questão de listar alguns artistas, consideravelmente modestos, que recomendamos (muito!) serem testemunhados.

 

Anna Von Hausswolff


 

Algo que merece ser mencionado é a persistente atenção que a organização dá a presentes e promissoras artistas femininas em circulação mediática. Estes últimos anos, o festival tem contado com artistas como Chelsea Wolfe, Pharmakon, Emma Ruth Rundle (que cancelou a performance no festival por razões logísticas), Noveller, Marissa Nadler e Body/Head (Kim Gordon + Bill Nace).  Este ano, a expectativa aumenta proporcionalmente e podemos contar com uma das mais prolíficas e grandiosas artistas dentro da cena europeia atual. A sueca Anna Von Hausswolff, filha do artista Carl Michael Von Hausswolff, que até hoje conta de baixo do cinturão uma discografia de luxo a enumerar três álbuns e um EP, faz do seu som uma locomotiva de emoções e cores, transformada em pedra que de uma forma ou doutra alcança o nosso coração com um impacto tão pesado como a alma na voz. O melhor exemplo disso apresenta-se num dos mais recentes singles no último lançamento The Miraculous do ano passado, “Evocation”, em que a versatilidade da Anna é sublinhada pela perplexa estrutura arquitetónica na música. Uma bateria que marca ritmo após um timbre gritante por parte da sueca, que com um charme inigualável dá asas à atmosfera e utiliza o órgão de proporções magistrais para elevar a música a um nível inimaginável. Esta é a decrépita faceta que nos dá uma implacável demonstração do quão assustadoramente bela é esta exibição de forças e timbre.

Uma sugestão digna de ser levada a sério, diz que esta é uma performance difícil de dispensar.



 

Névoa


 

Todos os anos, o festival conta com inúmeras surpresas e novidades. Os portugueses Névoa, a colocarem-se no mapa acompanhados pela própria casa, dão ao Hard Club uma imperdível oportunidade de mergulhar nos ramos e nas copas da assombrosa floresta que nos espelha o mais íntimo receio. Um duo que tem colhido louvor por todo o país pela impiedosa autonomia de som e pintura da atmosfera mais visceral que estará ao nosso dispor nesta edição do Amplifest. A sublinhar que exatamente um ano depois do lançamento do soberbo The Absense of the Void, os portuenses estripam o verão português com o inquestionável Re Un e será no Amplifest que a banda estreará o conteúdo deste último trabalho. Com o álbum de estreia, os Névoa conseguiram dar-nos acesso a uma tela de sensações dificilmente caracterizáveis. Identificam-se inúmeras influências de Emperor e Wolves in the Throne Room na tão abominável ferocidade dos portuenses, mas estes conseguem dissolver as passagens de melodia em velocidades impenetráveis, a resultar numa das mais assustadoras sonoridades testemunhadas em Portugal. Já em Re-Un, fazem-se notar imediatas promessas de som, com as guitarras a abraçarem estruturas profundamente graves e com um som geral a intercetar influências de doom jazz, psicadélico e avant-garde. A contrastar com o seu antecessor, este deixa-se destacar por uma atmosfera decrépita e sangrenta, de longe mais assombrosa que no registo anterior. Com nomes como Monotheist, Souls at Zero e Paraclectus a surgirem de um lado para o outro, podemos dizer sem medos desta Névoa, que para além de estarmos prontos, ansiamos por esta.



 

Sinistro


 

“Uns segredam que amam, outros segredam que gritam”

Um grupo que não segreda amar nem gritar, os lisboetas a viajarem e a conquistarem a atenção de todos os que se deixam impregnar na essência da metrópole. Sinistro, muito recentemente assinados à aclamada Season of Mist apresentar-nos-ão o seu último registo de originais: Semente. Um álbum que descreve, verso por verso, o código genético da banda. Banda esta que é composta por membros provenientes dos mais variados espectros da cena portuguesa.

A exercerem um som que só ao longo do tempo se tem aperfeiçoado estruturalmente, com consecutivos lançamentos desde 2012, uma altura em que o foco da banda ainda se encontrava sem voz palpável, e onde grupo ainda via o projeto com uma ambição puramente expressiva. Após o trabalho de colaboração com a magistral Patrícia Andrade, no álbum Cidade, o grupo começa a encarar a reação do público com uma postura devidamente justa e pondera alargar em definitivo o panorama visionário de Sinistro. Candidato ao álbum português do ano, Semente entrega-nos um bilhete de viagem recheada de sensações, cores e texturas, quase sempre associadas à magia das fachadas e da impressão das calçadas da capital. Consideravelmente mais pessoal e íntimo, em comparação com Cidade, o registo mais recente dos lisboetas recria sonoridades que preservam as respetivas facetas de Sinistro: as passagens abrasivas de peso e distorção, quase que a obrigar o corpo a entrar numa maré de areia movediça, guitarras gravíssimas e claustrofóbicas a arrastar corpos fúnebres e sorrisos mal disfarçados, em contraste com a harmoniosa voz de Patricia onde esta explora as melodias e cores das músicas em transições de compostura e expectativa. O sonho molhado de qualquer obcecado por literatura, doom e Lisboa. Neste fim-de-semana, as ruas pombalinas serão transportadas até à praça Infante D. Henrique e será lá que a sala invicta sentirá debaixo dos pés o cheiro a alcatrão molhado, castanhas assadas e fado cantado pelos eternos apaixonados. Será lá que veremos navios a irem, e num desespero de saudades começarmos a sentir que nunca mais voltarão.

A lágrima não pesa tanto quanto uma alma, mas também não chora quem alma não tem.



 

 

Para além destas opções de luxo, pode-se contar com mais de 15 bandas a tocar, ao longo do fim-de-semana. Para além deste, e somente para os mais fortes, haverão datas a antecipar e a fechar o festival na cidade do Porto. Dia 19 é marcado pela presença dos ritualísticos Aluk Todolo, na Cave 45. Estes aproveitarão as lâminas de distorção e peso para cortarem o meio e separarem as abas do corpo de quem estará disposto a testemunhar tal mecanização de artérias e órgãos. Dois dias depois, segunda-feira, será o dia de ressaca e que melhor maneira de o fazer do que à companhia de um dos alicerces centrais de Neurosis, Steve Von Till. Um homem que não tem falta de material e muito menos falta de inspiração, a contar com uma série de lançamentos ao longo do tempo, aproveita esta oportunidade para mostrar os últimos fôlegos de melancolia e saudade com o seu ultimo registo A Life Unto Itself. A prometer uma noite de emoções, esta será aberta pelo suiço Frederyk Rotter, guitarrista dos pontualíssimos Zatrokev, que há 3 anos atrás demonstraram o seu intenso poderio ao público português na edição de 2013 do festival. Agora num instante mais duradouro, The Leaving dará a Rotter a oportunidade de este se demonstrar como uma voz a relembrar.

Espera-nos um mundo neste fim-de-semana. Um Hard Club com mil e uma coisas para oferecer. Algumas das novidades que vamos poder testemunhar contam com as Listening Sessions no Summer Lounge do Hard Club. A partir destas sessões, teremos acesso à exclusiva estreia de audição de tão esperados lançamentos de ATILA, Memoirs of a Secret Empire, Ricardo Remédio, Wovenhan, True Widow e muitos mais. Para além disto, as habituais Amplitalks passarão a marcar presença na Sala 2. Na edição deste ano, o Amplifest dá-nos acesso a uma discussão crucial com um painel de luxo. Com Chris Bennet dos Minsk, Scott Evans dos Kowloon Walled City e Takaakira Goto dos Mono, vamos poder mergulhar num dos dilemas mais progressivos na música extrema: o género! Post-isto, post-aquilo, este será o tema a discutir e se quiserem ouvir, terá lugar no Sábado, às 17:35. No domingo, estaremos acompanhados pelos muito acarinhados Scott Kelly e Steven Von Till dos Neurosis, que connosco irão partilhar histórias e momentos do legado que a banda tem criado ao longo das décadas. Às 17:25 estarão á espera para serem ouvidos, e lá estaremos para ouvir.

Os audiovisuais têm sido proeminentes na história do festival, só mais uma coisa que o torna de tão especial e acolhedor. Todos os anos com exibições exclusivas e diversificadas, este não será exceção. Contaremos com uma sessão do último documentário dos Melvins, este que celebra e exibe uma digressão que só os mais descomprometidos e firmes artistas conseguem enfrentar: 51 datas em 50 estados nos Estados Unidos da América. Um registo que está à altura do historial inevitavelmente proactivo e invasor da banda americana.



De resto, não será de esperar nada mais nada menos do que um fim-de-semana de sensações e experiências. Com um horário que nos oferece venda de discos, merchandise, a sessões de audição de álbuns a estrear, palestras com painéis de luxo, concertos que vão muito além daquilo que as palavras conseguem descrever, e tudo isto numa cidade mais do que pronta a dignificar a postura e cadeia genética da Amplificasom.

Os polos vão catalisar a nossa ansiedade e a nossa pulsação vai pedir por mais, mais, mais!
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Amplifest 2016 Preview • A diminuir entre mundos
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