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Amplivoices, Parte 1 - Antevisão Amplifest 2019

20 de Setembro, 2019 ArtigosJoão "Mislow" Almeida

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O som em revolução - Antevisão The Sound Of Revolution 2019
A palavra “saudade” surge com frequência no foro gramatical da língua portuguesa. O Amplifest, por sua vez, é muito possivelmente o festival que mais tem entranhado, impregnado e suscitado essa palavra desde a sua “última” despedida em 2016. Não bastando o reconhecimento até aí louvado, o cartaz e ambição desse “último” projeto pode muito bem ter sido o triunfo e a queda da sua força. Havendo casos onde, para valorizar algo, é preciso perdê-lo, o Ampli sempre foi valorizado e acarinhado independentemente da sua ausência ou não, mas quer se queira quer não, esta espera de três anos bastou para saber dar valor à ausência desta tão emblemática reunião anual. Prova dessa saudade passou pela extática reação entre todo o público, aquando do anúncio do seu retorno. Prova dessa saudade passou pela dissipação total dos passes gerais, meses antes do festival acontecer. Não bastando, ainda a faltar um mês, viram-se também os bilhetes diários a partirem tão rápido quanto chegaram. Seria justa outra reação senão esta? Claro que não. Como votos de consagração, e em antecipação aos muito aguardados dias 12 e 13 de outubro, avança-se a tradicional antevisão com um twist diferente. Cada um dos quatro capítulos, que dividem o robusto alinhamento, será complementado por uma entrevista com uma pessoa cuja presença no festival abrange os vários pontos de vista da sua experiência. Desde fotógrafo, a realizadora, ao artista, ao ticket-buyer. Afinal de contas, além da música e de toda a experiência, são estes os alicerces do Amplifest.

 

Capítulo I - Caos à flor da pele

Quer esteja o prefixo mais inclinado para o punk ou para o hardcore, a dualidade entre a melodia e a urgência vivem numa simbiótica reflexão com a vida real. De certa forma, Touché Amoré é o testemunho em primeira mão de todos os pesos que o dia-a-dia encarrega. Dois anos depois da sua estreia em Portugal, os americanos continuam a elevar uma discografia perfeita, com uma dicção interventiva e oh-tão-necessária acerca da depressão e de conflitos pessoais. Stage Four é um tributo doloroso, mas obrigatório e imperdível. Falhar Touché Amoré é falhar esse mesmo testemunho. Os franceses Birds In Row são uma grande resposta ao screamo/melodic hardcore que inundou a Europa nos mid-00s. You, Me & the Violence mantém-se como um dos grandes hinos de 2012, mas We Already Lost The World promulga uma linguagem totalmente nova que promete afirmar-se intemporalmente.

Quanto aos Daughters, não basta só relembrar que You Won’t Get What You Want foi considerado um dos discos de 2018 da Wav, ou reafirmar o monstruoso concerto que estes entregaram no Roadburn deste ano. Mas no que toca aos confins do Hard Club, neste não faltarão queixos no chão e muitos calafrios. Mesmo havendo a expectativa de que será visceral, tumultuoso e convulsivo, fica a promessa que será tudo isso e muito mais. Com o seu disco de estreia Let Pain Be Your Guide sob análise no ano passado, e com o mais recente EP Suffering Is A Gift no Overall de agosto, não há como ignorar a visceral pujança de Portrayal Of Guilt. Sendo um dos nomes mais pesados e abrasivos do screamo atual, com emoviolence e black metal no seu cerne sonoro, a mecânica destes pede somente uma resposta: reação.

Raquel Silva é fiel ao Amplifest desde a sua primeiríssima edição. Não houve um fim de semana em que não tenha marcado presença desde então. Para além de ser uma real amante da música, algo que a tem movido a viajar Europa fora à procura de concertos, é também já familiar a festivais mais focados na experiência e na descoberta, como o Roadburn e tantos outros. Quase religiosamente, nos dias que correm, não faria sentido falhar a presença no retorno do Ampli.

 

Acerca do teu primeiro Amplifest, lembras-te do cartaz? Qual foi o nome que mais te fez querer ir?

Raquel Silva - Honestamente, tive de o consultar para responder a esta pergunta, porque o tempo, na minha cabeça, mistura-se demasiado. Acho que já na altura teria ido às cegas, porque as escolhas da Amplificasom tinham sido, até ali, todas bastante acertadas. Mas foi sem dúvida Jesu, Godflesh e Rorcal que me puxaram. Penso que foi nessa edição que fui sozinha e acabei por me dar melhor com algumas pessoas que são hoje dos meus melhores amigos. O ambiente parecia menos agitado nesse ano. Tenho pena de não me lembrar do concerto de Dirge. Tenho saudades dos puffs da entrada!

 

Dirias que a tão admirada mística do festival já lá estava desde o início, ou foi algo que foi ganhando com o tempo?

R - Acho que o festival não nasceu para ser um sucesso imediato, e acredito que o primeiro ano tenha sido difícil de ultrapassar. O cartaz começou logo por ser enorme e ambicioso, havia muita coisa nova, e não sei até que ponto estávamos prontos para simplesmente nos deixarmos levar pela descoberta. Em Portugal fazemos sempre muitas contas mal feitas, e não vemos recompensa em ir a um festival onde nem conhecemos metade do cartaz. Os relatos depois das primeiras edições parecem-me ter ajudado a que isto seja o que é hoje — quem foi, não teve nada senão boas coisas a dizer, e no ano seguinte já se conseguiu despertar curiosidade noutras pessoas.

 

O Amplifest sempre foi muito focado nos ritmos mais lentos e nas interpretações do post-rock, industrial, ambient e etc. Qual a importância da inclusão de bandas mais “punk/hardcore” num cartaz do Amplifest? Dirias que é uma novidade?

R - Não é uma novidade de todo. Mencionando os óbvios Converge, já houve outras bandas a abrasar que me marcaram mais que algumas das que me levaram ao festival, como os Rise and Fall (pobres! que não se pôs ali um arraial de pancada digno). Quanto a mim, temos esses géneros na medida certa, tendo em conta o histórico e base da organização. Não sendo rigorosamente defensora do “cada coisa no seu lugar”, são géneros (mais o hardcore que o punk, na verdade) que já têm o seu espaço noutras salas e festivais. Onde mais é que encontras Minimal-post-renascentista com encarpanços de sludge proto-dancehall? Só no Amplifest.

 

Das quatro bandas que se mencionaram no primeiro capítulo da antevisão, só há uma que ainda não viste. No entanto, destas quatro, qual a mais especial para ti e qual achas que vai surpreender o público do Amplifest?

R - Acho que Daughters vai derreter caras. Quem vai para os ver, mas nunca viu, de certeza que acha que sabe o que esperar, mas estão enganados! Birds in Row e Touché Amoré já por cá passaram, e acredito que muita gente já os tenha visto. Essas duas são as que me são mais queridas, me deixam melhores memórias e me dizem mais, e são sem dúvida as que quero mais rever. Portrayal Of Guilt vai de certeza ser muito bom, mas o que é que não vai? Este EP já é candidato aos melhores do ano!

 

Se algo mudasse no festival, quer seja o espaço, o formato ou até mesmo a cidade, acreditas que o ambiente se mantinha? Achas que fazia sentido ver o Amplifest noutro sítio? Se sim, onde?

R - O formato já mudou ao de leve algumas vezes, e nada se perdeu, pelo contrário. Não consigo responder quanto à mudança de cidade... Acho que é no Porto que o festival faz sentido, e o Hard Club parece-me funcionar lindamente, mas se por algum motivo tivéssemos de nos mudar — de sala(s) ou cidade —, não me parece que fosse um elemento perturbador (mas, pá, não me façam andar quilómetros entre salas à la Mexefest, por favor). Quem nunca saiu da sua cidade para ir ver um concerto? Tudo se resolve com boleias.

 

Havendo possibilidades para 2020, qual a banda/projeto que devia contar no alinhamento do próximo ano? Não vale repetentes.

R - Mas vale defuntos? Fazia regressar Fall of Efrafa e Buried Inside. Lingua Ignota, Cult Leader e Thou são os meus pedidos mais tangíveis, mas isto pode mudar para a semana, que há muito por onde pegar!

 

Capítulo II - Ressonância esmagadora

Algo impossível de ignorar no cartaz é a sua própria magnitude. Não só referente à dimensão do alinhamento, mas também aos próprios sonoros massivos nele embutidos. Mas para soar massivo, para bem ou para mal, é mais do que só “tocar alto”. As tonalidades têm que vibrar, os contrastes devem surgir com critério e o resultado final tem de ser, nada mais nada menos, do que fisicamente imponente. Author & Punisher é mestre nessa arte. Aqui, a ideia de Máquina vs. Homem materializa-se em paralelo entre a estética mecânica, hidráulica e pneumática com os conhecimentos de engenharia de Tristan Shore. Quer em parâmetros sonoros ou mecânicos, a identidade distópica e singular de A&P assusta e impõe. Ainda nesta dimensão planetária, Inter Arma mostram-se densos, tempestuosos e montanhosos. A englobar elementos de sludge, post-metal, black, death e muito mais, é impossível não obter um resultado final que não seja prodigiosamente enorme. Havendo dúvidas, basta sentir o seu peso no Overall de abril.

Apesar da maioritária presença de nomes estrangeiros, há dois projetos portugueses impossíveis de ignorar. Para quem gosta do seu black metal mais moderno, atual, atmosférico e denso, Gaerea surgem como a próxima banda portuguesa a afirmar-se fortemente no estrangeiro. Depois da muito bem recebida estreia pela Transcending Obscurity com Unsettling Whispers, e de inúmeras digressões pela Europa fora, e até mesmo na China, chega a vez da banda apresentar o seu ritual ao Amplifest. Dando seguimento à palavra “ritual”, apesar de ser um dos nomes mais obscuros do cartaz, há que deixar a curiosidade compensar todo o potencial de Candura. Oriundos de Lisboa, a dupla proporciona um ataque aos sentidos em forma de drone/noise corrosivo e anatómico. Disforme, veemente e visceral, são algumas das palavras que moem o subconsciente e consciente perante a subatómica presença do decibel.

Pedro Roque, a.k.a. Eyes Of Madness, é um workaholic. Um fotógrafo que persegue o retrato e a paisagem como se a sua vida dependesse disso. Não bastando evidenciar a familiar crueza da realidade na sua fotografia, este tem crescido não só fora, mas principalmente dentro das salas. Desde fotografar Kvelertak com Metallica, às tão cruciais raízes locais do Sabotage e Disgraça, Pedro é, acima de tudo, uma cara familiar e importantíssima em qualquer concerto. Esta será a sua quarta vez a viajar desde o Barreiro até à cidade invicta, para retratar a experiência do Amplifest da maneira que mais aprecia fazer. A preto e branco.

 

Acerca do teu primeiro Amplifest, lembras-te do cartaz? Qual foi o nome que mais te fez querer ir?

Pedro Roque - O meu primeiro Amplifest foi na edição de 2013 e lembro-me que no cartaz estavam nomes como Pharmakon, Uncle Acid & The Deadbeats, Chelsea Wolfe, Downfall of Gaia e Aluk Todolo. No contexto deste festival é difícil escolher só um nome, visto que normalmente é um aglomerado de artistas que me fazem sempre querer ir. Mas para responder com precisão, posso dizer que foi a Chelsea Wolfe.

 

Qual a recordação que guardas com mais carinho dessa edição?

P - Posso recordar duas? A primeira foi ter estado no mesmo espaço que a Kim Gordon e ter trocado umas palavras com ela. O Amplifest é daqueles festivais onde não há barreiras entre os artistas e o público e situações destas podem acontecer facilmente. A segunda, foi ter dado uns berros numa cover de Godflesh com os Utopium na sala 2.

 

Dirias que a tão admirada mística do festival já lá estava desde o início, ou foi algo que foi ganhando com o tempo?

P- Na minha visão, acho que foi algo que foi ganhando com o tempo. Os anos vão passando e o festival vai sendo cada vez mais aquele ponto de encontro. Tal como por exemplo o Roadburn, onde se gerou um feeling de família, o Amplifest tem um pouco disso.

 

Fala-nos um pouco sobre o papel que o Amplifest teve no teu pessoal Eyes Of Madness.

P - Teve um papel muito importante. O meu trabalho chegou a mais gente e foi neste festival onde comecei a ganhar um pouco de coragem em falar diretamente com os músicos. Foi lá que consegui retratos do Stephen O’Malley, Anna Von Hausswolff, Steve Von Till e Scott Kelly, para nomear alguns.

 

Como fotógrafo, o que define o Ampli para ti? A música, as entrelinhas dos concertos (palestras, mercado, discos) ou as pessoas?

P - O Ampli é o “parque de diversões” perfeito para o tipo de linguagem que eu procuro no meu trabalho. Incluo isso tudo. Acho que é mesmo isso que faz o festival. Quem vai ao festival não vai só pela música mas pelo resto que está associado. Vão sempre pelo pacote completo.

 

Entre as bandas mencionadas no 2º capítulo da antevisão, qual a que mais queres ver? Fala-nos um pouco da tua escolha.

P - Escolho os Candura. Sou suspeito porque sou próximo da banda, já assisti a ensaios e infelizmente só assisti ao segundo concerto. Quero muito ver este projecto no contexto do Amplifest. Acima de tudo vai ter volume e muitas camadas de noise. O público que se prepare porque eu acho que vai ser dos concertos mais opressivos e castigadores do festival.

 

Havendo possibilidades para 2020, qual a banda/projeto que devia contar no alinhamento do próximo ano? Não vale repetentes.

P - Esta é fácil. SUNN O))).
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