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At The Drive-In - Relationship of Command (2000) | Máquina do Tempo #7

28 de Março, 2015 ArtigosJosé Angélico

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Sound Bay Fest: O Psicadélico que dá à Costa.

O Vazio enregelado do Abismo
At The Drive-In - Relationship of Command

Com este álbum, que surgiu no ano 2000, deu-se origem a um ressurgimento de movimentos como o Emo ou o Screamo. É um álbum quase perfeito devido a se notar ainda os dois lados da banda (para quem não sabe, quando os At the Drive-In acabaram, Cedric Blixer e Omar-Rodriguez Lopez, vocalista e um dos guitarristas/baixistas formaram os The Mars Volta, enquanto os outros 3 elementos formaram os Sparta) e onde as deambulações e arranjos de Omar e Cedric estavam relativamente domados. A juntar a isso, a mistura das vocalizações de Cedric que, ora cantava, ora gritava ora até fazia um registo quase de spoken word com as de Jim Ward que quase sempre gritava, ficavam perfeitas juntas aos sons ora mais lentos, ora mais rápidos que a banda fazia.

Mas vamos contextualizar e perceber como eu os conheci: numa entrevista ao Blitz, que numa era onde praticamente não havia Internet, era a bíblia para quem gostava de música e queria conhecer novas coisas. Ross Robinson, que era o guru do que se denominava nu-metal (por ter produzido vários álbuns das principais bandas) falava que tinha deixado precisamente esse estilo e que estava a produzir o novo álbum de alguém mais verdadeiro que a maioria dessas bandas, apesar de terem um som mais cru e mesmo um pouco punk, e que até tinham Iggy Pop numa canção. Essa banda, como devem ter percebido, eram os At the Drive-In, e o álbum Relationship of Command. Não liguei muito, só que meses depois comecei a ouvir incessantemente “One Armed Scissor”, a canção mais conhecida deste álbum, a tocar no extinto Sol Música. Fiquei fascinado por aquilo, acabando por descobrir que eram estes meninos que Ross Robinson tinha falado tão bem.

O álbum em si tem 11 músicas (12 na versão japonesa) com as letras a não serem muito fáceis de se perceber: Cedric parece escrever com um dicionário à frente muitas vezes, mas tem um discurso sempre bastante violento e até um pouco macabro nalgumas delas, no que parece ser uma guerra. É comum as canções acabarem por ter alguma frase que nos fica na memória, por ser muito boa para cantarmos a plenos pulmões e acompanharmos Cedric, não viesse a banda do punk-hardcore.

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Relationship of Command começa em grande com “Arcarsenal”, onde começamos por ouvir maracas para depois passar um som em crescendo, até aparecer a bateria em conjunto à voz de Cedric Blixer, que nos está sempre a repetir “beware”, como se estivesse a anunciar o que se vai seguir. Segue-se “Pattern Against User” onde a banda já está a 200 à hora com todos os instrumentos a combinarem muito bem entre si e se mistura constantemente partes mais rápidas e pesadas com outras mais lentas. Quase sem parar, aparece “One Armed Scissor” ainda mais rápida e sem parar, onde aparece pela primeira Jim Ward a fazer segundas vocalizações e a gritar-nos “cut away”, enquanto Cedric replica que está a mandar a mensagem pela tesoura de apenas um braço (“send transmission from the one-armed scissor”). Pelo meio, Cedric avisa-nos que “This Station is Non-Operational”, frase que ficou quase tão mítica que depois serviu como título para o best of da banda. A canção acaba já bastante lenta com um piano a ser acompanhado de vários sons como se estivesse tudo a acalmar.

Claro que depois começa “Sleepwalk Capsules” e rapidamente se percebe que acalmia afinal não existia: Cedric continua a gritar em conjunto com Jim Ward e nós percebemos que é difícil de parar. Segue-se “Invalid Litter Dept” com Cedric num registo bastante calmo (quase em spoken word), que se passa enquanto o resto da banda nos avisa que se “dança nas cinzas dos corpos restantes” (“dancing on the corpses ashes”). Aqui sim, temos uma grande acalmia com a bateria mais a guitarra e o baixo a combinarem em sons circulares até ao refrão e ao final, onde de novo o som explode e volta tudo parecer estar a 200 à hora. Sentimento que se mantém com “Mannequin Republic”, onde a bateria nos dá o mote seguido do aviso de Cedric (“They call it a Wasteland”) que parece não parar o pesadelo onde entrámos e que o melhor é mesmo mexermo-nos.

Seguidamente aparece-nos “Enfilade” onde começamos por ouvir a gravação de um telefonema de alguém que parece ter feito um rapto e está a combinar o local onde deve ser deixado o dinheiro para o resgate. Rapidamente a canção acelera e mais uma vez há uma mistura de ritmos quase perfeitos entre bateria, baixo e guitarra, que quase nos faz querer mexer o pezinho e não ficar quieto enquanto Cedric nos avisa: “Sacrifice on railroad tracks… Freight-freight train is comming, freight-freigt train is comming”, e que nós temos de nos despachar com esta viagem.

Chegamos a “Rolodex Propaganda”, a tal canção com Iggy Pop (todos nós sabemos que uma canção com Iggy Pop é sempre melhor que uma sem ele). Iggy Pop faz aqui o papel de Jim Ward, fazendo a segunda vocalização e gritando "manuscript replica" com vários tons e ritmos enquanto Cedric lhe avisa que está a acertar (“You Got It , You Got it”). Tudo isto, ouvindo-se em fundo mais uma vez como que uma luta entre bateria, primeira guitarra e baixo. Segue-se “Quarantined” e começamos primeiro a ouvir o baixo a fazer mais uma vez um som circular, seguido de guitarra e bateria, deixando-nos descansar um pouco. Mas chega-nos “Cosmonaut” e já não há mais descanso, com a bateria de Tony Hajjar a dar-nos o mote que isto vai acelerar de novo, em conjunto com as duas guitarras e a voz de Cedric, que se farta de perguntar se será mais pesado que o ar (“Is it heavier than air?”).

Por fim chega-nos “Non Zero Possibility”, que começa com o som dum piano que nos acompanha até ao final e apercebemo-nos que temos mesmo de descansar da violência que existiu nesta viagem. É claramente a canção mais calma do álbum.
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