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SEMIBREVE 2016 • A antevisão

23 de Outubro, 2016 ArtigosSara Dias

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Jameson Urban Routes 2016 • O que esperar - Parte 1/2

Jameson Urban Routes 2016 • Qual a atuação a não perder?
secretthirteen-org Fotografia via secretthirteen.org

 

2011 - uma odisseia no espaço musical – é o ano que marca a primeira edição do Semibreve, com um cartaz inesquecível, encabeçado por Alva Noto, Fennesz, Jon Hopkins e ainda com Taylor Dupree e Vítor Joaquim. Com berço em Braga, a AUAUFEIOMAU veio colmatar uma grave lacuna que se fazia sentir no norte do país. Mas quem está por trás da AUAUFEIOMAU? Luís Fernandes, diretor artístico do festival esclarece: “A AUAUFEIOMAU é uma cooperativa cultural criada em 2010 para desenvolver o festival semibreve e para «albergar» formalmente um conjunto de artistas oriundos de diferentes disciplinas artísticas. Dos Mão Morta e peixe : avião ao João Martinho Moura (artista digital), Joana Gama (pianista) e Manuel Correia (fotógrafo).”

Braga foi a escolha natural da AUAUFEIOMAU: “O evento foi pensado desde o dia 0 para ser realizado em Braga, não apenas por sermos naturais da cidade, mas porque existiam (e continuam a existir) uma série de pressupostos que a tornavam particularmente interessante para tal. Para além de equipamentos culturais de excelência e de se situar muito próxima do aeroporto do Porto, a cidade tem a maior percentagem nacional de unidades de investigação, empresas e indústria ligadas à informática e novas tecnologias. Sentimos que deveríamos trabalhar a ligação entre o universo académico e performativo e as primeiras 5 edições do festival deram-nos razão.”.

Desde a mítica primeira edição, guardada por muitos como a melhor de sempre, os cartazes do Semibreve corresponderam sempre o nível de exigência de um “público que se veio a fidelizar”, entre os quais de salientar nomes como Ryoji Ikeda, Ben Frost, emptyset, Roly Porter, Raime, The Haxan Cloak, Forest Swords. Para além de um público fidelizado, o Semibreve conta também com interesse mediático que se manteve “relativamente estável desde a primeira edição, em 2011, na qual contamos com um grande contingente de imprensa internacional.”, entre as quais podemos destacar a The Quietus ou a The Wire.

Mas o Semibreve faz-se por mais que grandes nomes: faz-se, acima de tudo, com grandes apostas em artistas emergentes, ideia reforçada por Luís Fernandes: “Fazemos questão de apresentar propostas novas, relevantes e de altíssima qualidade e, em 6 cartazes, nunca repetimos um artista. Pelo caminho promovemos a estreia em Portugal de mais de 25 artistas.”. A edição transata do festival foi um sucesso: de realçar o mítico octogenário Roedelius que nos brindou com um set de uma mestria ao nível da lenda, assim como Oren Ambarchi. E pelas aprazíveis surpresas que foram Klara Lewis, Luke Abbott e Vessel.

A edição de 2016 está à porta: nos dias 28, 29 e 30 de outubro, o Semibreve volta a invadir Braga, com passes gerais mais que esgotados e com mais um soberbo cartaz que conta com Andy Stott, Christina Vantzou, Jonathan Uliel Saldanha, Kaitlyn Aurelia Smith, Kara-Lis Coverdale, Laurel Halo, Nídia Minaj, Oliver Coates, Paul Jebanasam & Tarik Barri presents Continuum, Rashad Becker + Moritz von Oswal, Ron Morelli + Florence To, Ron Morelli e Tyondai Braxton.

 



 

Kaitlyn Aurelia Smith, é uma das compositoras americanas mais interessantes da atualidade: seguiu a via académica na Berklee College of Music na área de composição, com base na voz. Mas o destino trocou-lhe as voltas quando um vizinho lhe apresentou o seu Buchla 100. Deixou a banda onde era vocalista, Ever Isles; tocou o seu major para guitarra clássica e piano; e começou a experimentar compulsivamente com o emprestado sintetizador modular Buchla 100. No documentário Back to the Future Sounds, Smith fala sobre a sua ligação com sintetizadores modulares: “I think modular synthesisers really taught me how to listen because I would just turn on one oscillator and just listen to it pulsing, and like all these experiments like: if I turn the lights on all of a sudden it’s doing, you know, drifting a little bit or if I add another one I would hear all these amazing beat frequencies and that just taught me how to listen to how things interact in a very simple way. It was like having musicians there with you because it would do its own thing sometimes.”. Com cinco discos lançados desde 2012, é incontornável que EARS é o disco de afirmação e maturação de Kaitlyn Aurelia Smith. Em EARS temos padrões e texturas orgânicas e esotéricas, numa eletrónica que tem tanto de maquinal como de natural, onde temos uma marcada influência de psicadelismo e chamber pop, demarcada pela experimentação modular.

Já Andy Stott é um nome mais que conhecido da ocidental praia Lusitana: é já uma lenda em construção do techno e do experimentalismo dilacerado e sedutor embrenhado em vozes femininas– que conta, curiosamente, com a voz da sua professora de piano Alison Skidmore, – em versos com um caracter bastante sensual. O interesse pela música começou com um piano na escola, como afirma à Fact: “We had keyboards at school,” he remembers. “One of the keyboards had a filter on it, and I was just doing chords and filtering it. I just thought ‘that’s wicked, I want to do more of this’”. Esse interesse, cresceu e foi complementado com a compra de um computador, por incentivo de Skidmore. Porém, apenas em 2011, no álbum Passed Me By, é que Andy Sott começou realmente a investir mais na produção, acima de tudo, no sampling. Já as influências dilacerantes de industrial, que vão sendo atenuadas de disco para disco, vêm dos sons que rodeava Stott quando este trabalhava na Mercedes. Só depois de Luxury Problems é que Stott se dedicou a tempo inteiro à produção, sucedendo-lhe, Faith in Strangers (2014) e Too Many Voices (2016). Tendo já passado por Portugal, duas vezes só no ano transato, Andy Stott é uma estreia – e muito apreciada e antecipada – no norte do país, no primeiro dia de Semibreve, no gnration.

 



 

O terceiro destaque vai para a americana Laurel Halo: baseada em Berlim, mas nascida e criada nos Estados Unidos, Halo teve uma estreia de sonho, lançando o seu primeiro longa-duração, Quarantine, na aclamada Hyperdub. Neste álbum, Laurel Halo foca-se acima de tudo, em paradoxos, como a ideia de isolamento ou a ideia de uma sociedade que a sufoca; em entrevista à Pitchfork Laurel afirma que: “I was thinking about a feeling of suffocation. When I found out about MK-ULTRA, that was really heavy for me. It was a covert, illegal CIA human experiment program, where they basically were trying to create perfect soldiers by manipulating mental states and altering brain functions. They would administer psychedelic drugs or anti-psychotics. They would try to hypnotize people, actually do sensory deprivation and place people in total darkness for long stretches. Also, verbal and sexual abuse and torture. It's just interesting how resilient the human brain is-- even if you place people under a lot of psychological duress there's always the possibility of bouncing back.”. O segundo álbum chegou no ano seguinte, em 2013, Chance of Rain onde se torna mais evidente a produção em vez da voz em si. Depois de duas passagens por Portugal, uma em Lisboa e outra e m Coimbra, Laurel Halo regressa desta feita a 29 de outubro, no gnration.

O último e grande destaque vai para Paul Jebanasam & Tarik Barri que vêm apresentar um dos álbuns mais interessantes do ano: Continuum. O mais recente álbum de Jebanasam é descrito como uma exploração do espectro da vida, da potência e da energia presentes no universo: “it explores the magnitude of science’s reach and the precarious role of humanity within this vast evolving system”. E não é por acaso que a capa é inspirada num Reator Tokamak Alcator C-Mod do MIT (Massachussets Institute of Technology). Continuum é um álbum paradoxal que se foca na potência da natureza que só se consuma sob a direção da ciência, que oscila entre momentos de dureza e hostilidade sonora e de calma tingida de feedback e arranjos minimalistas. Continuum é uma verdadeira experiência áudio-visual ao vivo, concebida não como “apenas” um álbum, mas como uma combinação destas duas vertentes. Para Jebanasam Continuum só está completo com os visuais de Tarik Barri. Como em entrevista conjunta à FACT magazine no festival MUTEK Barri afirma: “The audio and the visuals feel like they are both expressing some deeper reality that lies beyond them, something that cannot even be known but just because of the sound and the visuals it feels like it’s there. And that’s beyond comprehension”. Continuum é uma estreia em Portugal e com data única no Semibreve: prevê-se um dos melhores concertos de 2016.

Este cartaz de 2016 tem uma quantidade considerável de artistas do sexo feminino, algo que já foi várias vezes aludido e elogiado na imprensa, no entanto, Luís Fernandes desvaloriza: “O nosso critério editorial é baseado em qualidade e relevância, não em género. Ambos os géneros são, naturalmente, capazes de cumprir esses requisitos.”

O Semibreve já se tornou um evento anual indispensável quer ao publico, quer ao panorama musical do norte do país.

“The inexpressible depth of music, so easy to understand and yet so inexplicable, is due to the fact that it reproduces all the emotions of our innermost being, but entirely without reality and remote from its pain... Music expresses only the quintessence of life and of its events, never these themselves.” - Musicophilia de Oliver Sacks.

 
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