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O hip-hop revisitado

26 de Fevereiro, 2017 ArtigosCamila Lobo

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Há já cerca de cinco anos atrás, o produtor Patrick Denard Douthit – mais conhecido como 9th Wonder – era nomeado fellow do Arquivo e Instituto de Investigação de Hip-Hop da Universidade de Harvard. Parte do Hutchins Center, um centro de investigação de estudos africanos e afro-americanos da mesma universidade, o Arquivo de Hip-Hop havia sido fundado em 2002 com o objetivo de encorajar quer a investigação, quer a própria criação intelectual, cultural e artística, através do hip-hop. Que 9th Wonder fosse escolhido pela Universidade de Harvard para integrar um projeto realizado ao abrigo desse instituto não surgiria como surpresa para ninguém que conhecesse o seu historial de dedicação à representação e estudo do hip-hop fora do meio urbano – ajudando, nomeadamente, a introduzi-lo nos meios académicos.

O projeto Classic Crates era depois criado numa colaboração entre o Arquivo de Hip-Hop e a biblioteca musical da Universidade de Harvard e visava a coleção de 200 álbuns clássicos, em formato vinil, justamente selecionados por 9th Wonder. O objetivo de tal acervo na renomada biblioteca seria, sobretudo, o reconhecimento do hip-hop enquanto manifestação cultural fundamental, não só no contexto dos EUA, como também atestando a sua valiosa contribuição a nível mundial.

Numa recente publicação, partilhada através da sua conta de Instagram, 9th Wonder anunciou os primeiros quatro álbuns escolhidos para integrar essa lista: The Low End Theory (1991) de A Tribe Called Quest, Illmatic (1994) de Nas, The Miseducation of Lauryn Hill (1998) de Lauryn Hill e, finalmente, o recente To Pimp A Butterfly (2015) de Kendrick Lamar. Assim se inicia, portanto, a importante missão de – como lido numa espécie de manifesto encontrado na página oficial do projeto – “colecionar, preservar, e tornar acessível a preciosa herança do hip-hop enquanto forma de arte americana”. Depois destes, 196 outros álbuns terão a oportunidade de ficar para a História, tornando-se símbolos da mesma nação que, demasiadas vezes, os renega.

O projeto dá seguimento a todo um trabalho de promoção do hip-hop levada a cabo ao longo dos anos por 9th e tantos outros que veem no hip-hop a voz de, pelo menos, duas gerações. Sendo a sua preservação ainda ameaçada pelo preconceito e ignorância daqueles que, associando o hip-hop à violência nos EUA, o apontam como sua causa, é essencial apresentar uma contra-narrativa e reafirmá-lo antes como sintoma dessa mesma violência cultural, como forma de resistência a um sistema ainda opressor. É necessário estudá-lo, trabalhá-lo, mantê-lo.

Embora 9th explique na sua publicação que os álbuns foram, e continuarão a ser, selecionados sem nenhuma ordem em específico, é relevante o facto de ter sido Lamar um dos primeiros eleitos a ver o seu trabalho aqui reconhecido. De facto, se os três primeiros álbuns são já geralmente tidos como parte dos grandes clássicos do hip-hop, muitos ficaram surpresos com a nomeação de um álbum tão jovem – ainda que altamente aclamado – a “viver para sempre”, como anunciado na mesma publicação. Mas a seleção poderá, porventura, explicar-se face à preocupação generalizada – pela qual 9th dá também a cara – em incentivar uma nova geração de artistas a renovar o hip-hop, revisitando, porém, aquilo que são os seus valores elementares: “devemos educar, bem como entreter”, dizia Curtis Mayfield.

Reencontrar a voz positiva de que o hip-hop tem sido veículo revela-se assim crucial à preservação da música que, a par do jazz, do gospel, do soul, do funk e do afrobeat, constitui o espólio da música negra, salvaguardando, em última instância, a própria América negra.

 

 
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