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Jameson Urban Routes 2016 • O que esperar - Parte 1/2

24 de Outubro, 2016 ArtigosDiogo Alexandre

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Bob Dylan: Se não vai a bem, vai a mal

SEMIBREVE 2016 • A antevisão
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É hoje que começa a mais uma edição do Jameson Urban Routes, um festival que já se uniu às noites de início de Outono lisboeta como unha e carne. À 10ª edição decide alterar a sua estrutura habitual para a prolongar durante uma única semana, contrastando com as habituais cinco datas divididas ao longo de dois fins-de-semana de Outubro, decidindo também organizar o seu cartaz por sessões, possibilitando assim a compra de bilhetes individuais para determinada sessão específica. O dia exclusivamente de música portuguesa sai (dependendo das interpretações), mas o de entrada livre mantém-se, sendo agora transportado da primeira para a última data do cartaz: 30 de outubro, neste caso.

Serão dezasseis as sessões programadas pelo atual Jameson Urban Routes, sempre visando as novas tendências da música moderna, e é sobre os seus principais destaques que nos debruçaremos agora. A primeira das quais distingue-se por conter um dos nomes em clara ascensão dentro do universo do rock alternativo que vê assim consumado o seu primeiro regresso em nome próprio a Portugal, depois das mais recentes e igualmente excelentes passagens pelo Rock in Rio e Vodafone Mexefest, ambas no decorrer de 2014, ano em que lançaram Present Tense, o derradeiro disco que os catapultou pela primeira vez para o top10 dos charts britânicos. Tomam agora uma já expectável abordagem mais electrónica/dançável com o seu mais recente Boy King, lançado pela Domino Records no passado Verão. Antecipamos muita festa: Musicbox esgotado é sempre sinal disso mesmo.



 

Para a segunda sessão foram chamados os portugueses Live Low e Bloom. Os primeiros, quarteto portuense do qual Pedro Augusto é figura prôa, é detentor de uma eletrónica exploratória a roçar o ambiental. Toada, o seu primeiro longa-duração do qual faz parte uma fantástica versão de “Lembra-me Um Sonho Lindo”, original de Fausto Bordalo Dias, foi lançado no passado dia 17 de outubro pela Lovers & Lollypops e será apresentado no festival.

Algo semelhante acontecerá com Bloom, projeto cantado em inglês e “recém” criado pelo já conhecido, não só pelos seus trabalhos a solo como também pela sua participação nos Belle Chase Hotel, nos Quinteto Tati ou até mesmo nos Pop Dell'Arte: JP Simões. “Tremble Like A Flower” é a primeira e única canção divulgada pelo projeto até ao momento e será também o nome do seu primeiro disco, ainda sem data divulgada.

https://youtu.be/ldRcRlCs2cI

 

Quarta-feira é um dia preenchido pela melhor música electrónica que se faz na atualidade. Gold Panda é o nome mais chamativo, mas é no descortinar no detalhe das sessões posteriores que descobrimos que Xosar (parceira de ataque do exímio Legowelt durante alguns anos) também por lá consta. Não há muito a dizer sobre Gold Panda que ainda não tenha sido dito aqui ou ali, tanto por nós como por outros meios de comunicação, mas que ninguém duvide do poder enérgico e da intransigência dos sets do senhor Derwin. O passado assim o dita e ninguém tenciona quebrar com o mesmo para o bem de todos nós.

Antecedemos então um set que não se limitará aos recentes trabalhos de estúdio do produtor, apesar de antevermos serem esses o seu principal foco (Good Luck And Do Your Best saíu no ano corrente e há que o apresentar), mas onde supomos também haver espaço para crowd-pleasers como “You” ou “Brazil”. Antes dele, Egbo, projecto de trap negro (ou hip-hop instrumental, como queiram) algo minimalista, baseado essencialmente em samples e com ritmos tocados ao vivo numa drum machine, revela-se ideal para introspecções agressivas na escuridão que um dia a meio da semana transmite e que a sala lisboeta nos serve.

Sheela Rahman a.k.a. Xosar chega a Lisboa cinco dias depois de actuar em Berlim nesta que será a sua terceira passagem pelo nosso país só neste ano (depois de uma muito bem consumada no Neo Pop e de outra no Plano B), chegando invariavelmente munida com tech house de seu cunho e com um acid house algo revivalista, muito influenciado pela cena de Detroit, pronta para nos transportar para outra dimensão, provando que, na simplicidade, por vezes está o ganho. Fazer-se-á uma ode ao Juno-8 e ao Electribe SX, certamente.

https://www.youtube.com/watch?v=t5f7pQUdGzU

 

À sexta sessão o rock volta a estar em evidência, neste caso numa variante mais ambiental. 65daysofstatic são o prato principal mas é aos Thought Forms que cabe a árdua tarefa de iniciar as hostes. Enquadrados também dentro da vasta categoria do pós-rock, os ingleses naturais de Bristol apresentarão o seu mais recente trabalho Ghost Mountain pela primeira vez diante do público português. Depois de se terem iniciado como banda de longos instrumentais com frequentes crescendos, abordam agora uma vertente mais dark e pesada (muito fuzz por ali anda) onde as imponentes bass lines e a voz doce e etérea de Charlie Romijn são o principal marco, fazendo-nos lembrar, em parte, uns Esben & The Witch, com os quais acabam de lançar um split. Parece que não fomos os únicos a pensar nisso.

Também de Inglaterra, os 65daysofstatic estreiam-se finalmente em nome próprio no nosso país e com eles trazem a banda sonora de um dos jogos mais aguardados do ano: No Man's Sky. Obra que, porventura, interpretarão parcialmente, tanto em Lisboa como no Porto, e que, calculamos, terá relevância dividida com Wild Light. Quando escutámos pela primeira vez The Fall Of Math, álbum que deixou todos boquiabertos ao mesclar o pós-rock de então com elementos matemáticos e de glitch music, nunca pensámos que um dia o quarteto evoluiria e faria com que a sua música chegasse à mais recente expressão artística, mas de facto foi isso que se sucedeu. Após musicarem “Silent Running”, eterno clássico sci-fi de Douglas Trumbull, chegam agora aos videojogos e com uma disco duplo nada mal concebido, muito pelo contrário. Um concerto que promete muito e uma estreia que já deveria ter acontecido há muito tempo atrás.

https://youtu.be/Nru86VmoEK4

 

A sessão 7 traz ao palco da “caixa de música” Teebs, produtor e artista visual radicado em Los Angeles, com dois discos editados pela Brainfeeder (editora do sempre presente Flying Lotus, Thundercat, Mr. Oizo, Captain Murphy, entre outros), é na electrónica que se sente confortável e onde consegue transmitir os seus medos e sentimentos. Prova disso é Estara disco tão groovy como sentimental que pisca o olho aos beats de hip-hop mais chill/contemporâneos ideal para acalmar a mente depois de um concerto de rock enérgico. Diz-se que depois da tempestade vem a bonança, mas como a vida é cíclica eu acrescente que depois da bonança vem a tempestade e é nessa tempestade que nos vamos ver quando o colectivo Gqom Oh! se preparar para apresentar os seus furiosos temas vindos directamente dos subúrbios de Durban (África do Sul). Uma oportunidade única para trocar ideias entre culturas e para soltarmos os nossos passos de dança mais obscuros ao som de música urbana mundial. O dia termina com o ilustre Mike El Nite nos pratos a fazer um dos seus habituais DJ sets.

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