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NOS Primavera Sound • O que esperar - Dia 1

09 de Maio, 2015 ArtigosLuís Sobrado

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NOS Primavera Sound • O que esperar - Dia 2 - Parte 1/2

John Coltrane - A Love Supreme (1965) | Máquina do Tempo #9
primavera © Hugo Lima

A menos de um mês do início do NOS Primavera Sound 2015, o tempo escasseia para que possamos ficar a saber mais sobre os nomes que vão pisar os quatro palcos do maior festival da cidade Invicta e já um dos com maior sucesso em território nacional.

Dos cerca de cinquenta concertos previstos para os dias 4, 5 e 6 de Junho, seleccionámos uma lista de sensivelmente metade: vinte e cinco serão as análises a outros tantos artistas que passarão pelos vários palcos espalhados pelo Parque da Cidade do Porto, cinco delas para o (mais curto) primeiro dia e dez para os dois restantes, sexta-feira e sábado.

Cingindo-nos, então, a cinco nomes que merecem destaque para a quinta-feira de dia 4 de Junho, dia inaugural do NOS Primavera Sound de 2015, podemos adiantar que vão poder ler sobre uma instituição do indie rock dos anos 2000 regressados à sua melhor forma, sobre a grande nova esperança da pop feminina e sobre um dos emergentes valores da música portuguesa, entre dois outros nomes de relevo que.. bem, acho que já falamos demasiado. Tudo isto e ainda mais para descobrir abaixo.

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Interpol (EUA)

Ainda que estejamos a falar dos mesmos Interpol que criaram hinos do indie rock do século XXI como "Obstacle I" ou "NYC", é obrigatório que uma coisa fique bem clara: longe vão os tempos do boom de Turn On The Bright Lights. Quase 15 anos depois, os Interpol são uma banda bem diferente, embora, na verdade, não o queiram parecer.

Vamos a factos: 2001 trouxe ao mundo discos já históricos de Radiohead, White Stripes, Strokes e destes mesmos Interpol. Se é verdade que os dois primeiros já eram colossos do indie rock com uma carreira mais do que consolidade, as duas bandas nova-iorquinas, por outro lado, eram jovens de sangue na guelra, inspirados pelo punk e pós-punk das décadas em que tinham nascido e com talento mais do que suficiente para tirarem da cartola dois discos que roçam a perfeição.

Tinha 4 anos quando esse disco foi lançado, mas, alguns anos depois, estou aqui para confirmar que nesse início de década, século e milénio absolutamente conturbado e revolucionário, as pessoas não estavam enganadas: Turn On The Bright Lights é enorme. Do início ao fim, a catarse e o dramatismo são palavras de um disco que nos deixa abismados à primeira, à segunda e à milésima audição. As canções que se vão sucedendo são, cada uma, melhor do que a outra: desde o hino que é "Obstacle I", passando pela canção-de-amor-disfarçada que é "NYC", culminando no fecho intenso e hipnótico de "Leif Erikson". A verdade é que nos basta ouvir os primeiros segundos de "Untitled" para ficarmos apaixonados.

Ainda assim, após um Turn On The Bright Lights que tomou de surpresa a esfera indie global e tornou os Interpol na next big thing, levando até a comparações com Joy Division, Television ou Bauhaus, a verdade é que tardaram em corresponder às expectativas deixadas por tamanho primeiro disco. Até mesmo no difícil segundo disco, Antics, de 2004, conseguiram fazer viver as esperanças de que os Interpol poderiam ser, de facto, os herdeiros de bandas como os Radiohead ou os White Stripes no trono da música indie.

Infelizmente, os dois discos que sucederam a Antics não demonstraram a mesma fluidez e vivacidade que esse disco e o seu antecessor emanavam. Our Love To Admire e o homónimo Interpol, de 2007 e 2010, respectivamente, eram como que uma representação mais baça, incaracterística e genérica do bom revivalismo pós-punk a que os Interpol nos tinham habituado.

Depois do lançamento pouco bem-sucedido de consecutivos discos a solo por parte do líder da banda, Paul Banks, primeiro com o pseudónimo Julian Plenti e depois como, simplesmente, Banks, os Interpol lançaram em 2014 El Pintor. Embora não seja um assumido voltar às origens, este novo disco acaba por denotar uma certa vontade de regressar ao som atmosférico, melancólico e sombrio dos dois primeiros discos, o que acaba por nos dar uma esperança última de que, um dia, poderão vir a ser tão grandes como um dia prometeram ser.

Em jeito de conclusão, convém deixar bem reforçada a ideia de que os Interpol são uma grande banda, de grandes músicos, com um grande frontman, liricista e vocalista, e que finalmente tem em Portugal um palco que lhes dá a oportunidade de serem cabeças de cartaz, onde verdadeiramente se enquadram musicalmente. Embora já não sejam muito próximos os tempos de explosão criativa da banda, ao fim de 15 anos de carreira têm, apesar dos altos e baixos, um percurso de que se podem orgulhar. Quanto mais não seja porque, um dia, lançaram um dos melhores discos de sempre.

Review de El Pintor



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Caribou (Canadá)

Dan Snaith é um homem com várias personas. Primeiro como Manitoba, depois como Caribou e mais recentemente como Daphni: foi na forma de vários tipos de cervos que se revelou o génio deste canadiano que, inspirado na pop psicadélica de 60s, 70s e 80s, criou uma das linhas mais refinadas de electrónica que os últimos 15 anos nos ofereceram.

Sob o alter-ego de Manitoba lançou dois discos em 2001 em 2003 que rapidamente o colocaram sob os holofotes da imprensa internacional. Mais ligado à folktronica neste início de carreira, rapidamente juntou à sua electrónica elegante uma pitada do acid house que no fim do século passado tomara de assalto as pistas de dança um pouco por toda a parte.

Tal como o seu amigo Kieran Hebden, mais conhecido como Four Tet, que também no início de carreira lançou Pause, um dos expoentes máximos da folktronica, everedou definitivamente pela música electrónica até ao momento. Primeiro com The Milk Of Human Kindness, em 2005, piscou o olho ao krautrock e ao trip-hop, mas foi depois com o maravilhoso Andorra que Caribou se assumiu verdadeiramente como um dos reis da electrónica no século XXI.

Em constante reinvenção, Dan Snaith tem vindo a testar os limites do seu som a cada disco que lança. Mais recentemente foram Swim e Our Love, em 2010 e no ano passado, a trazerem-no para uma esfera mais longe do mood ambient, etéreo, instrumental e quase pastoral de Andorra para as pistas de dança.

Depois do enorme sucesso de vendas que foi Swim, Our Love acaba por ir no mesmo caminho. Enquadrando-se no mesmo ramo da IDM do qual fazem também parte Mount Kimbie ou Jamie xx, lançou, em 2014, um dos melhores singles do ano. "Can't Do Without You" tem tudo o que uma grande música de dança deve ter e promete ecoar nos nossos ouvidos muito para lá de a podermos ouvir no Parque da Cidade do Porto.



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Mac DeMarco (Canadá)

A ascensão de Mac DeMarco foi nada menos do que impressionante. Em poucos meses passou de perfeito desconhecido a estrela indie. Apesar de aclamado sem reservas pelos grandes sites de música internacionais, foi com a sua atitude absolutamente irresistível de slacker e uma imagem sui generis que Mac facilmente se tornou reconhecido por muito mais do que a sua música: Mac DeMarco é uma personagem.

Com um cult following considerável, este sex-symbol improvável de baliza nos dentes da frente tem-se vindo a mostrar bastante prolífico no que a trabalhar diz respeito. Mas o que é também fascinante na música e na própria personalidade de Mac DeMarco enquanto ídolo de uma minoria é a aparente falta de esforço com que escreve e toca aquilo que, pura e simplesmente, lhe dá prazer tocar.

Essa falta de comprometimento de Mac DeMarco para com a música em geral é a sua faceta mais característica, e talvez a que mais ajuda ao facto de, aos recentemente completados 25 anos, já ter três LPs lançados (ao ritmo de um por ano nos últimos três), vários EPs, e ainda a promessa de, este mesmo ano, um mini-LP com lançamento em Agosto.

Se é verdade que Rock And Roll Night Club, disco a roçar o glam rock de 2012, passou algo despercebido, não é menos verdade que a faixa-título, "Baby's Wearing Blue Jeans" e "She's Really All I Need" são algumas das melhores canções já escritas pelo canadiano. Mais tarde nesse mesmo ano, o sucesso: 2 trouxe para a ribalta uma persongem improvável. Cremos, até, que nem o próprio contava.

2 é provavelmente o melhor disco de DeMarco: as malhas de guitarra gingonas e bem-humoradas vão-se sucedendo umas atrás das outras, desde as completamente radio-friendly "Cooking Up Something Good" ao hino aos seus cigarros, "Ode To Viceroy", passando pelas baladas "My Kind Of Woman" e "Still Together", encontramos um disco que, apesar de despretensioso, revela muito poucas falhas.

Mais recentemente foi lançado Salad Days. Não deixa de ser curioso que para música tão despretensiosa tenha sido usada uma expressão de Shakespeare como título de disco. Mais virado para a neo-psychedelia, deste mesmo álbum farão parte o grosso das canções da sua actuação ao vivo no Primavera Sound, tal como aconteceu no ano passado no seu concerto completamente tresloucado em Paredes de Coura. Mas hey, porque nos haveríamos de importar de ouvir canções como "Chamber Of Reflection" novamente?

Review de Salad Days



FKA Twigs

FKA Twigs (Inglaterra)

Tahliah Barnett, de nome artístico FKA Twigs, caminha para altos voos. Quem não concordar é porque não ouviu LP1, disco de estreia da cantora e compositora britânica que a levou directamente para a ribalta indie e para as rádios, nomeadamente com o sucesso estrondoso do seu single "Two Weeks".

Inspirada pelos seus ídolos também britânicos do trip-hop como Massive Attack, Tricky ou principalmente Portishead, juntou ao som refinado desses três nomes e à sua voz sibilante e sensual uma dose generosa de sentido pop com raízes no r&b "roubado" a uns The Weeknd ou Beyoncé e um experimentalismo refrescante, quase minimal, que a ligam ao rei britânico da indietronica, James Blake.

À já referida "Two Weeks" juntam-se "Pendulum" e "Video Girl" como pontos altos de LP1, um disco magnético, viciante e com um forte sentido visual que se torna ainda mais surpreendente por representar a estreia de Barnett não só numa major (a Young Turks) como também na aventura que é o lançamento de um longa-duração.

A ascensão meteórica de Formerly Known As Twigs (Prince ficaria orgulhoso) reside, sobretudo, na capacidade de inovação que, numa pop actual tão desprovida de uma nova cara, acaba por fazer dela uma absoluta raridade.

Talvez por tudo isto Twigs tenha passado de simples participante em videoclips de Kylie Minogue e Jessie J, filha de pai jamaicano e mãe metade egípcia/metade espanhola e ocasional compositora de Bandcamp a uma das grandes promessas da pop. Felizmente, o Primavera Sound faz questão de a trazer cá para o podermos comprovar.

Review de LP1



brunopernadas

Bruno Pernadas (Portugal)

Bruno Pernadas é o primeiro a actuar dos dois músicos portugueses do cartaz do Primavera Sound. Se é verdade que ao outro, Manel Cruz, muita atenção foi dada pelo seu trabalho com os Ornatos Violeta e como Foge Foge Bandido, Bruno Pernadas está ainda no início de uma carreira que, a julgar pelo seu registo lançado em 2014, poderá ter um futuro brilhante.

How Can We Be Joyful In A World Full Of Knowledge? é mais um dos grandes discos com que a portuguesa Pataca Discos nos tem presenteado ao longo dos últimos anos. Partindo de gravações de áudio caseiras, foram ganhando forma as dez composições exóticas que compõem o único LP da carreira do músico lisboeta.

Numa autêntica viagem pelo mundo da folk, do jazz, da electrónica e do rock psicadélico, Bruno Pernadas apresenta-nos paisagens que nos levam até um universo alienígena, de paisagens de cores extravagantes e animais bizarros mas em que tudo é muito, muito bonito.

A Bruno Pernadas juntam-se vários músicos nacionais, incluindo João Correia (seu colega de banda nos Julie & The Carjackers e fundador dos Tape Junk), Francisca Cortesão (dos Minta & The Brook Trout) e Afonso Cabral (vocalista dos You Can't Win, Charlie Brown). A este elenco de luxo junta-se uma secção de sopros e vários outros instrumentos, sendo que esta será um dos primeiros concertos de Bruno Pernadas com a sua banda completa.

How Can We Be Joyful... é um dos melhores discos do ano transacto, e coloca Bruno Pernadas na linha da frente da música nacional mais do que pronta para ser exportada e dar a conhecer ao Mundo aquilo que Portugal tem de melhor. Este é daqueles que não engana.

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