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Paredes de Coura, Natureza, Comunidade, Praia Fluvial do Tabuão, Música e … SW

03 de Setembro, 2014 ArtigosJoana Brites

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Cosmic Mess: Agora Organizamos Viagens ao Espaço

SonicBlast Moledo: O Afrodisíaco deste Verão

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Bem, para começar devo dizer que sim, este ano de 2014 foi a minha primeira vez pelos montes verdes da belíssima vila de Paredes de Coura, e sim, devo dizer que não estava à espera de muito do que vi e ouvi, mas para não me dizerem que eu não sei porque nunca lá tinha ido, agarrei no caderno e na caneta e monte a cima, monte a baixo, fui sondar o pessoal, o que nunca lá tinha ido e aqueles que vão lá desde que os santinhos viram Nossa Senhora em Fátima, e isso deu-me uma ideia do que ali estava a acontecer.


Num festival que todos conhecem e que muitos querem ir, nem todos vão. É longe de 80% do país, visto que está super a Norte e não é barato chegar lá. Eu de Lisboa, gastei em bilhete geral, transporte e comida, quase 200€, para “ uma semana de felicidade”, para comunidade, amigos novos, paisagens espetaculares e música boa. Ou mais ou menos.


Vamos por partes. Metade do festival estava com pessoas virgens neste, outra metade com pessoal que já tem encore de mais de 2 vezes. Mas para ser mais clara vamos lá dividir isto em tópicos.


 
O Sudoeste está noutros campos geográficos e a TVI veio com ele

Temos de ser sinceros, até eu sei que o Paredes de Coura cheirava a Sudoeste. Víamos nas caras do pessoal, nos pulsos do pessoal e na onda do pessoal. Amigos do Sudoeste, não tenho nada contra vocês mas seremos sinceros e bora lá meter cada macaco no seu galho. Até podemos ser todos grandes fãs de tudo o que ouvimos, do indie ao house, mas tantos fãs de tudo o que ouvimos?? Epá eu vim com uma miúda no autocarro para Lisboa com a lata de dizer que o festival foi uma merda e que os Linda Martini foram uma desilusão (único nome de banda do festival que saiu daquela boquinha) mas que depois sabia todas as letras de todas as músicas de 5 horas de viagem na RFM ou Rádio Comercial ou o que fosse. Epá, amiga... calma lá e vai molhar os pés à Zambujeira do Mar.


Todos temos o direito de estar ali, afinal cada um gasta o dinheiro onde quer, mas Paredes de Coura este ano era água salobra, os pés salgados do Atlântico banharam-se nas águas doces do Tabuão e todos sentimos isso. Mas nem tudo é mau, falei com pessoal que apesar de ser a primeira vez, estavam felizes, queriam ir para os concertos, queriam ouvir tudo apesar de não conhecerem, foram porque conheciam um grupo de 20 amigos que já ia há mais de 4 anos, foram porque finalmente conseguiram convencer os pais que o festival é longe mas é suposto, foram porque queriam provar aquele espirito de que tanto se fala, provar a comunidade, as pessoas, respirar o ar que vicia para ir lá sempre. Será que este ano esse ar andou por lá? Ou estava demasiado condimentado de Orégãos? E sim, estou triste e chateada, para mim sempre foi um sonho ir ao festival Paredes de Coura, O PAREDES! E agora fiquei numa de será que para o ano vale a pena? Pela vista? Sim vale, mas e o resto? O cartaz este ano também não foi assim tão bom, a maioria do pessoal disse-me que só foi pelo ambiente mas que se tivessem de escolher alguma banda ou seria pelos Franz Ferdinand, Beirut, Cut Copy ou Cage the Elephant, ao menos acertaram nos cabeças de cartaz!


E depois digam-me lá, a Verinha Mágica da Cidade FM como cara dos media na TVI? Esperem lá, TVI? Saudades RTP e SIC Radical, oh Antena 3 onde estás? Será que a Vodafone FM é o irmão hipster da Cidade FM? Ouvi um moço gritar para o pessoal das câmaras, “oh oh isto não é a casa dos segredos, voltem pa casa”, e vi muito azeite a escorrer por ali pelas margens do Tabuão. Se calhar estava à procura deles para a minha grande crítica, e sim estava mesmo, decidi ir ter com esses grupos para fazer a minha sondagem, afinal quem vê caras não vê corações mas as respostas que obtive só confirmaram a minha intuição. “Viemos pelo ambiente, não sabemos quem veio tocar, aliás, ainda não vi banda nenhuma, tive sempre na tenda, viemos pela liberdade do espaço, estamos aqui por arrasto, ganhei bilhetes e trouxe os amigos…” Ah e já agora, foram a algum festival este ano? “Sim, fomos ao Sudoeste, foi a melhor semana da minha vida” (…)


 
Os Mercados plantados na plateia.

Fiquei revoltada quando vi autênticos mercados plantados no meio da plateia, ainda por cima de bandas que iam fechar o palco. Pessoal se querem falar mexam-se para outro canto! Aliás fiquei chocada com a falta de comunidade de muita alminha que por ali andava, desde não desviarem a tenda 2cm para a esquerda para caber outra de outro grupo, a não aceitarem o pedido de falarem pelo menos mais baixo. E o coitado do James Blake? Na última música quis fazer um loop com a voz, pediu ao pessoal, disse o que era e ele só queria silêncio. Resultado? Sempre que se calava o pessoal gritava e batia palmas. Foi uma pena, deu para perceber o desalento na expressão do artista, e não é porque ele não falava português, é mesmo porque o respeito não foi para Paredes de Coura.


Para mim, é mais irritante tudo isto do que as casas de banho serem pequenas ou insuficientes, perguntei ao pessoal e também foi inédito o número de macas e bombeiros a passar por nós para socorrerem alguém. Vodafone, o ano passado vi uma reportagem sobre vocês e o pessoal estava contente, dizia que vocês sabiam o que é que o público de Paredes de Coura queria, mas será que ainda sabem?


 
A lotação esgotada

O único dia em que vi o recinto realmente cheio foi em Franz Ferdinand, apesar do dia que esgotou ter sido o de Beirut, James Blake e companhia. Acho que havia sempre mais gente no campismo do que no recinto, menos nas acuações dos cabeças de cartaz. Sou sincera, mas de facto não consigo ver o esgotamento no dia de James Blake, mas pode ter sido na zona da plateia onde eu estava, não sei. Ah e não me posso esquecer daquela cena de porem o cabeça de cartaz a cantar sozinho, não há alternativas para quem não gosta de quem está a atuar, quer dizer já têm outro palco, nem que fosse um DJ a pôr musica.


 
 O Crowdsurf e o Mosh

Nunca em nenhum festival vi tanto Mosh, mosh por tudo, mosh por 2 acordes, mosh em solos de saxofone, mosh na apresentação da banda, mosh em mosh porque mosh é tudo. Porque “EU SÓ ESTOU AQUI PARA O MOSH”. O crowdsurf também me arrebatou, tanta gente a voar neste Paredes de Coura, vamos fazer crowdsurf em Beirut, em Chvrches, James Blake, Growlers, Cut Copy, Cage the Elephant, vamos fazer crowdsurf em tudo.


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A Natureza, o Rio, a Vila e as Pessoas

É completamente indiscutível a beleza daqueles montes e vales, tive a oportunidade de fazer uma caminhada com os locais da vila e passei por locais dignos de unicórnios e elfos encantados a passear entre nós. Mesmo na zona de campismo, desde as margens aos topos das encostas encontrávamos os mais belos cantos desta floresta que albergava também lagartas de todas as cores e outros insetos igualmente magníficos (apesar de indesejados para muitos). O rio é cristalino, vemos o fundo cintilante entre musgos e cascatas, as libelinhas a esvoaçar entre nós e claro, os barcos insufláveis. A temperatura da água não convida a grandes mergulhos mas a calma de subir e descer o rio torna um passeio de barco super apetecível. O Festival consegue atingir a perfeição a nível estrutural, ou então anda lá muito perto, com os anfiteatros naturais e estruturas com muito pouco impacto visual fazem com que a ligação com a natureza e com o espaço sejam muito maiores, afinal tudo é verde por ali.


A vila teve festa antes do festival, mas nunca parou mesmo durante o mesmo. O comércio (restauração e produtos alimentares, bem como lojas tipo drogarias) triplica o stock para esta semana quase de certeza, as pessoas são simpáticas, e por talvez estarem habituadas ao festival misturam-se bem entre nós, oferecem as suas tomadas para carregar os nossos telemóveis e dão informações bem úteis acerca de atalhos para o Intermarché. Afinal terem 100mil pessoas a passar pela sua vila devido a um evento deve ser um grande motivo de orgulho.


 Os comuns do Paredes, aqueles tais que já vão há muitos anos, que marcam as férias dos empregos para esta semana, que compram o bilhete antes de saberem o cartaz porque já é tradição ir passar uns dias naquelas paragens e que levam os irmãos mais novos, os amigos dos irmãos mais novos ou até os filhos. Esses que ainda têm a alma que leva muitos a experimentar o Paredes de uma vez para sempre, aqueles a quem podemos pedir vinho e pão, ou até as brasas do grelhador porque não conseguimos acender as nossas, aqueles que deixam o vizinho de tenda fazer a festa a noite toda apesar de querer dormir e eventualmente acaba por se juntar a ela, aqueles que nos perguntam o nome ao fim de 3 palavras e sempre que se cruzam por nós dizem olá! Esses ainda andam por lá, levam o cão e o piriquito, conhecem as árvores como amigas, viram o Paredes crescer e afirmar-se como foco de gente alternativa. Mas também há gente assim que está lá pela primeira vez, escondidos andam por lá, pessoal que sabe respirar e viver Coura, pessoal que vai lá para o ano, pessoal que vai ajudar a que o Paredes de Coura continue a ser mágico, inesquecível e viciante. Eu pelo menos quero ser uma dessas pessoas, e vocês? Vão deixar que o nosso cantinho no Norte seja descoberto e destruído?


Ah! E Paredes de Coura é amor, venha lá o que vier.

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