18
QUI
19
SEX
20
SAB
21
DOM
22
SEG
23
TER
24
QUA
25
QUI
26
SEX
27
SAB
28
DOM
29
SEG
30
TER
31
QUA
1
QUI
2
SEX
3
SAB
4
DOM
5
SEG
6
TER
7
QUA
8
QUI
9
SEX
10
SAB
11
DOM
12
SEG
13
TER
14
QUA
15
QUI
16
SEX
17
SAB
18
DOM

Pink Floyd - The Dark Side Of The Moon (1973) | Máquina do Tempo #2

17 de Janeiro, 2015 ArtigosRafael Trindade

Partilhar no Facebook Partilhar no Google+ Partilhar no Twitter Partilhar no Tumblr

A pequena caminhada para os grandes palcos | AMA #3

Marmelanço, do bom! | AMA #2
pink floyd the dark side of the moon

O ano era 1973. A era de fanatismo pelos Beatles tinha terminado, juntamente com a rotura da icônica banda, e tinham rompido para o estrelato míticas e futuramente eternas bandas de hard rock (AC/DC, Led Zeppelin, Deep Purple) e de Heavy metal (Black Sabbath, Judas Priest). Enquanto Bob Dylan se mantinha nas sombras, David Bowie estava no auge da sua carreira. Os The Stooges dominavam o espectro abrasivo da primeira arte e bandas como Rush, Genesis, Camel, Yes, Jethro Tull e Van Der Graaf Generator constituíam a Bíblia da música progressiva. Inaugurava-se também o movimento do Krautrock alemão, com bandas como os aclamados Kraftwerk, os polarizadores Neu! e os célebres Can. Digamos que os anos 70 foram a loucura no que tocou à actividade musical.

Mas os Pink Floyd eram toda uma história diferente. Podemos chamar "homens-máquina" a uns Kraftwerk, "camaleão" ao autêntico David Bowie ou "padrinhos da música pesada" aos Black Sabbath, mas os Pink Floyd ultrapassaram qualquer adjectivação possivelmente atribuível. Não eram apenas uma banda ou artistas de música, mas verdadeiros magos. Progenitores de toda uma sonoridade autêntica e a anos luz da época em que foi inserida. Basta ouvir o disco de estreia da banda, ainda com Syd Barrett enquanto líder e vocalista da banda, "The Piper At The Gates Of Dawn". Basta ouvir "Meddle", já concebido com o infame quarteto liderado por Gilmour e Waters. Ainda assim, por muito bons que estes discos tenham sido e por muito consistente que todo o trabalho da banda tenha sido até ao ano em questão, os Pink Floyd não tinham visto a luz do sucesso até ao lançamento de The Dark Side Of The Moon.

pink-floyd-london-5

Há tanta coisa icónica sobre The Dark Side Of The Moon que é quase relativamente impossível esquecer que se está a ouvir um clássico de culto da história da música. Comecemos pela instantaneamente reconhecível arte da capa do disco. Storm Thorgerson desenvolveu e criou arte inacreditavelmente fascinante enquanto vivo, mas nenhum fragmento da mesma tão único como a arte do disco de 1973: o famoso triângulo com o arco-íris. Menciono, em segundo lugar, os singles de massivo sucesso retirados do disco. "Money" e "Time" irão ser sempre clássicos que qualquer pessoa ouvirá num determinado mas certo momento da sua vida. Terceira razão: todas as críticas positivas e hiperbólicas que numerosamente recebeu. Poucos discos são considerados clássicos instantâneos no preciso momento em que saem. The Dark Side Of The Moon é um dos poucos discos cuja história assim foi. Três das milhentas razões que garantem ao oitavo disco dos Pink Floyd o estatuto de "clássico" cujo não dá para esquecer ou ignorar enquanto se ouve o disco.

Estranhamente, eu esqueço. Quando ouço The Dark Side Of The Moon lembro-me de muitas coisas e nenhuma delas é o consenso quase universal em como o disco é a definição de "perfeição musical". Lembro-me do meu querido pai quando ouço o icónico disco. Reflito numa segunda vida eterna que poderá ou não ser-me concedida no momento em que eu falecer. Mentalizo-me de que o mundo em que hoje vivo é um em rotura, repleto de tragédias, ameaças, manipulações, guerras, assassinatos, massacres, torturas, egocentrismo, hipocrisia, capitalismo/consumismo, incertezas, e sobretudo de muitas questões e poucas respostas. Mas pairo. Pairo porque ouvir The Dark Side Of The Moon é presenciar o céu na terra e é uma ode à vida no seu estado mais puro e satisfatório.

As melhores coisas da minha vida? Não teriam sido possíveis sem o meu pai. Foi ele quem me incutiu no mundo da música e construiu, comigo, o sonho que para sempre guiará a minha vida. Foi ele que me introduziu aos Pink Floyd. Foi ele que me sustentou durante toda a minha vida, dado o lógico facto de ser a minha figura parental masculina. Foi ele que me levou a bares locais para ver bandas locais tocar e para conhecer pessoas fantásticas: amigos dele que hoje levo traçados no coração para todo o lado. Destaco também que The Dark Side Of The Moon é o disco favorito dele. Quando alguém se refere aos Pink Floyd ao pé dele, ele faz questão de corrigir: "Os senhores Pink Floyd". Fanático hiperbólico, que ele é. Ou nem tanto quanto isso.

Inúmeras foram as vezes que ouvi The Dark Side Of The Moon: em minha casa, durante uma noite gélida. Ou em minha casa, durante uma noite calorosa. A caminho da escola. Nos intervalos e horas de almoço da escola. A caminho de casa. No carro, com o meu pai. No carro, com o meu pai. No carro, com o meu pai. Os Pink Floyd em si sempre me foram tão familiares que me fartei: tomei um intervalo e assumi para mim mesmo: "não gosto mais de Pink Floyd". Mas penso que voltamos sempre para o verdadeiro amor, tal como eu voltei para a trupe de Gilmour, Waters, Mason e Wright. Especialmente The Dark Side Of The Moon, que é o primeiro disco que ouvi do quarteto britânico, bem como o que mais ouvi na vida.

10937518_1535857396664115_1419618828_n

Todos os momentos me são familiares, é como se já fizessem parte de mim. Há "Speak To Me / Breathe" e toda uma melodia angelical e sobretudo memorável. Há "On The Run", a famosa espécie de "drone" carregado de sintetizadores psicadélicos que garante a espiral direccionada ao "oblivion" que The Dark Side Of The Moon desde os seus primeiros segundos promete. Há "Time" e toda uma mistura de letras poéticas, riffs infecciosos e solos de guitarra transcendentemente emocionais. Há o monumento histórico que é "The Great Gig In The Sky", que conta com as vocais poderosas, divinais e descomunais de Clare Torry. Há "Money", que antes de tudo mais é uma derradeira prova: os Pink Floyd são capazes de escrever um tema num compasso composto e simultaneamente dançável, escrever uma letra satírica sobre a hipocrisia e o materialismo da sociedade e simultaneamente ter excessivo tempo de antena para esse mesmo tema em diversas estações de rádio. Há a épica "Us And Them", de versos tenros, de um dos refrões mais explosivos na história da música e solos de saxofone deliciosos, seguida da jam psicadélico-intergalática instrumental que é "Any Colour You Like". E por fim, há a dupla de faixas que encerra a viagem de 43 minutos, "Brain Damage" e "Eclipse", sendo a segunda considerada por muitos um dos melhores temas de encerramento de sempre (isso fala por si). E com tudo isto, os Pink Floyd conseguiram interligar de modo coerente todas estas ideias numa autêntica jornada que perdurou e perdurará durante gerações.

Liricamente, The Dark Side Of The Moon é uma peça de sátira escrita genial. "Breathe" representa a autonomia e independência que o ser humano deve adquirir em ordem de ser feliz, enquanto que "Time" testemunha um confronto competitivo entre o ser humano é o seu envelhecimento e eventual falecimento. É comovente. Os gemidos de Clare Torry em "The Great Gig In The Sky" representam a sensação de bênção e de gratidão de um espírito a atravessar as barreiras que separam o mundo visível do mundo inteligível e a levitar com destino ao cobiçado paraíso de todas as almas bondosas e merecedoras. "Money" é um atentado genial e repleto de sarcasmo à futilidade da sociedade capitalista, materialista e consumista, enquanto que "Us And Them" é o derradeiro "make love, not war" a tomar a forma de epicidade musical. "Brain Damage" ilustra um demente mental que irremediavelmente foi privado daquilo que mais desejava no mundo: felicidade. Sanidade e normalidade. "Eclipse" fecha o disco gloriosamente, aromatizando diversamente todo um sentido épico que se fez sentir ao longo de toda a aventura que é The Dark Side Of The Moon.

Afinal, porque é que The Dark Side Of The Moon tão especial para mim? Porque é uma reflexão de coisas más que me lembra de coisas boas. Quem me dera ter vivido no ano de 1973. Quem me dera poder ter visto os Pink Floyd ao vivo com todo um plantel original diante dos meus olhos (embora tenha visto um tributo australiano que achei relevante mencionar, visto que foi mesmo muito bom). Quem me dera saber se vou viver para sempre no fim da vida que hoje levo, e quem me dera saber se a vida que hoje levo é ou não fictícia. Mas sobretudo, quem me dera viver num mundo melhor. Talvez, no mundo inteligível que uma vez Platão imaginou. Queria viver fora da caverna de sombras. Mas com The Dark Side Of The Moon lembro-me de tudo o que esta vida tem a oferecer de positivo e de aproveitar tudo isso ao máximo. Lembro-me de todas as coisas boas que tenho como garantidas. E uma dessas coisas boas é, precisamente, The Dark Side Of The Moon, cujo estou a ouvir pela quinta vez seguida neste preciso momento. Ainda choro que nem um bebé ao som de "The Great Gig In The Sky", ainda sorrio ao som de "Us And Them" e ainda há uma mistura das duas emoções com "Eclipse". Tudo isto como uma prova de que o amor verdadeiro estará sempre lá para mim, para nós, mesmo quando não houver lua à vista do topo da montanha. O amor verdadeiro perdura. Espera.

Permanece.
por
em Artigos

Pink Floyd - The Dark Side Of The Moon (1973) | Máquina do Tempo #2
Queres receber novidades?
Comentários
http://www.MOTORdoctor.PT
Contactos
WAV | 2018
Facebook WAV Twitter WAV Youtube WAV Flickr WAV RSS WAV
Queres receber novidades?