Semibreve 2017 • A materialização do futuro regressa a Braga - Wav
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Semibreve 2017 • A materialização do futuro regressa a Braga

25 de Outubro, 2017 ArtigosSara Dias

Entramos em contagem decrescente para um dos eventos mais aguardados do ano. O Semibreve regressa entre 27 e 29 de outubro, sempre de olhos postos no melhor que se produz no universo da música eletrónica e das artes digitais, desdobrando-se entre o Theatro Circo, o gnration e a Casa Rolão.

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Organizado pela AUAUFEIOMAU com o apoio da Câmara Municipal de Braga, o festival afirma-se como uma peregrinação anual de um público fidelizado e como um evento indispensável num panorama da música eletrónica mais abrangente, mas acima de tudo dentro de um (ainda) subdesenvolvido panorama da música eletrónica no norte do país. Afirma-se também por um lado académico e científico das artes digitais produzidas por instituições de referência, tais como a Universidade do Minho, Universidade do Porto, Universidade Católica, Fundação Bienal de Cerveira e Digitópia/Casa da Música, quer através da sua divulgação, quer através a criação do Semibreve Edigma Award.

Entre os dias 27 e 29 de outubro, o Semibreve volta a ocupar as ruas bracarenses, com os passes gerais esgotados há um par de meses e regressa com um cartaz que faz jus aos anteriores (estes que albergaram nomes exímios como Alva Noto, Ben Frost, Fennesz, Oren Ambarchi, Roedelius e Ryoji Ikeda), onde se contam importantes estreias em solo nacional.

Não podemos dissociar o Semibreve da cidade que o viu nascer e que o acolhe: se por um lado dizem que Braga é a cidade portuguesa com mais igrejas por metro quadrado, por outro lado é a cidade tem a maior percentagem nacional de unidades de investigação, empresas e indústria ligadas à informática e novas tecnologias. Mesmo que não seja a campeã nacional das igrejas, facto ainda não conseguimos verificar com toda a certeza, vive-se um paradigma demarcado entre passado e futuro. Talvez por isso, a Capela Imaculada do Seminário de Nossa Senhora da Conceição tenha-nos parecido como uma escolha natural para enquadrar Christina Vantzou com o Harawi Ensemble, espaço utilizado pela primeira vez na edição passada do festival.

Nesta edição, a Capela Imaculada vai receber Steve Hauschildt, membro dos incontornáveis e extintos Emeralds, que nos conquistou definitivamente com o lançamento de Strands (2016), um álbum que se centra na cosmogonia e na construção de um “todo” que transcende a soma das suas partes. Hauschildt insere-se onde a escola do ambient contemporâneo de Brian Eno e a escola germânica da Kosmische de uns Tangerine Dream ou de uns Harmonia se tocam, e se confundem. Somos confrontados com arpeggios, com melodias de sintetizadores que nos remetem para o futuro do passado ou para um campo não-gravitacional onde o espaço e o tempo se confundem. Sem dúvida, um dos concertos que mais ansiamos.

Os destaques desta sétima edição do festival recaem numa mão (quase) cheia dessas mesmas estreias. FIS posiciona-se no limbo entre o orgânico e o eletrónico, que oscila entre momentos de dureza e hostilidade sonora e de delicadeza e calma tingidas de feedback e arranjos minimalistas, afirmou-se com From Patterns to Details dentro da mesma escola de “emotional engineering” de Paul Jebanasam, que muito bebe de Ben Frost. Blessed Initiative não difere desta escola que se tem vindo a convergir em torno da Subtext. Este projeto é uma das facetas do multifacetado Yair Elazar Glotman (para além dos inúmeros lançamentos e colaborações em nome próprio, Glotman lança também sob o moniker, nada mais, nada menos, KETEV). Dilacerante e não menos frágil, as composições têm por base sons gerados através do Kyma e foley recordings e ainda experimentação com escalas microtonais e manipulação material analógico; não existem limites para Glotman e isso é palpável através do ambiente cinematográfico que vivemos no primeiro disco homónimo de Blessed Initiative.

Deathprod é Helge Sten e Helge Sten é Deathprod. O norueguês coabita entre as paisagens minimalistas e o seu “audio virus” que é, nas palavras do próprio (na WIRE, fevereiro de 1999, numa entrevista aos Supersilent): "My instrumentiation is made of homemade electronics, old tape echo machines, ring modulators, filters, theremins, samplers and lots of electronic stuff, and my usage of these devices is very unpredictable”. Sten vagueia também entre o ambient e o drone, com influências orquestrais que se denotam através da utilização de violino nos seus álbuns, mais proeminentemente em Morals and Dogma.

A confirmação que menos se esperava, talvez por ser a mais ansiada, pelo seu peso histórico por ser um dos vultos que marcou a ascensão do minimal techno na Alemanha dos anos 90: GAS. Depois de um hiato de 17 anos, Wolfgang Voigt regressou à carga e não desiludiu, Narkopop demarca-se pelo seu carácter mais sinfónico, cinematográfico e exuberante, com mais camadas e com mais densidade que os seus antecessores. Entre disciplina rítmica, kicks cíclicos ou inexistentes, samples completamente distorcidos e manipulados, GAS afirma-se para além do vulto do passado, mas como uma entidade presente, palpável e viva, que teremos a oportunidade de ver renascer no abismal Theatro Circo.

Para além dos concertos, existem atividades paralelas a não perder. O workshop de Lawrence English, Radical Listener, centra-se na sua abordagem ao field recording, no Mosteiro de Tibães. No campo das instalações 9:1 Plays In Praise of Shadows por Nerea Castro e Permafrost por Gil Delindro e Adam Basanta (vencedores do Edigma Semibreve Award) são os grandes destaques – as duas instalações encontram-se no gnration.
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