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Uma Bússola com o norte bem definido

20 de Janeiro, 2016 ArtigosDiogo Alexandre

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03_BUSSOLA01_por_Marcelo Engenheiro

É de Leiria que nos chegam os Bússula: projeto de folk novo, com sonoridade suficientemente “velha” para nos despertar um certo sentimento nostálgico. O acordeão é, talvez, o maior culpado disso.

Longe vão os anos, entre 2009 e 2012, em que surgia uma banda folk americanizada por cada quilómetro quadrado, muito por culpa dos Mumford & Sons, popularizando o movimento que depois destacaria bandas como Beirut, Fleet Foxes e Bon Iver, só para mencionar as mais relevantes. Apesar de a bandwagon folk já ter passado à história, o quinteto leiriense, que provém de bandas tão distintas como a Orquestra Jazz de Leiria e os Dapunksportiff, prova aqui que ainda se pode fazer folk bem feito (nunca é demais realçar) pegando nos clichés homem-guitarra-amor que se vê (e ouve) nesta fase já pós-expectante de um género que marcou a viragem da década, não só nos países Anglo-saxónicos como em todo o mundo, incluindo Portugal, obviamente.

E é logo de início que nos apercebemos do potencial dos Bússula: “Come Home”, lançada como single em 2014 (constando na compilação Novos Talentos FNAC desse mesmo ano), mostra-nos de imediato o quão tocante e nostálgico soará este homónimo e primeiro EP da banda. Todo o disco transmite esse tipo de emoções,inclusive em “One Way Ride”, tema mais “western” e com o ritmo base mais rápido dos cinco, fazendo-nos parar para pensar enquanto ouvimos a bonita voz (por vezes, em falsete) de Pedro Santo, acompanhado pela sua guitarra e pelo acordeão (!!) de Tiago Ferreira, sendo, sem dúvida, aquilo que mais surpreendeu neste disco.

A composição dos temas, apesar de estar limitada à habitual composição folk, não se revela fatídica: as variações acontecem quando têm que acontecer, não sendo nada forçado, o que nos permite absorver mais facilmente todo o conteúdo lírico servido nesta bandeja. A coesão dos temas também se revela muito importante, permitindo ao ouvinte fazer a viagem completa, guiados pela bússola sem que esta se desmagnetize. “The End Of Time” termina do modo mais pacífico e esperançoso possível, deixando no ar, em tom assertivo, a pergunta “Will you be there with me in the end of time?”, como que já sabendo a reposta.

Em suma, Bússula é música calma e romântica que nos aconchega a alma (não é por acaso que a capa é o desenho de um coração) e nos faz pensar e navegar por mares próximos ou não, mas sempre com o coração e a cabeça no sítio, sem perdermos o norte.

Surfer Rosa


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