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Amplifest 2015 • Uma experiência catártica

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“It was a kind of sado-masochism. I would take the things that were painful to me and elevate them and, through the mantra of music, make them into a release.” Michael Gira

 
Amplificasom. Desde 2006 a Amplificasom tem agitado o panorama musical portuense: começa com um sonho do seu mentor, André Mendes. O sonho de trazer até a um Porto adormecido as suas bandas favoritas, o que se traduziu no primeiro concerto organizado pela Amplificasom, Enablers n’O Meu Mercedes, a 10 de Novembro. Lentamente, a Amplificasom foi crescendo e ganhando espaço e público, não só no Porto como nos seus arredores. Seguiram-se mais concertos, alguns deles em parceria com outras promotoras como a Lovers & Lollypops, que incluíram Boris, Celeste, Fuck Buttons, Future Islands, ISIS, Pelican, Tim Hecker, Wolves in the Throne Room, entre outros. Já em 2011 organizam o primeiro Amplifest, que como já todos lemos algures é mais que um festival, é uma experiência, é um evento que reúne num fim-de-semana a essência da Amplificasom.

Não só ultrapassa o conceito de festival pelas amplitalks, pelos documentários/filmes exibidos ou pelas listening parties, mas também pelo sentimento forte de comunidade que se faz sentir. A proximidade entre público, organização e artistas é palpável: desde mencionar a Amplificasom num tweet e obter resposta, ou até passarmos pelo main hall e cruzarmo-nos com o Michael Gira. No entanto é inegável que o cartaz tem um peso vital na aderência ao Amplifest, já que é um cartaz único a nível nacional. Este dá a oportunidade de, por um lado, ver artistas que já são uma referência (como por exemplo Swans ou Godspeed You! Black Emperor), e por outro lado, de explorarmos e vermos ao vivo um punhado de nomes que muito provavelmente ainda nos são desconhecidos (Deafheaven pouco depois de lançarem o aclamado Sunbather e que inclusive já tinham trazido em 2012, ou Pharmakon, confirmada em 2013 – data que cancelou e voltou em 2014 – antes do sucesso de “Bestial Burden”).

Esta edição do Amplifest não é exceção, e como tal, este ano é marcado pelo tão esperado regresso de Converge, banda que teve a última passagem em Portugal há 5 anos, na tour europeia do álbum “Axe To Fall”. Na bagagem trazem uma mão cheia de EP’s/demos e splits (o mais recente com Napalm Death) e oito álbuns de estúdio, dos quais se sobressai Jane Doe. Os Converge navegam entre sonoridades agressivas, metal, punk e hardcore, mas como Jacob Bannon afirmou numa entrevista ao blog Press Play do site New York Press: “But I think trying to define our efforts and other bands with a generic sub-genre name is counter productive. We all have something unique to offer and should be celebrated for those qualities rather than having them generalized for easy consumption”.

Dentro de sonoridades diferentes, e sobre os quais já aprofundámos anteriormente, outro nome que sobressai neste cartaz é Altar of Plagues, que depois de acabarem em 2013, voltam para uma tour de “despedida” que marca passagem por Portugal. Apesar da curta carreira, os Altar of Plagues deixam um legado de discos e EP’s consideráveis, entre os quais White Tomb e Teethed Glory & Injury são de realçar como dois dos lançamentos de black metal mais interessantes dos últimos anos.

Embebido em sonoridades que vagueiam entre o pop, o R’n’B e um melancolismo qualquer, encontramos WIFE. O novo projeto de James Kelly nasceu como fruto da necessidade de se distanciar de Altar of Plagues, de explorar outros tipos de música e de se reinventar enquanto artista. Em entrevista à Noisey, James Kelly afirma mesmo que os Altar of Plague foram um “acidente feliz” e que nunca esperou que tivessem o sucesso que tiveram. Afirma também que, para si, os Altar of Plagues tiveram sempre uma “timeline” e que não queria continuar a tocar se não estivesse fisicamente apto para o fazer. WIFE materializa-se com um EP, Stoic e um longa-duração What’s Between, álbum que recebeu criticas difusas mas que nos deixa a aguardar com esperança pelo próximo trabalho do irlandês.

Outro dos nomes que atrai mais atenção a este cartaz do Amplifest é o dos METZ. Depois do lançamento do homónimo, em 2012, pela Sub-Pop, os canadianos tiveram uma rápida ascensão, quer via criticas positivas da imprensa, quer devido à ampla tour que fizeram deste mesmo – quase dois anos. Esta não é a estreia dos canadianos em Portugal, inclusive a Amplificasom já os trouxe ao Porto, mais precisamente ao Plano B, em 2013. Chegam agora ao Amplifest mais maduros e com um novo álbum lançado este ano, METZ II.

Em jeito de substituição a Emma Ruth Rundle, chega até nós Noveller. Sarah Lipstate traz na bagagem o seu mais recente disco Fantastic Planet, deste mesmo ano. Aqui, a nova-iorquina cria paisagens sonoras interessastes, com traços marcados de drone, apenas com a sua guitarra elétrica que considera a sua musa. Não nos sentimos defraudados.

Nesta edição do Amplifest existe ainda uma forte (e importante) aposta em artistas nacionais: Atillla, Juseph, Memoirs of a Secret Empire e Filho da Mãe são nomes a reter, ver ou, em muitos casos, rever. Atillla, projeto do portuense Miguel Béco de Almeida, tem vindo a crescer lentamente até que este ano, com o lançamento de V, alcançou um lugar de destaque merecido. Num álbum em que não existem pontos baixos, o ponto alto acaba por se traduzir em “Homem”, numa colaboração com António Costa (Ermo). Outras duas grandes promessas do panorama nacional, Memoirs of a Secret Empire e Juseph, vão apresentar-se num formato colaborativo. Os vouzelenses, Memoirs, vão lançar Vertigo ainda este ano com uma colaboração especial de Ricardo Remédio (antes RA), para adicionar ao promissor EP homónimo que lançaram em 2013. Noutro registo encontramos Filho da Mãe: veterano no panorama musical português, Rui Carvalho fez parte dos If Lucy Fell e agora munido com a sua guitarra acústica conhecemos um artista completamente diferente. Chega até ao Amplifest com dois álbuns Cabeça e Palácio, um split com Linda Martini e uma colaboração com Ricardo Martins. Mergulhado em acordes e dedilhadas rápidas, intensificadas por loops, Filho da Mãe cria uma atmosfera própria de melancolia, bem descrita quase como “saudade”.

Outras propostas passam pelas amplitalks: Writer’s Block, The Outer Limits e Alone In The Dark.

A Writer’s Block conta com a participação de José Miguel Rodrigues (LOUD!, Blitz), José Carlos Santos (Terrorizer, Rock-a-Rolla, LOUD!), Emanuel Pereira (Ponto Alternativo, LOUD!) E Luiz Mazetto (VICE Brasil, CVLT Nation) numa amplitalk onde irão “discutir o que significa escrever e ler sobre música em 2015, como têm mudado os meios de comunicação, como mudarão ainda no futuro, e também sobre o que nunca mudou”. Já Alone in the Dark abordará as experiências e histórias de membros de bandas de renome que decidem seguir a sua carreira a solo, conta com a participação de Nate Hall (U.S. Christmas), de Colin Van Eeckhout e de Mathieu Vandekerckhove (Amenra) e de James Kelly (Altar of Plagues).

Antes ainda no Amplifest teremos uma espécie de warm up, Amplifest: First Light. A experiência passa por jantar um hambúrguer vegetariano no restaurante portuense Black Mamba (que combina comida incrível com a venda de discos vinil incríveis) com 10% de desconto e oferta de uma bebida face apresentação do bilhete e reserva. E logo a seguir, a partir das 22h, no Cave 45, teremos os media partners desta edição do Amplifest a passar música, WAV. incluída. Mas, não fica por aqui, há também uma emissão especial na Vodafone.fm, todas as quintas-feiras às 22h (até ao Amplifest) onde podem ouvir uma seleção de faixas de artistas ligados ao universo da Amplificasom/Amplifest.

Esta edição promete ser sado-masoquismo para os nossos ouvidos, no melhor sentido possível – vai ser catártico.

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Por Sara Dias / 9 Setembro, 2015

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