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O deserto pantanoso de Camden • Desertfest London 2016 Preview

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Depois de nos termos estreado fora de portas na edição outonal do Desertfest, que teve lugar na bela e histórica cidade de Antuérpia na Bélgica, estamos prestes a embarcar de novo para o deserto. Agora, com tempo de primavera, o destino é a Londres, “casa mãe” deste que é já um dos mais relevantes festivais no underground pesado europeu e celebra este ano o 5º aniversário. O festival assenta arraiais no bairro londrino de Camden,  um bairro londrino com uma tradição musical que remonta aos anos 30. Foi neste bairro que germinou grande parte do espírito Punk britânico, onde nasceram, por exemplo, uns The Clash, e onde nos anos 60 atuaram nomes como Jimmy Hendrix ou The Doors. É neste habitat natural do rock que estão localizados o Electric Ballroom, o The Underworld, o The Devonshire Arms e o mítico The KOKO, salas que recebem este Desertfest.

O Electric Ballrom será o palco principal nos primeiros dois dias de festival e as hostilidades nesta sala serão abertas pelos Egypt. Nada melhor que o famoso deserto do Egipto no arranque da tempestade de areia em Londres. Os norte-americanos vão ao Desertfest com Endless Flight, um dos discos Stoner Doom que mais burburinho estão a causar este ano. O resto da noite inaugural é dedicada ao Sludge de New Orleans, com os concertos de Crowbar e de Corrosion of Conformity, com o destaque destes últimos terem de regresso o histórico guitarrista Pepper Keenan, pertencente também aos controversos Down. Neste primeiro dia, o The Black Heart conta com a curadoria do site The Quietus, e terá atuações de “eletrónica psicologicamente densa” de nomes como JK Flesh, Teeth of the Sea ou The Poisoned Glass.

Alicerçado no de que melhor o Stoner Doom, Sludge e Heavy Psych tem para oferecer, a versão londrina do festival não se cinge a estes géneros. Este ano repete-se a receita do ano passado com as parcerias entre o site The Quietus e a promotora independente Old Empire, que levam a festival géneros mais industriais e eletrónicos, mas a grande novidade para 2016 é mesmo a introdução do Post-Metal. E não é uma introdução qualquer, uma vez que o palco principal do segundo dia de festival, 30 de abril, será encabeçado nada mais nada menos que por Russian Circles e Pelican.

Em que condições estes vão encontrar o palco do Electric Ballroom não se sabe, uma vez que antes será devastado por dois autênticos rolos compressores: Truckfighers e Conan. Estes últimos, naturais de Liverpool, andam na estrada com um dos melhores discos de Sludge/Doom deste ano, Revengeance, mas no que toca a música potente e pantanosa, irão ter concorrência forte. Mais ou menos em simultâneo, o The Underworld será invadido por duas das mais interessantes propostas de Sludge Doom do festival, dentro dos menos conhecidos: Fleshpress e e Slomatics. No final da noite ainda tempo para se assistir à apresentação ao vivo do novo disco de Mantar, num The Black Heart que se prevê demasiado pequeno para tanta curiosidade.

Mas, é no último dia que as escolhas vão mesmo doer. A mítica sala KOKO abre e nela vão-se poder ouvir as sonoridades lamacentas do stoner de uma forma ainda mais potente. A abrir os suecos Monolord, à semelhança da edição belga, onde também estrearam o palco maior do festival. À data dissemos que este trio conseguiu ter a sala praticamente tão cheia quanto os cabeças de cartaz e, em Londres, se tal voltar a acontecer, o concerto irá estar ganho à partida. Daí em diante, o palco irá ser tomado de assalto pelos eletrizantes Elder, a promover o seu incrível Lore, e pelo concerto de celebração dos 30 anos de Trouble, banda percursora do Doom. A fechar a noite no KOKO o grande cabeça de cartaz do festival, os mestres Electric Wizard, que prometem acabar de deitar abaixo aquilo que os deuses Sleep pouparam no ano passado.

Enquanto isso, o Electric Ballroom, que era o palco principal nos dias anteriores, recebe a curadoria da promotora Old Empire, com os industriais Godflesh como nome maior. A dupla composta por Justin Broadrick e G. C. Green vai ter honras de encerramento do festival e os últimos minutos de concertos serão deles. Outro ponto de enorme interesse é a atuação dos Oranssi Pazuzu, banda de uma sonoridade única descrita como “Psychedelic Black Metal”. O disco lançado este ano, Värähtelijä, tem sido dos mais aclamados e os ecos do Roadburn também são muito animadores.

Já no The Underworld, as propostas não são de menor valia. A fazer concorrência a Electric Wizard e Godflesh estarão os norte-americanos Wo Fat, antecididos pelos Mothership. Ambos com certeza farão as delicias dos fãs de Stoner que preferem uma boa dose de gesso à lama e aos miolos desfeitos. Antes deles haverá também uma boa dose de revivalismo setentista com os incendiários Siena Root e o noise dos germânicos Dÿse. Destacar também os concertos de Mondo Drag e Sedulus no The Black Heart, um pouco escondidos no caos de oferta que é este último dia de Desertfest Londres.

São razões mais do que suficientes para uma aventura em terras de Sua Majestade?

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Por Wav / 22 Abril, 2016

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