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Hateful Eight a não perder no Milhões de Festa 2016 – Parte 1

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Depois de já nos temos debruçado em longas dissertações sobre os nossos três nomes favoritos desta edição do Milhões de Festa, The Bug [aqui], Ho99o9 [aqui] e Islam Chipsy com EEK [aqui], debruçamo-nos agora sobre mais quatro artistas ou bandas a não perder de forma alguma. Esta é apenas a primeira parte.

 

Dan Deacon

 
Dan Deacon é em primeira instância um compositor, um inventor nato: articula teclados/controladores MIDI com micro samples ou sons que são trabalhados até se tornarem irreconhecíveis. Poderíamos até dizer que Dan Deacon é um primo em terceiro grau de Panda Bear mas muito mais arrojado (em bom português, muito mais frito da cabeça) e inovador. Como Deacon afirmou em entrevista à Pop Matters “If you’re never bored, your mind never wanders. And if your mind never wanders, you never get lost in thought. If you never get lost in thought, you’re never gonna think something you wouldn’t have thought otherwise.”. Depois de uma passagem memorável pelo NOS Primavera Sound em 2015, onde presenciámos batalhas de dança, batalhas e moshpits à volta de manjericos e uma passagem pelo Tremor Festival nos Açores; Dan Deacon regressa a Portugal, desta feita para a décima edição do Milhões de Festa. O nome do festival poderia muito bem ser o epíteto de Deacon: com um punhado de álbuns na bagagem – de salientar Gliss Riffer de 2015 – nessa mesma bagagem nunca falta energia, intensidade e dinamismo.

 

 

GAIKA

 
“I like the idea of putting these organic sounds into a weird mechanical space”. GAIKA chega de Brixton a Barcelos com dois longa-duração na bagagem: Machine de 2015 e Security, que se assume como álbum de maturação do inglês. Numa mistura entre um sem fim de estilos como eletrotónica, grime, dancehall, hip hop ou R&B é, sem dúvida, um dos álbuns mais interessantes do presente ano; que conta ainda com uma colaboração com Miss Red. GAIKA assume como as suas duas grandes influências Tricky e FKA Twigs, e tal como a última apela sempre à desconstrução de preconceitos como afirmou ao The Guardian “he promises a «mixed crowd of hood kids, musos, flamboyant queer people and beautiful women» at his life shows”.  Não só é contra qualquer tipo de preconceito como deixa eminente mensagens politicas e criticas sociais, que lhe valeram uma faixa banida da estação de rádio Radio 1 por, alegadamente, incitar à violência através deste excerto de letra: “Road youts on a Ghengis tip press pause/ Go loot a cause/ ‘Cause when you get that boot through the door … trust me! You have fi know who fi war.”. GAIKA nunca assinou por nenhuma label, assim é um artista completamente independente, mantendo os seus padrões estéticos enquanto aposta na sua vertente de artista visual para enriquecer os seus sets ao vivo.

 

 

Goat

 
“When you make music in a collective, the individual is unimportant,” he [goatman, como se autodenominam os membros de Goat] says. “The music I partake in making has little to do with me as a person; there’s something else at play.” A anonimidade é uma parte fundamental dos Goat e é por isso que usam máscaras ancestrais em palco: o foco do ouvinte/espectador deve centra-se no que está a ser tocado, e não em quem está a tocar. A musica dos suecos une dois mundos completamente diferentes do mundo; o mundo da psychedelia, do afrobeat e do rock com o mundo do exotismo, do vodu e da bruxaria. O coletivo – e não banda – afirmam que são provenientes de Korpolombolo na mais profunda e tenebrosa Suécia. Esta pequena cidade tem uma ligação muito forte com a vodu, desde que foi conquistada e destruída pelas cuzadas cristãs; a lenda conta que uma bruxa e os sobreviventes colocaram uma maldição na cidade. Os Goat lançaram apenas dois álbuns de longa duração World Music e Commune, de 2012 e 2014 respetivamente, ambos com uma excelente recepção pela critica e pelos fãs. Entretanto foram lançados um punhado de EPs como It’s Time for Fun or I Sing in Silence. Envolvidos num véu de paganismo e secretismo, os Goat são um dos projetos mais interessantes e promissores a tocar nesta edição do Milhões de Festa.

 

 

The Heads

 
“I don’t think there’s anything special about the Bristol music scene. It’s just full of people patting each other on the back. It’s just easy for bands to exist unchallenged and jobless. You can walk everywhere.” Os The Heads, descritos pela publicação The Quietus como lendas da música underground inglesa sempre rejeitaram este título. Formados em 1990, neste mesmo circulo mencionado de Bristol por H. O. Morgan, Paul Allen, Wayne Makell e Simon Price, os The Heads foram uma das bandas pioneiras do stoner rock com tantas outras influências: um pouco de psicadélica, um pouco de drone e um pouco de sludge. Esta é uma banda que desde o inicio foi influenciada por grandes nomes como Loop, Spaceman 3 e The Stooges e que já abriram várias vezes para bandas como Babes in Toyland e Swervedriver, mas que nunca conseguiu atingir o pico, talvez fossem os ares de Bristol ou talvez puro azar. Com um largo punhado de lançamentos por várias labels como a Headhunter Records, a Sweet Nothing Records ou a Cardinal Fuzz. Mas é estranhamente (talvez não seja assim tão estranho já que vivemos na geração da internet e o acesso à informação é muito mais facilitado) que, com o reissue de Everbody Knows We Got Nowhere, em 2014, que finalmente os The Heads recebem o reconhecimento merecido – com reviews e entrevistas em várias publicações importantes, com a reunião do grupo no Roadburn, em 2015. Everbody Knows We Got Nowhere é considerada a sua “sloppy magnum opus”, mas Relaxing With, o seu álbum de estreia, apesar de diferente e não tão maturo, é sempre um álbum a salientar da discografia destes The Heads, que ao longo da sua discografia nos presenteiam com um “multi-dimensionismo” único e irrepetível. Um dos indiscutíveis cabeças de cartaz desta décima edição do Milhões de Festa, e um dos nomes a não perder nesta temporada de festivais de verão.

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Por Sara Dias / 14 Julho, 2016

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