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Hateful Eight a não perder no Milhões de Festa 2016 – Parte 2

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Chegámos à última parte desta crónica dos oito odiados. Até destacamos sete nomes entre eles Dan Deacon, Gaika, Goat, Ho99o9, Islam Chipsy com EEK, The Bug e The Heads. Aqui viemos destacar mais quatro nomes, quatro nomes que até poderiam passar despercebidos, mas nós não iremos deixar que isso aconteça. Decorem bem os seguintes nomes:

 

Marshstepper + HHY + Varg

 
A verdade é que não fazemos a mais pequena ideia do que irá acontecer neste set tão único e peculiar, e é isso que nos entusiasma nesta tripla colaboração entre Marshstepper, HHY e Varg. “All things are double, one against other; and he hath made nothing imperfect”. É o que se pode ler no site da Aescetic House, o coletivo do qual os Marshstepper fazem parte. Como sobre qualquer artista deste coletivo, não existe grande informação a circular pela internet, sabemos apenas que lançou três longa-duração entre 2012 e 2015, de realçar o self-titled de 2012, que mistura na perfeição influências de industrial, ambiental e noise. Já HHY é nada mais, nada menos que o grande maestro dos soberbos HHY & The Macumbas, um alias de Jonathan Uliel Saldanha. Porém, não é só nos HHY & The Macumbas que Saldanha se destaca: também em U.S.S., Fujako, Beast Box e Mécanosphère; é também cofundador do coletivo artístico portuense SOOPA. Tão prolifero, Jonathan ainda tem o seu projeto, HHY que é descrito de forma soberba na Andrómeda: “explora a intersecção entre o “dub” em tempo real, a eletroacústica, sons percussivos, frequências subgraves inspiradas nas culturas da música de dança”. Já Varg é um dos imensos aliases de Jonas Rönnberg, entre também Black Leather Harness, Flacid, Grav, Vargrav ou Vgra. Para além dos aliases, Rönnberg faz parte de Body Sculptures, uma das mais recentes e interessantes apostas da Posh Isolation, com um dos melhores álbuns de 2016 – A Body Turns To Eden. O que vai sair daqui? Talvez, um dos melhores sets desta edição dos Milhões de Festa.

 

 

Nicola Cruz

 
Nascido em França, Nicolas Cruz sempre teve uma afeição e uma ligação muito forte com as suas raízes sul-americanas. Cruz cria uma simbiose perfeita entre o mundo digital e o mundo natural não só pelos instrumentos acústicos que dispõem ao longo das suas faixas, mas também por viver, neste momento, como um Christopher McCandless, na Cordilheira dos Andes, no Equador. “There is no ‘because’ to this project. It’s my nature. I never sat down and said, ‘This is something new, so I’m going to sell it.’ It’s simply a result of who I am and where I come from.”. Com o selo da ZZK – citando o site do Milhões de Festa: “O que vem com o selo da ZZK é bom — é como apostar naquela chave do Euromilhões em que é tudo 0s e 1s, de certeza que se leva alguns trocos para casa.”. O produtor lançou o seu primeiro álbum de longa-duração em 2015, Prender el Alma. Queremos sentir umas cumbias com um pézinho na piscina, com um sol de fim de tarde a aloirar-nos o cabelo e a queimar-nos a pele, nesta edição de Milhões de Festa.

 

 

Nídia Minaj

 
“Her music is dazzling in all senses, a trance-inducing tangle of boxy drums, vivid swirls of synthetic melody and buzzsaw grime bass, all corralled into tracks that feel less like functional dancefloor units and more like short, sharp shocks of adrenaline.”. Nidia Minaj é um dos principais nomes do catálogo da Príncipe Discos, entre nomes como DJ Nigga Fox, DJ Marfox e DJ Firmeza. Com o lançamento de Danger em fevereiro do ano passado, Nídia chegou às bocas do mundo e da imprensa. Com apenas 19 anos e com apenas dois lançamentos na bagagem – o já referido Danger e Estúdio da Mana, de 2014 – Nídia Minaj é já uma das produtoras mais promissoras da música eletrónica mundial. Em entrevista ao Público confessou: “Estou a falar contigo e já estou com ideias para uma batida. É um vício, como fumar cigarros. E eu tenho de alimentar o vício”; repensando e redesenhando o kuduro até torna-lo naquilo que ouvimos em Danger, que não é um álbum a ser explicado, mas sim a ser ouvido e reouvido. Com um live no Boiler Room escassos meses depois do seu álbum ter saído, com rasgados elogios da impressa deste a Tiny Mix Tapes à The Quietus [de onde a citação acima provem], Nídia Minaj chega ao Milhões de Festa para um DJ Set de quase uma hora que não irá deixar ninguém indiferente.

 

 

Sons of Kemet

 
“The music is driven by the band’s synergy, but it could go anywhere, and we’ve played everywhere from sit-down art venues to sweaty nightclubs and international festivals; we’re not forced into one direction. We can let our musicality take on a life of its own. When we play live, we know what the end result is: everyone in hysteria. But how we get there is anyone’s guess.”. Não é por singrarem em último nesta pequena listagem que os Sons of Kemet têm menos importância – pelo contrário, é dos artistas que ansiamos mais por ver nesta edição do Milhões de Festa. Com membros que já passaram por colossos do free jazz como Polar Bear, Melt Yourself Down ou até Sun Ra Arkestra, é assim que nos chegam os Sons of Kemet. Um colectivo de exímios músicos com Shabaka Hutchings como grande compositor e mestre dos sopros como o saxofone e o clarinete, Tom Skinner (também baterista em Floating Points no consagrado álbum Elaenia) e Seb Rochford (com colaborações que vão desde Adele a Brian Eno) nas baterias e percussão; e finalmente Theon Cross que veio substituir Oren Marshall na tuba. Com claras influências do Egipto ancestral, não fosse o nome de Shabaka o nome de um faraó da vigésima quinta dinastia (tammbé conhecida como Dinastia Núbia) do Reino de Cuche, os Sons of Kemet conjugam esta influência – com salientes influências de música africana – com o free jazz multidimensional. Com dois álbuns na bagagem, Burn de 2013 (com faixas de títulos incríveis como “The Godfather” ou “The Book of Disquiet” como claras referencias a Coppola e Pessoa; e Lest We Forget What We Came Here To Do de 2015, os Sons of Kemet chegam em forma de meteorito sonoro a Barcelos no dia 22 de julho. Mas esta não é a estreia de Shabaka Hustings no Milhões de festa, tendo já passado por Barcelos com os seus Comet is Coming e com os também seus Melt Yourself Down. “É como uma explosão jazz com o primitivismo rítmico dos tribalismos africanizados, um vírus infecioso e impossível de conter”, diz o site do Milhões de Festa. Estaremos lá para comprovar.

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Por Sara Dias / 17 Julho, 2016

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