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Indie Music Fest 2015 • Antevisão

indie music fest

O boom dos festivais ainda não encontrou este ano o seu ponto de contração pós explosão. Estão na moda, e cada vez atraem mais pessoas a eles, quase como uma nova forma de fazer o social. Resistentes, conseguem também o seu sucesso devido a uma especialização muito própria do que querem oferecer (e de quem o quer receber). É perto do Porto, na freguesia de Baltar, que vamos encontrar um dos mais distintos festivais do nosso país.

O Indie Music Fest, agora na sua quarta edição, realiza-se já nos próximos dias 3, 4 e 5 de Setembro e é mais que um festival: aqui celebra-se a boa arte que pelo nosso país se faz. Obviamente com um cartaz recheado de bandas que compõem a nova onda portuguesa, quem se dirigir ao Bosque do Choupal nos próximos dias encontrará também uma “Galeria de Arte” natural, oportunidades de compra únicas no Mercado Indie, sessões de Yoga para relaxar dos afters, piscina para refrescar, e alguns sortudos ainda poderão experienciar um momento Rally num Ford F5. Vencedor do prémio de melhor micro-festival no Portugal Festival Awards, ainda oferece, a quem o frequenta, wi-fi no recinto e duches de água quente (a utopia festivaleira torna-se real). Quem já foi fala de um ambiente único que acontece num local privilegiado, e transmite-se a ideia de regressar enquanto simultaneamente se cativa alguém a ir pela primeira vez. Se ainda não estás convencido depois do que leste, ficamos contentes por tal acontecer: O Indie gaba-se de um público pouco interessado no brinde e na foto, um público que realmente quer viver três dias de música intensa, e dessa (que é a nossa área) ainda não falamos.

Este ano, quatro palcos (para além do Dj Set da Piscina) vão receber os projetos mais interessantes do mundo musical português. No primeiro dia apenas dois palcos vão estar a funcionar, não obstante e apesar de serem um projeto recente, o palco Portugal 3.0 recebe os Plus Ultra, power trio que aglomera Ornatos Violeta, Zen e Mosh. Ainda no dia 3 nomes como Eat Bear podem ser ouvidos no mesmo palco, enquanto que o palco Cisma recebe nomes como os Cave Story e Bispo.

Sexta-feira continua-se a celebrar a inovação da música portuguesa, neste dia com a peculiaridade de o nome maior ser uma viagem ao passado. “A Viagem dos Capitães da Areia a Bordo do Apolo 70” é uma ode a tudo o que ajudou a construir o que a música hoje é no nosso país. Re-inventar o passado, trazendo-o ao presente, é essa a paixão que a banda vai pretender vender ao público no palco principal (#IMF). No 3.0 os Les Crazy Coconuts prometem um electro bailinho com direito a sapateado, e no Cisma serão dados a revelar promessas da música, como é o caso dos Astrodome. Banda composta por quatro elementos, encontram na guitarra, baixo e bateria a sua forma de proporcionarem uma viagem meramente instrumental nas ondas agitadas do heavy psych. Oriundos do Porto, e com um ano de existência vêem mostrar que não é o tempo que lhes deu o talento, mas que é o talento que os faz criar o próprio tempo das histórias que a sua sonoridade contam. É também ao segundo dia, que abre o espaço eletrónico para garantir os afters, e por lá vão passar nomes como Terzi e Ivvvo.

Para o último dia ficou o nome maior desta nova geração de artistas portugueses. Os Linda Martini já dispensam apresentações, e mobilizando uma já extensa legião de fãs, prometem partir tudo no Bosque do Choupal. No 3.0 encontramos uma daquelas bandas que vale a pena manter debaixo de olho (ou ouvido), e o stoner dos Stone Dead também não passa despercebido. Quatro amigos, sem artifícios ou adornos, a explodirem a irreverência jovial de querer mudar o mundo. Uma irreverência que já conta com quatro anos de existência e que agora aterra em Baltar para captar mais soldados para esta missão que se dita global e eterna(mente jovem). Ainda no campo das bandas a seguir, o Cisma receberá os Big Red Panda, e estes são certamente um dos projetos mais interessantes que por aí anda. Desde 2013 que um grupo de cinco amigos de Ponte de Lima tenta convergir todos os seus gostos distintos pessoais numa só sonoridade. Finalistas do Vodafone Mexefest, os Big Red Panda arriscam-se nos sons crus do psicadélico, sendo que os mais atentos encontrarão facilmente referências como os Tool e os The Mars Volta, sem que lhes soe a imitação barata. O after final do Indie Music Fest fica a cargo de Solution e Cvtl, mas no entanto toda a gente sabe que o verdadeiro acontecerá um pouco por todo o bosque algures num acampamento de gente fixe qualquer.

Astrodome, Stone Dead e Big Red Panda são alguns dos representantes do que este festival tenta fazer: promover a boa música portuguesa, e acreditem que nestes casos é mesmo boa (não é por acaso que ambas as bandas já passaram pelas nossas edições do Cosmic Mess no Maus Hábitos). Música, fotografia, desporto, é de tudo um pouco o que o Indie Music Fest tem, e vos quer genuinamente, oferecer e em troca o que vos é pedido é que aproveitem ao máximo.

Os que perceberam este lema o ano passado, estarão lá novamente nos próximos dias, e assim como nós, contribuirão para o melhor ambiente possível num festival, que não se quer de Verão, mas sim de Música. Portanto, se ainda não tens o teu bilhete trata de o arranjar rapidamente, porque com tanta coisa boa a acontecer obviamente só poderia estar a esgotar.

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Por João Rocha / 2 Setembro, 2015
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