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Islam Chipsy + EEK • Scouting islâmico para potenciar no Milhões de Festa

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© Renato Cruz Santos / Lovers & Lollypops

 

“Oh it was gorgeousness and gorgeosity made flesh. The trombones crunched redgold under my bed, and behind my gulliver the trumpets three-wise silverflamed, and there by the door the timps rolling through my guts and out again crunched like candy thunder. Oh, it was wonder of wonders. And then, a bird of like rarest spun heavenmetal, or like silvery wine flowing in a spaceship, gravity all nonsense now, came the violin solo above all the other strings, and those strings were like a cage of silk round my bed. Then flute and oboe bored, like worms of like platinum, into the thick thick toffee gold and silver. I was in such bliss, my brothers.” 

Durante dez anos de existência, quer o Milhões de Festa, quer a própria Lovers & Lollypops, têm-se vindo a demarcar dos restantes por uma característica, quase uma filosofia per si, muito própria e com uma formula irrepetível: fazem-nos chegar os mais puros, improváveis e subvalorizados talentos de todas as partes do mundo. Fazem-nos não chegar os Tame Impala de amanhã, mas sim os Tame Impala de daqui a 4 anos, – não com o intuito de espetar uma bandeira como quem se julga o novo Armstrong a explorar o inexplorado para daqui a quatro anos voltar a acenar essa bandeirinha de vencedores, mas sim como um conjunto de melómanos que nos apresentam sempre o cardápio mais fresco, inovador e desafiante possível.  Não há como não elogiar uma organização que é tanto numa só: companhia discográfica que ao mesmo tempo é como um José Boto da deteção de talentos (não futebolísticos, ainda que isso lhes rendesse mais) musicais e promotora envolvida quer em organização de festivais ou de concertos.

Não é com surpresa que nos vemos chegar, através desta mesma Lovers & Lollypops, Islam Chipsy das profundezas do Cairo. Chipsy seria um dos segredos mais bem guardados do Egipto até à confirmação na edição passada do Milhões de Festa; e depois de um cancelamento inesperado, tivemos o privilégio de encontrar Islam Chipsy acompanhado por EEK no Maus Hábitos e na ZDB, para dois concertos inesquecíveis com direito a repetição – se há cromos repetidos que interessam, Islam Chipsy e EEK estariam nessa caderneta em grande destaque.

“It makes other dimensions and other perspectives open up to the listener. You can feel the tightness of the drummers as they also capture the rhythm, the joy, the anger, the hashish, the youth unemployment, the joy and the chaos of the streets of Cairo. It is orgasmic organised chaos. It’s a trip. And it’s totally worth it.”

Islam Chipsy não é apenas um teclista soberbo e dotado, quiçá dos melhores teclistas contemporâneos; é muito mais que isso, Islam Chipsy é um inventor, um compositor, um visionário, um génio. Apesar de ser sistematicamente categorizado como electro chaabi ou mahraganat [palavra egípcia para “festival”] o som de Islam Chipsy com os seus EEK transcende isso, derruba qualquer tipo de atribuição ou delimitação de género. Estes estilos que referimos anteriormente floresceram, acima de tudo, em casamentos. Com este crescimento do electro chaabi surgiram cada vez mais artistas dentro desse estilo como Sadat, Figo e Alaa Fifty; mas nenhum deles é comparável com Islam Chipsy –  apesar de serem rotulados da mesma forma. A maioria dos artistas de mahraganat usam como ferramentas de produção vários tipos de software como o “Fruity Loops Studio” e o “Logic Pro Studio” criando por si uma forma revolucionária de abordar o mahraganat aproximando-se muito maisda EDM e do Dancehall do que Chipsy.

Já Islam Chipsy é um músico treinado em música tradicional/clássica árabe; assim, alia o electro chaabi à música tradicional árabe e ainda à ostentação e ferocidade de dois bateristas – Khaled Mando e Mohammed Refat – numa tentativa de explodir e expandir os seus limites sonoros. E esta experimentação não vem do nada: como explicou ao The Quietus, Islam Chipsy tem 4 grandes estilos e não há grande tempo para ensaiar com EEK: “I do old club classics here [Club Markez] with a female singer, and the songs are heavy on melody. This is a laboratory for me to experiment with new techniques and styles. I have a production and arrangement studio. I play as a session man for singers. The third one is weddings, where I set myself up with the DJ or the band for the wedding. And the fourth is what you know – EEK. I have a phone for each style!”.

Entre tantos projetos, não é complicado compreender por que é que que Islam Chipsy + EEK têm apenas um álbum de estúdio lançado em 2015, Kahraba. Este foi gravado no fim de 2014 na baixa do Cairo, e contem apenas 4 faixas. Antes, nomeadamente em 2014, lançaram um live bootleg intitulado Live at The Cairo High Cinema Institute. Existe uma dualidade latente no trabalho quer em estúdio quer na sua adaptação ao vivo: Islam Chipsy brinda-nos com performances frenéticas e convulsivas, cheias de alegria, energia e dança; mas, ao mesmo tempo imponentes, repletas de agressão e raiva.

Para além do Milhões de Festa no dia 23 de julho, Islam Chipsy tem passagem marcada por Coimbra no Salão Brazil, por Lisboa na ZDB e no Festival Músicas do Mundo de Sines.

“Youth is only being in a way like it might be an animal. No, it is not just like being an animal so much as being like one of these malenky toys you viddy being sold in the streets, like little chellovecks made out of tin and with a spring inside and then a winding handle on the outside and you wind it up grrr grrr grrr and off it itties, like walking, O my brothers. But it itties in a straight line and bangs straight into things bang bang and it cannot help what it is doing. Being young is like being like one of these malenky machines.” 

 

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Por Sara Dias / 2 Julho, 2016

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