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Mucho Flow 2017 • Marcha do progresso regressa a Guimarães

 

Afirmar a qualidade daquilo que tem sido o calendário de 2017 é imprescindível. Não nos faltaram oportunidades para assistir e acompanhar festivais que tanto podem estar a começar, renascer ou até mesmo cimentar o seu próprio nome e identidade no mapa do País. A qualidade dentro do nosso território é cirúrgica e recorrente. Algo que muitas das vezes pode colocar em causa a diferença entre quantidade e qualidade, mas felizmente não temos encontrado motivos para colocar em questão o trabalho de muitos projectos em desenvolvimento do norte ao sul do país, com especial ênfase nas identidades que percorrem os distritos do norte. Ao lado do TRC ZigurFest, Milhões de Festa, Semibreve e Sonic Blast, sendo estes os mais recentes que o underground do norte acolhe no seu núcleo, temos também o Mucho Flow, um nome que este ano tomará proveito para cimentar a sua direcção no panorama português.

Em 2017, será a 5ª edição do Mucho Flow que guiará nomes deliciosamente obscuros e com muita promessa de exploração sónica pelos flancos da cidade de Guimarães. Agora com um cartaz encerrado, é de esperar um dia 7 muito preenchido no extremo-norte do país, nomeadamente com nomes como os excêntricos Chinaskee & Os Camponeses, 800 Gondomar e o pop revigorado de Filipe Sambado, a prometer entregas de muitos registros memoráveis do último álbum lançado no ano passado, pela Spring Toast Records. Scúru Fitchádo é um dos nomes que mais promete assustar ancas e afastar braços carregados de medo. Este é o projecto de Sette Sujidade, uma procriação emblemática de um extravio mal feito entre o funana cabo-verdiano e as empalações divergentes do punk atómico. Debaixo deste projecto, Guimarães temerá pela sua segurança auditiva. A experiência não pode ser optimista, mas garantimos que o sorriso surge quando o sangue navegar entre as lâminas do som.

Uma das grandes surpresas no cartaz sustém-se pelo retorno do muito admirado projeto de Lee Bannon (Pro-Era), Dedekind Cut, um nome que tem sido homônimo à última geração de producers de música eletrônica americana. Muitas das vezes a apetrechar fortes estruturas sônicas com uma expansividade atmosférica, denotamos em Dedekind a natureza bestial nas texturas macabras e assustadoramente pessoais. Prolífico na sua arrítmica em combinação com a mais variada progressão de cores e projeção, é impossível resistir à total metamorfose do ouvinte em função às molduras de Bannon. God Colony e Flohio não terão problemas em recuperar a afirmação total nos ritmos. Se há trabalho e contribuição neste cartaz que promete pesado pé de dança na pista do CAAA, é este. As batidas vincadas dos God Colony sobressaem-se com destemida força e dimensão quando complementadas em perfeição com a voz selvagem em métrica de rima de Flohio, incontestável nome em surgimento no underground do Reino Unido.

A diversidade neste cartaz é notável. Sem contar com todos os nomes que até aqui mencionámos, este é um alinhamento que somente os mais íntimos da música underground terão privilégio em testemunhar. Uma palavra aos que já garantiram presença nesta aventura, deixem-se elevar pela peculiaridade entre estilos e experiências completamente divergentes, deixem-se propagar pelos muitos sons que prometem sensações subatómicas e certamente aceleradoras. Deixem-se render ao fluir de flancos intravenosos de paisagens sufocantes e arquitetónicas, sejam tão maleáveis quanto esta última vaga de criatividade jovem, transportem-se no fluir da experiência.

 

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Por Wav / 6 Outubro, 2017

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