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NOS Primavera Sound 2016 • O que esperar – Parte 3/3

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É oficial: estamos a uns singelos três dias do início do primeiro (verdadeiro) festival de grande dimensão do nosso país e nestes dias que restam convém já fazer o mapa para não se perder pitada daquilo que de melhor o festival vai proporcionar. Nós deixamos as nossas últimas cinco sugestões, desta vez para o último dia de festival.

AIR

A iniciar as honras dos destaques temos os AIR, duo composto por Nicolas Godin e Jean-Benoit Dunckel que irá inundar a planície do parque portuense com o seu downtempo relaxante e ao mesmo tempo dançável, muito influenciado pelo French Touch, ou não tivessem tido uma “ajudinha” de Etienne De Crecy no início da banda. É durante a comemoração da maioridade de Moon Safari, o seu primeiro longa-duração, que celebra os seus 18 anos, que os franceses chegam a Portugal, atirando-se de cabeça à sua interpretação integral que, por certo, deixará todos boquiabertos. Um momento único de se poder ver e ouvir ao vivo um dos melhores álbuns dos anos 90.

 

Battles

Os nova-iorquinos Battles construíram ao longo dos últimos 10 anos uma reputação de culto entre o círculo experimental da Big Apple, o mesmo onde emergiram outros nomes como Gang Gang Dance ou Dan Deacon. Tendo começado por lançar uma série de EPs consecutivos onde exploravam o math rock, com um espectro de influências que se alargava dos lendários Slint, passando pela ambiência mais dark de uns The Notwist e pelo kraut dos germânicos Cluster, chegaram à aclamação crítica generalizada com o lançamento do cerebral Mirrored, onde composições como a já mítica “Atlas” se destacavam e davam à banda de Ian Williams, Dave Konopka, John Stanier e do entretanto já separado Tyondai Braxton um estatuto de grandes embaixadores da pop experimental nova-iorquina nos anos 2000. Entretanto, seguiram-se os lançamentos de Gloss Drop em 2011 – que contava com colaborações de nomes como Matías Aguayo (na ultra-dançável “Ice Cream”), Gary Numan, Kazu Makino e Yamantaka Eye – e, mais recentemente, La Di Da Di. Este último, do qual falámos aqui, é o lançamento que marca o regresso aos discos do agora trio nova-iorquino, novamente com o selo da britânica Warp, editora que representa os Battles desde 2006 e que já lançou um sem número de nomes para a ribalta indie, particularmente no que à eletrónica diz respeito. La Di Da Di representou uma espécie de regresso a um passado mais experimental e o abandono de um som menos “colorido” que havia sido adoptado em Gloss Drop, como fica provado pela ausência de voz no disco, tal como acontecia nos primeiros lançamentos da banda. Será o ábum que, provavelmente, terá uma maior representação no alinhamento que será apresentado pelos Battles no NOS Primavera Sound.

 

Autolux

Antes dos Battles entrarem em cena, os Autolux apresentarão o seu novo Pussy’s Dead diante de muitos curiosos e outros já rendidos à sua sonoridade de cariz experimental onde as guitarras se mesclam com a eletrónica e daí resultando criações em tudo inspiradoras que farão os mais céticos permanecerem atentos ao desenrolar do concerto. Apesar de serem algo desconhecidos, os Autolux contam já com mais de 10 anos de carreira, três (excelentes) discos de estúdio (lançados entre 2004, 2010 e 2016), tendo atuado como banda suporte em digressões de artistas como PJ Harvey e Atoms For Peace. Se esta breve informação não chegar, o melhor é mesmo conferir ao vivo porque apostamos que esta será uma das surpresas do festival.

 

Drive Like Jehu

No Palco . (ex-ATP) todas as atenções estarão focadas na atuação dos Drive Like Jehu que se estreiam em Portugal 25 anos depois de terem lançado o seu primeiro álbum. Em 1994 lançam Yank Crime pela Interscope, disco basilar do pós-hardcore, ganhando assim um maior destaque mediático e posteriormente influenciando grande parte do movimento. Os americanos reuniram-se em 2014 para uma dose de concertos no norte dos E.U.A. e regressam agora à Europa para mostrarem, essencialmente, os seus dois únicos discos de estúdio elaborados durante a sua curta mas muito importante carreira. Espere-se um dos concertos mais intensos do festival.

 

Unsane

Mais intenso talvez só o desta que é a última banda mencionada no cartaz do festival. E para muitos é a que o encabeceia. Estando já mais do que habituados a estas andanças, os americanos aproveitam uma rota multifacetada por terras europeias para cavar uma fenda enormíssima nas terras da cidade invicta com o característico noise-rock maioritariamente oriundo do Hardcore Punk nova-iorquino dos anos 90. Sem hesitação e sem questão a colocar, este é o grupo mais pesado no cartaz do festival e que mais promete uma íntima amabilidade para com os adeptos de ruído e de pura sujidade. Com uma discografia que não deixa ninguém a desejar, com mais pontos altos do que baixos, é de esperar um alinhamento fortíssimo e preparado para assaltar à mão armada qualquer dúvida acerca deste grupo.

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Por Wav / 6 Junho, 2016

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