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NOS Primavera Sound 2017 • A antevisão – Parte 1

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Caminhamos a passos largos para a sext edição do NOS Primavera Sound, que já brindou a cidade do Porto com nomes como My Bloody Valentine, Nick Cave & The Bad Seeds, Kendrick Lamar ou Electric Wizard, entre tantos, tantos, outros. Em 2017 o festival volta a tomar de assalto o Parque da Cidade, de 8 a 10 de junho, com mais um plantel de luxo. Neste artigo encontramos a primeira parte da antevisão ao festival com as escolhas dos MVPs de alguns dos colaboradores da Wav, entre as quais Death Grips, Flying Lotus ou Swans. Com este artigo lançamos também uma playlist com uma selecção mais expandida, que inclui também a escolha dos artistas ou bandas que vão saltar do banco dos suplentes para a segunda parte da nossa antevisão.

 

Cigarettes After Sex

Após se estrearem em terras lusas em 2016, a banda de Greg Gonzalez volta a Portugal, desta vez ao Porto, para mostrar o porquê do hype actual à sua volta nas redes sociais e o porquê de o seu álbum, que irá ser lançado dia 9 de Junho (no dia a seguir ao concerto no NOS Primavera Sound), ser um dos mais aguardados neste ano. Comparados, em muitas situações, a grupos como Mazzy Star, Beach House e Slowdive, espera-se do concerto dos Cigarettes After Sex, uma envolvência nostálgica e melancólica, característica das suas músicas ambient-pop e da sua lírica romantico-taciturna. Singles como “K.” e “Apocalypse” vieram despertar, novamente, a curiosidade nesta banda de El Paso que, com certeza, irá atrair o público que estará presente no relvado do Parque da Cidade do Porto, dia 8 de Junho. Para todos aqueles que fumam, preparem os vossos cigarros.

– Diogo Rocha

 

Death Grips

Com um cartaz tão diverso como o deste ano, é normal encontrarmos surpresas pelo meio, e de todas as confirmações, esta foi uma das que mais nos agradou. A estreia absoluta dos Death Grips em Portugal. Oriundos de Sacramento, California, este trio tem vindo a acumular uma discografia ampla de mérito próprio e estilo independente. Para além de desenvolverem um som disforme e pulsante, frequentemente graças às influências do punk, industrial, electrónica e noise, Death Grips consegue captar a atenção do ouvinte com algumas das mais extremas e excêntricas interpretações do hip-hop a nível mundial. Estilo, fulgor, impacto e autêntico descontrolo, são só algumas das qualidades que este grupo apresenta. Com uma discografia tão bem desenvolvida como a deste trio, é de esperar uma enorme reação por parte do público do Primavera, isto se estivermos à altura desta atuação.

– João Mislow

 

Elza Soares

Não é o primeiro nome de MPB que vemos num cartaz do NOS Primavera Sound, e tal aposta sonora estranhar-se-ia, não fosse a vertente ecléctica deste festival. Este ano a responsabilidade de defender os sons do Brasil, recai sobre a veteraníssima Elza Soares, e esta inclusão no cartaz é, além de muita coisa, autêntico serviço público. Para o concerto espera-se o que a Rainha da Bossa Negra tem apresentado na digressão de apresentação do seu último trabalho (que remonta já a 2015): sentada no alto de um trono, é na extensão do seu vestido/raiz que a banda brota, como rebentos de uma figura maior (que o é) da música brasileira – um palco/cenário montado em torno do desgaste que o tempo e a vida tão cruelmente lhe causaram. No entanto, não se deixem enganar pela tenebrosidade da história de vida de Elza, pois quase como contradição, esta continua a ser um furacão de alegria, cheia de vontade de viver, e acima de tudo, de cantar. Sonoramente, o hibridismo entre o experimental e a bossa nova marca esta nova fase deste Ser que se assume como “Mulher do Fim Mundo”. A pujança vocal pode não ser a mesma de outrora, mas é na rouquidão e perseverança da sua voz que se espera um dos concertos mais intimistas, simpáticos e carinhosos da edição deste ano do NOS Primavera Sound.

– João Rocha

 

Flying Lotus

Flying Lotus é um dos nomes mais importantes da música electrónica da última década, aliando permanente inovação a uma consistência quase ímpar entre a grande maioria das outras figuras de ponta do seu género – ou não fosse o mentor deste projecto, Steven Ellison, da abençoada linhagem Coltrane. FlyLo é um dos poucos artistas que se pode gabar de ter melhores discos do que faixas isoladas: ouvir cinco minutos avulsos da sua obra é algo que não faz justiça ao  músico, produtor, DJ, rapper (sob o moniker Captain Murphy) e até realizador de cinema californiano, cuja discografia se estende por cinco LPs lançados entre 2006 e 2014. Todos os seus discos, embora diferentes e envolvidos por diferentes conceitos, captam o ouvinte automaticamente pela sua fluidez constante e por um fortíssimo sentido de unidade, uniformidade e conjunto. Desde o exótico e já longínquo 1983, lançado em 2006, até ao mais recente You’re Dead de 2014, tingido dos ritmos e cores vibrantes de Thundercat (músico da editora Brainfeeder, fundada pelo próprio Ellison), FlyLo assumiu-se como um dos mais aclamados nomes da música electrónica internacional, em particular com Los Angeles (2008) e Cosmogramma (2010). Estes dois discos partiam de uma base futurista, urbana e caótica, nunca deixando de ser dançáveis ou gingões. Ainda assim, esse alicerce fundia-se imaculadamente com os samples subtis de FlyLo, samples esses que tão facilmente se estendiam do glitch, ao orquestral ou ao J-Dilliano, passando até por um jazz hipnótico e atmosférico, que explorou ainda mais vincadamente em 2012 com Until The Quiet Comes. O regresso a Portugal de Flying Lotus num NOS Primavera Sound onde actuará a par de outros gigantes como Aphex Twin e Nicolas Jaar confirma a edição de 2017 do festival portuense como lugar santo na Europa para todos os peregrinos da Intelligent Dance Music.

– Luís Sobrado

 

Mitski

Um dos destaques no cartaz do Primavera Sound é a estreia em Portugal de Mitski. A cantora e compositora, filha de pai americano e mãe japonesa, passou grande parte da infância a saltar de país em país até assentar em Nova Iorque, aos 15 anos, sendo que essa ausência de estabilidade geográfica despoletou um forte sentimento de alienação. Contudo, toda essa confusão deu origem a canções extremamente pessoais – relatos de alguém que já esteve em muitos sítios, mas que nunca pertenceu a nenhum. Musicalmente, temos aqui um indie simples mas dinâmico, que consegue ser simultaneamente orelhudo e complexo. Acima de tudo, trata-se de música cuidadosamente elaborada e onde sentimos uma honestidade arrepiante, sendo aí que reside a magia de discos como Puberty 2 – um dos mais aclamados lançamentos de 2016. Uma actuação a não perder, dia 10 de Junho, no Parque da Cidade.

– Jorge Alves

 

Nicolas Jaar

Há 3 anos, vimo-lo aqui com Dave Harrington, no palco Pitchfork. A electrónica excitante dos Darkside pulsava a sua energia e deixou o público num estado de extâse e lentidão, acompanhando o grande espelho que rodava no palco. Agora, com os fabulosos Nymphs (singles) e Sirens (LP), Nicolas Jaar regressa ao Primavera com a sua performance aplaudida (perguntem a quem o viu no LISB ON, em 2015). O último álbum, para além do carácter político, é mais uma prova da capacidade do produtor em combinar paisagens cheias de dinâmica e plasticidade com um sentido rítmico intransponível. É música que serve o corpo e a cabeça: “Killing Time” leva-nos para uma soundscape onde há vida por entre estilhaços de metal, “No” põe-nos a dançar até às 4 ao sabor do ressentimento pela ditadura chilena- “No hay que ver el futuro Para saber lo que va a pasar”. No dia 9 de Junho, sabemos: vamos viver um concerto memorável.

– Gonçalo Tavares

 

Run the Jewels

Run the Jewels, RTJ para os amigos, é o duo formado pelos rappers norte-americanos El-P e Killer Mike, e regressam dois anos depois à cidade do Porto, ao festival que tão bem os acolheu, para apresentar o novo álbum, Run the Jewels 3, desta vez num palco com mais destaque, certamente. Este terceiro álbum homónimo veio mostrar que a dupla mantém-se insaciável, energética e dinâmica, insistindo em não querer relaxar, e em continuar a desbravar novos territórios no panorama do  hip hop, aliando a agressividade musical e lírica já presente dos álbuns anteriores a uma produção que agora se apresenta mais refinada e controlada, toda ela com o selo de excelência de El-P, que também é o produtor do grupo. Apreciados pela crítica e idolatrados pela sua crescente legião de fãs, o nome Run the Jewels, quando revelado num cartaz, só passará despercebido pelos mais distraídos ouvintes de hip hop, ou mesmo de música em geral. Assim, logo no primeiro dia do festival, os beats frenéticos e os versos alternados e em perfeita harmonia de El-P e Killer Mike prometem estremecer o recinto e convidar qualquer alminha para a festa que será o seu concerto, independentemente do palco em que atuem.

– Luís Rodrigues

 

Swans

Michael Gira e companhia vêm apresentar Glowing Man de 2016 – apresentado como o último álbum da atual encarnação de Swans – naquela que será provavelmente a última oportunidade de os ver no seu atual alinhamento – já sem Thor Harris da original re-formação em 2010, que lançou também o ano passado o espantoso Thor & Friends. Quem conhece Swans sabe das suas reestruturações, mutações e constante evolução. Como tal é de se esperar que toquem, para além de Glowing Man ou até To be Kind (2015), algumas peças por editar – “The Knot” e “The Man Who Refused To Be Unhappy” vêm na bagagem, ser-nos-ão apresentadas? Dia 9 de Junho, é ir para ver. Certezas? Ver-se-á o maestro Gira de pulmões e braços abertos controlando o seu fundido de músicos, produzindo monolíticas peças a um volume ensurdecedor.

– Rafael Baptista

 

Whitney

Muito se tem dito sobre a nova banda sensação de Chicago, formada em 2015. Com tours por todos os principais mercados musicais mundiais (tais como a Europa, Japão e América do Norte) e um aclamadíssimo álbum de estreia, voltam agora a Portugal pela terceira vez. Depois da passagem pelo Vodafone Paredes de Coura com a abordagem típica de uma banda em crescimento exploratório e da aparição no Mexefest em formato acústico (apenas com uma parte da formação), sonhamos com uma prestação mais madura que a de Agosto passado (fruto do périplo mundial que têm feito nos últimos meses), sem que no entanto se perca a magia indie do improviso intrínseco a Julien, Max e companhia limitada. O alinhamento mais provável deverá passar por Light Upon the Lake, bem como pelas covers a que já nos acostumaram: desde Bob Dylan a Dolly Parton.

– Inês Calçôa

 

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Por Wav / 7 Maio, 2017

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