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Reverence Valada 2015 – Os não-tão-óbvios a não perder – Parte 2/2

Saturnia

 
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Falando em naves e galáxias, a proposta portuguesa do segundo dia recai sobre os Saturnia. Infelizmente a coincidir parcialmente com os Blown Out, os não menos interessantes portugueses chegam do espaço (algo eletrónico) para provar o porquê dos seus mais de 15 anos de idade e de serem quase já uma banda de culto para os amantes do género. Com já 5 álbuns lançados e com moderadamente pouca exposição mediática, arriscamos a dizer que os Saturnia serão o Dark Horse deste festival.

No final da atuação será frequente ouvirmos: “onde é que eles andaram a minha vida toda?”. É verdade, podem ter passado ao vosso lado durante muitos anos mas não passarão este ano, certamente.

 

Jaguwar

 
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Tal como no sábado, domingo também começa bem cedo no que toca à qualidade das bandas. Logo às 15:10 os Jaguwar sobem ao palco Praia para espalharem o seu shoegaze de segunda fase (ou Nu-gaze, como quiserem) recheado de bons reverbs e experimentalismo, sempre com aquele Q de pop ali no meio. De certo, ouvir-se-á o gemido das Jaguars (o nome deve remeter para isto) ao serem brutalmente “espancadas” pela sobredosagem do uso de pedais juntamente com a alavanca e consequente desafinação. Será o momento ideal para nos deixarmos levar pelo género que se celebra a si próprio. Se gostaram dos Ringo Deathstarr no ano passado, vão, certamente, apreciar estes holandeses este ano.

 

Spectres

 
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Segue-se um dos grandes nomes deste festival que, talvez, pela sua ainda curta carreira e pouca exposição mediática passaria ao lado de muitos de vós. Os Spectres são detentores de um dos melhores discos do ano e vêm ao nosso país apresentá-lo no seu ano de lançamento, coisa que poucas vezes acontece.

A banda intercala o seu pós-punk new-school com momentos mais noise, criando algumas dissonâncias e contratempos a meio dos temas. A voz de Joe Hatt lembra, por vezes, a de Thurston Moore nos discos mais “grunge” da sua ex-banda, por isso já sabem o que esperam.

 

The Jack Shits

 
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Vindos diretamente do Barreiro, e após já os termos visto por diversas vezes ao vivo, duas delas comentadas aqui no site, podemos dizer que os The Jack Shits são das bandas mais enérgicas a atuar em Portugal atualmente.

Se preferem um bom garage, sem merdas, para intercalar com as divagações instrumentais psicadélicas dos Samsara (sim, coincidem nos últimos 20 minutos) e das outras bandas do festival, melhor opção não poderia haver.

Serão uns minutos intensos e de pura e verdadeira glória (quem entendeu?). Quem já viu estes rapazes ao vivo sabe do que falamos. Perdoem-nos o trocadilho fácil mas perante tamanha loucura, o verdadeiro nome do trio deveria ser The Jacks (without any) Shits. E fiquemos por aqui.

 

Calibro 35

 
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Para fechar o lote das bandas escolhidas nada melhor que os Calibro 35. Ritmos funky dos anos 70 com psicadelismo à Quentin Tarantino? Nailed it!

A verdade é que qualquer um dos três discos dos italianos poderia ser banda sonora do Kill Bill ou Pulp Fiction, por exemplo. Toda a mística presente na sua música leva-nos de volta às perseguições policiais da América da segunda-metade do século 20,eventualmente com a Guerra Fria ainda bem presente.

A quantidade de instrumentos bem empregues por estes 5 milaneses torna as canções bastante aprazíveis e versáteis, evitando o marasmo aparente da maioria dos conjuntos instrumentais. Cada um fará o filme do concerto na sua cabeça e aquele que não o fizer, não sentiu o espetáculo da maneira correta. O muro de Berlim ainda não caiu por estas bandas.

 

É verdade que o lote de 10 bandas já foi cumprido, mas terminar o texto sem mencionar as Sunrise Jams é sacrilégio.

Um dos momentos que também não devem perder são os improvisos das 5 da manhã. Mesmo que o sono aperte, façam um esforço para permanecerem acordados e presenciarem a magia que acontecerá ao nascer do sol, como o próprio nome indica.

Na primeira, os escolhidos são Miguel Fonseca (mais conhecido por Astroflex) e Luis Simões (dos Saturnia), dois nomes grandes do experimentalismo/psicadelismo eletrónico português, vindo dos anos 90. Assumimos a curiosidade para o que acontecerá aqui.

Na segunda, é Jason dos Mugstar (banda que esteve presente no festival no ano passado) a tecer uns improvisos com elementos dos 10.000 Russos como convidados.

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Por Diogo Alexandre / 19 Agosto, 2015
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Um gajo que gosta de música e escreve coisas estranhas.

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