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Reverence Valada 2016 • Os não-tão-óbvios a não perder

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O Reverence Valada está aí à porta, faltam apenas umas horas para o início de mais uma edição do festival que vem encerrar em definitivo a época de verão festivaleiro em Portugal, agora regressado novamente ao mês de Setembro. Tal como sucedera no ano passado, decidimos fazer um pequeno apanhado daqueles que consideramos ser uns nomes a que muitos não vão ligar e que se podem revelar nas grandes surpresas deste festival, não esquecendo também a excelente oferta de bandas nacionais que o festival dipõe.

No primeiro dia espera-se um tsunami garage e os J.C. Satàn são, ao que nos parece, os underdogs do dia. Com quatro álbuns lançados até ao momento, o último dos quais este ano, os franceses vêm munidos de um garage psicadélico que chega, por vezes, a roçar o stoner, com direito a teclados, vozes femininas e muitas dissonâncias pelo meio. Tudo o que se pede para a segunda metade das 22h antes de ficarmos com os cabeças-de-cartaz do dia.

 

Para o segundo dia de festival decidimos começar por destacar os Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs Pigs, conjunto que abre o palco Sontronics. Apresentados ao mundo no ano de 2013, após um split com os fantásticos The Cosmic Dead (que também já passaram pelo festival), lançaram o seu primeiro longa-duração no ano seguinte. Os ingleses trazem consigo rock psicadélico para se fechar os olhos e viajar por essas planícies fora à beira Tejo, intercalando ora os infinitos solos limpos ora os riff plenos em distorção ideais para o headbanging. Basta escutar Psychochomp para se comprovar isso mesmo.

 

Logo após os primeiros mencionados, aconselhamos vivamente a beberem umas águas e a partirem diretos rumo ao palco Rio a fim de se apreciar o bom dream-pop/shoegaze dos LSD & The Search For God, uma banda há muito aguardada em Portugal pelos mais afincados apreciadores do género. Com apenas dois EPs lançados, o último dos quais este ano, os norte-americanos, que contam já com mais de 10 anos de existência, trazem consigo o sonho agridoce típico do dream-pop para um concerto onde os efeitos dos pedais vão estar em destaque. Depois da jarda rock’n’roll proprocionada pela banda anterior, nada como acalmar os ânimos ao som do melhor que a nova fase do shoegaze (também denominada de nu-gaze) pode proporcionar. Pena o calor e o horário em que foram colocados, pois no crepúsculo resultariam bastante melhor.

 

Ao vermos os The Raveonettes presentes no cartaz eis que somos transportados uns anos para trás no tempo, anos esses em que “Love In A Trash Can” era banda sonora de todas as séries in norte-americanas que chegavam a Portugal e em que os vimos passar pelo Santiago Alquimista, esse mítico bar lisboeta já quase extinto vá-se lá saber porquê, no ano de 2008, tendo sido essa, ao que parece, a sua última passagem pelo nosso país. O duo dinamarquês é o nosso último destaque para este segundo dia de festival, duo esse mais conhecido no universo do rock alternativo que apareceu no mundo na altura em que os duos estavam em voga (lembramo-nos dos White Stripes e dos The Kills assim de repente) e que, por alguma razão, nunca “explodiu” como era esperado, caindo um pouco no esquecimento com a entrada da nova década.

Apesar de tudo o que foi referido, os Raveonettes continuam a saber animar plateias com o seu rock alternativo, inspirado no blues e no surf dos anos 60, adaptado ao século XXI com o nível de ruído suficiente para aqui estar presente, perfeito para a cantoria e para a dança mais pacífica, que cairá muito bem para desanuviar dos Dead Meadow e para nos animar antes de uns não menos incríveis Brian Jonestown Massacre. Esperemos por malhões como “Aly, Walk With Me” e “Attack Of The Ghost Riders”.

 

Depois de se ter estreado com os seus Mão Morta e de o termos visto por lá, no ano seguinte, a apreciar concertos, Adolfo Luxúria Canibal regressa a Valada com os Mécanosphère, caótica experiência sónica que conta com mais de seis membros em palco. São liderados por Benjamin Brejon, mestre da electrónica industrial, componente essencial do conjunto que, muito provavelmente, apresentará um set totalmente (ou em grande parte) improvisado, como já é habitual. Scorpio, o seu último disco (lançado em finais de 2015), catapultou os Mécanosphère para um novo patamar do experimentalismo e sendo que estes dão pouquíssimos concertos ao vivo, cada oportunidade de os ver será sempre imperdível. É esperar e ver aquilo que eles nos reservaram porque quaisquer suposições feitas aqui saíram sempre furadas.

 

Aproveitando o desaire do cancelamento dos Killing Joke, os The Quartet Of Woah! foram justamente promovidos ao palco Rio, naquele que será o concerto oficial que antecederá e desvenderá as novas canções que estarão presentes no seu há muito aguardado novo álbum. Dizem as más línguas que são portentos malhões que ultrapassam os 10 minutos de duração… não sabemos de nada ainda, mas ficaremos a saber no sábado.

Ultrabomb já foi lançado há quase três anos, disco que os apresentou ao mundo e que os meteu a tocar nos principais festivais do país (dos quais destacamos um fantástico concerto no festival Super Bock Super Rock). Um prémio mais do que merecido a uma das melhores bandas que Portugal viu nascer nos últimos anos.

 

Quase a fechar o palco Rio e a terminar esta mesma lista destacamos os holandeses Radar Men From The Moon. Regressam a Portugal agora com um disco digno de ser ouvido com muita atenção, um disco que mescla o típico rock psicadélico-espacial com notórias influências do pós-punk (aquele negrume, sintetizadores e bateria compassada tiveram que vir de algum lado) funcionando como uma espécie de continuação dos seus últimos dois álbuns Strange Wave Galore e Subversive. Um marco importante de uma banda que tem conseguindo conquistar terreno e descobrir a sua personalidade ao longo do tempo.

A título de curiosidade, no seu concerto de estreia no nosso país contaram com os The Quartet Of Woah! como banda de abertura e agora atuarão no mesmo dia e pouco depois dos mesmos. Reencontro de colegas, portanto.

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Por Diogo Alexandre / 7 Setembro, 2016
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Um gajo que gosta de música e escreve coisas estranhas.

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