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Al Lover: “Há muitas bandas que praticamente só copiam o som de outras”

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Alex Gundlach, mais conhecido como Al Lover, é um talentoso produtor/compositor natural de São Francisco. Presença assídua no Austin Psych Fest, a sua música faz-se pelo revivalismo do psicadélico. Apesar de ser um criador de beats, musicalmente o som das suas criações confunde-se com gravações analógicas de uma banda antiga. É com Cave Ritual ainda bem fresco que Al Lover vai atacar a mítica piscina do Milhões de Festa e é precisamente esse o mote da conversa que tivemos com o norte-americano.

Quem é Al Lover?
É o teu boy Al. Apenas um tipo que faz beats e é sortudo o suficiente para viajar e ser pago para o fazer.

 

Li por aí que foi o Rap que te trouxe para a música. Como foi esse percurso até chegares aos dias de hoje?
Sim, cresci com Rap e Punk e comecei a fazer umas rimas por diversão quando fui para o secundário. Depois disso começou a ficar mais sério em conjunto com o meu amigo The Fist Fam. Comecei a fazer beats por volta de 2008 e foi aí que fui deixando o Rap para trás.

 

Como funciona o teu processo de criação? Quais são as tuas maiores influências e que bandas gostas mais de remisturar?
Geralmente costumo começar com uma sample ou um riff sintetizado e depois construo a partir daí. Basicamente um loop a tocar durante horas e vou adicionando por cima até sentir que está acabado. Diria que são tipos como The Rza, Phil Specter, Lee perry, Ike Turner, Conny Plank, Martin Hannett. Produtores que praticamente definem o som dos artistas com quem trabalham. No que diz respeito a bandas, estou aberto a um pouco de tudo. Recentemente fiz um remix de Future Islands e foi bastante divertido.

 

Apesar de seres um beat-maker a tua música soa como uma antiga gravação analógica de uma banda. Já pensaste seguir esse caminho, de deixar os samples de lado, e juntares num estúdio uma banda e tocar os instrumentos?

Sim, estou a começar. Tenho um projeto a sair no outono que é totalmente baseado em sintetizadores. Tenho planos para num futuro próximo trabalhar com mais músicos e escrever toda a música. O próximo álbum será assim, sem dúvida.

 

Numa era global como a de hoje, acreditas que isso torna mais complicado criar algo novo, ou pelo contrário, abre mais os horizontes do criador?
Não acho que haja alguma coisa nova para se fazer a não ser combinações criativas. O acesso a todos os tipos de música underground de qualquer parte do mundo está a inspirar os artistas a tentarem criar coisas mais criativas, mas também uma vaga de “copycats” que tornam certos géneros completamente saturados e aborrecidos. Pensem em quantas bandas rasgaram a partir do som dos Thee Oh Sees e do Ty Segall e boom, cria-se um novo género numa questão de meses. É muito engraçado. Também o acesso a tecnologia para gravação é muito interessante, qualquer criança com o seu computador pode criar som bastante surpreendente a partir do quarto. É tipo um novo movimento punk, amadorismo e desprezo para com o que a indústria da música diz que podes ou não fazer. Claro que isto tem os lados positivos e negativos, mas de qualquer maneira eu estou a adorar.

 

Como vês o crescente revivalismo do psicadélico?
Bem, penso que neste momento já está morto, se estivermos a falar de hypes da Pitchfork. Mas que se lixe. Sem ofensa para ninguém. Fico muito contente em ver gente a fazer música por aí. Como disse antes, há muitas bandas que praticamente só copiam o som de outras e isso saturou muito as coisas. Mas é tranquilo, cada um na sua. Claro que não estão todas a fazer isso, mas muitas estão. Acho que muitas dessas bandas estão a apenas procurar a sua sonoridade e com tempo irão crescer e dar grandes bandas. É uma progressão. Quando eu comecei só queria soar ao DJ Shadow e penso que ainda há alguns elementos disso na minha música. Acho que “psicadélico” é um termo demasiado amplo para a música. Para mim, Flying Lotus é mais psicadélico que muitas bandas da “cena psicadélica”. Mas há uma diferença entre “psychedelic” e “psych”, eu vejo “psychedelic” como experimental e então prefiro ouvir alguém fazer algo estranho e único do que alguém apenas a copiar o que já havia.

 

O Austin Psych Fest é já uma referência no mapa dos festivais de música psicadélica no mundo, e já lá atuaste várias vezes. Como surge essa ligação?
Com os Night Beats. Grandes Night Beats! Meus manos! Depois de os remixar, mostraram aos Black Angels que gostaram muito do som e convidaram-me para começar a trabalhar com eles em mixes de promoção. Tocar no festival deles surgiu como consequência. É tudo grande malta, têm muita dedicação à música e fazem tudo com muito amor à camisola. É incrível e inspirador. Não estaria onde estou hoje sem eles, estou-lhes eternamente grato por isso.

 

Como é Al Lover ao vivo?
Os meus sets são feitos com loops criados ao vivo e efeitos dub, onde basicamente reedito ao vivo os meus temas. É muito divertido fazê-lo, não há muito para se ver para além disso, mas soa bem. Muitos graves!!!

 

Vais passar por Portugal este Verão. O que conheces sobre o nosso país?
É um dos meu lugares favoritos do planeta e todas as pessoas que conheci aí são incríveis. Um abraço para eles todos.

 

Tens paragem marcada pelo Milhões de Festa no dia 27. Conheces o resto do cartaz? Alguma coisa que te sentes desafiado a misutar?
Só numa sílaba: Neu!! Acho o cartaz incrível, estou desejoso para ver Peaking Lights, adoro Deerhoof faz anos, e então estou mesmo entusiasmado. E os meus amigos Happy Meals e Cosmic Dead, os Hey Colossus… Tantos!

 

Não sei se já te disseram, mas dos vários palcos do Milhões de Festa, a tua performance vai ser no que tem uma piscina. Podemos esperar um mergulho no fim do concerto?
Siga!

 

Apesar da tua agenda, tens arranjado tempo para ouvir álbuns deste ano? O que destacas?
Não sei… Gosto mais de ouvir música mais antiga (risos). Gosto muito do novo álbum do Dick Diver, Ultimate Painting.

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Por João Rocha / 17 Julho, 2015

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