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"As nossas letras sempre foram muito autobiográficas" • Rolo Tomassi em entrevista

27 de Fevereiro, 2018 EntrevistasJorge Alves

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Os britânicos Rolo Tomassi são, sem dúvida alguma, um dos mais excitantes nomes no universo mais experimental da música pesada. Numa altura em que se preparam para lançar o quinto álbum de originais, aproveitamos a passagem da banda pelo Hard Club para falarmos com um dos fundadores do grupo, o afável James Spence, sobre o passado, o presente e as expectativas para o futuro.

 

Antes de mais, vamos começar por discutir a tour com os While She Sleeps; como tem corrido? Tendo em conta que eles são também de Sheffield, há algum tipo de ligação especial entre vocês os dois?

Diria que sim. A tour, até agora, tem sido absolutamente fantástica. Esta é a quarta data, temos atuado em palcos de maior dimensão e apresentado a nossa música a pessoas que não estavam previamente familiarizadas com o nosso trabalho, o que é sempre positivo. Nesse sentido, estamos bastante agradecidos aos While She Sleeps pela oportunidade que nos deram E sim, apesar de neste momento, devido a mudanças de formação, apenas eu e a Eva (nota: irmã de James e vocalista dos Rolo Tomassi) sermos de Sheffield, sinto definitivamente um espírito de camaradagem entre nós. Ambos somos da mesma zona e estamos juntos em digressão, o que é muito bom, sem dúvida.

 

Aproveitando o facto de estarmos a falar sobre digressões, lembro-me que em 2010 eram suposto atuar em Portugal em nome próprio…

Sim, é verdade, lembro-me disso.

 

No entanto, o concerto acabou por ser cancelado no próprio dia. O que é que aconteceu e o que esperam desta vossa estreia cá, oito anos depois do sucedido?

Curiosamente, estávamos aqui entre nós a discutir essa tour… o que aconteceu foi que o tipo responsável por nos transportar para cada concerto adoeceu. Não me lembro exatamente de como a tour estava estruturada, mas sei que tínhamos feito cerca de 30 horas de viagem em dois dias e ele simplesmente não aguentava mais. Ficamos com pena, mas pelo menos temos agora uma chance de nos redimir. Da minha parte, confesso que estou entusiasmado. Nunca estive em Portugal antes, é a minha primeira vez cá, sendo que há muito tempo que queria visitar o vosso país. Quanto às nossas expectativas, não sei como é que o público normalmente reage às bandas, mas é sempre uma experiência interessante descobri-lo. Acredito que correrá tudo bem, no entanto.

 

Com certeza que sim. Quanto ao alinhamento, teremos o prazer de escutar músicas novas? Talvez a “Rituals”…

Sim, claro. Vamos apresentar as músicas que já lançamos como singles – a “Rituals” e a “Balancing The Dark” - sendo que de resto iremos tocar algo de praticamente todo o nosso catálogo, com especial ênfase no Grievances, que constitui o material com o qual nos sentimos mais confortáveis e que mais gostamos de tocar…

 

O que faz sentido, pois é tecnicamente o vosso disco mais recente já que o próximo só sai em março…

Nem mais! Mas lá está, temos feito um esforço para incluir músicas de todos os álbuns no alinhamento, especialmente quando visitamos países novos, como hoje. Nessas alturas há sempre alguém na audiência que se calhar nunca nos viu ao vivo e que é um fã de longa data, por isso queremos proporcionar a essas pessoas a possibilidade de ouvir as músicas que mais gostam e com o qual sentem uma maior ligação.

 

 

“Este mundo tem sido minha vida nos últimos treze anos, não me imagino a fazer mais nada. Acho que ainda há muita coisa que podemos alcançar e que eu quero concretizar.”


James Spence com Rolo Tomassi no Hard Club, Porto. Vê aqui a reportagem.

 

Claro, entendo. Vamos agora falar do vosso novo álbum. Intitula-se Time Will Die and Love Will Bury It e será editado em março. Disseram em entrevistas que escolheram o título -inspirado numa citação de Richard Brautigan – porque queriam algo com mais “cor” e optimismo que o Grievances, uma obra muito mais monocromática. James, podias explicar mais detalhadamente este conceito?

Bom, o Grievances, de certa forma, funcionou como uma peça única, ainda que dividida em canções, mas a ideia era que tudo fluísse continuamente. Além disso, a atmosfera do álbum, tanto a nível musical como a nível lírico, era bastante pesada. Se quisermos aprofundar esta análise podemos olhar para a capa do disco, à base de cores mais melancólicas como o preto ou o cinzento, e ver que realmente o ambiente era bastante negro e, consequentemente, monocromático. Acima de tudo foi o que precisava de ser, aquilo que queríamos fazer na altura. Mesmo os concertos de promoção constituíram uma experiência bastante catártica para mim, permitiram-me libertar muita da energia negativa que tinha cá dentro e acabei por sair desse período uma pessoa muito mais feliz.

Para este disco teria sido fácil voltar a fazer algo semelhante – um Grievances pt.2 - mas como banda sempre nos orgulhamos da nossa capacidade para nos desafiarmos artisticamente e criarmos algo diferente com cada novo disco. É muito importante para nós.

 

Sim, sempre senti – incluindo quando ouvi os singles de avanço do novo disco - que os Rolo Tomassi são uma banda que evita a todo o custo a estagnação criativa…

Sim, ainda que, como já referi noutras entrevistas, esses dois singles continuem um pouco a onda e atmosfera do “Grievances”. Contudo, há tanta coisa no disco que soa diferente de qualquer outra coisa que já fizemos, é mesmo incrível. Na verdade, lançamos o “Rituals” como single porque foi efetivamente a primeira escolha de todos devido ao facto de se tratar de uma música bastante direta e com a duração perfeita. Todavia há aqui composições mais longas, aquelas com que normalmente encerraríamos um álbum, que agora estão a meio do disco em vez de no final. Sentimos que as pessoas já esperavam ouvir uma faixa de sete ou oito minutos a finalizar um álbum nosso e queríamos honestamente surpreende-las ao alterar a nossa fórmula habitual.

Além disso, nos trabalhos anteriores tínhamos sempre faixas que funcionavam como interlúdios – uma peça de piano ou de guitarra, por exemplo - e desta vez preferimos usar esses elementos para construir canções completas, o que resultou numa obra muito mais coerente. Acima de tudo podemos tocar todo este material ao vivo, algo que não acontecia com o Grievances. Sabes, foi muito fixe incluir arranjos com cordas e afins, mas….

 

… torna-se muito mais complicado reproduzir ao vivo.

Exato, é isso mesmo. Portanto, há umas quantas músicas do Grievances que nunca tocamos ao vivo e que provavelmente nunca o faremos, mas com este novo álbum sinto-me confiante que podemos interpretá-lo do início ao fim sem grandes problemas. Se com o Grievances o objetivo era essencialmente criar algo mais indicado para o estúdio, que fosse realmente grandioso, com o Time Will Die procurámos fazer algo igualmente complexo mas que pudesse ser mais facilmente reproduzido em palco.

 

Mencionaste a possibilidade de interpretar o novo disco na íntegra. Isso é algo que planeiam mesmo fazer ou para já é só uma hipótese?

Acho que vamos mesmo fazê-lo, honestamente. Na verdade, penso que o fizemos na festa de lançamento do Hysterics, mas era algo que nunca resultava plenamente. Contudo, como especifiquei, agora o caso é diferente e isso deixa-me super entusiasmado.

 

Pelo que ouvi até agora, o conteúdo lírico parece-me ser muito pessoal e até intenso. Concordas com esta afirmação?

Absolutamente. As nossas letras sempre foram muito autobiográficas, podemos ver o que escrevemos em discos anteriores e é quase como ler páginas de um diário. Abordamos temas que surgem naturalmente - problemas com os quais somos forçados a lidar e esse tipo de coisas. Usamos a escrita de letras de forma terapêutica, um meio para nos ajudar a ultrapassar fases menos positivas da vida. Precisamos desta plataforma para desabafar, ainda que – e isto aconteceu em canções como a “Rituals” – nunca falamos dessas questões de forma direta e detalhada por serem tão pessoais. Todavia, não quer isso dizer que alguém não possa analisar as letras e encontrar um significado próprio. Sempre tive essa mentalidade em relação à música que aprecio: há momentos onde se calhar não sabes exactamente de que falam as letras, mas desde que signifiquem algo para ti e que retires algo dali - isso é suficiente.

 

Referiste há pouco que os Rolo Tomassi tentam sempre explorar novos territórios a cada novo lançamento, o que representa obviamente uma tarefa difícil para qualquer artista. Tendo isso em conta, o que te motiva e faz com que acordes todos os dias com vontade de continuar esta aventura?

Bom, antes de mais sou um autêntico perfeccionista, acredito profundamente que ainda não escrevemos um álbum perfeito. Isso, por si só, já é motivação suficiente para mim. Para além disso há uma paixão genuína pela arte de criar, por andar em digressão, por passar tempo com a minha irmã e os meus melhores amigos, toda a interacção com o público nos concertos… este mundo tem sido minha vida nos últimos treze anos, não me imagino a fazer mais nada. Acho que ainda há muita coisa que podemos alcançar e que eu quero concretizar.

 

Portanto, tudo se resume a ter objectivos…

Exatamente. Desde que a paixão não desapareça, não planeio parar.

 

Por mera curiosidade, elaboraram uma playlist para o Spotify intitulada “Disco Tomassi 2”. O que vos levou a fazer isso? É bastante eclética, tem Dying Fetus, People Like You, Bing & Ruth…

Foi sobretudo uma brincadeira, já tínhamos feito isso antes. Sabes, eu costumava ser DJ e sempre gostei do facto de a música ser um meio para fazer as pessoas felizes. A ideia com a playlist era, portanto, criar algo engraçado; arranjamos esse nome quando passamos música num festival e é quase como se fosse uma extensão da banda. Sinto também que com as redes sociais, hoje em dia, é feita muita pressão para que as pessoas comprem um disco ou assistam a um concerto, e esta iniciativa foi também uma maneira de oferecer algo grátis que mostrasse o que andávamos a ouvir.

Algumas das minhas conversas favoritas, na verdade, foram discussões gerais sobre música, que é um tema que nem sempre é possível aprofundar em entrevistas já que o foco está naturalmente na minha banda. No entanto, sou um verdadeiro melómano, alguém que quererá sempre saber o que andas a ouvir e que grupos recomendas. Por isso, de certa forma, pode-se dizer que queria retribuir o favor.

 

Sim, é sempre interessante essa partilha. Mudando de assunto, vão ter um ano bastante preenchido: para além desta tour com While She Sleeps têm já outra na Europa e Reino Unido, desta vez como cabeças de cartaz, entre março e abril e sei que vão igualmente marcar presença em festivais de renome como o Resurrection Fest na Galiza. Durante quanto tempo estão a pensar permanecer em digressão?

Possivelmente durante dois anos. O álbum sai em Março e já o estamos a promover na estrada, o que é fantástico! Tivemos oportunidade de organizar o nosso ano com antecedência, temos concertos marcados até ao final de agosto e estamos no processo de estudar as ofertas para os restantes meses. Com cada álbum queremos visitar novos países - Portugal era um deles, estivemos na América pela primeira vez no ano passado, mas queremos também tocar no Japão, por exemplo. Tentamos sempre fazer algo diferente porque é isso que mantém as coisas excitantes e refrescantes.

 

Mencionaste a vossa estreia na América; como correu? Afinal, é um mercado super importante para qualquer banda…

Foi fantástica a experiência, até comentamos entre nós que foi uma das nossas melhores tours por várias razões. Acima de tudo, por muito egoísta que isto possa soar, senti-me orgulhoso de termos alcançado algo tão importante, foi uma enorme conquista. O mais excitante é termos ainda uma grande parte do país por explorar, tocamos somente na costa leste durante duas semanas. Vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para voltarmos este ano.

 

Eva Spence com Rolo Tomassi no Hard Club, Porto.
por
em Entrevistas

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