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Entrevista • The Blue Drones

bluedrones - Cópia

Chegou a vez destas jovens promessas do rock português serem apanhados na nossa rede. Falamos dos The Blue Drones, a divertida banda do Cacém que já conta com 3 anos de existência e que seguramente vai dar muito que falar nos próximos anos.

Depois de terem aberto o concerto dos canadianos Elephant Stone em Lisboa, a banda prepara-se agora para subir ao palco Praia do festival Reverence Valada, ao lado de dezenas de nomes que influenciaram a sua sonoridade.

Os intervenientes são Francisco Pacheco (na voz), Rodrigo Vaz (na guitarra), Alexandre Fernandes (na guitarra), Ricardo Lapo (no baixo) e Bruno Agostinho (na bateria).

 

Antes de tudo, como é que vocês se conheceram?
Rodrigo Vaz: Eu já conheço o Alexandre (guitarrista) há mais de 10 anos. Nós tocávamos guitarra juntos numa escola de música do Cacém, onde conheci também o Ricardo (baixista). Começámos a dar-nos bem e entretanto conhecemos mais pessoal que sabia cantar e tocar bateria, alugámos uma garagem e nessa semana, a 1ª de Setembro de 2011, começámos a tocar uns covers. Foi assim que tudo começou.

 

Porquê The Blue Drones?
Ricardo Lapo: Nós no início da banda tínhamos um membro, que entretanto saiu, que tocava Didgeridoo, e como o som do Didgeridoo era parecido com o zumbido de um zangão nós traduzimo-lo para ”drone”. A parte do ”blue” é um misto de ideias: como o nosso disco se vai chamar Colourful Time Machine, queríamos deixar alguma cor no nome da banda, e como esse tal zumbido que era reproduzido pelo didgeridoo era visto por nós como uma cor azul, ficou assim.

 

Então e para quando é que está previsto sair esse disco?
RL: Apesar das músicas já estarem feitas, nós ainda não conseguimos dizer que estão finalizadas. Arranjamos aqui, arranjamos ali e nunca conseguimos dizer que está perfeito. Entretanto, como ainda nenhuma editora demonstrou grande interesse em ”patrocinar-nos”, estamos a tentar com o nosso orçamento gravar algumas faixas à nossa maneira. Como nós não temos esse tipo de ajudas torna-se difícil avançar tão rapidamente como desejaríamos. Posso adiantar que será lançado daqui a 8 meses ou 1 ano, a não ser que alguém arranje as verbas necessárias para o tempo diminuir.
RV: Nós temos uma espécie de estúdio caseiro com microfones, mesas de mistura e algum software. Não é grande coisa mas vamo-nos desenrascando e é assim que fazemos as nossas músicas. Sai assim uma cena um bocado lo-fi. Algumas delas dão para passar a mensagem, outras já vimos que não e vamos ter que as regravar… isso ainda está um bocado imprevisto.

 

Qual foi o momento mais importante para a banda até agora?
Francisco Pacheco: Na minha opinião foi o concerto da FCUL, em Maio de 2012, porque foi a partir daí que começámos a abrir mais os olhos. A partir desse concerto nós começámos a prestar muito mais atenção ao que fazíamos. Antes da FCUL tocávamos uns covers e tal, e a partir daí começámos a melhorar tudo e a perceber que há sempre mais para fazer, há sempre mais para evoluir, e foi assim que avançámos.
RL: O concerto da FCUL foi inserido num concurso com um mega-prémio com dinheiro e mais cenas, onde entravam 5 bandas, e como uma dessas bandas não pôde comparecer, chamaram-nos para a substituir, e nós entrámos nesse concurso ‘por arrasto’. Obviamente que ficámos em último. (risos) Mas ficámos em último porque aquilo era um concurso de bandas originais e nós na altura só tínhamos uma original. Então quando olhámos para as outras bandas de originais pensámos: um dia vamos ser assim e depois vamos a um concurso rebentar com estes que nos rebentaram hoje. (risos)
Alexandre Fernandes: Mas o público curtiu mais de nós… conheciam as músicas todas! (Risos)

 

De onde é que provem a vossa inspiração para escreverem as letras e as músicas?
RV: Cada um dá uma opinião sobre a música e eu tento juntar isso tudo em palavras e até agora tem saído bem. As letras são, basicamente, o reflexo de toda a banda, não é só meu. Nós costumamos escrever sobre problemas pessoais, amorosos…
AF: …droga, álcool, sexo, jogo, prostituição… (risos)
RF: Sim, sim! Cenas muito obscuras, mesmo! (risos) Agora a sério, o nosso principal tema é o tempo. Nós nesta idade vemos o tempo a passar muito rápido e é disso que trata o nosso álbum Colourful Time Machine.

 

Quais são as vossas maiores influências enquanto banda?
RV: Muita coisa dos anos 60/70, muito Rock Psicadélico, os Pink Floyd do início, a parte do Meddle e do Dark Side Of The Moon, também. Temos muitas influências dos The Doors, muitas de The Brian Jonestown Massacre, acho que foram a banda que nós mais fizémos covers e ainda hoje as tocamos, se for preciso. Algum prog também: Yes, Rush, Genesis, algum Marillion, Black Sabbath, King Crimson, Iron Butterfly que é mesmo aquela mistura da cena pesada com a cena leve e é bué fixe.
Nós tentamos sempre ir buscar cenas pesadas para contrastar com as cenas leves, por exemplo, a ”Goldfish” tem uma parte leve e nós achamos esse contraste bonito.

 

Como é que classificam a vossa sonoridade?
RV: Eu uma vez inventei um género musical que acho que tem bué a ver connosco chamado “Crystal Rock”. (Riso Geral)
RF: Vocês vêem o diamante: o diamante consegue transmitir todas as cores através do branco. Classificar o nosso estilo de música, através de cores, outra vez, é como pegarmos num diamante, apontamos uma luz que é a azul e conseguirmos sacar todas as cores do diamante. É por isso que nos classificamos como “Diamond Rock”.
Wav: Uma espécie de Rock Cromático, portanto.
RV: Sim, sim. Chromatic Rock! (risos)

 

Qual é que foi o último álbum que vocês compraram?
RV: Foi o Close To The Edge dos Yes.
Bruno Agotinho: Eu acho que foi o More dos Pink Floyd, mas não tenho a certeza…
RF: Eu comprei o E.P. dos The Ramblers.
AF: O Experimental Jelly dos Tomorrow’s Tulips.

 

Qual é a vossa posição em relação à partilha de música na internet?
RF: Nós já entrámos num grande dilema em relação a isso e pensámos em, ou lançar fisicamente um CD e tentar gravar vinís, que está na moda agora para a malta que adoptou o estilo vintage, ou, se conseguirmos de melhor forma, lançar as coisas para internet, as pessoas fazerem download e depois doarem ou pagarem alguma coisa sobre cada musica que sacam. Mas ainda não nos conseguimos decidir. Talvez mais tarde, quando lançarmos o álbum, vejamos como o mercado está e perceber se é mais fácil lançar digitalmente ou fisicamente, sabendo que na internet todos os custos são poucos relativamente a uma coisa que se tem de imprimir, arranjar os CDs, etc que tem custos muito elevados.
Eu, pessoalmente, prefiro o formato físico que é uma coisa palpável e que conseguimos guardar como recordação. Mesmo que se estrague o CD, está lá a capa, está lá a caixa, estão lá as letras, está lá tudo. O ideal ficou lá! Dá muito mais gosto ligar o rádio ou o gira-discos e meter lá o CD ou o viníl a rodar, mesmo que sejam com pouca qualidade de som, do que, simplesmente, passar músicas no computador e não se saber ouvir nenhuma. Porque quando compras fisicamente quer dizer que queres ouvir aquilo e enquanto estás na internet, podes estar a passar páginas e páginas e páginas e não dares valor àquela banda. Digitalmente, compramos um disco e depois somos capazes de apagar as coisas e depois as músicas nunca mais são ouvidas. Quando enches uma casa de discos, em vez de os deitares para o lixo sempre podes vendê-los em segunda-mão ou então dá-los a outras pessoas. A música espalha-se durante vários anos.
AF: Em relação à partilha de música de borla na internet, entre dares um preço à tua música e muito menos gente ouvir, e teres bué gente a sacar a tua cena do Piratebay e esta a ouvir e depois, se calhar vai aos concertos… sim, eu prefiro que as pessoas saquem do que nunca ouçam a nossa música. Depois, se as pessoas gostarem muito do que ouvirem, elas sentem a necessidade de comprar, nem que seja para ajudar a banda.

 

Que bandas portuguesas é que vocês destacariam?
RV: Capitão Fausto, The Ramblers.
RF: Asimov, Quelle Dead Gazelle…
AF: Killimanjaro.
RV: Moe’s Implosion também é fixe. Quarteto 1111, Tantra, Petrus Castrus…

 

Como é que vocês se sentiram ao serem convidados para atuarem no Reverence?
RV:  Na primeira edição do Reverence sentimos logo que este é o nosso tipo de festival: as bandas, o ambiente, a música… é tudo perfeito! É como um sonho tornado realidade para nós!
Ir tocar no mesmo sítio que bandas que nos influenciaram a fazer música (como os Brian Jonestown Massacre e Amon Duul II) é uma sensação ótima! Já tocámos com algumas bandas que gostamos como os Elephant Stone ou os Pontiak, mas nada se compara a partilhar esta experiência com mais de 20 bandas que idolatramos. Vai ser com certeza um momento para recordarmos para o resto das nossas vidas.

 

O que acham do cartaz e do festival em geral?
RV: Acho o cartaz deste ano excelente. Amon Duul II, o pessoal dos Brian Jonestown Massacre, The Horrors, Stoned Jesus, Sleep, The Warlocks… nem sei por onde começar…
Uma coisa é certa, para as edições seguintes a organização do Reverence devia continuar a apostar em projetos portugueses e em bandas mais underground para manter o carisma do festival que tanto gostamos. Mas é claro que se alguma vez levarem Black Sabbath ninguém diz que não!

 

Qual é o melhor conselho que podem dar às bandas que desabrocham como flores, em Portugal?
RF: Sejam amigos!
RV: É isso. Preservem a amizade acima de tudo. Se não houver amizade bem que podem andar a tocar bué, que quando uma banda não rema toda para o mesmo lado, não dá.

 

Para acabar, última mensagem para quem estiver a ler.
RV: Venham ver-nos!
AF: Façam coisas!
RF: Dêem sentido à vida!

 

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Por Diogo Alexandre / 4 Agosto, 2015

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Um gajo que gosta de música e escreve coisas estranhas.

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