18
SEG
19
TER
20
QUA
21
QUI
22
SEX
23
SAB
24
DOM
25
SEG
26
TER
27
QUA
28
QUI
29
SEX
30
SAB
1
DOM
2
SEG
3
TER
4
QUA
5
QUI
6
SEX
7
SAB
8
DOM
9
SEG
10
TER
11
QUA
12
QUI
13
SEX
14
SAB
15
DOM
16
SEG
17
TER
18
QUA

Entrevista aos Capitão Fausto

18 de Maio, 2014 EntrevistasLuís Sobrado

Partilhar no Facebook Partilhar no Google+ Partilhar no Twitter Partilhar no Tumblr

Entrevista aos Sensible Soccers

Entrevista com Stone Giant

cpt-fausto


Horas antes de a WAV ver os Capitão Fausto subir ao palco do Estudantino Café em Viseu, tivemos oportunidade de os entrevistar, e sendo eles uma das principais bandas do panorama rock nacional, como é óbvio, não a íamos desperdiçar. Sendo o repórter destacado para esta missão um ser humano de uma competência absolutamente magistral, abdicou de assistir ao vivo ao mais desinteressante clássico-futebolístico-que-é-ao-mesmo-tempo-uma-guerra-de-regiões-e-ideiais-transportada-para-uma-arena-relvada de que há memória para estar à conversa com cinco sujeitos extremamente simples e com quem passar uma boa meia hora foi um prazer. Desfrutem, então, daquilo que nos tinham para dizer os Capitão Fausto, não só sobre aquilo que podíamos esperar como também de eurobeat, panados e Megadeth. Vamos a isto.


 

WAV: Começando pelo mais simples: porquê o nome Capitão Fausto?


Francisco Ferreira: Porque soa bem. Porque soou bem na altura, porque gostamos de nomes descomplicados. Na verdade não tem grande história a origem do nome!



 
 
WAV: Quanto às diferenças que encontramos do Gazela para o Pesar O Sol, reflectem aquilo que andaram a ouvir?

Domingos Coimbra: Também, e muitas outras coisas, como a má experiência depois de gravar um primeiro disco. Não tínhamos tanta noção do que queríamos fazer e depois de o gravarmos e de termos dado alguns concertos, essa maior experiência reflectiu-se no novo álbum.

 
 
WAV: Por exemplo, este ano odiei por completo o disco dos Temples. Inserindo-se nesta nova vaga psicadélica dos anos 60 e 70, acham que é uma prova de que esse balão revivalista está a esvaziar ou, pelo contrário, acham que ainda há algo para dar?

Domingos Coimbra: Eu não gosto de ver as coisas como "vagas": há bandas boas e bandas más, há bandas que as pessoas gostam e bandas que as pessoas não gostam. Nós gostamos mais das bandas pelo que elas são e não pelo género em que elas se inserem, por isso não gostamos muito de olhar para as coisas como uma "vaga"... Cada banda é uma banda, por isso quando dizes que odeias os Temples não quer dizer que a partir de agora a tendência seja que as bandas piorem e eu por acaso gosto muito desse disco! Acho que é mais uma questão de gosto, uma banda não vai definir o que vai acontecer às outras.



 
 
WAV: Por isso, em geral, também não gostam que vos cataloguem ou ponham uma "etiqueta", certo?

Tomás Wallenstein: Um disco é feito "naquela" altura e soa "daquela" maneira, por isso tanto lhe podes chamar de psicadélico como podes chamar o que quiseres, não é mais do que um rótulo e não é assim tão importante. As coisas vêm um bocado atrás umas das outras, umas estão a surgir agora como surgiram também nos anos 60 ou 70 e houve várias bandas a fazer música psicadélica nestes anos todos.


FF: São ondas, está sempre a acontecer. Também houve um revivalismo de algumas bandas nos anos 90, pegando no som de algumas bandas dos anos 70, imensas bandas a tocar punk de garagem e assim...


TW: Sim, as coisas estão-se a misturar todas! Já tens bandas que são a cena mais punk que há, cheias de distorção e andam aí aos gritos e ao mesmo tempo são uma cena muito psicadélica e põem krautrock também ali no meio, como os Thee Oh Sees, por exemplo, por isso às tantas as coisas já nem têm bem um género específico.


FF: E com os revivalismos todos misturados, já nem consegues distinguir bem os estilos...



 
 

WAV: Isso acaba-se por notar também na vossa música, têm influências que vão do psicadélico ao kraut...


FF: Sim, os revivalismos acabam por dar uma nova vida a alguma coisa.


TW: Nós fazemos aquilo que é melhor, ou que nos parece melhor, gostamos de tocar as músicas vivo e chamá-las nossas. Acho que a verdadeira intenção é essa, é fazeres malhas e as influências vêm depois. Tu não escolhes, por exemplo, "neste disco vamos ouvir isto e isto". Eu acho que é ao contrário, nós fazemos as malhas e depois reparamos "epá, aqui até parece não sei o quê!".



 
 
WAV: E entre vocês, têm alguma hegemonia no que diz respeito aos gostos?

DC: Por acaso não!


FF: Cada um ouve mais a sua coisa...


TW: Sim, mas depois nas viagens de carro estamos todos a ouvir a mesmo disco e a mostrar coisas uns aos outros...


FF: Todos acabamos por gostar das mesmas coisas em geral, mas há sempre um ou outro que gosta mais de uma ou outra banda.



 
 
WAV: E falando de discos de 2014, há algum que esteja na vossa playlist e que nada tenha a ver com o vosso estilo?

FF: Tem estado a tocar na carrinha o novo disco de hip-hop de Sweet Valley e DaVinci.


TW: Que não tem nada a ver connosco.


FF: Nada, nada. É o gajo dos Wavves e o irmão que fazem beats e agora fizeram um disco em que quem está a rappar por cima é o DaVinci. Chama-se Ghetto Cuisine. Mas também ouvimos muito eurobeat! (risos)



 
 
WAV: Achava que isso era a gozar!

TW: Não, não! Ouvimos, pá! (risos) Nas viagens de carro...


FF: Ouvimos Max Coveri, Denise, Dr. Love...


TW: Com o tema "Dr. Love"!


FF: Há muita coisa que nós ouvimos que é completamente diferente, também nos fazia mal ouvir sempre bandas parecidas connosco.


TW: Temos ouvido muito Allen Halloween, também.



 
 

WAV: Mudando de assunto, assinaram recentemente com a Sony Music. Já sentiram alguma diferença no que diz respeito ao reconhecimento fora de portas?


DC: Nem por isso, as diferenças que encontrámos em relação às outras editoras têm mais a ver com o facto de termos uma estrutura mais organizada por trás. As coisas são feitas mais rapidamente.


FF: Mas ao mesmo tempo com um ambiente muito familiar.


TW: Basicamente, mais do que ser aquele selo, são as pessoas que lá estão que se encaixam muito bem connosco, e temos uma relação muito boa com as pessoas da editora. Estamos a formar uma equipa que está a começar a funcionar bem.


FF: Mas respondendo directamente à pergunta, não, não temos sentido diferença, até porque temos contrato com a Sony Portugal, que não tem a dimensão da Sony americana ou mundial. O objectivo é tocar o máximo possivel e tentar que a nossa música chegue ao maior número de pessoas possível, não nos estamos a tentar focar no estrangeiro em particular. Mas em geral o reconhecimento tem sido mais ou menos como no primeiro disco, um blog internacional ou outro de vez em quando fala sobre nós e é isso, basicamente.



 
 

WAV: Têm alguma data marcada para o estrangeiro nos próximos?


FF: Pá, não temos... (a falar directamente para o microfone) Mas era giro se tivéssemos! Danke schön. (risos)



 
 

WAV: Já tocaram nos três grandes festivais de rock do país. Onde é que vos falta tocar?


FF: Quais é que estás a considerar como os três grandes?



 
 

WAV: Alive, Super Bock Super Rock e Paredes de Coura. Estou a excluir o Sudoeste porque disse rock...


FF: Atenção que já teve rock!


TW: Mas ultimamente tem sido mais Avicii e assim.



 
 

WAV: Atenção que se enveredarem pelo eurobeat também podem lá estar nos próximos tempos...


FF: Ou pela EDM. (risos) Gostava muito que o Sudoeste fosse o nosso Tomorrowland, aí já ia.


TW: Mas falta-nos ir ao Primavera e falta-nos ir a um circuito de médios e pequenos festivais que é cada vez maior. Vamos ao FUSING, ao Indie Fest...


FF: Ao Marés Vivas... Ups, esse não está anunciado ainda! (risos) Mas vamos também ao Rock In Rio, vamos tocar no Palco Vodafone no dia 31 de Maio. Vamos também ao renascido Vilar de Mouros... E vamos também a esses festivais mais pequenos, numa altura em que as Queimas estão mais a apostar na música electrónica ou reggae, há essa grande moda dos festivais a aparecer e acho isso engraçado.



 
 

WAV: E para quando o regresso dos concertos temáticos?


TW: Ei, os concertos temáticos...


FF: Bem, só quando dermos concertos mais esporádicos. Porque estando o dia todo na carrinha de um lado para o outro e só parando em Lisboa durante 3 dias de vez em quando é complicado...


TW: Qual foi o último temático? Acho que foi no Porto...


FF: Sim, no Porto foi panados, pá! (risos) Mas esses concertos requerem que estejamos mais tempo sozinhos.


TW: E no CCB foi o quê?


FF: No CCB é que foi panados! No Porto foi hamburgers! Muito bom. (risos) Ou então foi fast food em geral. Mas esses concertos voltarão, voltarão. Esta vai ser a última data da digressão, mas depois vamos atacar os festivais e esses já vão ser temáticos.



 
 

WAV: Há algum músico, português ou não, com quem gostassem um dia de colaborar?


TW: Há vários. Ainda há pouco tempo tocamos nas comemorações dos 40 anos do 25 de Abril com vários músicos de estilos completamente diferentes do nosso, como o JP Simões, o Zeca Medeiros, Velha Gaiteira, Júlio Pereira... Que são músicos que nem são da nossa geração, nem temos as mesmas raízes ou fazemos sequer música do mesmo género e foi uma experiência muito boa. Por isso eu acho que a resposta a isso é: nós temos um interesse, no geral, em colaborar com quem quer que seja e gravar com outras pessoas.



 
 

WAV: Portanto, acho que chegou o momento de falar dos vossos novos projectos que têm vindo a aparecer por aí. Ainda ontem na Vodafone.fm ouvi os Modernos e fiquei curioso. O que é que têm para dizer acerca disto?


FF: Ao todo serão três projectos. Modernos, Bispo e Cucamonga!


TW: Cucamonga não é uma banda, nem é uma editora, nem uma marca...


FF: Cucamonga é mais um "selo", como os brasileiros dizem. Basicamente é uma desculpa para nós fazermos a música que nos apetecer, pomos lá um boneco engraçado...


TW: Até festas, banda desenhada... Não é uma coisa ainda muito direccionada!


FF: E depois temos duas bandas dentro da mesma, que são os Modernos e Bispo. Os Modernos são o Tomás, o Salvador e o Manuel e Bispo sou eu, o Manuel e o Domingos. E vão começar a dar concertos já este mês!



 
 

WAV: Infelizmente estamos a chegar ao fim, por isso tinha uma pergunta para vos fazer, que espero que seja a minha signature question daqui a uns tempos. (risos) Isto vai soar um bocado Fight Club, mas se pudessem dar um enxerto de porrada a algum músico... quem era?


FF, DC e TW: Guns 'n' Roses! (risos)


TW: Ou Megadeth!


DC: Acho que sim, Guns 'n' Roses e Megadeth está bom.


FF: Epá, os Megadeth são uns vilões. (risos)



 
 

WAV: Estive a pensar e se fosse eu era o Jon Bon Jovi ou os Anjos.


FF: Os Anjos não, eles são fantásticos, pá! E o Jon Bon Jovi?! Só hits, meu. Vais a um concerto deles e ficas logo aos pulos! Não, o Bon Jovi deixa-o estar. Agora os Megadeth e os Guns 'n' Roses... (a falar para o microfone) E peço imensa desculpa aos fãs e aos Megadeth também porque já estive ao lado deles e não são nada simpáticos. Os Metallica são. (risos)


TW: Eu um enxerto de porrada não dava, mas dava uns tabefes ao gajo dos Killers, o Brandon Flowers.


FF: Esse coitadinho, pá...



 
 

WAV: Além de que tem esse o pior nome de sempre, Brandão Flores... Por isso, acho que chegamos ao fim. Onde é que vão jantar?


DC: Vamos jantar aqui, já temos ali a mesinha posta!


Assim terminou uma entrevista pré-concerto de final de digressão, concerto esse cuja reportagem podem ler aqui.

por
em Entrevistas

Entrevista aos Capitão Fausto
Queres receber novidades?
Comentários
http://www.MOTORdoctor.PT
Contactos
WAV | 2019
Facebook WAV Twitter WAV Youtube WAV Flickr WAV RSS WAV
Queres receber novidades?