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[Entrevista] Sequin

05 de Agosto, 2014 EntrevistasBruno Pereira

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Estivemos à conversa com Sequin, durante a edição deste ano do Milhões de Festa, numa conversa preenchida com várias curiosidades sobre o mundo de Ana Miró. Desde a origem do seu atual projeto, passando também em revista outros, até à sua opção por cantar em inglês e claro, sem deixarmos de falar do seu aclamado álbum de estreia, Penélope. Vale a pena dedicarem um pouco de vosso tempo a conhecer um pouco mais sobre Ana Miró.


 

Sequin é o teu alter-ego? Qual é a origem do nome?

Eu não quis usar o nome próprio para este projeto porque, para já, achei que não era bonito e depois porque eu tenho mais projetos e é mais fácil reconhecer Ana Miró em vários projetos, apesar de este ser meu a solo. Achei que era uma coisa completamente diferente do que eu estava habituada a fazer e precisava de uma denominação diferente. Sequin era uma palavra que estava numa das letras, na Beijing, acabei por retirar essa parte da música mas fiquei sempre com a palavra na cabeça e acho que tinha muito a ver com a génese do projeto. Sequin é lantejoula em inglês e achei piada porque acho que a sonoridade que eu fiz as minhas músicas transpirar é bastante cintilante como uma lantejoula, e como é um projeto a solo é só uma…

 

Como surgiu este projeto?

Eu estava numa fase em que não estava a fazer nada na música, estava só a participar em alguns concertos com Jibóia e tinha muita vontade de voltar a fazer música regularmente. A música sempre foi uma coisa que eu fiz nos tempos livres mas chegas a um momento em que queres mesmo trabalhar nisso e a cena de o Óscar Silva tocar sozinho também me inspirou um bocado.

 

É conhecido que és tu que compões e escreves. A experiência com Jibóia influenciou-te musicalmente, no método de gravação ou de composição ou mesmo criativo?

Mais ou menos. Eu já componho há bastante tempo, mesmo antes de Jibóia. E Jibóia é uma coisa muito diferente porque eu não tenho letras, canto numa língua inventada. E é uma coisa mais livre e então não usei propriamente nada em Sequin do que faço em Jibóia porque é uma coisa muito mais planeada e pensada. Sequin é mais poético, tenho que pensar um bocado naquilo que quero dizer e como vou dizer e que palavras escolher. É óbvio que todos os projetos musicais onde eu estou acabam por se influenciar uns aos outros mas assim em termos de composição acho que são coisas bastante diferentes. Até porque eu em Jibóia não componho, é o Óscar que faz essa parte, eu estou presente e vou dando as direcções para aquilo que quero fazer com a voz, tenho um papel mais reduzido. Sequin, eu vou desde a raiz da música, até ao final, é tudo da minha cabeça.

 

É muito diferente atuar com este projeto, Sequin, do que com Jibóia?

Sim, Jibóia é muito livre, é bom por isso. Em termos técnicos é muito difícil, são registos muito agudos, para mim, é difícil em termos de respiração porque é um concerto onde estou sempre a dançar, mas depois é mesmo libertar tudo. Sequin é uma coisa mais controlada, quando estou a tocar e a cantar e a falar com o público tenho que estar mais atenta. Acabam por ser personas diferentes. A pessoa que sou com Jibóia é mais desprendida e mais leve e Sequin é uma coisa mais… tímida, acaba por ser uma coisa mais contida.

 

Desde que lançaste o single “Beijing” até o lançamento do disco passou um ano. Como foi todo esse processo?

Foi um ano de composição, estive a compor as músicas todas do álbum. E a tocar bastante, acabei por dar até bastantes concertos no ano passado, foi bom. A cena de lançar um disco é que, para mim, é uma coisa um bocado constrangedora porque é tudo um negócio muito lento e tu acabas por te sentir um bocado limitado. Eu componho muitas coisas mas depois o processo de lançamento é sempre uma coisa muito morada. Mas foi um ano de muita aprendizagem, basicamente. Nunca tinha tocado sozinha, comecei a perceber do que é que gostava de tocar e como. Eu sempre toquei teclado mas nunca me interessei muito por sintetizadores e de repente comecei a perceber que até gostava de fazer isso. Foi um ano de descoberta.

 

Como está a ser o feedback?

Eu acho que está a correr bastante bem. Eu não estava à espera, tenho muitos concertos, muitos convites. Muita gente a vir falar comigo e a dizer-me que gosta bastante do que estou a fazer e isso dá-me muita força para continuar. Nunca pus assim grandes expectativas nisto, era uma coisa que eu tinha que fazer, tinha que lançar, independentemente do feedbak que tivesse. Felizmente acho que está a ser bom.

 

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Porquê a deusa Penélope para nome do disco? É outro alter-ego de Ana Miró?

Eu gosto muito do nome, eu acho um nome bonito e porque me cruzei com ela na faculdade. Estava a estudar a Odisseia e senti que, isto é um bocado parvo mas é verdade, senti que toda a gente fala do Ulisses e ninguém se lembra da pobre coitada que ficou a defender o reino sem saber se algum dia o marido ia voltar para a salvar dali, havia pretendentes e malta menos simpática a querer ficar com o trono. Gosto muito da história de persistência e de fidelidade que ela tem para com o marido e eu acabei por fazer mais ou menos uma metáfora em relação à minha fidelidade com a música. Independentemente de as coisas estarem bastante difíceis no nosso país, eu sempre tive esse gosto e vontade de continuar, independentemente de dar resultados ou não. É um gosto, e achei que fazia todo o sentido colocar o nome dela no álbum.

 

Fala-nos sobre a capa do teu disco. O que simboliza?

Simboliza isso mesmo, é uma espera. Acho que o trabalho está incrível, foram uns amigos, a Ana Manuel e o Paulo Catumba, ela tirou as fotografias e ele fez o design. Fizemos algumas experiencias, todas baseadas nessa espera da Penélope e acabou por sair uma fotografia muito esquisita de mim a agarrar o cabelo e parece que eu não tenho corpo, a partir da cintura, parece que me estou a segurar a mim própria, achei isso muito engraçado e acabei por usar isso. É um bocado verdade, dependo de mim para conseguir estar de pé.

 

Como surgiu a oportunidade de trabalhares com a Lovers & Lollypops ?

Eu já os conhecia dos concertos com Jibóia, porque Jibóia já estava na Lovers e comecei a falar com eles e a aperceber-me do trabalho que eles têm feito com várias bandas e mesmo toda a cena do Milhões, do festival. Já admirava bastante as coisas que eles faziam e as bandas que traziam a Portugal. Depois foi fácil, quando eu tinha coisas para editar, inicialmente até pensei em procurar uma editora maior mas depois ponderei bastante. A liberdade de criação, de edição e as coisas que eu queria fazer, na Lovers é o melhor sítio, é a melhor casa, a melhor família para se estar porque é tudo muito aberto. É bastante familiar e acabas por te sentir muito à vontade para falar de todas as ideias e mesmo para receber nãos ou sins e como é uma editora independente, é mais fácil conjugar as tuas vontades com as deles.

 

"Hikaru Garden", "Origami Boy", "Beijing"...explica-nos o teu fascínio pelo Oriente. Foram influências da parceria com Jibóia também?

É um bocado. Acabou por acontecer isso, nós quando começamos a tocar os dois juntos começamos a querer descobrir coisas feitas lá fora e acabei por me apaixonar um bocado por certas coisas mais orientais. Ele tem influências um bocado mais árabes e indianas e eu acabei por, na nossa pesquisa, ficar um bocado fascinada com isso. Gostava muito de ter a oportunidade de ir visitar a China, o Japão, etc, mas não é assim um amor muito contextualizado, gosto de alguns elementos e fez sentido. Até porque quando comecei a compor eu queria usar sonoridades que não fossem as que eu estava habituada e então acabou por sair um bocado para isso.

 

Durante um concerto em Lisboa, disseste que a música “Meth monster” tem a ver com anfetaminas. Qual é a tua relação com as anfetaminas?

É zero. Havia outra música minha que também era para ter nome de droga, a "Hikaru Garden"era a “Cook Garden”, só que depois pensei que iam começar a achar que sou uma drogada e no fundo eu nem sequer consumo drogas. O meu pai trabalha num centro de recuperação de toxicodependentes e então é uma coisa que sempre esteve presente na minha vida de uma maneira um bocado dura e cruel. O meu pai tem histórias mesmo estranhas, eu sei que ele gosta do trabalho que faz mas é uma coisa bastante pesada. Nesta coisa de tocar por aqui e por ali, acabamos sempre por estar em zonas de “party hard” e faz-me um bocado de confusão que as pessoas não pensem. Eu não tenho nada contra, os meus amigos fazem o que eles quiserem, não sou mãe de ninguém, cada um faz aquilo que quer. Eu é que nunca tive vontade de experimentar, acho que já não sou muito boa da cabeça e se me metesse nessas coisas ainda ia ser pior. Também por experiência pessoal, mesmo com outros amigos, acabo por ter assim algumas histórias que o consumo começou por cenas bué leves e depois acabou por ficar um bocado mais hardcore e eu tenho pena disso quando vejo boas pessoas, inteligentes, a consumirem de uma forma auto-destrutiva, e isso é que é chato. A “Meth monster” tem é um bocado a ideia que há um monstro das metanfetaminas que me levou umas quantas pessoas, elas ainda existem, ninguém morreu, mas já não são as mesmas pessoas.

 

Então temos que agradecer ao teu pai que não leves a vida cliché de rock star…

Talvez, não sei. O meu pai nunca foi muito pai nisso, nunca me disse: ai não faças isso. Ele nem pode partilhar metade das coisas mas partilha aquilo que consegue e às vezes tem mesmo que partilhar porque é demasiado para ele lidar sozinho. A minha falta de interesse por isso é mesmo porque eu sinto que não tenho grande controlo da minha mente e se tomasse coisas… Eu acho que já não sou muito sã da cabeça, então se me metesse em drogas assim acho que pifava.

 

Ao vivo, o que é que podemos esperar de diferente, hoje [Milhões de Festa] e nos próximos concertos?

Não vai ser muito diferente. Vou tocar com banda, no ano passado toquei sozinha. É o mesmo registo dos concertos de lançamento. Vou também ter o Shella dos Riding Pânico a tocar, correu bem no lançamento em Lisboa e nós tínhamos saudades dele e ele é um querido e aceitou tocar connosco mais umas quantas músicas, para além daqueles que ele tocou no lançamento. E se calhar vou experimentar uma música nova, ainda vou pensar nisso.

 

Já tens músicas novas, já pensas no sucessor do Penélope?

Eu não consigo parar de compor. E estas músicas, como eu já as toco há algum tempo, já me cansam. Gosto delas mas tocá-las todos os fins-de-semana, todas as semanas, é bué chato e acabo por ter muita vontade de fazer coisas novas. Mas não sei se vou lançar alguma coisa, estou só a fazer, vou fazendo. É como foi com a “Beijing”, tinha uma música que achava que era engraçada e meti cá fora e pronto, se acontecer alguma assim, destas novas que estou a fazer, também ponho cá fora. Nunca se está parado, é impossível.

 

Porque optaste por cantar em inglês?

Eu acho que para escrever em português é preciso muito skill. Eu não me sinto com essa capacidade para cantar em português, acho que as músicas iam ficar horríveis. Apesar de eu escrever em português, eu tenho muitas coisas que escrevo em português, sempre gostei muito do inglês e às vezes para expressar certas coisas é mais fácil, as palavras são bonitas e como eu queria uma sonoridade mais pop e também um bocado na ideia de me internacionalizar, cantaria em inglês. Mas acho que é mesmo uma coisa mais natural, eu se estiver em casa a balbuciar qualquer coisa a cantar, não vai sair em português definitivamente. O inglês é mesmo a minha primeira língua na música, o inglês e o francês, só depois o português. Mesmo em poesia é difícil escolher-se as palavras e em português às vezes certas coisas não ficam bem. Eu tenho muita dificuldade em gostar de bandas que cantem em português porque há poucas pessoas que conseguem dominar o português de uma maneira a não ficar… foleiro. E eu não tenho essa capacidade.

 

Deste há pouco tempo um concerto na Galiza. Sentes que nessa região próxima de Portugal, existe uma maior receptividade para com os nossos artistas?

Há boa recetividade para qualquer artista. Eu acho que eles são muito abertos e muito recetivos a tudo que é música. Dizem que em Portugal há muitos festivais fixes e eles vêm cá sempre aos festivais. Gostei muito de ir lá tocar, foi uma experiência interessante, até mesmo tomar contacto com os músicos de lá. Mas eu acho que não tenha muita diferença de Portugal. Só senti que as pessoas são um bocado mais interessadas, em geral. Mas também depende dos sítios, eu, em Portugal, aqui no norte não sinto isso, acho que é muito parecido com a Galiza, mas em Lisboa as pessoas não são tão interessadas, parece que vêem o concerto assim com o nariz de lado, são um bocado mais pé atrás do que o pessoal mais cá de cima. Às vezes também gostam, só que não expõem.

 

És natural de Évora, mudaste-te depois para Lisboa. Achas que é possível alguém se conseguir lançar no mundo da música estando no interior?

Acho que sim, têm é que procurar os meios para o fazer. Para mim, sinceramente, só foi possível porque eu fui viver para Lisboa e acabei por conhecer um monte de gente ligada a isso, porque de outra maneira acho que nunca tinha conseguido sair do Alentejo. Portugal é tão pequeno, não existe muita gente para consumir música e é uma indústria mesmo reduzida e se tu queres vingar tens que fazer contactos, é tocar em todo o lado, conhecer toda a gente. Mesmo quando estás cansado depois de um concerto tens que abrir portas ao falares com pessoas de outras bandas, de bares, pessoal de associações. Eu acho que há pouca coisa a acontecer em Portugal, ainda, mas há acho também que há muita gente com boa vontade. Tenho-me vindo a cruzar com gente que faz muito com pouco. No interior é um caso difícil porque como tens mesmo pouca gente e tens um público que não está educado para gostar de concertos. Há uns anos atrás, eu sentia isso em Évora na minha adolescência, ia lá uma banda de Lisboa e o pessoal ia ver. Agora não, pode vir uma banda estrangeira que nunca cá pôs os pés e até relativamente conhecida, no interior ninguém vai ver. Acho que as pessoas desistiram um bocado disso. Graças a Deus ainda há duas ou três pessoas que se esforçam para fazer eventos e chamar pessoal para tocar, independentemente de ter gente ou não.

 

Então e agora a seguir ao Milhões, onde te vamos poder ver?

A seguir ao Milhões vou tocar no Fusing na Figueira da Foz dia 16 de Agosto. Depois sigo para Castelo Branco, dia 22. A seguir estou em Paredes de Coura, dia 23, no último dia do Festival.

 
por
em Entrevistas
Bandas Sequin

[Entrevista] Sequin
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