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“Temos grandes ambições e vontade de crescer” • Toulouse em entrevista

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No dia 10 de novembro do passado ano de 2016 foi oficialmente lançado o novo disco dos Toulouse, Yuhng. Felizmente, não precisámos de nos deslocar até à cidade francesa que lhes dá nome para obtermos algumas respostas sobre o disco e sobre a banda, pelo que João Silvestre, Rui Pacheco, Nuno Duarte e Francisco Novais nos cederam, simpaticamente, um conjunto de informações pertinentes sobre a sua viagem musical até ao momento.

O disco foi editado pela cada vez mais influente Revolve, e nele podemos encontrar algumas canções que já vinham a ser interpretadas pela banda ao vivo, como “Battery” ou “Toten”.

A ascensão da banda — com direito a passagem por vários festivais nacionais de nomeada no último ano e meio, como o NOS D’Bandada, Indie Music Fest ou na vila em Paredes de Coura — é agora coroada com o primeiro longa-duração do grupo. Vamos conhecê-lo melhor.

 

Antes que pensem o contrário, nós fizemos o trabalho de casa todo, mas preferimos saber por vocês e pelas vossas palavras. Como, quando e onde começou este projeto? O que são os Toulouse e porquê ‘Toulouse’?

O projeto começou pela vontade partilhada em fazer música que gostássemos, sem termos que sair da nossa cidade. Os Toulouse são 4 gajos que gostam de tocar o que gostam de ouvir, mas com grandes ambições e vontade de crescer. O nome surgiu pela necessidade em ter um nome e gostamos da palavra tanto fonética como visualmente.

 
 

Quais são as vossas principais influências musicais ou não – dentro da literatura cinema, artes visuais?

As nossas influências são sobretudo musicais, nas quais podemos destacar DIIV, Deerhunter, Beach Fossils e Hibou.

 
 

Muitos artistas não se sentem confortáveis com uma atribuição de um género restrito à sua música. Quando vos inserem tão categoricamente na gaveta do “indie tropical” incomoda-vos? Ou acham que a divisão por géneros é útil?

O indie tropical fechou-se antes sequer de ter existido em nós. Acreditamos que mais que um género restrito e limitado, as músicas transmitem estados de espírito que não nos remetem para gavetas mas sim para espaços mais amplos e abrangentes. E não nos incomoda a atribuição de um género, aliás até brincamos com isso. Alguém sabe o que é concretamente indie surf? Nós não. Não é assim tão importante.

 

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Lemos que o concerto no Mucho Flow, na edição de 2014, foi o vosso primeiro concerto. Que memórias guardam desse dia?

As memórias que guardamos desse dia são duas: ansiedade (pré-concerto) e satisfação (pós-concerto). A verdade é que o concerto foi resultado de duas semanas de ensaio em que praticamente tivemos que criar tudo (excepto a Tero!) para termos um set suficiente. Combatemos a ansiedade do primeiro concerto e das músicas tremidas com atitude e irreverência, o que nos valeu o acompanhamento da Revolve e os concertos que se seguiram.

 
 

Depois dessa passagem pelo Mucho Flow, passaram por outros palcos muito interessantes do panorama musical português. Entre eles Indie Music Fest, D’Bandada, Ponte Party People, tocaram anda na vila no Vodafone Paredes de Coura. Esperavam um crescimento tão rápido? Como tem sido esta jornada pelos palcos portugueses?

Foi um crescimento mesmo muito rápido, num dia estávamos a começar a ensaiar no outro tínhamos um concerto para dar. Essa jornada pelos diferentes palcos serviu sobretudo para nos conhecermos e evoluirmos e, simultaneamente, para criarmos a nossa identidade musical que se refletirá nos próximos concertos e nas próximas edições.

 
 

E agora vão fazer a primeira parte do concerto de TOY no Porto. Já eram fãs deles?

Já os conhecíamos há algum tempo. Aliás, estivemos presentes no concerto deles no Paredes de Coura. Apesar de não diretamente, são uma influência da banda, tanto pela estética como pela sonoridade.

 
 

O vosso novo álbum, Yuhng, saiu dia 11 de outubro. Como foi o processo de gravação e como está a ser a receção do vosso primeiro álbum?  

O processo de gravação foi mais complexo do que gostávamos que fosse mas no final ficamos muito satisfeitos com o resultado. Gravamos no Ampstudio  com o Paulo Miranda mas as misturas e masterização ficaram a cargo do Daniel Cardoso. O álbum está a ser bem recebido pelo público,  têm mostrado vontade em ir aos concertos e adquiri-lo e é positivo ver que estamos a chegar a mais gente e que se mostram interessados em nós.

 
 

Lemos também que o disco e um single figuraram em certas listas estrangeiras de melhores do ano. É verdade? Têm tido feedback do estrangeiro também?

O single foi destacado pelo site Indie Shuffle e o álbum pela Nerdist numa lista de melhores álbuns underground 2016. É um retorno inesperado mas que nos cai bem e nos motiva para continuarmos a fazer o que mais gostamos.

 
 

2016 foi um ano com lançamentos interessantes. Quais são aqueles que destacariam, tanto a nível nacional como mundial?

Que nos perdoem os artistas estrangeiros, mas não podemos deixar de realçar este momento da música portuguesa. Lançamentos nacionais muito interessantes, de diversos géneros, dos quais destacamos, entre muitos outros, Galgo, Sunflowers, Cave Story e Alek Rein.

 

 

Viemos encontrar-vos na vossa sala de ensaios. Falem-nos sobre este espaço. Qual a importância que tem para vocês enquanto banda?

Passamos recentemente de uma cave com poucas ou nenhumas condições acústicas para uma sala devidamente isolada com PA e mesa, o que se traduziu numa maior produtividade. Logo, naturalmente, é um elemento de grande importância porque é nela que nos reunimos e trabalhamos as nossas ideias. De ressalvar esta obra da Câmara Municipal de Guimarães e acreditamos que este espaço vai impulsionar o aparecimento e crescimento de mais bandas locais. É um espaço com capacidade para muitas bandas e que naturalmente abre perspetivas de futuras colaborações e partilha de conhecimento. 

 
 

Novidades para 2017, o que nos podem revelar?

Vamos lançar brevemente um terceiro single do Yuhng e estamos a trabalhar as ideias que temos para o segundo álbum. Neste mês vamos apresentar-nos em casa no Centro Cultural Vila Flor no dia 17, em Bragança no dia 20 com os grandes Motorama e em Leiria no dia 24 no Clap Your Hands Say F3st! com os A Last Day On Earth. Quanto às restantes novidades, é ficarem atentos à nossa página do Facebook.

 
 

Última mensagem aos leitores.

“Vão para fora cá dentro”.

 

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Por Wav / 6 Março, 2017

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