"Ninguém pega no punk como nós pegamos" • The FAQs em entrevista - Wav
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"Ninguém pega no punk como nós pegamos" • The FAQs em entrevista

13 de Novembro, 2017 EntrevistasJoão Rocha

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Melt-Banana em entrevista
No mundo moderno, onde facilmente se encontra na distância de um click resposta a tudo, fomos ter com aqueles que são provavelmente os WikiHow da música portuguesa. Henrik Beck, Vasco Tudela, Tommy Hogg (Lazzy Faithful) e Chico Almeida, são os detentores da masturbação mais ritmada da música portuguesa. Respondem pelo nome de The FAQ’s e receberam-nos entre finos e algumas gargalhadas para apresentar o projeto e o seu mais recente trabalho Back in Line.



Quem são os The FAQ’s, e como surge este projecto?

Vasco – O projecto surgiu entre mim e o Henrik, e uns meses depois junta-se o Chico.
Henrik – Éramos miúdos, era mais uma brincadeira. Íamos para Valongo, para Suzão, andávamos por aí a ensaiar. Nós os dois com a mania que eramos punkitos. A sério a sério, só por volta de 2013.
V – O nosso primeiro concerto foi antes de o Tommy entrar, no Maus Hábitos, e aí é o ponto de viragem para nos tornarmos algo sério. Um mês depois ele entra para a banda, e obviamente nessa altura já encarávamos isto com mais seriedade. Quer dizer, pelo menos eu.
H – Em vez de sermos apenas três nabos, passamos a ser três nabos mais um gajo que toca música. (Risos)

 


O vosso nome remete-nos para as perguntas frequentes/padrão. Os The FAQ’s são uma banda que questiona, ou uma que responde?

Tommy – Não há muito espaço para incerteza na agenda ideológica da banda. Apesar de pintares a cena de punkitos e polémicos, com letras provocadores, penso que não sejamos nada disso. Somos muito mais próximos à forma com que os Ramones encaravam a música: Pah, estamos aqui para nos divertir, músicas curtas, músicas rápidas, copos e barulho!
H – Eu acho que agora é mais isso, mas também quando surgimos, eu e o Vasco éramos mais reivindicativos. Havia sempre aquela ideia de fazer músicas com letras de quase intervenção.
V – Sim, mas atualmente somos uma banda de quatro elementos, cada um com as suas opiniões diferentes e tentamos manter o ambiente um bocado democrático nesse aspeto. Mais neutro. A convergência acontece na composição, na tentativa de trazermos o revivalismo do som punk dos anos 70 e as essências que o Tommy acabou de descrever, mas a mensagem tenta ser versátil…
H – Eu acho que regredimos: de mensagem política para bora beber copos e ser felizes! (risos)
T – Ninguém pega no punk como nós pegamos. Todos enveredam pela parte mais provocadora e mais política, e isso tira o fator diversão e genuíno do que fazes, tornando-se um frete para o público. Isso vai do punk a todo o resto. Quantos concertos que não consegui ver até ao fim?! Eu estou ali para me divertir, não para me darem lições de vida. Quando te tentas justificar demasiado através da tua arte, a arte já foi. É muito importante que sintas que o que estás a fazer tenha um sentido comunitário, que te consigas divertir e que quem esteja a ver acompanhe a tua vibe, e consiga curtir.

 


Há pouco o Vasco estava a falar da composição e uma das grandes ideias que se tem do punk é o sobressair da letra numa espécie de quase hino, por muito curto que seja. Como funciona o vosso processo criativo?

V – No início eu tinha as ideias compositivas e o Henrik trazia as letras. De uma forma mais rudimentar do que a atual, trabalhávamos juntos na junção dos dois, na composição. Acabava por não ser também tão trabalhoso quanto isso porque tínhamos uma grande compatibilidade nesse aspeto.
H – Agora há mais impulso porque somos mais elementos. O Tommy traz composições dele, temos também muitos amigos músicos que são capazes de nos dar a ouvir um riff e lançar o desafio de criar uma música a partir dele.

 

 

E eventualmente surge então este vosso EP Back in Line. Qual a história por detrás dele?

H – Já estava para ser feito há muitos anos, até porque três das músicas dele já existem desde os primórdios, obviamente com as mudanças e alterações que o tempo lhes trouxeram. Já devíamos ter gravado faz tempo, mas faltavam as condições…
Chico – Tivemos a sorte de conhecer o pessoal da Bullstrike em Suzão e assim a coisa começou a proporcionar-se.
T – Quando entrei para a banda, a ideia que tinha era que isto era uma coisa mais para passar o tempo e durante os primeiros concertos soube-me bem, mas quando mudámos de sala de ensaios, do Centro Comercial Stop para a sala de ensaios dos The Lazy Faithful no Brasília, as nossas próprias condições melhoraram imenso e começamos nós próprios a sentir um crescimento muito grande na qualidade do que fazíamos. Antes, eu não diria que se calhar estávamos prontos para gravar um EP. No outro dia demos um concerto no Meu Mercedes e a vir embora, já não me lembro se eu lhe dei boleia a ele, ou ele a mim, o Jimmy dos Fugly dizia-me que os The FAQ’s não pareciam os mesmos, que estávamos bem melhores.

 


Tiveram de esperar pelo momento certo, basicamente…

V – O pessoal da Bullstrike abriu o estúdio, começou a dar feedback e praticamente após disponibilizaram-se para gravar connosco. Isso foi um grande incentivo.
C – Eles queriam gravar bandas, nós queríamos gravar música, foi o casamento perfeito.

 


Apesar de ser um EP, vocês conseguem explorar nele duas vertentes diferentes: uma tradicionalmente punk e outra mais jocosa, desportiva e despretensiosa, ali o roçar os K2O3 ou até mesmo os Comme Restus. Músicas como a “Punhetas”, são desvarios criativos, ou o humor tem um grande peso na identidade dos The FAQ’s?

H – Sem dúvida! É o que o Tommy já disse, queremos-nos divertir a tocar e que o resto do pessoal também se divirta nos concertos. Eu cheguei a dizer muitas vezes que por causa dessa música nós éramos uma banda de bêbados para bêbados. (risos)
V – Mas ela é também um hino de atratividade para o pessoal que assistia aos nossos concertos.
H – Exato. Nós continuámos a tocá-la e todo o pessoal que já nos viu e nos continua a ver tocar já espera por esse momento. É já uma tradição acabar com “Punhetas”, com o pessoal todo aos saltos e a cantar connosco.

 


Outra das faixas deste EP é “Punk’s Not Dead Yet”, elogio à música punk dos anos 70, com uma clara referência aos Ramones. Quais são as vossas maiores influências dessa altura?

V – Para além dos Ramones, os The Clash, aliás os riffs dessa música são inspirados numa música deles. Os Sex Pistols também, nem tanto a nível sonoro, mas na estética visual…
T – …Quer dizer, eu normalmente não comparticipo na indumentária punk, mas também tem a ver com a personalidade de cada um em palco e eu não acho que fique bem nesse estilo. Eles ficam! Eu gosto da ironia, eles estão todos punkitos na frente a tocar, o Chico escondido atrás da bateria a tocar e eu de polo acabado de sair de uma sala de aula e isso é engraçado. E os The FAQ’s vivem muito da comédia nos concertos, tipo eu ter de parar um concerto duas vezes para ir à casa de banho. Tinha bebido muita cerveja antes do concerto…
C – …E durante…
T - …E durante. De que estávamos a falar mesmo? (risos)


Ds influências...

T – Sim, sim! Clash, Sex Pistols, Ramones, The Band. Há uma coisa que eu gosto muito em nós: não há duas guitarras. Isso permite versatilidade, cria-se espaço no som, que era o mesmo que faziam bandas como os The Who! ou os Doctor Feelgood – uma guitarra, uma voz, baixo e bateria. As minhas linhas de baixo podem ser mais complexas ou rudimentares dependendo se eu tenho de fazer de guitarra ritmo e baixo ao mesmo tempo, ou se ele (Vasco) também está a tocar e faz guitarra ritmo e eu posso fazer assim um baixo mais criativo.
V – Sim, muitas vezes ter uma guitarra só por uma questão de enchimento, é escusado.
T – Principalmente quando queres dar um concerto que se quer uma festa.

 


Por falar em concertos, o que se pode esperar de um concerto dos The FAQ’s?

H – Rambóia!
V – Guitarradas Alcoólicas!
C – Abanar o capacete!
T – Toda a gente pode estar à espera de se divertir, e não levar com um sermão! Uma pessoa quase que olha para nós e pensa “A sério que eles pensam que alguém os leva a sério?”. E a resposta é não! É isso que nos faz diferentes, acho que isso passa para o outro lado. E se não passar, batemos-te! (risos)

 


Wav – Agora fiquei com medo, portanto vou acabar com isto para ir para casa: Quais são os próximos passos? Há algo definido e pensado, ou é esperar para ver como isto evolui?

V – Agora é procurarmos dar mais concertos e mais concertos…
C - …E tentar evoluir um bocadinho a nossa imagem. Quem sabe um videoclip?!
H – Beber ainda mais também faz parte!
V – Ya ya. O sonho é um backstage cheio de álcool e nós a beber juntamente com as bandas que tocaram connosco.


Se é para isso, também posso entrar para a banda?
(Risos)
V – Queres ser nosso assistente?

 

Não obrigado. A última pergunta é um bocado cliché, mas faz parte: o que têm andado a ouvir nos últimos tempos? O Tommy não pode dizer os Lazy Faithful…
V – Pah, os 800 Gondomar. A nível sonoro ligam-se ligeiramente a nós.
T – Recentemente, comecei a ouvir os Vampire Weekend. A interpretação deles da música é tão diferente, a produção, tudo. Vampire Weekend sem dúvida. Mete isso.
C – Pah, eu vou ouvindo mais rádio no carro e apanho assim na Antena 3. Os Fugly, por exemplo.

 


Ainda aguardo o dia que um músico me responda “eu nem gosto de música!” Não foi desta. Obrigado pelo tempo.
H – Obrigado eu. Agora vou buscar mais minis.



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