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Primeira Dama em entrevista

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© Sara Alvarrão

 

Em antecipação do seu concerto na próxima edição da Jameson Urban Routes, a decorrer entre os dias 24 e 30 de Outubro no Musicbox, em Lisboa, estivemos à conversa com Manuel Lourenço, mais conhecido por Primeira Dama. Manuel Lourenço é o mentor deste projeto em ascensão no panorama musical português e fala do seu nascimento artístico e daquilo que este nos apresentará no dia 29 de Outubro.

 

Antes de mais, a pergunta que se coloca é: qual é a tua idade?
Tenho 19 anos, estou quase a fazer os 20. Em janeiro faço 20 anos.

 

Então gostas de cantar as janeiras?
Depende das janeiras. Não querendo exemplificar, acho que há janeiras bonitas.

 

Conta-me a história do nome do teu projeto. Primeira Dama de quem?
Eu gosto da figura política, tem o seu interesse: não tendo nenhum cargo político verdadeiramente entregue, por não deter essa autoridade, é sempre um elemento q.b. apaziguador, não é? Também podia ter sido First Gentleman mas assim sempre dá para fazer um bocadinho de breakdown gender issues. Achei que era fixe.

 

Explica-nos como e entraste na Xita Records e o projeto no seu geral.
Em 2014 eu comecei a passar bastante tempo com o António (Queiroz), começámos a fazer música juntos e surgiu a necessidade de juntar as pessoas. Já tínhamos o exemplo prático da Maternidade, o exemplo espírito da Cafetra e então às tantas foi aquele clássico: já tens as pessoas, só falta é arranjar o nome. Não precisas de fazer nada formal, arranjas um nome e está feito: começas a fazer coisas. Xita vem de excitação, que era uma expressão que eu usava muito no meu secundário e que significa uma grande excitação.

 

E de onde é que vem essa afiliação com a Maternidade. Sei que gravaste no estúdio da Maternidade…
Nós trabalhamos com eles às vezes mas nenhum de nós tem afiliação com a Maternidade. Eu gravei no estúdio da Maternidade porque é o estúdio do (Filipe) Sambado e como ele é da Maternidade decidiu-se chamar estúdio da Maternidade. Nos eventos, por vezes, temos ajuda da Maternidade em algumas coisas, outras vezes da Filho Único… mas regra geral coisas nossas somos nós que fazemos quase tudo.

 

O que é que te motivou a fazer música e a atuar como Primeira Dama?
Ser o Primeira Dama foi uma coisa que veio depois. Eu estudei música dos 6 aos 13 anos. O lado paterno da minha família é, maioritariamente, composto por músicos, o lado materno, não sendo composto por músicos, a música também tem uma presença muito forte. Eu acho que já estava um bocado talhado para fazer música, foi algo um bocado instintivo. Eu até andei a tentar fugir da música mas tanto fugi que acabei, de todo, por não fugir. Depois chega a um ponto em que te fartas de tocar só músicas de outras pessoas, não é? Sentes uma necessidade intelectual/artística de fazer um bocado mais, de explorar um bocado mais a tua capacidade criativa de escrita e de composição musical. E covers, por mais bem tocados que sejam, sabem sempre a pouco.

 

O Histórias Por Contar conta com uma vibe algo escura. Como é que transpuseste esse tipo de energia para estúdio. Foi algo propositado?
Não, não, nem sequer tinha esse tipo de intenção ao início. Acho que o trabalho de produção do Sambado, que como produtor gosta muito de explorar esses recantos, acabou por levar o disco para esse lado mais negro mas não que eu tenha levado, propositadamente, para esse campo. Entre o meu input e o input estético dele (Sambado) acabou por ficar assim com uma vibe mais dark. Não que eu tenha, propriamente, planeado esse negrume estético. Ficou fixe mas, de facto, está um disco algo triste demais.

 

Quem fez os gritos e os backing vocals da “Faixa Etária”? Fala-nos dessa canção.
Os gritos fui eu que fiz. (risos) A “Faixa Etária” é uma música que fala da diferença de idades e dessa distância tipo “dos 15 aos 30 é só ar”, percebes? Se olhares para os meus melhores amigos vais ver que são todos ou mais velhos ou mais novos: um deles tem 30 anos e o outro tem 17 anos. Há muitas coisas que são diferentes mas há outras tantas que são iguais. A base é isso mas também não quero estar a especificar muito para assim poder dar espaço às pessoas para a interpretarem como quiserem.

 

O que é que tens andado a ouvir neste início de outono?
Neste momento tenho andado a ouvir a Ariana Grande, Taylor Swift, Outkast… tenho ouvido muito Luís Severo – o Cara D’Anjo é um disco do camandro, Pega Monstro, B Fachada sempre, Kimo Ameba – o único bom fuzz rock tuga, Norberto Lobo ouço às vezes, Julinho da Concertina, porque não há mais magia do que um ferro e uma concertina, e depois para as influências do disco que eu vou gravar agora, tenho ouvido muito Lena D’Água e Smiley Faces que são dois artistas bastante semelhantes no seu approach de harmonias pop. Banda Atlântida já não se repete, Luís Pedro Fonseca era o boss!

 

Falando desse tal novo álbum, o que podes adiantar para já?
Sei que vai ter canções mais pop, eventualmente mais felizes. Gostava que fosse o Luís Severo a produzir e de explorar uma estética diferente, mais Flamingos… não sei se será possível. Uma cena feita à base de beats, teclas e vozes, com umas guitarrinhas aqui e ali. Algo que desse para elaborar mais ao vivo e talvez com um toque mais eletrónico.

 

E para quando é que está previsto o seu lançamento? Edição física em CD e Viníl ou só digital?
Não sei, ainda não posso dizer nada mas gostava que saísse na primeira metade de 2017. Já tenho as canções feitas. Sim, é possível que saia um LP do meu próximo disco: uma parceria da Xita Records com um outro projeto que não posso revelar. (risos)

 

Qual é a tua opinião sobre a pirataria?
Saquem tudo. Não sei se há torrents da minha cena mas dá para sacar de borla do bandcamp. Está lá a dizer 3€: se puderem pagar eu agradeço, mas se puderem sacar de borla, podem fazer essa batota. Sejam pessoas horríveis e façam isso. Eu quero é que venham aos concertos e ouçam a música. É claro que prefiro que paguem mas se sacarem de borla não me chateio.

 

Então e qual foi o último disco que compraste?
Regra geral oferecem-me os discos, mas o último disco que comprei é capaz de ter sido o do Lourenço Crespo. Sem dúvida, as melhores canções que já ouvi na vida.

 

Como é que te sentes em ir tocar na Jameson Urban Routes, um festival que já conta com uma década de existência e pelo qual já passaram muitas bandas que mencionaste como referência pessoal
Este ano infelizmente está com alguma falta de artistas portugueses. No ano passado e nos anteriores havia uma noite só com bandas portuguesas e restantes noites também com artistas portugueses “espalhados” pelo cartaz. Este ano, como mudou de formato, infelizmente cortaram um bocadinho na música portuguesa. Mas claro que estou muito contente por abrir para o Lonnie Holley na mesma noite em que vem cá o Mykki Blanco com o DJ Earl. Parece que o Mykki Blanco fez a pazes com a tuga. (risos)

 

E há alguma surpresa marcada para esse concerto?
Sim, dia 29 vou tocar uma cover do José Mário Branco que não vou dizer qual é. É surpresa!

 

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Por Diogo Alexandre / 27 Outubro, 2016
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Um gajo que gosta de música e escreve coisas estranhas.

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