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Salto em entrevista: "O próximo passo é tornar a música eletrónica mais humana"

31 de Janeiro, 2015 EntrevistasBruno Pereira

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salto (1)

Depois do belo disco homónimo lançado em 2012 e de terem andado a tocar de norte a sul do país, com passagem pelos mais importantes festivais de verão, os Salto cresceram e apresentam-se agora com mais membros na banda. A Guilherme Ribeiro e Luís Montenegro juntaram-se Tito Romão, agora em full-time, e Filipe Louro.

Voltam agora com o single "Mar Inteiro" e com ele uma tour em que já tocam também mais temas que vão fazer parte do novo álbum e que passa por fora dos grandes centros urbanos habituais. Novo álbum esse que está prometido ainda para este ano e ainda está em processo de gravação. E foi durante essas gravações que nos encontramos com os Salto no seu estúdio em Gaia, com uma paisagem deslumbrante sobre o Rio Douro, e, apesar do dia escuro de inverno, foi o verão que esteve em destaque na conversa.

 
A primeira vez que vos vi foi em 2012, quando abriram o palco principal do Super Bock Super Rock. Quem eram nessa altura e que salto deram até hoje?
Na altura éramos sem dúvida mais novos, muito menos experientes, estávamos a dar os primeiros passos mais a sério e a deslumbrar-nos ainda um bocado com um palco, com um concerto, com a ideia de tocar para mais do que 100 pessoas. Somos as mesmas pessoas, com o mesmo entusiasmo de fazer música, isso nunca se alterou, sempre foi muito grande esse entusiasmo e é isso que nos leva a fazer álbuns. Nesse ano foi o primeiro concerto num grande palco, no Super Bock, fomos à queima das fitas de Coimbra e a Paredes de Coura. Tínhamos acabado de lançar o álbum, estávamos mesmo a chegar ao mercado, a aterrar na música em Portugal.

 
Entretanto alargaram a banda e agora têm mais elementos. A que se deveu isso?
Nós já tínhamos alargado em 2012, tinha entrado o Tito para a bateria. A vontade já vem dessa altura e só agora foi possivel concretizar, que era de tornar isto uma banda mesmo, porque nós só éramos dois, era um duo, para ser uma banda precisava de ter mais instrumentos ao vivo e mesmo em disco. O álbum anterior foi muito produzido em estúdio, sentados em frente ao computador e não é bem esse o conceito que temos de banda. O conceito que temos é de uma coisa maior e mais partilhada. A ideia é passar de uma coisa que é mais fabricada em computador e passar para uma mais orgânica. As pessoas estão a perceber a transição e a perceber que os Salto são mais fixes em banda, é essa a reação que se tem tido em concertos.

 
E essa transição também é visível no som que apresentam agora...
Nunca tínhamos tido mesmo bateria, era sempre programação, beats, samples. O Filipe toca baixo e o Luís, que antes tocava baixo e teclados, passou a tocar guitarra e teclados. Por isso, pela primeira vez, os Salto começam a ter duas guitarras, já tínhamos no outro disco mas ao vivo não conseguíamos reproduzir. Em vez de quatro mãos, agora são 8 mãos e 8 pés, que também podem fazer muita coisa, é o dobro das possibilidades. No disco vai-se sentir muito isso.

 
Falava também da introdução de outros elementos sonoros, se ficam mais rock ou se o ênfase nos sintetizadores é para continuar.
Isso continua a haver sempre. Sempre gostámos muito de sintetizadores, sempre foi uma coisa que quisemos explorar. A parte eletrónica não está só nos sons, está mesmo na maneira de construir as músicas. Às vezes chegas a um ponto em que transformaste a música eletrónica numa coisa hiper mega eletrónica em que não há nada de orgânico. Agora começa-se a abrir daí, que eu acho que é o próximo passo, a junção de toda essa eletrónica com algo orgânico, tornando a música eletrónica um bocado mais humana. Acho que é isso que acontece com os Salto, não somos uma banda de música eletrónica mas também não somos uma banda de rock. No som que se vai ouvir neste álbum, e mesmo ao vivo, vai-se sentir essa complementariedade.

 

"Se calhar as pessoas estão um bocado cansadas do som de sempre, do rock soar a rock à muitos anos."



 
 
Especialmente nesta década, temos visto muitas bandas de rock a começar a misturar eletrónica no som. Porque é que acham que isto está a acontecer? Acham que o rock está de certa fora saturado?
É o fascínio pela facilidade que hoje em dia se tem em abrir um computador e explorar quinhentos mil sons diferentes. Antes ouvia-se um som mas sabia-se que para se fazer era preciso um sintetizador de 4 metros. Como se pode juntar tanta coisa acho que as pessoas acabam por fazer isso de forma natural e se calhar estão um bocado mais cansadas do som de sempre, do rock soar a rock à muitos anos. Agora com muitos instrumentos ou dentro de um computador ou de um equipamento pequeno que simule um sintetizador consegue-se fazer 20 ou 30 arranjos diferentes e se calhar é um bocado por isso que bandas de outros géneros começam a ir buscar esta eletrónica e esta exploração mais digital do som. Acho que é mais isso do que uma tentativa de estar na moda ou de estar atualizado.

Também tem a ver com um revival que está a acontecer. A cena dos sintetizadores com rock já se faz à algum tempo, não era é tão bem explorado. A informação era muito mais limitada, embora já se ouvissem bandas de rock progressivo e psicadélico com uns Moogs mas não com o tipo de complexidade que se vê hoje uma banda de rock. Por exemplo uns Tame Impala, que têm sintetzadores super bem trabalhados, super bem inseridos na mistura. Depois começa-se a ver ao vivo as bandas voltarem a ter sintetizadores porque já perceberam exatamente o som que querem e então já compram só o que precisam, de certeza que exploraram primeiro no computador. Antes, estar a comprar muitos sintetizadores para se explorar não era muito fácil.

 



 
 
Lançaram agora o single "Mar Inteiro" e mais para a frente vão lançar o novo álbum. O que nos podem desvendar dele?
Podemos desvendar que estamos em gravações, o processo vai mais ou menos a meio, estamos a acabar a composição do disco. A “Mar Inteiro” é um bom convite para o que vem aí, não é uma representação total do álbum, mas é uma boa introdução. Já estamos a tocar algumas músicas ao vivo, é por isso que estamos a fazer esta tour. Acho que se vai notar um crescimento. Mar Inteiro, mar, aquático, veranil na mesma, várias cores. É quase uma preparação para o verão. Nós gostamos muito do verão, por muito que tentemos fazer um álbum no inverno, vamos sempre parar ao verão.

 

Queremos que as pessoas criem empatia com as nossas músicas ao vivo, que nos conheçam ao vivo e que não conheçam só uma caixinha de cartão.



 
 
Vocês decidiram fazer a tour para tocar músicas novas antes de lançarem o disco, o que não é muito usual. Porquê desta maneira?
Estamos aproveitar o facto de podermos fazer isso e de haver sitios por todo o país onde o podemos fazer e de querermos chegar a mais pessoas que não só os grandes centros urbanos, das grandes metrópoles, que são poucas. Aproveitar para ir a mais sítios que usualmente não vamos. Ao mesmo tempo ajudar na conclusão do disco, havendo um processo da maturação dos temas, perceber o que é que resulta e o que não resulta, tirar reações do público e interpretá-las, gravar os concertos e ouvi-los. É um processo de auto-conhecimento. Tem também um papel importante neste momento que é mostrar que somos uma banda, que gostamos mesmo de tocar ao vivo. O culminar disto tudo que fazemos é ali que se vê, ao vivo, com as pessoas. Queremos que as pessoas criem empatia com as nossas músicas ao vivo, que nos conheçam ao vivo e que não conheçam só uma caixinha de cartão.

 
Por onde ainda vão passar nesta tour?
Estivemos no Fundão, Aljustrel, Évora e agora na Maia. Vamos estar em Coimbra, dia 5 de fevereiro, no Salão Brazil. Club de Vila Real a 7, no Sons de Vez em Arcos de Valdevez a 27 e a 28 em Leiria no Beat Club. Depois em Março, dia 5 em Albergaria e dia 7 na Tocha, no Dunas Bar.

 
Podemos esperar também mais datas para o verão, em festivais por exemplo?
Esperamos mesmo que isso aconteça. Mas sim, há algumas coisas que já se estão a alinhar. No verão vamos tocar de certeza. Onde, será revelado brevemente.

 
Na altura do primeiro álbum, vocês eram estudantes. Agora já conseguem ser músicos a full-time ou vão fazendo também outras coisas?
Fazemos sempre coisas por fora, o nosso curso é muito multi-disciplinar, desde programação a empreendedorismo musical. Mas a coisa mais rentável até agora é a música.

 

"Nós fazemos por tudo para que os nossos concertos sejam grandes festas, se as pessoas aderirem… é daqueles que não nos vamos esquecer."



 
 
Houve algum concerto que considerem ter sido mesmo marcante?
Há vários. Em 2012, o de Paredes de Coura foi um concerto muito bom, estava alto ambiente. Este ano, estes concertos que já demos têm sido uma surpresa muito grande. Especialmente estes em Aljustrel e Évora. Tu vais para Évora, onde não conheces ninguém e é mesmo bom chegar lá e aquilo estar cheio e o pessoal estar a curtir a música. Existem sempre essas duas vertentes, estares num grande festival e por outro lado ires assim a uma cena mais intimista. Mas esse de Paredes de Coura foi assim uma coisa mesmo fora do normal. A ver se voltamos este ano… fica a dica! Mexefest quando tocámos no autocarro também foi engraçado. Nós fazemos por tudo para que os nossos concertos sejam grandes festas, se as pessoas aderirem... é daqueles que não nos vamos esquecer.

 
Há algum palco em específico em que gostassem de tocar?
Falta-nos Coliseus, CCB, uma série de coisas. Festivais é que já tocamos em quase todos, falta-nos o Primavera, o Bons Sons que agora é anual… pessoal de Cem Soldos, estamos aqui, não se esqueçam, queremos ir aí para os lados de Tomar (risos). Toda a gente nos diz bem, dizem que há umas senhoras muito simpáticas a cozinhar comida maravilhosa e que o ambiente é do melhor.

 
Já partilharam palco com artistas como B Fachada, Bloc Party, Incubus, etc. Há alguns que gostassem mesmo de vir a partilhar palco?
Guilherme - Tantos. Mais até para vermos o concerto a partir do palco, conhecer os músicos…
Tito - Adorava ir ao Primavera tocar com o Caribou, até lhe ia servir copos ao camarim se fosse preciso (risos).
Luís - Há imensos, nunca mais acaba. Com a St. Vincent também gostava muito de me cruzar.

 
Não conseguiram estar com ela agora no Mexefest?
Não conseguimos. Até fui atrás dela ao camarim mas não a consegui apanhar. É pessoal que anda mesmo de um lado para o outro e não pára.

 
O que têm ouvido de música nova? Já vão bebendo influências do que andam a ouvir de mais recente para o novo trabalho que ainda estão a acabar?
Guilherme - Assim mesmo nova, ando a ouvir o álbum novo de Mark Ronson e o do D'Angelo.
Luís - Esta altura é ótima para sacar as listas de final de ano e então apanhei uma série de surpresas. Por exemplo, Ariel Pink foi grande surpresa. Gostei muito da abordagem sónica do Ty Segall no Manipulator. Gostei também muito do novo dos Real Estate. O novo do Caribou também! E sim, vamos beber sempre influências a isto tudo porque é o que nos entusiasma.
Guilherme - E Shania Twain ao acordar, só para animar um bocadinho. E Celin Dion antes de ir dormir, só mesmo para o relaxe. (risos)

 
Uma última mensagem para quem estiver a ler.
Guilherme - A minha mensagem é que os Pinguins nunca tenham que emigrar devido ao degelo das calotes polares. Isso assusta-me. (risos). Não é o degelo, é a imigração dos pinguins.
Luís - Uma mensagem, venham ver-nos aos concertos e se por acaso estiverem lá e quiserem-nos chatear, chateiem-nos e vamos beber cervejas todos juntos. E oiçam a nossa música!
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