19
SEX
20
SAB
21
DOM
22
SEG
23
TER
24
QUA
25
QUI
26
SEX
27
SAB
28
DOM
29
SEG
30
TER
31
QUA
1
QUI
2
SEX
3
SAB
4
DOM
5
SEG
6
TER
7
QUA
8
QUI
9
SEX
10
SAB
11
DOM
12
SEG
13
TER
14
QUA
15
QUI
16
SEX
17
SAB
18
DOM
19
SEG

"Somos felizes a criar música" • Cave Story em entrevista

14 de Outubro, 2015 EntrevistasGoncalo Tavares

Partilhar no Facebook Partilhar no Google+ Partilhar no Twitter Partilhar no Tumblr

Pega Monstro em entrevista

Bruno Abreu (Revolve): "Estas bandas vão dar que falar"
19336783424_37770f4733_o Cave Story @ Milhões de Festa 2015

Os Cave Story são uma das grandes esperanças do rock de garagem português, song makers cujas canções se mostram como shots maduros de conteúdo eléctrico. Do seu EP de estreia, Spiders Track, já nos debruçámos aqui, e a propósito do seu concerto no Jameson Urban Routes (dia 22 de outubro no Musicbox), fomos conhecê-los um pouco melhor.

 

Poderíamos fazer uma apresentação detalhada, mas achamos que essa informação tem mais riqueza se for dita por vocês. Quem são os Cave Story e como é que eles apareceram?


Crescemos quase juntos nas Caldas da Rainha e no meio da coisa acabámos a tocar juntos. Em 2013, lançámos uma demo, fomos tocando ao vivo, correu bem. No início deste ano, lançámos um EP que foi o resultado do nosso processo de aprendizagem ao longo de 2014.  Agora continuamos a tocar ao vivo e a trabalhar em novas ideias.

 

Atualmente, há uma necessidade das novas bandas de procurarem e exporem elementos distintivos (na sua música, ideologia, imagem, etc.), de forma mais ou menos forçada, que as tornem um projeto diferente. Os Cave Story, independentemente de alguns elementos comuns, são uma banda diferente. Esta diferença apareceu naturalmente ou foi procurada? Se foi, que mensagem vocês pretendem passar?


Mesmo que algum dia não tenha sido de forma forçada, não creio que a vontade de criar algo distinto alguma vez tenha sido de menor importância. Está tudo a acontecer ao mesmo tempo. Numa década, de certeza que há discos com variedade suficiente para alguém ouvir durante uma vida inteira sem se fartar. Mesmo assim, deixar de ouvir e fazer música parece-me um cenário bem chato. 
Nunca pensámos na nossa imagem para além das capas e dos cartazes que vamos fazendo, nunca quisemos ter um gimmick, não temos nenhuma ideologia que queiramos enfiar na cabeça das pessoas. Só queremos dizer o que tivermos para dizer da forma mais interessante que conseguirmos encontrar.

 

Muito do vosso destaque recente prende-se na simplicidade curiosa e eficaz da vossa música, expressa predominantemente em canções. Vocês são felizes somente a fazer canções? É o vosso motto enquanto banda?
Não diria que é o nosso motto. Só achamos que ainda há muito que queremos explorar no formato “canção”. Se algum dia acharmos que já esgotamos uma boa parte das ideias, podemos passar para outra coisa. Como o Brian Eno, que percebeu tão bem como se fazia canções que depois dos seus primeiros dois/três álbuns a solo se fartou e fez uma dezena de álbuns “ambiente”. Somos felizes a criar música. Como e porquê? Tem uma resposta diferente de dia para dia.
Vocês são identificados como um projeto de post-punk. Contudo, disseram em tempos que não são fãs desse rótulo - aliás, de nenhuma rotulagem no geral. Esta postura revela à vontade em sair da “zona de conforto”, rumo a eventuais mudanças (brutais) de estilo?


É verdade que não adoramos rótulos, mas são coisas que se aceitam e servem de introdução. Post-punk em particular não me faz confusão, mas também pode ser cómico. Para alguém que nunca ouviu a nossa música, pode criar uma imagem muito diferente da realidade. Só não acredito completamente numa mudança brutal de estilo porque isso é muito difícil de sustentar sem negligenciar alguma coerência. Já todos fizemos música brutalmente diferente, mas não é Cave Story. Não queremos ser previsíveis, mas também não nos interessa ser um espetáculo vaudeville.

 

A produção caseira dos registos dos Cave Story é um objeto de destaque da vossa música. Ela aparece por necessidade ou faz efetivamente parte das vossas opções estéticas?
Surge por necessidade, mas acaba por fazer parte do processo. Já não conseguimos dar uma música por terminada sem ter, pelo menos, uma demo gravada.

 

Quais são as vossas principais influencias musicais?
Tudo o que nos entusiasme. Esta pergunta é sempre complicada. Somos três rapazes que ouvimos muita música em comum, mas também coisas que têm mais a ver com gostos pessoais. É um bocado como a questão dos rótulos. No entanto como acabamos por descobrir muitos artistas através de entrevistas, podemos referir alguns nomes (mais ou menos óbvios) dos quais gostamos muito: Jonathan Richman, Velvet Underground, Patti Smith, Television, This Heat, Pere Ubu, Can, Swell Maps, Television Personalities, Talking Heads, Silver Jews, John Coltrane, Ornette Coleman, Brian Eno, Half Japanese, The Clean, Pavement, Neil Young, Marc Ribot…

 

E líricas, tendo em conta o peso da letra nos vossos registos?
Todos os que citámos ali, claro. Gostamos particularmente de retratos mundanos que quase sempre se tornam mais épicos do que qualquer coisa propositadamente épica se poderia tornar. A poesia do David Berman e as letras do Jonathan Richman são um exemplo disso:

I go to bakeries all day long
There's a lack of sweetness in my life

- Jonathan Richman

 

19771379128_2b0529e68f_o Cave Story @ Milhões de Festa 2015

 

É preciso destacar os concertos enérgicos dos Cave Story, onde as vossas canções - letra e instrumental - ganham um novo impacto. A vossa música foi feita para ser ouvida ao vivo ou na versão estúdio? E vocês, em quais dos ambientes estão mais confortáveis?
A nossa música foi feita para a gravação, depois é tocada ao vivo. Partilhar o que fizemos, tocar ao vivo, é colher os frutos do nosso trabalho a tempo inteiro, que é compor e gravar música.

 

Este ano já passaram por palcos e festivais importantes como o Milhões de Festa, NOS Alive ou Indie Music Fest. Como têm sido essas experiências?
Tem sido tudo o que poderíamos esperar: receber carinho das pessoas, conhecer outros músicos que já admirávamos.

 

Agora chegam ao Jameson Urban Routes. O que podemos esperar da vossa atuação?


Versão 1 (chata) : Vamos tentar dormir bem na noite anterior, fazer um sound-check competente, estar concentrados e, muito provavelmente, apresentar um tema novo. 

Versão 2 (publicidade): A sala estará elétrica, com a malta toda aos pulos. Haverá piñatas, animais exóticos, dançarinos semi-nus, corujas e também muita música. Podem esperar tudo aquilo a que têm direito.

 

Que acham do resto do cartaz? Acham importante haver um dia dedicado exclusivamente a música portuguesa? Se pudessem escolher outro dia para atuar, havia alguma banda com a qual gostassem muito de partilhar palco?
Já tínhamos pensado que seria fixe tocar com as Pega Monstro antes até de os Cave Story surgirem, por isso não trocaríamos nada. Estamos igualmente contentes por ter a companhia dos Galgo no mesmo dia e estar no mesmo cartaz que HHY & The Macumbas, Andy Stott, Inga Copeland, La Femme, etc. Uma maravilha.

 

Para terminar, a associação entre rock alternativo e Caldas da Rainha não é imediata. A cena das Caldas ainda está por descobrir ou serão vocês um caso raro?
Para alguém um pouco mais velho que nós, a associação entre rock alternativo e as Caldas da Rainha é bastante imediata: ( http://underrrreview.blogspot.pt/search?q=caldas+da+rainha ). Mas com o tempo deixou de ser tão óbvio. Seja como for, há bandas por descobrir em todo o lado. Das Caldas, neste momento, ou pelo menos originalmente de lá, tens: LEAF, Memória de Peixe, Norton (um dos membros), Fuzz, Challenge, Raging Dildos, Los Waves, Democrash, Eternal Champions, Caguincha Soundsystem, DJ Nunchuck e o Zé Maldito.

 

por
em Entrevistas

Queres receber novidades?
Comentários
http://www.MOTORdoctor.PT
Contactos
WAV | 2018
Facebook WAV Twitter WAV Youtube WAV Flickr WAV RSS WAV
Queres receber novidades?