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“Tentámos fugir ao que já está a ser feito no género”• Big Red Panda em Entrevista

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No rescaldo do lançamento do seu segundo EP, Grand Orbiter, entrevistámos dois membros dos Big Red Panda e fizemos um ponto de situação da banda. Para os mais preguiçosos, o Kevin Pires resumiu-vos o essencial: “Para o pessoal que nos viu no último ano/ano e meio, esperem, para além das novas músicas, um toque fresco nas músicas antigas”.

 

Como é que surgiram os Big Red Panda?
Kevin Pires: Os Big Red Panda surgiram em 2013, com um grupo de amigos que já tocava junto noutros projectos. Sempre quisemos fazer uma banda deste género e quando a oportunidade surgiu, juntámo-nos. Fomos ensaiando até gravarmos e lançarmos os nossos primeiros sete temas no ano passado, em Julho.

 

Vocês consideram-se mais influenciados por bandas internacionais ou pela cena nacional?
Kevin Pires: Mais pelas bandas internacionais, mas o movimento deste género que há em Portugal catalisou-nos bastante.

 

Fazendo um ponto entre o vosso EP de estreia e o Grand Orbiter, como é que acham que evolui o vosso som?
K.P.: Com o Grand Orbiter, tentámos ter uma abordagem sonicamente mais interessante e diversa. Estamos satisfeitos com isso, acho que em relação ao anterior nota-se essa mudança. Tentámos fugir um bocado ao que já está a ser feito neste género, em Portugal e lá fora. Toda esta onda do stoner e do psicadélico que apareceu. Há imensas pessoas a fazê-lo e a aderir, talvez por ser fácil fazê-lo/os soar pesado, gordo e bem. É fixe, mas é muito mais interessante quando consegues incluir coisas frescas. Claro que isso é difícil, inovar é sempre a coisa mais difícil, mas tentámos ir por aí. Achamos que o Grand Orbiter mostra o nosso progresso na tentativa de alcançar isso.

 

Indo agora para um campo mais técnico, como é que vocês compõem pensando nas três guitarras? Cada um dos guitarristas tem um papel específico ou tentam dividir o protagonismo pelos três?
K.P: Apesar de muitas das músicas surgirem num ambiente de jam, também trabalhamos muito sozinhos. Falando por mim, eu trabalho principalmente com a guitarra, é a ferramenta que mais uso. Sou capaz de gravar papéis muito diferentes para o meu instrumento, sejam coisas mais secas, riffs, outras mais atmosféricas e outras mais estruturais. Depois é só dividir essas partes pelos guitarristas, e há algumas que ficam de fora, mesmo assim. Por isso, não é difícil arranjar material para os três tocarmos, mas sim juntar essas partes de modo a soarem coesas e a não se baralharem umas às outras. Por vezes recebemos elogios disso, que conseguimos fazer uma divisão muito boa para três guitarras.

 

Mas, para além disso, para músicas diferentes vocês ocupam papéis diferentes.
K.P: Sim, bastante.

 

Vocês dão mais valor ao som e à textura das vossas músicas (dentro do ambiente stoner, 70’s, etc.) ou à composição? De certeza que se preocupam com ambos, mas há algum que se revele mais importante?
K.P: No primeiro EP não nos preocupamos tanto em escrever estrutura complexas ou composições mais elaboradas como as que agora estamos a fazer. Focámo-nos mais em ter um som característico, que estávamos a tentar alcançar na altura. Agora, damos mais importância a fazer estruturas que soem interessantes.

 

Os synths são importantes para o Grand Orbiter, para além de soarem muito bem. De onde é que surgiu a vontade de os incorporar? Vão estar presente nos gigs da vossa mini-tour?
K.P: Desde há muito tempo que queríamos adicionar synths às nossas músicas. Chegamos a fazê-lo, apesar de nenhum de nós ser teclista ou pianista. Queríamos diminuir o peso das nossas músicas, tornar o som mais acessível, mais…

Gonçalo Palmas: Mais fit. (risos)

K.P: Mais fit, mais… nutrido. Eu já tinha colaborado com o Gonçalo Palmas noutros projetos, principalmente com a música que dá o nome a este EP. Eu e o Pedro tínhamos desenvolvido a estrutura base, depois compus o resto com o Gonçalo. A partir desse resultado, surgiu o interesse na banda de ter algo mais elaborado ao nível dos teclados. Falamos com o Gonçalo, começamos a compor e resultou no que temos. Desde então, ele está presente em todos os concertos da tour, e em princípio vai estar em todos. É o objetivo da banda. Somos agora seis pandas em palco, cuidado (risos).

G.P: Inicialmente o objetivo era eu só participar na “Grand Orbiter” (música), mas as coisas correram bem e acabamos por gravar mais músicas. Mas nem sou eu que gravo todos os synths do EP, o Kevin também gravou alguns.

 

Estão contentes com o Grand Orbiter? O que é que vos dá mais orgulho e o que ficou por dizer?
K.P: Estamos orgulhosos. A receção tem sido muito boa, e têm aparecido novas propostas muito boas também. Claro que se fosse hoje tínhamos mudado bastantes coisas, mas isso é sempre. Podes passar dois anos a gravar um álbum que no dia seguinte haveria 3000 coisas que tu mudarias. Mas estamos bastante satisfeitos. Tendo em conta que passou pouco mais que um ano desde que lançamos o nosso primeiro EP, a ideia era lançarmos outro o mais rapidamente possível para agora podermos perder 1/2 anos a desenvolver um álbum muito maior e muito mais completo. Queríamos que o Grand Orbiter se instalasse na nossa discografia precisamente como um EP de transição, e vai ser mesmo isso. Vai-se notar perfeitamente que o nosso próximo EP/álbum vai nascer do que lançamos agora.

 

Acabamos com os vossos concertos. Vocês tocaram imenso em 2014 e 2015. Vai ser para manter esse registo ou para entrar num esquema de “menos mas melhor”?
K.P: É assim, não é que tocar ao vivo nunca cansa. Há sempre concertos que depois de os dares ficas “A sério?.. Cinco pessoas?.. Sandes de courato para jantar?” (risos) E coisas assim. Mas sim, se pudermos manter o mesmo número de concertos mas com uma maior qualidade, ficaremos muito felizes.

G.P.: O nosso último concerto foi altamente. Foi épico.

K.P.: Sim, correu muito melhor do que esperávamos. A receção do público foi muito boa.

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Por Goncalo Tavares / 3 Dezembro, 2015

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