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Valério: "O hip-hop serve como uma forma de viagem dentro e fora de mim"

08 de Abril, 2017 EntrevistasTomás Quental

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No dia 8 de abril de 2017, o festival Tremor chama a palco Gonçalo Valério. São ambos originais de São Miguel, Açores. O primeiro vai na quarta edição e segue somando relevância regional, nacional, até internacional. O segundo tem dezassete anos, um álbum de originais de rap na calha e um interesse muito demarcado pela física teórica, pretendendo ingressar por aí academicamente, no futuro.

Para já, são evidentes algumas referências nas suas letras. Confusos? Nós também estávamos. Felizmente, pudemos viajar até aos Açores para falar um pouco com Valério acerca da sua ainda jovem carreira artística e sacar respostas para aliviar a confusão.

 

Começamos com a mais óbvia das perguntas: física teórica e hip hop, que raio têm em comum? O que te atrai mais na física? E no hip hop?

Na prática não têm nada em comum e por isso mesmo é que preciso de ambas,  não consigo viver sem as duas e estou a chegar a uma altura da vida em que sou praticamente obrigado a escolher uma delas como opção profissional e isso é como ter de me dividir a meio, retirar um pouco da minha essência. A física ajuda-me a manter a minha sanidade e a "manter os pés na terra" por ser objetiva e deixar-me assentar na realidade para contrastar com o hip-hop que serve como uma forma de viagem dentro e fora de mim de uma forma subjetiva, poder criar um mundo só meu que não precisa exatamente ser a realidade, pode ir além da imaginação.

 

 

Citaste Sophia de Mello Breyner na tua faixa mais recente, “Não É Para Mim”. Quais são as tuas maiores influências literárias e artísticas em geral?

Por serem muitos os artistas aos quais vou buscar inspiração as suas artes e estilos variam bastante. Na área da literatura nomes como Florbela Espanca e Fernando Pessoa são as minhas principais inspirações. No hip-hop português quem mais me marca é o Sam The Kid e o HipnoD pelas suas escrita e pela maneira que interpretam as suas músicas. Fora de Portugal há nomes no hip-hop como Oddisee e Mac Miller marcam-me bastante. Para além dos que já disse, muitos poetas e artistas que não referi inspiraram-me com algo que me identifiquei e isto basta para me influenciarem a refletir sobre ideias que estes apontaram.

 



 

Como artista, és sobretudo português ou sobretudo açoriano?

Considero-me um artista português, até porque os açorianos são portugueses, mas com orgulho de ser açoriano visto que sendo açoriano é mais difícil atingir uma maior projeção em qualquer que seja a arte, seja da lírica de qualquer rapper e outras vertentes artísticas. Isto motiva-me a chegar mais longe e dá-me consciência de que quando os resultados chegarem vão ser inúmeras vezes mais gratificantes. Há sem dúvida artistas de inegável talento nos Açores que ainda estão à espera de um mundo para os "ouvir".

 

 

Como defines esta nova onda de hip hop açoriano? É uma comunidade, um estilo, são fenómenos independentes? O que têm os artistas em comum?

São poucos os artistas com quem me identifico, os estilos variam grandemente e considero que o que temos mais em comum é o orgulho de sermos açorianos e de querer fazer a nossa música chegar aos ouvidos de todos os portugueses.

 

 

És um rapper que dá grande destaque ao conteúdo lírico? Quanto tempo demoras para escrever uma letra?

Não há uma constante no tempo de escrita, tanto pode levar duas semanas ou dois anos, ainda não sei em que me basear no que toca a saber quais os fatores que influenciam este mesmo tempo. Mas sim, sem dúvida, gosto de ter uma letra profunda, coesa e coerente com a qual eu me identifique de forma intemporal.

 

 

É possível ser grande sem sair da ilha? Quão importante é para ti o sucesso comercial? Será que é uma coisa negativa?

Sair da ilha com um nome reconhecido e apreciado é, pela falta de exemplos, um fenómeno raro e não acho que me tornar comercial seja uma hipótese viável visto que vai contra o meu método de trabalho pois estaria a deixar de fazer aquilo que gosto para fazer aquilo que os outros gostam de ouvir.

 

 

Como foi a experiência de gravar o teu primeiro videoclip, da faixa “Humanidade”? Podemos esperar mais algum num futuro próximo?

Foi um projeto entusiasmante e pelo facto de não estar sozinho no processo deu-me ainda mais vontade por saber que havia pessoas dispostas a me ajudar e me apoiavam no que me faziam. Pessoas estas às quais tenho grande carinho como, por exemplo, o Manuel Melo que tratou da parte da imagem e edição, o Simão Silva que também me ajudou na parte da imagem e o meu irmão Carlos Rijo que trabalhou toda a produção de som. Tenho mais dois singles para sair nos próximos meses, mas não quero contextualizar mais para não tirar a surpresa.

 

 

Com a tua atuação no Tremor vais contar com a tua segunda vaga num festival português de destaque. Algum nervosismo? Muitas expectativas?

O nervosismo está sempre presente e faz parte porque uma atuação é o ponto que separa todo o trabalho que foi feito em estúdio da realidade de palco em que vou "apresentar ao mundo" todo esse mesmo trabalho. Espero que me abra mais "portas" no futuro mas por enquanto são apenas expectativas residuais.

 

 

Finalmente: se fôssemos ao teu histórico do Youtube, o que encontrávamos além de explicações do efeito fotoelétrico e os clássicos do Sandro G? O que tens ouvido este ano?

Acho que iríamos encontrar também muitos vídeos sobre a teoria das cordas e outros conceitos de mecânica quântica e um mundo gigantesco do que é o meu gosto musical e o que me põe a viver, desde samba a indie, metal a blues dos anos sessenta.

 

 

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