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“What the Fuzz! é uma reação natural a tudo aquilo que fomos experienciando” • The Black Wizards em entrevista

03 de Maio, 2018 EntrevistasBruno Pereira

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Alex Edkins (METZ): “We are getting more comfortable in our own skin”
Os The Black Wizards já não são novidade para muitos. Se "Lake of Fire", o álbum de estreia, fez acreditar no potencial deste jovem quarteto, “What the Fuzz!” é a confirmação daquilo se suspeitava, os The Black Wizards como uma das propostas mais entusiasmantes no panorama nacional. A fórmula pode não ser inovadora, mas é certamente eficaz: riffs a honrar o legado dos Black Sabbath, solos ao estilo de Hendrix e um registo vocal claramente inspirado em Janis Joplin. Sim, é verdade que essa identidade retro é adotada por muitos outros, mas poucos possuem o charme e a pujança dos The Black Wizards.

A banda anda por estes dias a contagiar a Europa com o seu Fuzz, com passagens marcadas pelas principais cidades, preparando-se também para atuações históricas nos festivais Desertfest Londres e Desertfest Berlim. Aproveitando então a ocasião, voltámos a conversar com quarteto sobre a atual digressão mas também sobre o que andaram a fazer nos últimos tempos.

Nota: As repostas são coletivas, exceptuando quando indicado.



Começando pelo nome do disco, “What the Fuzz!”. Foi assim que vocês próprios foram reagindo ao longo da composição do álbum?

Todo o processo de composição e criação do álbum foi um pouco “What The Fuzz!”. Este álbum foi trabalhado de maneira completamente diferente do “Lake of Fire” e como tal existiram experiências novas e diferentes. “What the Fuzz!” é uma reação natural a tudo aquilo que se passou e tudo o que fomos experienciando, não só desde que o começamos a “materializar” em músicas mas desde o lançamento do primeiro, quando se abriram muitas portas para nós e tivemos oportunidade de ver com os próprios olhos mais ou menos daquilo que se trata e ao torno do que roda o mundo da música. E todas as experiências que vivenciamos enquanto músicos e seres humanos culminaram no “What the Fuzz!” que é no fundo uma visão positiva acerca dos problemas que enfrentamos.

 

Nota-se que têm um cuidado muito especial com a artwork dos vossos trabalhos. Como se desenrolou esse processo criativo de ligação dos desenhos com a vossa música? Em que se inspiraram?

Sempre gostámos muito de arte no geral e a Joana também está muito ligada à área gráfica, então acabou por dar esse input e acabamos por ter muito cuidado com o aspeto dos discos e em escolher um ilustrador à maneira para ilustrar a nossa música. Mas gostamos de deixar sempre as portas abertas para o ilustrador, nunca damos um briefing muito restrito, apenas uma ideia geral da estética que pretendemos. Gostamos que a malta oiça e se inspire naquilo que o disco lhes transmite. E até agora estamos muito contentes com o resultado. Lembro-me quando chegaram os minis, ficamos babados.

 

Até há uns tempos, muitas bandas não conseguiam a experimentação desejada por falta de recursos para comprar synths, pedais e por aí a fora. Sendo que hoje em dia, basta um computador para simular inúmeros efeitos, como conseguem vocês, na vossa composição, atingir o som desejado? Simulam primeiro ou são adeptos de fazer tudo de modo natural com o material que têm?

Não há cá simulações, trabalhamos com o que temos. Gostamos muito de manter as coisas simples, principalmente ao vivo. Em disco há sempre mais espaço para experimentar outras coisas mas ao vivo gostamos de manter a cena bem crua, acho que isso também é o que nos define.

 

Paulo Ferreira com os The Black Wizards no Sonic Blast Moledo 2016

 

Se não for segredo dos Deuses, quais são os pedais que mais gostam de usar?

Joana: Whammy!!!
Paulo: Ampeg Scrambler!!!
Mendes: Fuzz Wha
Helena : DW 5000

 

Ao vivo, especialmente em casos em que têm sets mais curtos, como rearranjam os temas? Gostam de os tocar na íntegra, tocando menos faixas, ou encurtar para incluírem mais malhas?

Acho que nunca encurtamos nenhuma malha, tocamos menos músicas. Mas tocar sets curtos para nós é um bocado complicado porque as músicas são muito grandes e então acabamos por tocar sempre três ou quatro e nem dá tempo de aquecer.

 

No meio disso tudo ainda há espaço para alguns solos improvisados? O de bateria da Helena sei que nunca falha!

Existe uma base mas a grande parte são solos improvisados. Quando estamos em palco acabamos por exprimir as nossas emoções e então todos os dias saem coisas diferentes, depende muito do mood.

 

Joana, tens alguns cuidados especiais com a voz?

Sim, evito bebidas alcoólicas/frescas, tento comer cenas saudáveis, bebo chá e faço exercícios de aquecimento. Quando se tem muitos concertos seguidos, por exemplo, não podes desleixar-te senão depois arriscas-te a pôr em causa o trabalho da banda toda. É uma responsabilidade bastante grande porque não é uma coisa que se possa propriamente controlar como uma guitarra. No entanto, quando se está em tour e se quer ter uma boa prestação, convém sempre ter cuidados para se estar sempre em boa forma e dares o teu melhor, sejas vocalista, baterista, baixista ou guitarrista.

 

Joana Brito com os The Black Wizards no Sonic Blast Moledo 2016

 

 

Penso que ainda não conseguem viver exclusivamente da música e da banda. Como gerem as vossas atividades profissionais com as necessidades da banda? Imagino que tem algum peso no momento de entrar em digressão, por exemplo.

Sim, ainda não conseguimos viver exclusivamente da música mas havemos de lá chegar! As nossas atividades profissionais são geridas em função da banda. Todos temos empregos que escolhemos para que possamos ter alguma facilidade em ir em digressão quando for preciso.

 

 

Dentro de dias vão iniciar uma nova digressão que vai passar pelas principais cidades europeias. Para quem não está familiarizado, como é organizar uma digressão destas? Têm algum agente internacional ou tratam de tudo vocês mesmos?

Bem, a primeira tour que fizemos foi inteiramente organizada por nós, contactamos promotores locais, falámos com bandas desses países que nos ajudassem com contactos e falámos com muita gente até conseguirmos perfazer um número considerável de concertos seguidos. Da segunda vez, trabalhámos com a Red Sun Barcelona em Espanha e com a Ya Ya Yeah para o resto da Europa. Desta vez temos uma parte da tour com as Maidavale organizada pela Sound of Liberation, que é maioritariamente entre Alemanha, Polónia, Itália, e outra parte novamente pela Ya Ya Yeah. Mas não é assim tão difícil como parece ir em tour, é preciso querer muito e trabalhar para isso. E depois de se ir a primeira vez, ganham-se contactos e torna-se mais fácil.

 

Muitas bandas falam do complicado que é todo tempo na estrada em viagem. O que fazem para se entreter nas viagens entre cidades?

Principalmente dormir! No restante tempo a malta lê livros, ouve música, fala sobre coisas, às vezes interessantes, outras vezes nem tanto, e faz zapping no instagram.

 

A comparar pela experiência da digressão europeia anterior, ainda conseguem tempo para serem turistas?

Na última tour tivemos muito tempo para ser turistas. Passámos por cidades bastante ricas a nível turístico e outras acabamos por estar lá perto e aproveitar para visitar. E o João (o nosso condutor) gosta muito de igrejas e então fizemos um roteiro muito católico. Nesta tour acho que não vamos ter grande tempo para turismo, visto que vamos ter concertos praticamente todos os dias.

 

Da última vez que vos entrevistámos disseram que o sítio de sonho onde gostariam de tocar era num Desertfest. Em breve irão estar tanto na edição de Londres como na de Berlim. Sonho prestes a cumprir-se? Como surgiu a oportunidade?

Sim, sem dúvida. Era uma coisa pela qual ansiávamos bastante e acabou por surgir a oportunidade. O Reece Tee (promotor do Desertfest Londres) viu o nosso concerto no Reverence Valada em 2016 e gostou muito, mas para 2017 o cartaz já estava fechado, então ficamos que meio combinados para este ano. O de Berlim foi uma surpresa.

 

Olhando para esses cartazes, há alguma banda em específico que estejam mesmo empolgados para ver enquanto fãs?

Gostávamos de ver o festival todo, mas visto que só vamos estar lá no dia em que tocamos, estamos curiosos para ver bandas como High on Fire, Radio Moscow e Church of the Cosmic Skull.

 

The Black Wizards no Reverence Valada 2016

 

Antes de iniciarem a digressão europeia passaram por Chaves para uma atuação na iniciativa Para Cá Do Marão. De certa forma apadrinharam uma banda, os Witch Sin, que deram o primeiro concerto a fazer a vossa primeira parte. Ainda se lembram como foi o vosso primeiro concerto com os The Black Wizards? Como foi a experiência?

O nosso primeiro concerto foi à tarde e ainda assim foi parado pela polícia. A Helena ainda nem estava na banda, foi mesmo nos primórdios. O primeiro concerto que demos com ela foi no Hard Club, acho, ela entrou cerca de duas semanas antes, foi tudo muito rápido. Mas foi um concerto do caraças, estávamos todos super empolgados!

 

Como veem o panorama atual do Rock em Portugal, nomeadamente a falta de exposição? Acham que faz falta, por exemplo, uma rádio de dimensão nacional que aposte seriamente no segmento?

Já existem algumas rádios de dimensão que apoiam o “Rock” mas mais que a falta de exposição é mais grave a falta de apoios do estado. Organizar concertos e tours, gravar álbuns e promover a banda são tudo coisas que ficam muito caras, para não falar de instrumentos e de material de som. Com certos apoios, não só para estas coisas como também para promover eventos, é que se poderia dar mais exposição às bandas portuguesas, como é o caso de países como a Suécia, onde as bandas têm vindo a conseguir uma grande exposição grande parte por causa destes apoios. Pensamos também que uma rádio de dimensão nacional que apoiasse apenas o underground ou bandas de garagem não seria sustentável, pois não creio que fosse existir público para ouvir uma rádio dessas 24/7. Existem já rádios que fazem um excelente trabalho a promover bons trabalhos nacionais. O problema é da mídia em geral e não em específico com a falta de uma rádio para este segmento. Em setembro/outubro do ano passado estavam cerca de cinco bandas portuguesas em tour, no entanto a maior referência de imprensa que falou acerca do assunto foi um dos principais jornais de futebol.

 

Para terminar, como seria o mundo sem Fuzz?

Uma seca.

 

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