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Overall Junho 2020

14 de Julho, 2020 ListasWav

Sem qualquer ordem, a não ser alfabética, apresentamos os discos lançados em junho de 2020 que mais marcaram a nossa redação.

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Overall Maio 2020

astronoid-album-coverArca - KiCk i (XL Music)


No seu primeiro álbum desde que assumiu uma identidade não-binária, Arca confronta-nos com música tão fluida quanto a sua sexualidade, música arrepiante que derruba barreiras (incluindo de identidade sexual, ouça-se o poderosíssimo manifesto simultaneamente apaixonado e provocador que é “Nonbinary”) e que se reveste de um ecletismo tão contagiante quanto extraordinariamente eficaz. Há aqui techno, reggaeton, baladas vulneráveis carregadas de uma soberba melancolia poética, pop futurista que soa quase alienígena (a colaboração com SOPHIE), delicadas peças ambientais onde, por vezes, ouvimos o impensável (Björk a cantar em castelhano) ou exóticas parcerias alimentadas por um calor latino delicioso (a união com Rosalía), tudo isto desconstruído de forma desafiante e ousada por uma das mentes mais brilhantes da música experimental contemporânea. Tanto nos momentos mais festivos como naqueles mais contemplativos, Arca soa incrivelmente emotivo e visceral, como se estivesse a rasgar violentamente a pele para nos mostrar a beleza da sua alma despida, num disco recheado de colaborações (há ainda a da inglesa Shygirl), mas que nunca deixa de ser profundamente pessoal. - JA



 

 

Beirut-GallipoliArmand Hammer - Shrines (Backwoodz Studioz)


Depois de um 2019 preenchidíssimo com dois discos de máximo calibre – Hiding Places com Kenny Segal e Terror Management – em que Billy Woods foi merecedor de uma menção no Overall ao seu lançamento, o rapper/MC mais enigmático da east coast está de volta ao lado do seu parceiro de editora ELUCID, na dupla que denominam Armand Hammer. Shrines marca o quarto LP fruto deste trabalho a dois, e para além de conseguir manter a fasquia bem alta em relação àquilo que tem sido a astronómica qualidade de lançamentos destes dois, Shrines contextualiza o distópico presente diante das adversidades, lutas, aventuras e desventuras, sem nunca se despegar da emotiva e nostálgica paixão pelos dias do passado – que talvez não sejam tão melhores quanto os de hoje. Talvez a mensagem do disco seja ilusória e o espelho é a real resposta, mas além disso os dois continuam a criar alguns dos discos mais substanciais e fulcrais do hip-hop atual. - JMA



 

 

Boy-Harsher-CarefulC Trip A - Ozzy Nights (Translation Loss)


Anthony Adams e os produtores Christian McKenna e Colin Marston puxaram das fibras dos historiais musicais para os ligar ao que é C Trip A, um projeto à beira da paranóia mecanizada. A voz de Adam, que se lança numa quase independência, está aqui mais próxima do spoken poetry, a oscilar entre a pele do narrador derrotista e a resistência, o que esclarece a presença da voz de Bukowski como aditivo da acidez geral do álbum. A profundidade rígida dos beats e os efeitos de voz ansiosos dão a Ozzy Nights uma constante angústia adormecida, pela conexão de aparentes pontas soltas entre o eletrónico de peso bruto industrializado e o mergulhar em faixas mais inclinadas para o ambience cuja lentidão e calma acrescem tanto à inquietação quanto as restantes. Instaura-se acima de nós com toda a vontade sensível de um wake-up call, embebendo-nos com toda a beleza da agressividade e da revolta. - BF



 

 

Candlemass-The-Door-To-DoomCoriky - Coriky (Dischord)


Este é o primeiro registo gravado da existência de Coriky. Joe Lally, Ian MacKaye e Amy Farina partilham novamente o mesmo nome de banda, e embora existam em Coriky impressões digitais raspadas da sonoridade de Fugazi, que qualquer ouvinte de longa data terá prazer em abraçar, não estamos a falar numa versão 2.0. Coriky faz fluir o próprio sangue. Forma-se aqui num lugar estranho entre o bom humor e o passivo-depressivo, onde as letras passam rapidamente do nonsense aparente para o comentário social obscuro, para o simplesmente engraçado. Numa harmonia total entre estas três vozes, os refrões altamente viciantes que aqui magicam trazem a garantia de um earworm. Coriky cria-nos a imagem de uma banda de garagem em união com a maturidade sólida que acompanha os nomes. É aqui que o punk rock e o indie rock se vieram casar, dentro de todo o seu impulso alegre e vulnerável, explosões de distorção de queima lenta e melodias pacificamente derrotadas. É familiar e desconhecido e demasiado importante para passar ao lado. - BF



 

 

Dream-Theater-Distance-Over-TimeEl Triángulo - La Fuga del Color


Saltitando de um inflamante, afrodisíaco e entusiasmante heavy blues que concilia a estonteante maestria de Pappo com a tenebrosa heresia de Black Sabbath – matizado a um delirado, caleidoscópico e embriagado psych rock, apimentado a um dançante, bem-disposto e contagiante funk, e conduzido a um serpenteante, majestoso e extravagante prog rock – até um apaziguante, sublimado e deslumbrante acid folk de adornos idílicos, aromas primaveris e ensolarado por uma esbelta voz feminina, La Fuga del Color respira e transpira toda uma mística aura de paladar vintage que me cativara, arrebatara e namorara do primeiro ao derradeiro tema. Este é um álbum verdadeiramente sensacional – orquestrado e norteado a uma dialogante, vertiginosa e incessante simbiose instrumental – que me mantivera de atenção e fascinação a ele atreladas do primeiro ao último tema. Um registo vivamente enfeitiçante que decerto cortejará e conquistará todo aquele que o comungar. - NT
(Lê a review completa a este disco no blog El Coyote)



 

 

Fange-PunirHaken - Virus (InsideOut Music)


O que dizer de uma banda que, disco após disco, não comete erros, não falha, sobe e melhora? “Isto não é uma competição”, “A música não se quantifica”, … Tudo certo, mas estes fatores contam e ainda que possam ser deixados à avaliação subjetiva e individual, o consenso parece ser largo. Se a comparação abrutada tiver que ser feita, Haken parecem determinados a ter um controlo de qualidade ao estilo de Dream Theater (com tudo o que esta analogia acarreta). Com Virus (coincidência na escolha do nome do álbum, dizem os autores), o grupo britânico oferece uma continuação ao sabor de Vector, que se pauta por um ainda mais refinado metal progressivo, género este que o grupo parece cada vez mais perto de liderar mundialmente. - PS



 

 

Boy-Harsher-CarefulKryptograf - Kryptograf (Apollon)


Herdeiros do santificado legado deixado por vultosas referências como Black Sabbath, Pentagram e Witchfinder General, bem como parentes próximos de consagradas bandas contemporâneas como Witchcraft, Graveyard e Dunbarrow, estes quatro jovens vikings fazem do enigmático, tenebroso, ostentoso e tirânico proto-metal de adoração pagã a sua estrela orientadora. Resvalando ainda num intrigante, melódico, fantasmagórico e enfeitiçante occult rock a fazer recordar Uncle Acid & the Deadbeats, e num envolvente, experimental, espiritual e apaziguante prog rock de influência Eloyesca, tingido a nebuloso psicadelismo, tricotado a um melancólico folk de beleza outonal, e de olhar içado nas profundezas da obscuridade astral, este primeiro passo discográfico dado pelos Kryptograf baloiça entre um triunfante ritual de reverência ocultista e uma aventurosa exploração pela infindável vacuidade cósmica. - NT
(Lê a review completa a este disco no blog El Coyote)



 

 

Fange-PunirLamb of God Lamb of God (Nuclear Blast)  


O décimo álbum. O peso da história. O primeiro sem o seminal Chris Adler, fundador e escultor do som de marca da banda. Os grandes precursores do New Wave of American Heavy Metal, os reis do groove. É difícil. É difícil cativar novos fãs e ao mesmo tempo surpreender quem está já calejado por Ashes of the Wake, Sacrament e Wrath. Mas a fome mantém-se e o ouvido clama por onda. O growl de Randy, o serpentear guitarrístico de Mark e Willy e, saudosismo à parte, a bateria máquina que agora é comandada (e bem) por Art Cruz: tudo isto presente nos primeiros momentos do disco, com “Memento Mori”, e bem distribuído ao longo de Lamb of God. Com participações de Jamey Jasta e Chuck Billy, houvesse festivais este ano e mosh não faltaria. - PS



 

 

astronoid-album-coverMagick Brother & Mystic Sister Magick Brother & Mystic Sister (The John Colby Sect)


Polinizada por um deslumbrante, edénico, místico e radiante psychedelic rock de paladar Pink Floyd-eano e um charmoso, pérsico, profético e ostentoso progressive rock de sotaque Canterbury-eano e influências trazidas dos britânicos Caravan, a mágica, opalescente e quimérica sonoridade de Magick Brother & Mystic Sister é abraçada, embrumada e canonizada por uma apaixonante atmosfera onírica que prontamente remete o ouvinte para a narrativa trovadora de uma absorvente fábula escrita a requinte e romantismo. Emoldurado por majestosos adornos de polimento jazzístico, sobrevoado por um contemplativo psychedelic folk de estética pastoral, lenitiva e medieval, e ainda colorido por discretos e efémeros vestígios de um animado, quente e ritmado funk de aroma tropical, esta imaculada estreia do quarteto catalão provocara em mim a plena pacificação dos sentidos e a catártica deserção da alma pela seráfica, sagrada e caleidoscópica luminescência que o mesmo faroliza. - NT
(Lê a review completa a este disco no blog El Coyote)



 

 

Beirut-GallipoliMothers of the Land - Hunting Grounds (Stone Free)


Repetindo a bem-sucedida receita musical estreada na caprichosa produção do seu primeiro registo, este imponente quarteto domiciliado na cidade-capital de Viena escuda-se num melódico, faustoso, poderoso e épico hard rock de feições setentistas e tingido a alucinante e flamejante psicadelismo em harmoniosa e libidinosa parceria com um desenfreado, fogoso, polvoroso e oleado heavy metal de sotaque britânico e matriz tradicional. A sua sonoridade vistosa, sublime e gloriosa – talhada a uma desarmante e apaixonante majestosidade, e carburada a uma musculada, dinâmica, redentora e entusiasmada cavalgada de instrumentos em debandada – causara em mim um inabalável estádio de crescente e ofuscante fascinação que desprendera e detonara toda uma saturada e exaltada comoção. São cerca de 37 minutos inteiramente oxigenados por uma constante, imersiva e provocante feitiçaria de superior primazia que nos esperta e liberta todos os membros e sentidos. - NT
(Lê a review completa a este disco no blog El Coyote)



 

 

Boy-Harsher-CarefulNeptunian Maximalism - Éons (I, Voidhanger)


De tempos a tempos, somos confrontados por um real testamento sonoro. Um testamento que pode muito bem vivenciar-se sem qualquer predisposição ou referência cultural e vive exclusivamente da sua visão. A sua própria genética, estética e dimensão artística. Passa-me pela cabeça um Soundtracks for the Blind dos Swans, um Black One dos Sunn O))) ou um But, What Ends When the Symbols Shatter? dos Death in June. O coletivo Neptunian Maximalism junta-se a esse mesmo hall of fame com o seu monumental Éons. Um monólito artístico que transcende com elementos tribais, noise, folk, drone e tudo mais, muito além das influências que demarcam a imagem do grupo. Dividido ao longo de três capítulos, Éons estende-se numa experiência que divaga durante cerca de duas horas e tal numa cascata de sensações, agressões e exploração total. Desde experiências vocais, insistências rítmicas ao florescimento de frequências e tonalidades, este é um disco que merece ser vivido! - JMA



 

 

Candlemass-The-Door-To-DoomOhhms - Close (Holy Roar)


Em toda a sua beleza incandescente, Close tem uma capacidade de expansão de um gigantismo tal que se torna numa espécie de armadilha. A mandíbula do post-metal estala no doom e a profundidade, a melodia e a força são alvo de um escrutínio constante. Cada faixa serve de testamento a um sentido de dinâmica completamente implacável – e quaisquer exemplos escritos aqui apenas se poderiam diluir em comparação com o que Ohhms foram capazes de atingir. Os temas ou imersão, nostalgia, antagonismo e repressão, em estado concentrado neste disco, foram capturados pelo instrumental com tanta força que mesmo sem a presença de letras os iríamos certamente sentir. Independentemente do historial pessoal de cada um para com a banda, Close tem o potencial quase impecável de nos hipnotizar, imobilizar e limpar. - BF



 

 

Dream-Theater-Distance-Over-TimePALMIERS - PALMIERS (Saliva Diva)


A base da fórmula está num rock instrumental iluminado por uma energia demasiado explosiva para ser contida, mas há também kraut, dream pop ou tropicalismo – no fundo, há uma banda a dar tudo para tornar o seu álbum de estreia o mais memorável possível. Falamos dos PALMIERS, que através da recém-criada Saliva Diva acabam de disponibilizar a banda sonora perfeita para acompanhar dias passados na praia a comer gelados - é excitante, relaxante e divertida. Imbuída daquele irresistível espírito de banda de garagem, a música traz à memória os Battles – deles nos recordamos quando somos introduzidos ao experimentalismo dinâmico, jovial e imprevisível aqui presente –, mas mesmo com essas influências notórias, a qualidade das composições revela-se suficientemente forte para que não nos importemos com isso; afinal, basta perdermo-nos no encanto destas seis canções tão orelhudas quanto aventureiras, mergulhar no seu maravilhoso clima de psicadelismo festivo, para ficarmos logo bem. - JA



 

 

Fange-PunirPower Plant - Cargo (Galactic SmokeHouse)


Desancorando o seu navio cargueiro nas quietas águas de um contemplativo, ensolarado, deslumbrado e imersivo space rock banhado e bronzeado a desarmante, sublimado e ofuscante psicadelismo, que vai progredindo destemida e triunfantemente até alcançar, lavrar e combater os revoltosos, negros, espessos e tormentosos mares de um fogoso, denso, tenso e impetuoso stoner doom de saturação grunge, a evolutiva, cinematográfica, enfática e expressiva sonoridade de Power Plant pendula entre a edénica bonança e a despótica tempestade, a embaciada letargia e a sedada euforia, a misantrópica negrura e a quimérica luminosidade. De olhar semi-selado e petrificado, semblante desbotado, cabeça pesadamente baloiçante e espírito intensamente atordoado por toda esta intoxicante, fumarenta e enfeitiçante nebulosidade – nasalada pela fresca formação polaca e untada a THC (tetrahidrocanabinol) – somos narcotizados, perturbados e sepultados na obscurantista vacuidade do perpétuo espaço interestelar. - NT
(Lê a review completa a este disco no blog El Coyote)



 

 

Fange-PunirProtest the Hero - Palimpsest (Spinefarm)


A espera foi dura. Incertezas quanto à voz de Rody Walker adiaram composições e espetáculos, deixando a pairar no ar a ideia de danos irreparáveis nas cordas vocais do vocalista, comprometendo a existência de uma das bandas mais influentes do giro progressivo. Novas de Palimpsest começaram a circular e as primeiras audições permitiram um gigante expirar de tranquilidade: não só o trabalho vocal de Rody está ao nível de Fortress e Kezia, como todo o instrumental mantém a tenacidade e inovação do grupo. Crítica social, crítica política, a banda apela a que se comece de novo, que se apague o que foi escrito e que se reescreva com as devidas melhorias. Se o anterior EP, Pacific Myth, soube a pouco, Palimpsest e as suas 13 faixas são tudo o que os fãs poderiam pedir e mais. - PS



 

 

Fange-PunirPyrrhon - Abcess Time (Willowtip)


Oriundos do grande epicentro da revolução americana da música extrema – Nova Iorque –, Pyrrhon são uma banda que vocês precisam mesmo de ouvir. Com uma discografia que se expande agora a quatro mamarrachos sonoros a que chamamos discos, o quarteto começa a dispensar grandes introduções. Abcess Time é o derradeiro opus, e tendo em conta que este surge depois de uma sequência de sonho entre What Passes for Survival e The Mother of Virtues, só podemos concluir que Pyrrhon não têm qualquer intenção de simplificar, facilitar ou condicionar a sua arte ao mais acessível. Abcess Time é um sublinhado de que a música da banda é intencionalmente complexa, cirúrgica, anatómica e completamente desinteressada nos limites e restrições do death metal. Conseguindo abraçar todas as espásticas extensões da sua sonoridade, o trabalho de guitarra, baixo e bateria brilha com um volume monstruoso sem tirar espaço ao assustador espectro vocal de Doug Moore. Na verdade, o grande opus do quarteto deve-se à invariável e simbiótica procura da criação mais extravagante e errática, merecedora de toda a vossa atenção. - JMA



 

 

astronoid-album-coverUlthar - Providence (20 Buck Spin)


Depois de uma impressionante estreia pela 20 Buck Spin com o muito aclamado e acarinhado Cosmovore, Ulthar parecem ter acertado na fórmula certa à primeira. Death metal arcaico que progride, expande e enraíza o ouvinte com uma filosofia técnica e muito singular sem perder uma grama da sua animosidade primal. Providence é o segundo disco que investe nesse mesmo fundamento e denota-se isso imediatamente pela capa, que parece brindar uma continuidade de ideias propostas pelo seu antecessor. Mesmo com uma produção mais cristalina e polida, o trio de Oakland, California prossegue na insistência de riffs cavalgantes que constroem todo um organismo pré-histórico sob alçada de sucessivos assaltos tempestuosos. Concluindo com uma impressão que se perpetua de forma idiossincrática e expansiva, este acaba por ser só mais outro grande disco nesta grande nova dinastia do death metal. - JMA



 

 

Beirut-GallipoliVile Creature - Glory, Glory! Apathy Took Helm! (Prosthetic)


You cannot act with conviction / When the pact is unclear.” A melancolia reveste-se de atitude e determinação para nos entregar um dos mais esmagadores e belos registos dentro de um nicho onde se inserem o doom, drone e sludge. A estes conceitos juntam-se também palavras como queer, angry, anti-oppressive e cult, com certeza mais do que suficientes para introduzir este duo canadiano. No seu terceiro trabalho, Vic e KW voltam a juntar armas – bateria e guitarra, respetivamente – para apresentar outra vertente da sua sonoridade criativa, assumidamente dreamy e cinemática que, em conjunto com os seus slow beats e downtuned riffs, em pouco ou nada compromete a atmosfera sufocante a que estamos habituados. As influências vão muito além de Neurosis e Isis, sobretudo no lado B do álbum, onde a comunhão do duo com as vozes de Laurel Minnes e teclas de Tanya Byrnes culmina numa extensa peça, alinhando tons de desconforto e angústia com notas celestiais. Introspetivo mas catártico, de uma beleza quase visceral. - AT



 

 

Boy-Harsher-CarefulWędrowcy~Tułacze~ZbiegiBerliner Vulkan (Devoted Art Propaganda)


É irónico saber que entrevistei os polacos Furia sem saber que falava com um dos membros deste tão obscuro e teimosamente discreto projeto da Polónia. Com um nome tão complexo e certamente desafiante de pronunciar, designamo-lo por WTZ. Sendo Sars (Furia, Massemord) o real compositor deste projeto, este conta ainda com a ocasional mas frequente colaboração de outros nomes da cena polaca como Stavrogin (Odraza, Gruzja) e Dominik (Koniec Pola, Gruzja). Depois de consecutivos sucessos dos anteriores Marynistyka Suchego Lądu (mencionado num Overall do ano passado) e Światu Jest Wszystko Jedno, onde a exploração do jazz, avant-garde e darkwave são tópicos centrais na extravagância sonora, Sars seguiu desta vez um percurso mais polarizante mas nem por isso menos bem conseguido. Berliner Vulkan narra a chegada de um mundo neon banhado em batidas fulgurantes, melodia e uma dançabilidade descomunal. Mantendo a tendência do canto em polaco, a língua acaba por contribuir para o grande resultado final que é este EP. Outro disco de WTZ que promete solidificar-se como um futuro clássico de culto. - JMA



 

Artigo escrito por: Andreia Teixeira (AT), Beatriz Fontes (BF), João "Mislow" Almeida (JMA), Jorge Alves (JA), Pedro Sarmento (PS) e Nuno Teixeira (NT).
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