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Overall Maio 2020

14 de Junho, 2020 ListasWav

Sem qualquer ordem, a não ser alfabética, apresentamos os discos lançados em maio de 2020 que mais marcaram a nossa redação.

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Overall Abril 2020
 

astronoid-album-coverBiesy - Transsatanizm (Godz Ov War Prods.)


Quanto à cena polaca, esta tem estado nas barricadas da reinvenção da música extrema. Mesmo que as bandas se estejam plenamente a cagar para essa agenda ou motivação, o resultado tem sido sistematicamente iluminado. Este é o primeiro dos três lançamentos polacos, todos na primeira semana do mês, que maio nos ofereceu e é sem dúvida o mais frenético de todos. Faustyna “IHS” Moreau é a nova personificação de PR, um dos vocalistas dos polacos Gruzja, e Transsatanizm é uma declaração em forma de drag. Uma forma de expressão que atravessa grandes assaltos de hard-beat e industrial, com uma espinha dorsal fortemente emoldurada pelo black metal e punk, mas percorrido com um power walk de saltos altos e peruca. Se o power-combo não vos convence, ouçam a tamanha agressão sonora que faixas como “La Dolce Instant”, “Nowa Transylwania” e “Karolina23” submetem ao ouvinte. Subversivo e imponente! - JMA



 

 

Beirut-GallipoliBoston Manor - Glue (Pure Noise)


Com Glue, os britânicos Boston Manor encontram encanto na vulnerabilidade para criar um dos mais honestos e inspiradores álbuns deste tenebroso 2020. Construído à base de urgentes desabafos do vocalista Henry Cox, que ora condena conceitos de masculinidade já há muito obsoletos, ora discute abertamente temas como o atual clima político ou o suicídio (as memórias de ter testemunhado um em criança ainda hoje o atormentam), o que aqui temos, no fundo, são páginas soltas de um diário preenchidas com as ansiedades e dúvidas do seu autor, que folheamos enquanto absorvemos a beleza da banda sonora que as acompanha – um pop punk musculado de sentimento emo que ocasionalmente abraça o post-hardcore, perfeito tanto para o clima grandioso de um estádio, como para a intimidade de um clube pequeno e suado. Entre melodias orelhudas e explosões frágeis de agressividade, Glue combina a magia de refrões orelhudos com uma extraordinária profundidade emocional. - JA



 

 

Boy-Harsher-CarefulCaligula’s HorseRise Radiant (InsideOut Music)


O grupo australiano está de volta e com ele retorna a abundância de acordes μ, a sonoridade que serve de inspiração ao guitarrista Sam Vallen. Com este novo trabalho, maturado ao longo de um triénio, a banda mantém a promessa de grandeza por cumprir: composições fortes o suficiente para agarrar, arranjos encantadores, mas ainda com falta da pitada magistral, do riff inesquecível ou da lírica intemporal, que os emoldarão no pódio do metal progressivo. Destaque para “Salt”, uma audaz mistura da guitarra pesada com balada épica, e para o single “Valkyrie”, o mais coeso e apto para passar numa eventual rádio de mainstream prog, tal conceito existisse lugar algum. - PS



 

 

Candlemass-The-Door-To-DoomCentre El Muusa - Centre El Muusa (Sulatron)


Da inesperada Estónia chega-nos uma das mais agradáveis e veneráveis surpresas sonoras do ano. Empoeirada e enfeitiçada por um hipnótico, meditativo, imersivo e ritualístico krautrock a fazer recordar o xamanismo diluviano doutrinado pelos norte-americanos The Myrrors, e um anestésico, nebuloso, odoroso e sidérico neo-psych de produção lo-fi e sotaque sessentista, a exótica sonoridade de Centre El Muusa é ainda aureolada e sobrevoada por um intuitivo, abstracto e criativo experimentalismo electrónico de intrigante atmosfera sci-fi. Baloiçando entre edénicas, sublimes, tranquilas e bucólicas paisagens tingidas a doce lisergia que nos ensopam e adormecem os sentidos, e extravagantes, catárticos, enfáticos e labirínticos carnavais de embaciada explosividade instrumental que nos perseguem e endoidecem, somos firmemente embalados numa deslumbrante vertigem e escoados na brumosa intimidade do imaginativo universo de Centre El Muusa. Não vai ser fácil despertar e escapar deste compenetrado estado de sonambulismo. - NT
(Lê a review completa a este disco no blog El Coyote)



 

 

Dream-Theater-Distance-Over-TimeConstantine - In Memory of a Summer Day (Guerssen)


Este adorável registo do músico norte-americano vem amuralhado e oxigenado por um rural, etéreo, ensolarado e pastoral psychedelic/acid folk de fragrância revivalista e clima veraneio que nos narra aventurosos, envolventes e majestosos contos de natureza medieval. Aureolado, colorido e conservado por uma aura melodiosa, purificante, deslumbrante e espirituosa – a fazer recordar as contemplativas e arrebatadoras baladas dos britânicos Donovan e Mark Fry – esta estética e edênica obra de Constantine tem o mágico dom de nos desmaiar as pálpebras e desdobrar no nosso imaginário todo um vasto tapete esverdeado, de planura a perder de vista, onde principescos palácios e monolíticos castelos coabitam de forma harmoniosa com a frondosa natureza que os envolve numa prosperidade sem qualquer oposição. In Memory of a Summer Day é um álbum verdadeiramente epopeico, emoldurado por uma mitológica beatitude que nos adormece e estarrece os sentidos. - NT
(Lê a review completa a este disco no blog El Coyote)



 

 

Fange-PunirCouch Slut – Take a Chance on Rock 'n' Roll  (Gilead)


Aggression comes in many flavours. O terceiro álbum do quinteto de Nova Iorque volta a confrontar-nos com o seu noise rock abrasivo, onde facilmente se encaixam também rótulos de grind e hardcore. Sem pudor, deixa qualquer um desarmado com as letras transgressivas, mas sempre atuais. A voz de Megan Osztrosits, alternando entre os guturais impiedosos e spoken word, e o artwork de Leandro De Cotis acrescentam consideráveis camadas de perversão, nunca destoando de uma imagem de marca a que nos habituaram desde 2014. Dissonante e desorganizado, nunca descarta a vibe crust/punk, e muito menos o compromisso de nos entregar momentos de beleza e angústia recorrendo ao uso de instrumentos como piano e saxofone. Derradeiro snapshot dos tempos que vivemos. - AT



 

 

Fange-PunirCryptic Shift Visitations From Enceladus (Blood Harvest)


Provenientes de Leeds, UK, Cryptic Shift é um nome bastante recente no nosso vocabulário, e apesar de ainda serem algo novatos na cena, o quarteto soa a tudo menos isso. E se não acreditam, Visitations From Enceladus é o álbum de estreia dos britânicos e promete tornar-se num futuro clássico. Lançado através da sueca Blood Harvest Records, o disco marca acima de tudo uma transição de som por parte da banda. Discos anteriores haviam denotado um som mais certinho e polido (sem grande coisa a destacar), mas a chegada deste promulga um abraço ao old school com o lo-fi em grande plano e inúmeros nods ao reverb do death e thrash dos anos 90. Quatro faixas, 46 minutos e uma abertura que alcança um mergulho de 20 e tal num universo completamente único. Se admiram uma história bem contada e uma eficiência técnica de outro mundo (pun intended), por favor não percam isto! - JMA



 

 

Fange-PunirDeerhoof – Future Teenage Cave Artists (Joyful Noise)  


Banda de culto do indie, um termo que reflete mais o espírito do grupo do que a sonoridade propriamente dita – união fértil de sons e conceitos, doçura pop aliada a um experimentalismo dissonante e acariciada por uma leve brisa punk –, os Deerhoof chegam com este novo disco à invejável marca de quinze trabalhos lançados, apresentando aqui uma história sobre um futuro distópico que nos parece demasiado real nestes tempos sombrios que atravessamos. Contudo, é interessante notar como esse desconforto narrativo se faz acompanhar de música verdadeiramente reconfortante, ousada e criativa, que tanto adere a estruturas convencionais como passa subitamente para a exploração desenfreada. Música livre e imprevisível, feita ao sabor das emoções (um pouco de pop aqui, um pouco de noise acolá; até elementos clássicos temos na última faixa) e deliciosamente fragmentada, como se de uma série de diferentes colagens sonoras se tratasse; uma ode à criatividade, à mais pura espontaneidade, por parte de uma banda que faz da constante reinvenção a sua fonte de energia. - JA



 

 

astronoid-album-coverEarthbongBong Rites


Este novo álbum dos jovens druidas germânicos vem fervido num borbulhante e esverdeado caldeirão em constante ebulição de onde se testemunha o altivo e corrosivo negrume de um titânico, massivo, nebuloso e misantrópico stoner doom – de influência resgatada a vultosas referências do género tais como Sleep, Electric Wizard, Acid King e Bongzilla – que se emporcalha nos lodacentos pântanos de um viscoso, fumarento, bafiento e fibroso sludge metal à boa moda de Weedeater, adormece nas distópicas paisagens de um melancólico, contemplativo, lenitivo e anestésico drone de satélites apontados a Barn Owl, e se obscurece nas pavorosas trevas de um sepulcral, cadavérico, luciférico e brutal funeral doom de roupagem e maquilhagem a fazer lembrar Nortt. A sua sonoridade esmagadora – pesada e densamente embrumada por uma efervescente e urticante lisergia que nos conserva num inamovível estádio de profunda prostração – agiganta-se numa mastodôntica avalanche de negrura locomovida a demoníaca ferocidade e intensa toxicidade. - NT
(Lê a review completa a este disco no blog El Coyote)



 

 

Beirut-GallipoliHorisont - Sudden Death (Century Media)


Depois de um começo discográfico essencialmente pautado pelas ardentes, vistosas e emocionantes galopadas à rédea solta, esta já consagrada formação nórdica – sediada na cidade de Gotemburgo – tem vindo a investir todo o seu tempo e disposição criativa no lado mais melódico, orquestral, estival e radiofónico do classic rock, primando por uma elaborada heterogeneidade musical que se vai uniformizando e amadurecendo de obra para obra. A sua sonoridade de aura carismática, apurada composição, fácil digestão e pronta fascinação – com indiscretos vestígios dos clássicos americanos Styx na sua fórmula – é conjugada no pretérito, ressuscitando a saudosa e gloriosa fragrância revivalista do hard rock tricotado e sintonizado no final dos anos 70 e início dos anos 80. Um airoso, magnético e delicioso néctar via auditivo de roupagem e maquilhagem vintage que com o acumular de renovadas audições integrais nos vai namorando e conquistando de forma progressiva. - NT
(Lê a review completa a este disco no blog El Coyote)



 

 

Boy-Harsher-CarefulInfant Island - Beneath (Dog Knights Prods.)


Ouvimos a revelação que é Beneath e sabemo-lo logo: os norte-americanos Infant Island são um dos mais excitantes nomes do screamo contemporâneo. Neste potente novo álbum, berros agonizantes unem-se a melodias de guitarra assombrosas e a uma bateria possante (por vezes também cadenciada e algo inquietante, como no início de “Here We Are”) para a criação de uma atmosfera simultaneamente bela e sufocante, como se a escuridão se transformasse, paradoxalmente, na luz que seguimos para atingir a desejada catarse. Ocasionalmente, breves passagens melódicas profundamente cinemáticas proporcionam a pausa que urgentemente necessitamos para respirar, mas é do emotivo clima de intensidade – sonora, emocional, até física (ouçam o noise colossal de “Signed in Blood” e deixem-se arrepiar pelo que parece ser a banda sonora de um pesadelo esquizofrénico) – que o disco vive e se alimenta. Inspirado pelo legado de bandas como Pg.99 ou Majority Rule (Matt Michel é, aliás, responsável pela produção e mistura do álbum), Beneath é uma das mais desafiantes e ambiciosas propostas de música pesada – aqui levada ao limite das suas barreiras estilísticas – lançadas este ano. - JA



 

 

Candlemass-The-Door-To-DoomKŁY - Wyrzyny (Pagan)


O segundo disco polaco em tópico é o segundo dos anónimos KŁY, sob edição da enorme Pagan Records. Quanto a este, a WAV. teve o privilégio de o celebrar em entrevista com a banda no início do mês – leiam-na aqui. Sendo que Szczerzenie foi um dos meus álbuns preferidos de 2018, é difícil ser imparcial com este novo contributo, mas independentemente dos gostos, Wyrzyny é uma clara evolução do seu antecessor. Além dos familiares riffs gélidos e cavernosos gritos que acentuam dor, ansiedade e desespero, alimenta-se uma neblina que pronuncia as melodias e a própria ilusão estratosférica da vida. Se a banda já havia emoldurado transições enormemente bem conseguidas em Szczerzenie, faixas como “Burza (My rozgwiazdy)”, “Nadwołkowyjskiej nocy liczba pojedyncza” e a emotiva “Trójząb” (que conta com intervenção do muito acarinhado Nihil dos Furia) tornam este disco mais do que capaz de deixar o ouvinte vidrado num estado de devaneio total. - JMA



 

 

Dream-Theater-Distance-Over-TimeLettuce - Resonate (Round Hill)


Um núcleo prog-jazz com movimento funk, soul firme, tem alma, tem espírito, feeling e calor: para quem os Lettuce surgem como uma espécie de easter egg, são trailblazers multifacetados com olho para dinâmicas. O ritmo está a ser esmiuçado, dobrado, partido e emprestado a diferentes géneros musicais que expõem a música à luz certa. Temos “Blaze” a lançar a primeira pedra puramente prog-jazz; temos “Moksha”, faixa encharcada de THC, adornada de sonoridades indianas; temos “House of Left” com um corpo apropriadamente house; temos um feature de Jungle Boogie com funk à descrição em “Checker Wrecker”. Resonate chama por toda a nossa atenção e tem-na. No decorrer de uma carreira já consistentemente inovadora, permanecem estimulantes e diligentes na tarefa de comunicar uma grande, contagiante e sincera celebração pela vida, numa atmosfera onde está tudo bem. - BF



 

 

Fange-PunirLittle Simz – Drop 6 (Age 101)


Se há palavra que realmente define o novo EP da britânica Little Simz, gravado em regime de confinamento e lançado somente um ano após o brilhante GREY Area, essa palavra é urgência. Um sentimento palpável que vai muito além da brevidade das canções (apenas uma ultrapassa os três minutos de duração) e que se reflete também na batalha que a artista travou, e documentou no Instagram, com a sua auto-estima e saúde mental durante o processo de composição – uma luta incansável por manter acesa a chama da criatividade num período marcado pela certeza de que tudo é incerto. Música verdadeiramente apaixonada e direta, frequentemente sustentada pela força pujante das palavras e onde, por vezes, um certo sabor a carência e ansiedade se faz notar – frases como “crabs in a barrel like, everybody's in this” espelham, como um diário a ser transformado futuramente em documento histórico, a inquietante atmosfera dos últimos meses. É a estranheza surreal de 2020 passada para o papel e imortalizada num poderosíssimo trabalho com a assinatura de uma das mais talentosas rappers da atualidade. - JA



 

 

Fange-PunirMoses Sumney – græ (JagJaguwar)


Contam-se pelos dedos os álbuns recentes com a capacidade de abordar os receios primordiais da geração millenial de uma forma tão bonita, eloquente e arrojada. Para Sumney, esses medos são autobiográficos, articulados através de uma forte perspicácia criativa. E mesmo que o conceito não seja assumido enquanto importante, considerando quaisquer opiniões pessoais, e embora seja difícil anulá-lo totalmente, devemos ouvi-lo só pela elegância na voz e os falsetos de coro da igreja. Devemos deixar-nos ficar pelo uso e abuso inovador de efeitos, trabalhados em opostos entre o polido, o nítido e o acústico, versus a distorção profunda, o elétrico ou o reverb. Uma seleção de instrumentos resultou num álbum anfíbio, que se interceta com a dissecagem de tópicos perturbadores. g expressa emoções enormes e Sumney deu-lhes autenticidade. - BF



 

 

Fange-PunirNídia – Não Fales Nela Que a Mentes (Príncipe Discos)


Se o álbum de estreia, intitulado Nídia é Má, Nídia é Fudida, nos contagiava com uma fantástica explosão de adrenalina abraçada a ritmos de inspiração africana, esta recente proposta (ao qual já se seguiu um EP editado este mês) de uma das mais brilhantes produtoras da Príncipe Discos explora territórios mais introspetivos, quase ali a entrar no campo do ambient sem abandonar as raízes bem plantadas no universo da música de dança. Mostra uma Nídia a desafiar as expectativas do ouvinte ao criar composições difíceis de catalogar, que não se situam especificamente no kuduro, afro-house ou tarraxo (essas linguagens são diluídas ao ponto de surgirem mais como evocações do que manifestações diretas) e que nos fazem sentir que estamos a ser introduzidos a uma nova versão da artista que já conhecíamos. Uma obra desafiante, extremamente urbana de um modo particularmente emotivo, que se reveste de uma curiosa melancolia doce mas que encontra na força de ritmos dinâmicos a luz pela qual se deixa guiar. - JA



 

 

astronoid-album-coverOdraza - Rzeczom (Godz Ov War Prods.)


Para completar a trilogia polaca de maio, sublinha-se o inesperado retorno de Odraza, dupla de Cracóvia composta por Priest e Stawrogin! É curioso como este acaba por ser um dos três projetos que ambos partilham juntos (Totenmesse e Massemord). Stawrogin toca também em Gruzja, ao lado do acima mencionado PR (Faustyna “IHS” Moreau) de Biesy, e dito isto, é realmente um understatement afirmar que a cena polaca está toda interligada. Apesar de terem lançado um dos discos mais celebrados da vanguarda europeia (Esperalem tkane) a dupla é estranhamente recente. Esse último foi lançado em 2014, e seis anos depois voltam ao mapa com Rzeczom. Um diário que acumula excertos de inspiração, mitos, projeções, aparências, medos e morte. Com uma narrativa complexa e multidimensional, a escrita tornou-se, por sua vez, bem mais direta e despida. Como um assalto anatómico sob forma de black metal furioso e amplo, perde-se noção da enormidade de Rzeczom. Memorável ou não, serve-se como mais um capítulo do legado que é Odraza. - JMA



 

 

Beirut-GallipoliOkkultokrati - La Ilden Lyse (Southern Lord)


Seis, seis, seis. É quanto basta para botar fogo a qualquer barraco abandonado. Poucos se podem gabar de alternar assinaturas de estilo tão subtilmente, sobretudo quando se fala da possivelmente não-tão-original mistura de punk, black metal e rock’n’roll. Coincidência ou não, estes noruegueses conseguem-no na perfeição, abrangendo uma audiência desavergonhadamente diversa de álbum para álbum. Os ecos de aviso alinham-se com a voz urgente e este quinto trabalho da banda transporta-nos diretamente para aquele vórtex perdido entre os anos 80 e 90, numa onda muito Motörhead e Darkthrone-inspired. A bateria midtempo agarra-nos pelos cabelos (por mais curtos que sejam) e a guitarra repetitiva, com um je ne sais quoi psicadélico, alimenta uma violenta máquina que nos arrasta até ao moshpit tão cuidadosamente montado na nossa sala de estar. Groove a dar com um pau. - AT



 

 

Boy-Harsher-CarefulRose City Band - Summerlong (Thrill Jockey)


É ainda de lucidez sonegada, sentidos aturdidos e alma massajada pela ataraxia que vos escrevo estas apaixonadas palavras dedicadas ao segundo e novo álbum a solo do talentoso multi-instrumentista norte-americano Ripley Johnson (Wooden Shjips e Moon Duo). Summerlong presenteia e prazenteia o ouvinte com um frutado, saboroso e adocicado cocktail sonoro de onde espontaneamente se reconhece e apalada um solarengo, veraneio, sumarento e deslumbrante psychedelic rock de clima West Coast, roupagem vintage e bússola apontada a clássicas referências do género como Grateful Dead, Creedence Clearwater Revival e Relatively Clean Rivers, um bucólico, envolvente, eloquente e melancólico folk de desarmante maviosidade, um magnetizante, imersivo, meditativo e dançante krautrock de cadências repetitivas, e ainda um arejado, desértico, profético e embriagado country rock de carismática ambiência western. Eis a banda-sonora perfeita para o verão que se avizinha. - NT
(Lê a review completa a este disco no blog El Coyote)



 

 

Candlemass-The-Door-To-DoomSex Swing - Type II (Rocket)


Banda filha das vísceras do UK underground, Sex Swing é uma reunião de ferramentas eficientes – também lhes podemos chamar de músicos – na acumulação de tanto desconforto e agressividade quanto necessário à sua definição. Type II é uma válvula de aquecimento, o som da raiva do mecânico e do elétrico, com um baixo tão nítido que conseguimos ouvir as cordas a bater, onde cada pequeno acrescento, desde o zumbir dos sintetizadores, gritos e gemidos quase (e talvez) humanos, ou os saxofones, vão e vêm em arrepios com ar de suspeita entre si. Lançaram as mãos ao sistema nervoso humano, a sua relação com a violência e desta com o prazer, através de um enorme mural de som que nos diz que algo está pronto e cheio de entusiasmo para estalar em tempo indeterminado. - BF



 

 

Dream-Theater-Distance-Over-TimeTesa - C O N T R O L (My Proud Mountain)


Aparece entretanto este álbum de black-out, talvez quando mais precisamos dele. Cru, contemplativo e provocador. C O N T R O L é a narrativa de um processo de quebra, a introduzir riffs que são confissões de amor ao desamparo, com uma secção rítmica com o poder de tambores de guerra, elementos emprestados de bandas como Converge ou Cult of Luna, mas com um toque muito próprio. Os elementos eletrónicos, alguns a soar a curto-circuitos ou sinapses a comunicar, estão inteligentemente posicionados de forma a atingir uma reação, e fazem-no de forma precisa, quase cirúrgica – como o arranhar de um glitch antes da entrada de um eco enorme de coro de igreja, não só a servir de final, mas a deixar a música romper-se em si mesma. C O N T R O L é um assalto aos sentidos, porque agarrou neles e forçou-os a acordar e a existirem por si só. - BF



 

 

Fange-PunirXibalba – Años En Infierno (Southern Lord)


O hardcore americano já deu ao mundo uma miríade de nomes que hoje em dia são amplamente celebrados. Bandas que, de forma tradicional, começam na obscuridade total, como Code Orange, Turnstile, Power Trip, Rotting Out, e que eventualmente se tornam nomes de grande calibre. Xibalba pertence a essa mesma geração de bandas e, apesar de não celebrar a mesma porção de fama, tornou-se num dos grandes nomes do underground metal. Tendo em conta que começaram no beatdown hardcore e que lentamente transitaram para o metallic hardcore, a banda sempre namorou com tantos outros elementos como o drone, o doom e até o death metal. Años En Infierno não só marca o barómetro como o disco mais pesado da banda até hoje, como o faz em total sintonia e acentuação no death. Ainda com a paisagem de fundo nos paralelos entre os submundos da mitologia maia e a realidade dos dias de hoje, a música de Xibalba continua tão aterradora e assustadora como sempre o foi. - JMA



 

Artigo escrito por: Andreia Teixeira (AT), Beatriz Fontes (BF), João "Mislow" Almeida (JMA), Jorge Alves (JA) e Nuno Teixeira (NT).
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