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Overall Novembro 2019

16 de Dezembro, 2019 ListasWav

Sem qualquer ordem, a não ser alfabética, apresentamos os discos lançados em novembro de 2019 que mais marcaram a nossa redação.

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Os 25 melhores álbuns internacionais de 2019

Overall Outubro 2019
 

astronoid-album-cover(DOLCH) - Feuer (Ván)


Sendo este o primeiro de uma trilogia de álbuns, Feuer entra para criar uma termosfera bruta e fatalista de som esfumado. A repetição é utilizada em benefício próprio, presente sobretudo no uso rítmico da voz robótica humanóide que veio dar a músicas como "Halo" e "A Love Song" o andamento desejado. A voz hipnótica de Arne, a puxar por vezes pelo canto gregoriano, estabelece duas camadas opostas em paralelo nas músicas: riffs grossos, o peso esmagador posto na bateria, toda aquela sensação de queda-livre lenta do doom, que se opõe a uma presença vocal magnética e honestamente reconfortante. - BF



 

 

Beirut-Gallipoli10,000 Russos - Kompromat (Fuzz Club)


A sujidade e a voltagem do desânimo inglês de música agressivamente texturada por uma coleção de ritmos latejantes que a invasão dos 10,000 Russos fez entrar no underground português, só surge mais tensa com um disco industrializado por descargas de energia circundantes. A manta de retalhos da expansividade psíquica, do eco e do groove estremecido ou o minimalismo do krautrock, incham num álbum que é ainda mais deles. Alguém que faça o próximo Trainspotting meets Fight Club meets filme centrado num lowlife filho de um beco escuro de Bristol, só para que Kompromat seja banda sonora. - BF



 

 

Boy-Harsher-CarefulBeck - Hyperspace (Capitol)


Beck dispensa apresentações, assim como a sua postura camaleónica dentro do panorama musical. Em Colors, chocou os fãs a explorar as bases da música pop e a criar refrões catchy, que aguardavam uma nova viragem, um novo registo. Na ideia, Hyperspace aparece com uma continuação desse registo, mas na execução a conversa é outra. O álbum aponta o olho ao revivalismo gamer e sonoro dos anos 90, mas falha ao manter essa identidade. Na realidade, Hyperspace é um álbum de R&B, sem refrões catchy ou melodias marcantes. É um aglomerado de sons de realidades diferentes que muito francamente estranha-se, mas que muito surpreendentemente entranha-se. As músicas têm corpo e densidade, e cada audição é uma surpresa. No entanto, há uma grande falha: apesar de curto, o disco é extenso, e é notório quando uma faixa é adicionada para fazer número para um álbum. Não é o Beck que conhecemos, mas é o Beck que queremos na viragem da década. - JR



 

 

Candlemass-The-Door-To-DoomBlack Bombaim & João Pais Filipe - Dragonflies with Birds and Snake (Lovers & Lollypops)


Tendo em mente a ideia de dar ao filme do mesmo nome, de Wolfgang Lehmann, uma nova banda sonora, o tribalismo na percussão, cortesia do polivalente João Pais Filipe e a mão psicadélica dos Black Bombaim estratificam-se perfeitamente em Dragonflies with Birds and Snake. Este disco veio composto por três faixas de alongamento habitual aos Black Bombaim, e tem de tão abstrato quanto de coerente à sua inspiração, um ecossistema de sons turbulentos construídos numa dinâmica de inconsistência de tensões. - BF



 

 

Dream-Theater-Distance-Over-TimeBlood Incantation - Hidden History of the Human Race (Century Media)


Custa a acreditar que nos cruzamos com expressões como space slams ou cosmic death metal... Até carregar no play. Um verdadeiro riff fest, constantemente desafiado por um baixo quase alienígena e uma bateria sobre-humana. As referências passam por Death, Demilich e Morbid Angel, mas o som é só deles. Uma infusão de psych e doom com o melhor do old school death metal, sem falar dos inesperados interlúdios, dignos de qualquer bom filme sci-fi. Atmosférico, mas sem defraudar brutalidade, apresenta-se como um incontestável candidato aos clássicos do underground. Transdimensional. - AT



 

 

Fange-PunirChico da Tina – Minho TrapStar


Basta percorrer as tendências do YouTube para vermos que todas as semanas todo ele está cheio de músicas de hip-hop e trap tuga. Um fenómeno filho da Internet, que trocou as voltas ao cenário musical português. De um relacionamento incestuoso entre a Internet e a Tradição, surge Chico da Tina, que apresenta um universo musical, cultural e territorial desconhecido de grande parte da população. Entre o trollanço e a subversão, em Minho TrapStar mistura-se o trap às maiores tendências do cancioneiro das Feiras Novas, e serve-se um prato bem quente e condimentado de sarrabulho sonoro português. - JR



 

 

Fange-PunirDecoherence – Ekpyrosis (Sentient Ruin)


Perfeitos desconhecidos dos confins do Reino Unido, aqui permanecem sem origem e destino exato nesta viagem sonora. Decoherence são legítimos senhores da próxima dimensão com Ekpyrosis. Um extrato paisagístico em estado constante de exploração e contemplação, com black metal a emoldurar um banho sideral de cores e texturas, e a crueza crucial a complementar e elevar a melodia deste matemático e anatómico labirinto. Ideal para quem gosta do seu black mais emaranhado e perplexo. - JMA



 

 

Ithaca-The-Language-Of-InjuryFrail Body – A Brief Memoriam (Deathwish)


O screamo continua a ganhar atenção como nunca. Neste preciso momento, são os Frail Body que estão debaixo do holofote com o seu disco de estreia A Brief Memoriam. Além da grandeza deste ser lançado pela Deathwish, editora de Jacob Bannon (Converge), a própria substância do conteúdo lírico eleva-o muito além dos restantes discos de hardcore punk deste ano. Malhas como “Your Death Makes Me Wish Heaven Was Real”, “Aperture” e “Cold New Home” debruçam-se sobre tópicos como o luto, insegurança, a saúde mental e tudo o que torna esta vida num filme a preto e branco. O som, por sua vez, contrasta com brilhante vivacidade de forma avassaladora e memorável. - JMA



 

 

Kaleikr-Heart-Of-LeadLiturgy – H.A.Q.Q.


Já há algum tempo que o black metal se demonstrou merecedor de bem mais do que uma prateleira empoeirada do universo trve. Hunt-Hendrix relembra-nos disso através deste projeto, sediado naquele tão interessante hotspot que se tornou NYC. O quarto lançamento deste ato experimental representa com enorme precisão a harmonia no meio do caos. Entre vibrafones, pianos e harpas, venha o diabo e escolha. Delicadas melodias contrastam com momentos de violenta desconstrução, onde as mais diversas texturas electrónicas se misturam com shrieks e burst beats (citando o próprio). As componentes de jazz são vincadas, mas de smooth não têm nada. Sem medos. - AT



 

 

Panda-Bear-BuoysLord Mantis - Universal Death Church (Profound Lore)


Depois de recorrentes conflitos, e com um peso enorme em cima após o recente suicídio do baterista, é realmente surpreendente ver Lord Mantis a retornar aos discos. Sendo que as motivações da banda nunca foram propriamente positivas ou decentes, Universal Death Church serve, em primeiro lugar, como um tributo ao falecido Bill Bumgardner. Em segundo, serve para se reforçar de forma ingloriosa e suja em todo o lamaçal humano a que a banda nos tem habituado ao longo dos anos. O sludge é palavra recorrente, mas o pedal duplo, os blast beats, e os memoráveis hooks, sangram num resultado amplo, musculado e oh tão odioso. Impossível ficar indiferente à monstruosa “Qliphotic Alpha”. - JMA



 

 

Primitive-Man-x-Hell-splitLuggage - Shift (Corpse Flower)


Shift é mais uma adição sólida a uma discografia impecável que é a de Luggage. A já reconhecível borderline passiva-agressividade da voz e os temas a tocar na auto-depreciação e redenção formam a sonoridade críptica do disco. Aqui está um álbum imponente, com tiros de tarola persistentes, o rosnar enrijecido do baixo e das guitarras moody. Mesmo com "Watching" como momento de maior sossego, acaba por se inflamar de forma orgânica. Shift coloca-se no intermédio da agressividade apática, a terminar com um aviso de que está para estalar qualquer coisa, com breaks longos entre estouros em uníssono que nos fazem prestar atenção, esperar por eles, e voltar de novo à primeira faixa. - BF



 

 

Soen-LotusMichael Kiwanuka - Kiwanuka (Interscope)


Num álbum homónimo, Michael Kiwanuka apresenta um trabalho que vale todos os arrepios que provoca. Um álbum com referências inegáveis ao passado que são intemporais, curvando-se perante géneros e movimentos musicais nascidos da sonoridade africana e afro-americana, de forma intencional, considerando também o peso político das letras. A sensibilidade na composição trouxe inclusões ricas, cheias de toda a alma que merecem: pianos, violinos, harpa, a estática nos sintetizadores, a distorção leve das guitarras ali a preencher, linhas de baixo a aquecer, um órgão vox, os efeitos na voz, os voiceovers. Trata-se de uma experiência espiritual em formato panorâmico. - BF



 

 

Young-Gods-Data-Mirage-TangramMoor Mother - Analog Fluids of Sonic Black Holes (Don Giovanni)


Industrial, noise ou hip-hop são apenas alguns traços que encontramos na discografia da rapper e poetisa Camae Ayewa, ou Moor Mother. Alguém capaz de usar infinitas influências para gritar injustiças e semear desconfortos. Neste quarto álbum, debruça-se sobre o passado, presente e futuro do pós-colonialismo. A sua voz incisiva mistura-se com vários instrumentos, outras vozes e outras línguas, sons urbanos e sons naturais, sempre tão reais. Durante pouco mais de meia-hora constrói um ambiente hostil, sem nunca perder o controlo… Nem as raízes. A História contada através de exploração sónica vem relembrar-nos uma liberdade efémera. - AT



 

 

Vanum-Ageless-FireSereias - O País a Arder (Lovers & Lollypops)


O nosso historial de poetas políticos sempre deixou muito a desejar. Ainda temos um Manuel Alegre para nos relembrar de tal. Ora, António Pedro Ribeiro, o homem que dá a Voz (da alma à sua expressão sonora) aos Sereias, também ele percorreu os caminhos da política e da poesia. Figura marginal da 6.ª arte, cunha a sua contestação poética com uma visceral ironia e irritação contra o conformismo, o que torna o poder da sua palavra um jargão intemporal do PREC às Operações Marquês desta vida. Com os Sereias encontra assim uma extensão à projeção dos seus ideais, e em jeito de punk-jazz entrega-nos O País a Arder. - JR



 

 

Xiu-Xiu-Girl-With-The-Basket-Of-FruitTeeth - The Curse of Entropy (Translation Loss)


Não há dúvida que 2019 tem sido o ano do death metal. O predomínio do género nos Overalls tem sido notável, com uma ampla seleção de discos superlativos desde Tomb Mold, Gatecreeper, Mortiferum, Krypts e o acima mencionado Blood Incantation. Teeth encabeça agora o fecho do ano com um disco que promete causar estrago a sério, desde o primeiro ao último minuto. Fugindo muito à norma e à moda da estética mais atmosférica e/ou aprofundada no lo-fi cavernoso, The Curse of Entropy é claro e destemido. Os Teeth desenham com mecânica determinação uma indiferença total ao que o ouvinte pode achar agradável ou não. Mesmo a encavalitar uma escrita monstruosa com um fio condutor indescritivelmente bem trabalhado, é difícil não apontar uma faixa que não seja simultaneamente feroz enquanto executada de forma irrepreensível. - JMA



 

 

Yeruselem-The-SublimeWhirr - Feels Like You


Whirr é o exemplo perfeito de como não se pode deixar a estupidez humana estragar uma coisa tão bonita. Apesar de todas as condições para terem sucesso, tudo caiu por terra por uma série de piadas de mau gosto. Estes acabaram por sofrer em conformidade ao tópico e foram sentenciados a um silêncio de quatro anos, com um disco de despedida por lançar, sem editora e sem condições de voltar a tocar. Quatro anos não apagam o que aconteceu, mas dá perfeitamente para ver o sucesso que teriam tido se não tivessem descarrilado pela mania dos memes do Twitter. Detalhes à parte, Feels Like You é uma obra prima calorosa, cadente e nostálgica de shoegaze e alt rock. Se realmente for uma despedida, está à altura disso. - JMA



 

Artigo escrito por: Andreia Teixeira (AT), Beatriz Fontes (BF), João "Mislow" Almeida (JMA) e João Rocha (JR).
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