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“Metade do trabalho é ter mente aberta”, Márcio Laranjeira (Lovers & Lollypops)

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Do catálogo da Lovers & Lollypops fazem parte grandes valores da música nacional como Black Bombaim, Killimanjaro, Equations, Dreamweapon, Jibóia ou Sequin, entre outros. Mas a Lovers & Lollypops não só é uma das principais editoras do país, mas também uma das principais promotoras. A juntar aos excelentes artistas que vão trazendo a salas nacionais, desde 2010 organizam em Barcelos o já mítico Milhões de Festa. O tal festival da Piscina e dos nomes que ninguém conhece, mas que ao fim toda a gente relembra como concertos incríveis e nomes a seguir.

Márcio Laranjeira é um dos homens fortes da Lovers & Lollypops, ao lado de Joquim “Fua” Durães, e na tarde antecedente ao recente concerto de Flamingods no Porto, estivemos à conversa com ele sobre a editora, sobre a visão dele do mundo da música e claro, sobre o Milhões de Festa. O festival começa já esta semana e levantou-se um pouco o véu do que se vai passar e desvendaram-se certos segredos que tornam este num dos mais únicos festivais em Portugal.

 

Como é que começaste a entrar no mundo da música e a perceber que podias fazer vida neste ramo?
Sou natural de Barcelos e sempre tive uma relação próxima com pessoas ligadas ao mundo da música, quer a tocar, quer a organizar. Sou amigo do pessoal dos Black Bombaim desde miúdo, eles moravam na mesma rua que eu. Sou designer e na altura também fazia uns cartazes para o pessoal. Quando acabei o secundário fui estudar para Bragança, onde conheci o Nuno Biónico, que já organizava alguns concertos, e eu achei que também havia espaço para fazer coisas lá e então comecei a organizar concertos lá na faculdade: Riding Pânico, If Lucy Fell, Black Bombaim. Depois desses dois anos fui morar um ano para Inglaterra, onde continuei a frequentar concertos, e quando voltei vim para o Porto e comecei a trabalhar com a Lovers. No inicio como colaborador e depois de uma forma muito mais ativa, até ficar a 100%, numa altura ainda prévia ao Milhões. Não me recordo de não estar ligado à música.

 

Hoje em dia a Lovers & Lollypops é já uma editora importante no panorama português e certamente muito requisitada. Como é que escolhem os artistas com quem trabalham?
Nós tentamos editar quem nos entusiasma e onde vemos potencial para termos uma coisa em que nos orgulhemos de colocar cá fora. Não quero com isto dizer que fora do que editamos isso não aconteça. Mas basicamente, temos de gostar mesmo com quem estamos a trabalhar pois de outra forma não conseguimos vender esse produto. Se estou a trabalhar num produto que não gosto, é difícil passar esse gosto e entusiasmo quer a promotores, quer à imprensa. A primeira e única característica é que aquilo que os artistas estão a fazer vai de encontro ao que nós gostamos e sentimos à vontade de trabalhar. Depois há outros fatores como termos uma relação pessoal boa. Não tem que ser uma relação estreita, normalmente não é ao início, mas com o passar do tempo acaba por ficar quase sempre.

 

E entretanto também já estão a editar bandas estrangeiras. Os Flamingods, por exemplo.
É uma oportunidade que não podíamos recusar. É uma banda que gostamos bastante já há algum tempo, desde o primeiro disco. No ano passado tivemos a oportunidade de os ter no Milhões, eles ficaram lá os 3 dias e durante esse tempo gerou-se grande “bond” entre nós. Notámos que nos entusiasma tanto a música como a visão deles e do que eles querem, que tem muito a ver da forma como a Lovers & Lollipops se vê neste mercado. Eles tinham este disco para lançar e entraram em contacto connosco, se queríamos editar o disco deles e nós dissemos logo que sim. Este ano também vamos ter outras edições internacionais mas não vemos isto como uma checklist. Na compilação de Natal da Lovers já tínhamos trabalhado com eles, com os Lay Llamas e com o Isaiah Mitchell. Acaba por ser uma consequência das relações que fomos criando ao longo dos anos. Mas uma das primeiras edições da Lovers é de uma banda italiana, os OvO.

 

Achas que o mercado de música alternativa ainda tem muito por onde crescer em Portugal?
Eu acho que estamos a viver uma altura muito engraçada e que vai decidir muito do que vai ser isto daqui para a frente. De repente há um mercado de festivais gigante e público para esse mercado de festivais. Há festivais de todos os tipos, de todos os tamanhos, de todos os formatos, de todos os tipos de cartaz, e por norma correm bem. Os que estão organizados e têm uma ideia por trás e bom planeamento correm bem. Há esse público mas ao mesmo tempo há uma falta de público de concertos de sala. Atualmente a maioria do público prefere ir ver vinte bandas de uma vez e está feito, se calhar só voltam a ver mais concertos no próximo ano. Há aqui um paralelismo que não é producente porque uma banda não consegue sobreviver só do que toca no verão, nem o público poderia só consumir música dessa forma. Estamos numa altura em que não temos muito mercado, um nicho muito pequeno de pessoas que vão a concertos e que compra discos, a não ser que seja um nome grande, embora a venda de discos até  tenha crescido em relação aos outros anos. Com algumas bandas vendemos muito mais para fora do que em Portugal. Black Bombaim vende muito mais no estrangeiro e até os Killimanjaro já começam a vender bem lá fora. Os Dreamweapon venderam muito mais discos para os EUA e para a Alemanha do que cá. O que falta ajustar para esta cena se tornar bastante forte é conseguir canalizar todo esse público que vai a festivais e que se comecem a habituar a ser também um público de sala. De há uns anos para cá acho que o público também perdeu muita curiosidade. Antigamente ia-se ver um concerto, pagava-se 3 ou 4 euros e ao fim podia ter sido bom ou mau, mas tinha-se visto uma banda nova. Hoje em dia joga-se mais pelo seguro, as pessoas só vão se já conhecerem.

 

Tirando algumas exceções, costumam lançar quase tudo só em vinil.  Porquê  essa preferência em lançar os discos em vinil?
A Lovers começou como uma editora de CD, mas o vinil foi sempre um formato que pessoalmente gostamos bastante. Eu, por hábito, quando compro música, costumo comprar sempre vinil. Não vou dizer que é por causa dos graves mas é pelo objeto em si, o artwork com aquele tamanho e toda uma série de coisas ligadas a esse formato. Para algum tipo de bandas, mesmo em termos comerciais, acho que é a melhor aposta. Mas também não podemos nivelar tudo igual, uma artista como a Sequin é muito diferente de um artista como Killimanjaro, e a forma de trabalhar o produto também é muito diferente. Acabamos também por adaptar o formato a cada artista e a forma como achamos que ele pode vingar melhor no mercado. Sempre que é possível, o vinil é um formato que gostamos de trabalhar por todas as possibilidades que ele tem, especialmente a nível de artwork. A esse nível tentamos também trabalhar sempre com artistas e designers diferentes de que também gostemos.

 

Bandas vossas como os Black Bombaim, Dreamweapon ou Jibóia já começam a ter datas em festivais estrangeiros na europa central e Inglaterra. Há perspetivas para as levar para lá do Atlântico, numa tour nos EUA, por exemplo?
Os Black Bombaim já vão agora no próximo outono, vão fazer uma tour de uma semana na Califórnia. É engraçado porque nós não temos distribuidora nem imprensa lá, é mesmo o resultado de passa-palavra e de terem amigos como os Earthless, que gostam bastante deles e os recomendam aos próprios promotores. Para os Dreamweapon ainda não há nada marcado nos EUA mas vão ter uma tour europeia em setembro com passagem pelo Liverpool Psych Fest. A cada edição tentamos sempre levar as bandas o mais lá fora possível. Se estás num estado dos EUA tipo o Arkansas não vais só trabalhar o Arkansas, vais trabalhar os estados todos e eu tenho essa visão para Portugal com a Europa. Há livre trânsito, transporte e pode-se ir para todo o lado e tentar chegar ao maior número de pessoas possível.

 

E achas que uma banda portuguesa como essas consiga ter um sucesso estrondoso lá fora a curto prazo?
Possivel é, mas em Portugal não temos a mesma estrutura que outros países, principalmente a nível público. A Espanha tem um governo a trabalhar a música independente há vinte anos e começou-se a ver bandas a sair como El Guincho ou Delorean. Há um gabinete de exportação de música em que o governo faz showcases no SXSW de Austin e em mercados de música. Quando não se está no mercado anglo-saxónico isso ajuda bastante. Agora a Dinamarca também está muito forte a exportar, encontraram o target deles e estão a conseguir exportar bastante bem. Pode parecer espontâneo a quem está de fora mas existe muito trabalho por trás. Bandas como os Paus, Buraka ou Moonspell, a projeção que acabam por ter lá fora deve-se a trabalho só deles e não tiveram ajuda a nível público. Portanto, não havendo essa coesão, tem que haver um alinhamento de fatores muito maior. Mas é possível acontecer.

 

Achas que em Portugal há mercado para o crescente “boom” de festivais ou invariavelmente irá haver um crash a certa altura?
Sinceramente acho que vai, porque isto acaba por ser uma moda de uma geração e a que vier atrás já não vai querer o mesmo. Já aconteceu um milhão de vezes e vai voltar a acontecer aqui. Todos os anos aparecem 10 e desaparecem 20. Aqueles que se calhar não tinham uma estrutura financeira tão boa nem uma ideia forte acabam por desaparecer. O que já está a acontecer um pouco em Inglaterra e nos EUA é que de repente o público cansa-se de ir a festivais, fica-se velho e já não se tem paciência. Mesmo nós com o Milhões, temos vindo a ver todos os anos mutações do público que vai ao festival. O público que foi em 2010 e 2011, a nível de comportamento e do que procuram no festival, é muito diferente do público que foi em 2014 e vai agora em 2015, e do que irá em 2020. Nos festivais antigos vê-se bem isso, Paredes de Coura já esteve no píncaros, como depois teve muito pouca gente e em perigo de acabar, e agora está outra vez no topo. Há estrutura para manter os festivais e esses são os que perduram mesmo na mó de baixo. Se me perguntares se as Galerias de Paris vão ser a noite do Porto para sempre, também não, vai haver um bairro que vai aparecer e ficar na moda. É um ciclo.

 

Como é que vocês com Milhões de Festa se vão adaptando a essas mudanças de comportamento?
Nós achamos que o que diferencia o festival e o que faz com que as pessoas escolham ir é a sensibilidade a nível de programação. Esta tentativa que temos, que às vezes nem sabemos se passa assim tão claramente, é de tentarmos fazer uma programação entusiasmante, que aqueles concertos de alguma forma marquem quem os vê. Fomos crescendo, não somos as mesmas pessoas que éramos em 2010 e não ouvimos as mesmas coisas ouvíamos nessa altura. O festival vai mutando e nós também vamos aprendendo. As coisas que funcionam vamos batendo nelas, as que não funcionam vamos deixando de lado. E claro, nós não fazemos o festival para nós, tentamos perceber sempre de que forma é que a nossa ideia consiga chegar às pessoas da melhor maneira. Tentamos sempre nunca tomar nada por garantido, nem que o modelo está fechado, porque não está.

 

No ano passado, na teoria, tiveram um dos cartazes mais fortes da história do festival mas não se traduziu em número de público, desceu até um pouco em relação ao ano anterior. A que se deveu isso?
A questão do mais forte também é relativo. Para que gosta de música psicadélica, música mais pesada, de guitarras, aquele foi um cartaz fortíssimo. Estou super orgulhoso e adorei conseguir ter no mesmo ano bandas como High on Fire, Earthless ou Cult of Dom Keller, toda aquela gente ali junta. Nós vimos essa edição como o final de um ciclo. O Milhões não é um festival de stoner, nem de rock psicadélico nem de música eletrónica. Notámos que algum do público onde chegávamos mudou para outro lado, porque agora há oferta de festivais mais específicos, mais em conta do que esse público procura. Este ano não temos tantas guitarras no alinhamento mas acabou por não ser propositado. Tínhamos um grupo de artistas que gostávamos de ter, dos quais alguns que tentamos não deram, e achamos melhor seguir por outro caminho, em vez de metermos alguém por meter só para cumprir a cota de guitarras. Achámos que não era esse o caminho e seguimos outra abordagem e pôr o festival de outra maneira. Foi completamente natural e nada estudado.

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“ Vamos ter os Drunk in Hell, que são a banda mais pesada que alguma vez tocou no Milhões de Festa. Acredito que quem vir esse concerto vai ficar a falar dele durante seis meses. ”

 

 
 
 

 
 
 
E este ano apostam muito em “world music”, que em Portugal ainda não tem grande aposta ao nível de festivais generalistas, e numa pendente mais eletrónica…
Dentro daquele espectro de nomes, tivemos a sorte de ter um conjunto de bandas que nos entusiasma bastante e que não cumprem com esse requisito de ser uma banda de guitarras. Nós não podíamos dizer não aos Deerhoof, nem o Michael Rother, nem aos Peaking Lights, nem ao The Bug. São nomes que fazem parte da forma como eu oiço música hoje em dia, são artistas que estavam disponíveis e não se podia dizer que não. Acabamos por não ter tantos nomes grandes de bandas de rock pesado mas vamos ter os Drunk in Hell, que são a banda mais pesada que alguma vez tocou no Milhões de Festa. Acredito que quem vir esse concerto vai ficar a falar dele durante seis meses. Há mais world music e eletrónica porque acaba também por ser um reflexo do que mais nos entusiasmou durante o ano e meio passado. Golden Teacher de certeza que vai ser um dos concertos do festival. Todos os anos dizemos isto e parece um bocado cliché, que este é que é o melhor cartaz de sempre, mas voltamos achar isso e é bom quando o achamos de forma sincera. É evidente que um cartaz que toca em tantos extremos não pode agradar a toda a gente, mas acreditamos mesmo que as propostas que apresentamos vão mexer com as pessoas de alguma maneira.

 

Vocês costumam dizer que gostam de levar ao Milhões aqueles nomes que mais gostam de ouvir durante o ano. E conseguem nomes que a maioria do público não conhece mas que na grande maioria das vezes acabam por dar concertos inesquecíveis. Como é que vocês fazem esse “scouting” de bandas? Como é que descobrem esses nomes incríveis que ainda quase ninguém conhece?

Tentamos ter sempre esse aguçar de curiosidade, nunca ficamos confortáveis com o que já conhecemos e já sabemos, vamos sempre à procura de gente nova, de novas editora, de novos promotores. É uma pesquisa pessoal misturada com aquilo que nos vão mostrando. Metade do trabalho é ter a mente aberta. Não temos olheiros espalhados pelo mundo, é mesmo tentar estarmos o mais atentos possível. Vivemos num grupo de amigos e de pessoas que também acabam por nos alimentar e sempre que alguém ouve uma banda vem-nos mostrar. E também há uma série de pessoas que fazem mixtapes, outras que escrevem, temos algumas referencias onde costumamos buscar informação para irmos ouvir.

 

Pegando nessas novas promotoras de que falas, vocês já desde o ano passado têm parcerias com algumas estrangeiras em que fazem curadoria no Milhões…
Sim, este ano voltamos a ter a Baba Yagas Hut e a Monkey Week, que também estiveram no ano passado. Este ano vamos ter o pessoal aqui da Favela Discos. É uma necessidade nossa de termos visões diferentes dentro do festival. A maioria da programação é feita por mim e pelo Fua, duas pessoas que se conhecem há imenso tempo e que é muito fácil concordarem um com o outro, mas às vezes também é preciso pensar-se fora da caixa e ao convidarmos essas pessoas para a programação procuramos ter visões diferentes. É claro que também não íamos convidar alguém com uma visão completamente diferente da nossa, interessa-nos que essas pessoas tragam nomes que à partida não iríamos trazer. Este ano estivemos no México numa convenção de festivais com o Austin Psych Fest e com o Liverpool Psych Fest e se calhar vão também surgir umas colaborações no futuro. Acho que é esse o caminho, de colaboração e de troca, quase uma cadeia de gente que tem o mesmo objetivo mas que não faz as coisas da mesma maneira.

 

E já desde a edição passada que começaram a comunicar o festival também para o estrangeiro…
Começámos com este picar lá fora de uma forma muito tímida, ainda com poucos parceiros e este ano já de uma forma mais séria logo desde o início da comunicação. Vemos isto também como um caminho para o próprio festival, que no panorama dos festivais europeus também conseguimos oferecer alguma coisa. Este ano já notámos algum crescimento de bilhetes vendidos no estrangeiro e é uma honra ter parceiros como a The Quietus, que é uma publicação que gostamos muito, mesmo da forma de estar deles na música. Existe um interesse real por parte deles no que está a acontecer, eles vêem potencial real no que estamos a fazer e isso entusiasma-nos muito e dá força para continuarmos a fazer as coisas.

 

E para além do cartaz, que mais novidades vamos ter este ano no Milhões de Festa?
A nível de palcos vamos manter a mesma estrutura mas vamos ter melhorias quer no palco Taina quer no recinto principal. Vamos ter uma zona de alimentação mais organizada, com alguns espaços para as pessoas estarem, e uma preocupação um bocadinho maior na decoração, em relação aos anos anteriores. Vamos ter também uma relação mais próxima com a Casazul durante os dias de festival, vai ser quase outro palco com outras atividades.

 

Das bandas menos óbvias do cartaz deste ano quais são as tuas maiores apostas? Já foste dizendo algumas…
Sem querer por ninguém de lado, destacando três ou quatro… Islam Chipsy, que vêm do Cairo e tocam com baterias do Cristiano Ronaldo (risos), acho que vai ser um daqueles concertos mind-blowing. Aquilo não soa a nada que estejamos habituados a ouvir, é completamente louco. Estão habituados a tocar em raves e casamentos para três mil pessoas lá no Egipto, com PA’s caseiros e aquilo tudo a rebentar. Os Golden Teacher, como já tinha dito, também acredito que vai ser um concerto que vai marcar. Os Drunk in Hell, os próprios Hey Colossus que têm um dos discos que mais ouvi este ano. E depois os nomes mais conhecidos do cartaz, acho que o The Bug vai ser um momento que vai fazer história naquela cidade.

 

Pegando em teres ouvido muito o novo disco dos Hey Colossus que saiu este ano, faço-te a nossa última pergunta da praxe, que é o que andas mais a ouvir de novo?
Deste ano, para além de Hey Colossus, tenho ouvido o novo dos Metz, que acho um discão. Também os Wand, uma banda da editora da Ty Segall. Não deste ano, e vindo de uma pessoa que não é nada do post-punk, ando completamente colado nos Girls Names. Nunca foi nada a minha cena mas tenho ouvido bastante.

 

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Por Bruno Pereira / 20 Julho, 2015

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