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"Venham, é uma oportunidade única", Tojo Rodrigues (Black Bombaim)

24 de Fevereiro, 2016 NotíciasBruno Pereira

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Os Black Bombaim são um dos nomes mais sonantes num panorama musical português que se agiganta cada vez mais de ano para ano. A discografia já conta quatro álbuns de originais e em outubro do ano passado tiveram uma digressão inédita na Califórnia, onde abriram para os BANG.

Desta feita, a novidade não são os barcelenses Black Bombaim, nem mais uma passagem do lendário Peter Brötzmann – saxofonista que marcou profundamente o free jazz quer na Europa, quer nos Estados Unidos da América, - por Portugal. Depois de passagens recentes pelo Amplifest e pelo Out.Fest em 2014, e por Braga (GNRation) em 2015, Peter Brötzmann volta a terras lusas, desta vez, para uma colaboração muito especial com os Black Bombaim – uma interessante colaboração entre o espacial free jazz de Brötzmann e “a maior nave espacial do stoner português”. Já dizia o outro, prognósticos só no fim do jogo, e só os presentes no Festival Rescaldo (Lisboa, 26 de Fevereiro) ou no Porto (Hard Club, 27 de Fevereiro) é que nos poderão dar esse tão esperado “prognóstico”.

E foi principalmente sobre estes dois temas que estivemos à conversa com Tojo Rodrigues, baixista da banda barcelense.

 

Em outubro passado estiveram pela primeira vez nos Estados Unidos onde fizeram uma digressão de duas semanas na Califórnia. Como surgiu essa oportunidade?

Surgiu já há bastante tempo quando a promotora Thief, que organiza o festival Psycho California, nos convidou para irmos ao Day of the Shred, outro festival que têm no outono. O festival acabou por não ir para a frente mas organizámos uma tour lá na Califórnia e foi tudo muito tranquilo. Puseram-nos a abrir os míticos BANG. Duas semaninhas a tocar lá, foi muito bom.

 

Que balanço fazes dessa primeira experiência nos Estados Unidos? Foi porreira a reação do público?

Muita gente estava admirada porque temos um som a que não estavam muito habituados. Aqui já existem há muito tempo festivais de Stoner como o Roadburn, o Desertfest e assim. Lá estão a começar a fazê-los agora, festivais como o Psycho Califórnia, e então muitas bandas andam a tocar aquele Stoner mais tradicional. Nós fomos lá e tocamos com um som bastante diferente e as pessoas ficaram curiosas. Acho que correu bem, pelo menos toda a gente nos disse que gostou.

 

Encontraram lá pessoal que já conhecia o vosso trabalho?

Outras bandas sim, estivemos com os Dead Meadow, que já os conhecíamos daqui, com os Kadavar também. Agora público, apanhamos lá umas pessoas no deserto que já conheciam a banda. Tocámos numa cidade no Orange County em que éramos completamente desconhecidos, uma cidade universitária que tinha um público um pouco diferente. Mas em Los Angeles, por exemplo, apareceu pessoal que já nos conhecia. Em S. Francisco também, amigos do falecido Steve Mackay passaram lá. Foi a primeira vez que fomos lá, foi para plantar a semente.

 

O que vos surpreendeu mais lá?

O preço das bebidas (risos). As viagens longas, mesmo não saindo do mesmo estado. O público era bom. Mas foram mesmo as coisas do dia-a-dia americano que nós não estamos habituados. E certos pormenores como tocar mais cedo e ter que bazar imediatamente porque não podes ficar em S. Francisco a dormir, que é super caro, e tens que bazar logo e dormir a um motel já fora da cidade. É ir lá tocar e ir logo embora também porque no dia seguinte tens que fazer 10 horas de viagem na estrada.

 

Sei que foram visitar Joshua Tree. Como foi pisar solo sagrado do Stoner?

A primeira coisa que fizemos quando chegámos a Los Angeles foi darmos um salto à cidade e bazamos logo para o deserto. Ficámos lá três ou quatro dias antes do primeiro concerto. O tal promotor, o Evan da Thief, vive lá perto no deserto e então houve uma tarde que não tínhamos nada para fazer, ele perguntou-nos se queríamos ir a Joshua Tree e nós fomos. Deixou-nos no meio do deserto com duas garrafas de água e disse que passava ali outra vez umas 3 horas depois. Ficámos lá a olhar para o deserto, começámos a subir montanhas, aquilo é muito bonito. Ficámos lá mesmo a submergir no deserto. Fomos também ao restaurante Pappy & Harriet's, onde o Josh Homme passa muito tempo e até organiza concertos lá, fomos lá beber um copo à noite.

 

Durante essa digressão tocaram com bandas como BANG, Elder ou Monolord, que se vão estrear em Portugal nos próximos meses. Alguma delas te surpreendeu ao ponto de aconselhares o pessoal a não perder?

Elder! Pá, mas sem espinhas mesmo. Eu conhecia mais ou menos a banda mas não conhecia muito bem os trabalhos deles. Estavam a chegar a Los Angeles, tinham vindo de uma tour na Austrália com os Earthless e foram ao nosso concerto. Estivemos com eles e depois tocámos juntos mais para a frente. São todos 5 estrelas. Até acho que um é descendente de portugueses. Quando tocaram em San Diego rockaram muito, foi altamente, os gajos dão mesmo um concerto muito bom. Tocam no Sound Bay com os BANG, não é? BANG é fixe, é um clássico.

 

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Voltando à atualidade, esta semana vão ter dois concertos com o Peter Brötzmann. Como surgiu ideia da colaboração?

Partiu do organizador do festival Rescaldo. Nós já tínhamos tocado no Rescaldo há uns anos atrás, até coincidiu lançarmos uma música com o Rodrigo Amado e tocámos lá com ele. Desta vez o Brötzmann vinha cá a Portugal e ele lembrou-se de nós para o acompanhar. Depois o Fua da da Lovers & Lollypops teve a ideia de fazermos também um concerto no Porto no dia a seguir.

 

Ele já conhecia o vosso trabalho? Foi difícil convencê-lo a tocar numa banda como a vossa, com uma sonoridade bem mais pesada ao que ele está habituado?

Pá, não faço ideia (risos). Acho que não, mas ele ouviu o projeto antes de aceitar fazer a colaboração. O homem é super ocupado, toca aí por todo o lado com pessoal do jazz. Nós ainda não falámos com ele sequer. No dia vai ser o que acontecer. Vamos lá um dia antes para conhecê-lo e ensaiar um bocado. Mas, do que eu conheço, ele já tocou com muita gente do rock e pessoal do metal até, é sempre numa onda muito exploratória, improvisada. Connosco não sei como é que vai funcionar. Mas vamos ver, estamos confiantes.

 

Como têm preparado os concertos então? Vai ser espontâneo e improvisado?

Mais ou menos. Estamos a preparar qualquer coisa nova entre nós os três, planeando que ele vai preencher ali um espaço. E pronto, no dia antes do concerto de Lisboa vamos mostrar-lhe isso, vamos dialogar e vamos trabalhar juntos nesse dia. Vai ser sempre muito fresco, in loco, muito... louco.

 

Vocês têm músicas gravadas com saxofonistas como o Steve Mackay ou o Rodrigo Amado. É expectável gravarem também com o Brötzmann?

Não sei se isto é segredo, mas é provável que no dia a seguir ao concerto do Porto possamos gravar com ele. Vamos dar os dois concertos a ver se nos ambientamos e no dia a seguir, domingo, reservámos o dia para assentar isso. Poderá dar um disco, ou não, depois analisamos isso.

 

Última mensagem para quem ainda estiver indeciso a ir espreitar o concerto.

Venham porque isto muito provavelmente não vai acontecer outra vez. É uma oportunidade única de ver o mestre em ação connosco. Não temos tocado muito por cá e nem planeamos tocar muito mais daqui para a frente, pelo menos por enquanto.

 

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