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AC/DC – Passeio Marítimo de Algés, Lisboa [7Mai2016]

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© Everything is New

 

Tudo começou em Dezembro de 2015, quando a promotora Everything is New anunciava o regresso dos AC/DC a Portugal, oito anos depois de terem atuado perante um Estádio de Alvalade muito bem composto, disponibilizando os bilhetes no dia 20 do mesmo mês, “desaperecendo” logo 10 mil nas primeiras horas, tendo estes esgotado poucas semanas depois. Estava feita a festa (neste caso natalícia): nas redes sociais circulavam vídeos de felicidade e comentários de apreço sobre a vinda dos australianos a Portugal sobre aquele que prometia ser um dos concertos do ano, unindo miúdos e graúdos, guiados pelos ensinamentos daquela que cada vez mais se torna na última gigante(!) banda de rock em atividade (salvo os Rolling Stones, lembram-se de mais alguma?).

O clima de euforia manteve-se até abril de 2016 (cerca de um mês antes do concerto no Passeio Marítimo de Algés, primeiro da digressão europeia), quando Brian Johnson anuncia a sua retirada dos comandos vocais dos AC/DC, devido a potencial surdez, deixando o seu lugar vago a um ser incógnito que, mais tarde, se viria a descobrir ser Axl Rose (membro dos igualmente badalados Guns ‘N’ Roses que também anunciaram reunião e digressão pelos E.U.A.). Estava o caldo entornado. Linhas e linhas foram escritas reclamando a ausência do mítico vocalista de “Thunderstruck” em troca de um, agora, pouco amado Axl Rose (who the fuck is Axl Rose?). A torrente de comentários exigindo a devolução do bilhete (65€ não era nenhuma pechincha, há que dizê-lo) foi tão grande que a promotora e a banda se viram mesmo obrigados a ceder e a aceitar os pedidos de devolução (gostávamos mesmo de saber quantos foram devolvidos). Para tornar a situação ainda mais caricata, Axl Rose parte a perna durante a digressão com a sua banda e aguardava-se chuva torrencial para o dia do concerto em Portugal.

A chuva apareceu, sim, estanto até alerta amarelo. Enxorrada valente desde as primeiras horas da madrugada até, adivinhe-se, início do concerto de Tyler Bryant And The Shakedown, às 19h45, para nunca mais voltar a marcar presença. Tyler Bryant, vindo de Nashville, mostrou o seu blues/hard-rock, com tudo aquilo que ele pede, tanto em termos líricos como sonoros, para as cerca de 30 mil pessoas já presentes no recinto lisboeta, não se mostrando estas muito interessadas naquilo que se passava em palco. Foram trinta minutos de claro aquecimento para o que se seguiria, afinal de contas, aquilo para que estas pessoas que convergiam de todos os cantos de Portugal e da Europa pagaram para ver.

 

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© Everything is New

O que há a dizer destes AC/DC? Nada de mau. É isso. Num concerto que tinha tudo para correr mal, as estrelas alinharam-se e correu tudo incrivelmente bem. Melhor só com Axl Rose em bom estado físico. Angus Young e companhia vieram, viram e venceram, tocando não só os temas que agitam multidões e discotecas de rock há 30 anos como também uma surpreendente incursão a Powerage (disco de 1978 infamemente ignorado pela banda ao longo dos anos) com a interpretação de “Rock ‘n’ Roll Damnation” (que Axl revelou ser um dos maiores hits da banda nos E.U.A.) e “Riff Raff”, tocada pela primeira vez desde 1979, já no encore do concerto. Amigos, se isto, por si só, não bastasse para o concerto valer a pena, não sabemos o que valia.

Angus, apesar dos seus 61 anos de idade, mostrou-se impecável, exibindo o seu potencial de guitarrista como só ele o sabe: em pé, deitado, correndo… foi tudo possível. Também os restantes membros da banda não comprometeram: Chris Slade, baterista efusivo que regressa novamente ao plano atacante da banda, após um curto espaço de tempo entre 1989 e 1994, e Cliff Williams no alto dos seus 66 anos(!), baixista e membro mais antigo a seguir a Angus, mostraram estar ali para as curvas e para apoiar os dois “monstros” de palco que se situavam na sua dianteira.

O alinhamento deu óbvio ênfase a Back To Black, um dos discos essenciais da música rock, com Axl a mostrar o porquê de ter sido o escolhido para esta tarefa, atingindo as notas todas e substituindo com precisão tanto Brian Johnson como o próprio Bon Scott.

De referir também a componente visual do concerto, começando pelo palco (com dois cornos de metal e com o logótipo da banda ao centro, naquilo que nos parecia uma simulação de metal enferrujado, tudo revestido com luzes que variavam entre o azul e o vermelho) e pelos ecrãs que o circundavam e acompanhavam as canções com vídeos temáticos das mesmas, passando pelo sino suspenso baloiçante durante “Hell’s Bells” e terminando com os canhões e fogo-de-artifício na última “For Those About To Rock (We Salute You)”, enchendo as medidas a todos os presentes. O público despiu as capas e vestiu os cornos (com luzinhas vermelhas), cantando, fotografando, gravando (que já estamos no século XXI), entre outra panóplia de coisas que não arriscamos a descrever, ou a adivinhar, e que foram feitas ao vivo e em honra do bom e velho rock ‘n’ roll.

Duas horas e dez minutos de concerto que ficarão para a história. Aqueles que trocaram os bilhetes nem sabem o que perderam.

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© Everything is New

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Por Diogo Alexandre / 13 Maio, 2016

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Um gajo que gosta de música e escreve coisas estranhas.

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