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Baroness @ Paradise Garage – Lisboa [6Mar2016] Texto + Fotos

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Domingo. Aguaceiros. Frio. Gripe. Nada disto impediu a nossa presença no regresso de uma das mais aguardadas bandas de rock a Portugal. Prova disso foi a boa composição da sala, em termos de público, e o modo como este vibrava ao ouvir cada acorde soltado por Peter Adams, tanto nas músicas do recém-aclamado Purple como nas dos restantes três discos.

Mas a intensidade não começou aí: à chegada ao Paradise Garage, sala que já nos vai habituando a verdadeiros serões de rock/metal, somos surpreendidos com a novíssima banda composta pelos irmãos Apolinário (Poli) e Miguel (Mike) Correia, que nos brindou com meia-hora de um Stoner/Hard Rock polido, gingão e bem trabalhado. Os Correia, contrariamente ao que sucede habitualmente às bandas recém-criadas, mostraram uma grande desenvoltura e conexão em palco, decerto, fazendo-se servir do seu extenso background em bandas com largo currículo, tais como Devil In Me, Men Eater, Sam Alone ou More Than A Thousand. Comunicando com o público por diversas vezes, apelaram ao apoio e à vida do Rock nacional, antes de potenciarem mais uma descarga electrizante à plateia do Garage. O tempo disponível era pouco mas foi o suficiente para se poder apresentar e perceber aquilo a que soará o primeiro longa-duração da banda, Act One. Não sairemos desiludidos, certamente.

O ligeiro atraso de 20 minutos no início do primeiro concerto, fez com que os Baroness começassem apenas às 22h30, o que ajudou os mais atrasados a poderem presenciar a banda principal da noite. Foi notório o crescimento em número do público a entrar na sala a partir das 22h, onde passámos do confortavelmente juntos para o “sardinha enlatada”, típico de concertos esgotados (ou quase-quase-esgotados). Nuns casos é bom, noutros não tão bom, neste, em particular, resultou em pleno. O êxtase vivido pelos fãs, o bom ambiente, a presença em palco de uns Baroness enérgicos, entusiasmados e embasbacados com a receção do público português… tudo isso contribuiu para que esta noite fosse memorável e nem as condições sonoras atípicas da sala (o baixo estava superior a todos os instrumentos e a guitarra pouco se ouvia) conseguiram desprimorar o momento vivido.

Sob apupos e ovações, “Kerosene”, fazendo jus ao seu nome, inflamou os fãs portugueses logo de início que, surpreendentemente para nós, sabiam e cantaram todas (mesmo todas!) as músicas do disco do transato ano de 2015. Apenas três meses após o álbum ser lançado, algo como isto suceder é de se louvar e a própria banda reconheceu isso. A mais “cantada” foi, obviamente, “Shock Me”, o single forte de Purple, iniciada por Nick Jost nos teclados e detentora de um sentimento agridoce transversal à nova vaga do chamado sludge rock e muito visível nos trabalhos mais recentes destes Baroness. “Shock Me” é rock de estádio, rádio, o que lhe quiserem chamar, mas o estatuto de ser uma das melhores malhas/singles de rock do último ano ninguém lhe tira. O espetáculo prossegue com os norte-americanos a intercalarem as diversas músicas de um alinhamento muito baseado nos seus últimos dois discos (Purple e Yellow/Green) diga-se, alternando os focos principais de luz conforme o álbum tocado.

“A Horse Called Golgotha” do álbum azul, foi guardada para meio do set, antecedendo a proto-balada merecedora de isqueiros levantados “If I Have To Wake Up (Would You Stop The Rain?)”, referida por John Baizley como o “momento para descansar”, iniciando-se, posteriormente, mais uma mistura doseada entre Purple e Yellow/Green, respetivamente, até chegarmos a “The Gnashing”, a segunda e última canção interpretada de Blue que levantou a plateia, fazendo surgir alguns mosh pits. Mosh’s esses que só voltariam, e em maior escala, aquando da interpretação de “Isak”, a única música de Red, deixada para o encore. “Eula” encerrou o alinhamento regular e “Take My Bones Away”, também do seu penúltimo disco, fecha em grande um concerto que já passava da hora e meia de duração e executado com grande mestria.

Já sem ossos e destroçados por dentro, aceitamos as desculpas dos Baroness por terem demorado tanto tempo para voltarem a atuar no nosso país e esperamos pelo novo regresso prometido pela banda.

Com exceção de Peter, o guitarrista, visivelmente mais introvertido, os restantes três membros da banda enfrentaram a maré de fãs descendo do palco para plateia, assinando discos, tirando fotografias, conversando, entre outras coisas. Tudo isto e nem 10 minutos tinham passado após o final do concerto. Digam o que disserem, seja irrelevante ou não, uma banda que faz isto, mostra aquilo que é e o quão respeita os seus fãs. Kudos.

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Por Diogo Alexandre / 14 Março, 2016

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