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Barreiro Rocks, o festival das boas malhas

13 de Dezembro, 2014 ReportagensDiogo Alexandre

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Barreiro Rocks

Walter Benjamin @Lux [12Dez2014]

Plano B - 8º Aniversário com Fumaça Preta e Gin Party Sound System
barreiro rocks
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5 de Dezembro (Dia 1)



As melhores malhas de inverno começaram no Barreiro Rocks, 5ºC à beira rio e cerveja gelada faz com que os moches sejam miminhos quentinhos. O Barreiro Rocks rolou 3 dias até à madrugada de segunda-feira com muito boa gente, muito boa malha e muito bom som.

Sexta pelas 21h30 os Pow! abrem o festival, ainda com pouco público mas muita energia. Tom Violence e Funky Jim deram um concerto frenético e eficaz. Logo de seguida e sem mudar muito de sintonia, entram os Pista, com o seu “bikerock/pedalcore”. O Cláudio é um terramoto em palco, os olhos não param se o quisermos acompanhar, cheio de saltos e saltinhos, com uma pedaleira imensa faz com que os movimentos do público sejam inevitáveis. De concerto para concerto tornam-se mais fortes e concisos e, felizmente, não são sempre iguais, coisa que acontece a bandas do género.

Lá fora, a tocar debaixo da ponte e ao frio, os Cangarra eram a lareira acesa. Penso que os carros sentiram alguma coisa ao passar por cima da estrondosa atuação, se a noite era fria deixou de estar. Enquanto nos abanávamos havia quem aproveitasse o mini half pipe montando ao fundo do recinto exterior. Andar de skate a ouvir cangarra ao vivo é qualquer coisa.

Dentro das quatro paredes, rumando ao Palco 1, tivemos o prazer de ouvir o melhor anfitrião da festa, Crooner Vieira, que nos presenteou com belas versões de Tom Jones. “Sex Bomb”, “Delilah” e “She” encantaram a primeira de três noites, que este senhor de idade avançada faria questão de marcar!

Posto isto, Asimov entram em palco. Vindos do Cacém, Carlos e João fizeram-nos relembrar um pouco do Reverence, com o seu som psicadélico a tocar aqui e ali nos 70s. As cabeleiras enfeitiçavam o plano de fundo e entre riffs e baterias tresloucadas lá ouvíamos uns gritos tapados por toda aquela mantra sonora. Um bom concerto no qual se pôde ouvir em estreia na margem sul o seu novo single “Mr. Chapel In The Moonlight”. Muitas viagens dentro e fora de portas. Teríamos viajado mais não fosse uma mudança de horários, não comunicada previamente, que nos fez perder o concerto dos Besta enquanto nos entretínhamos no bar, a ver as misturas Rockabilly, em Vinil, dos Glenn & Candy, que provaram que a festa não se fazia apenas de concertos mas também de bons DJ Sets!

Saímos do bar e saltamos para o meio do stoner rock, destes que já não são assim tão desconhecidos, Killimanjaro, que nos apresentaram, mais uma vez (já perdemos as contas das reviews que fizémos a este trio), o seu LP de estreia Hook. 45 minutos vibrantes em que tanto a banda tanto o público deram tudo o que tinham para dar e vimos os primeiros moshs e crowdsurfs a surgirem. Estes Barcelenses vão longe (e vieram de longe).

Segue-se a última banda do dia: Tamar Aphek. A Israelita retornou ao nosso país, desta vez em nome próprio, para cantar e encantar com as músicas do seu primeiro disco a solo, misturadas no alinhamento com temas dos seus outros projetos: Carusella e Shoshana. Era a última data da tour Europeia (que contou com 5 datas em Portugal) e a cantora deu tudo durante as cerca de duas horas de concerto. A hora era tardia e o público em menor número do que aquilo que por ali cirandava em Killimanjaro, no entanto, não foi isso que parou a Israelita endiabrada de debitar o seu psicadelismo com o auxílio de teclados domesticados e da sua voz envolvente. Este foi, na nossa modesta opinião, a melhor surpresa do dia e talvez do festival. Nenhum de nós esperou que pudesse haver tamanha loucura nas antigas terras do Império Babilónico, mas ainda bem que as há. O concerto terminou com um encore muito pedido pelo público e os agradecimentos da banda ao público português.
Texto: Diogo Oliveira e Joana Brites



6 de Dezembro (Dia 2)



Para começar a noite de Sábado temos Alexandre Rendeiro, que veste a pele de Alek Rein - um aventureiro campónio que só existe quando tem os holofotes em cima. Começamos com um folk psicadélico, que parecia algo tímido, mas que foi marcando o seu próprio caminho e compasso. Alek apresenta-nos assim Gemini e apesar de ter sido um concerto morno, até caiu bem pois aproximava-se um concerto que nos ia esgotar o sangue na venta. Os The Jack Shits espetam-nos na cara um garage rock cheio de suor e energia: constituídos por Jack Legs (Diogo), Jack Straw (Samuel) e Jack Suave (Nick), apresentaram o seu novo álbum Chicken Scratch Boogie, que veste veludo em formato físico mas que em palco é apresentado de forma crua e desgarrada. Entre corridas de palco e saltos que nos faziam querer saltar também os, já sem camisolas, Jack Shits incendiaram a noite gelada. Tudo era chão para pisar, e nem as paredes ficaram de fora quando o palco se torna vertical e vemos o Diogo a empoleirar-se nos espaldares do ginásio. De todas as atuações, esta é uma daquelas que ninguém se importava de ver outra vez, de seguida, até ficar sem fôlego, até o corpo não aguentar mais.

Vindos de Braga, os Smix Smox Smux vieram desanuviar o ambiente sentido dentro do recinto do Palco 1 (já bastante enovoado devido ao fumo do tabaco) tocando os temas do seu glorioso álbum. Foi um concerto curto mas bem passado. Agradável rever o áureo ano de 2011, “Famel Zundapp” e “Kuduro” reinaram e fazerem dançar até aqueles que não sabiam dançar.

Voltando ao calor do recinto ferroviário, o palco enche-se de Russos, 10 000 fundidos em 3. Estes soviéticos pulverizaram-nos com o seu Rock tumultuoso de tipo revolução Bolchevique. Os longos loops improvisados emitidos pela pedalboard de Pedro Pestana chocavam com as batidas secas de João Pimenta criando uma espécie de cenário de guerra na nossa cabeça. Foram 45 minutos intensos de grande rebeldia e fúria. Esperemos reencontrar este exército.

Lá fora já atuavam os Thee O.B.'s, mais uma banda garage da Hey Pachuco!, a maior editora de garage rock em Portugal (arriscamos dizer). Estes roqueiros da margem sul aqueceram esta noite fria e debaixo da ponte fazia-se a festa. Tomamos atenção aos elementos da banda e reparamos no pin do 50cent que o vocalista (Nick Suave - que fez uma maratona de concertos neste fim-de-semana) exibia gloriosamente. Com a atenção necessária reparamos que as influências do hip-hop americano são notórias neste rock agressivo: as batidas e o flow do vocalista bebem muito da fonte do gangsta rap dos anos 90 e o cap azul berrante não deixa margem para dúvidas. Toda a adjetivação é inútil para descrever estes senhores, os Thee O.B.'s são algo indescritível, no bom e no mau sentido. Desloquem-se aos seus concertos e tirem as vossas próprias conclusões.

Chegou a hora dos headliners. Com mais público que na noite anterior os The Experimental Tropic Blues Band dão um dos melhores concertos desta edição do Barreiro Rocks. Os Belgas entraram, viram e venceram com o seu rock cru e afiado. Cortaram muitas gargantas e eletrocutaram muitas meninas com os jacks das guitarras. Acreditem que a palavra experimental não está ali só a enfeitar, mas um experimental sem soar hipster, daquele que se quer. Muito divertidos e um pouco doidos, brincaram com os portugueses apresentando músicas do seu mais recente longa-duração The Belgians e abrindo os portões do inferno (as grades do palco) recambiaram todo o seu público para a frente do palco, nada de burguesisses superiores. O endiabrado vocalista, e guitarrista nas horas vagas, Dirty Coq (bonita alcunha) andou a passear no meio do público frequentemente emanando uma energia tal que era impossível ficar parado. Até as senhoras do bar vieram ver o que se passava. Este, que foi talvez o concerto mais enérgico e do festival, culminou com a entrega de senhas de bebida e um stage dive (na última musica) por parte do tal Dirty Coq, que foi desde o palco até meio do bar ganhando assim o troféu imaginário de maior crowdsurf/stage dive do festival.

O resto da noite ficou entregue ao já conhecido DJ A Boy Named Sue.
Texto: Diogo Oliveira e Joana Brites



7 de Dezembro (Dia 3)



O último dia começa com o que podia ser um engano, podíamos pensar que íamos ver os The Jack Shits outra vez mas não, eram os Los Saguaros, Samuel e Diogo trouxeram o surf rock ao Barreiro e ensinaram-nos a fazer surf na Gasoline (praia da Gasoline no Barreiro, onde se faz surf com as ondas dos ferrys a passar). Apresentaram-nos o seu mais recente álbum, Yuma, e deram um espetáculo com muita energia, muito boa onda e muita vontade de comprar o álbum e ir a ouvir para casa.

Naturais de Viseu e compostos por duas raparigas e um rapaz, os Dirty Coal Train libertaram o seu Rock n’ Roll cru vindo diretamente da Beira Alta, quais White Stripes qual quê. O concerto foi rápido e acabou com a guitarrista no fosso a curtir tanto como o público. Definitivamente uma banda a seguir.

Debaixo da ponte começavam os Cave Story. Vindos das Caldas da Rainha, a banda que também pôs um pézinho no Reverence deu um bom concerto. Porém terminaram de uma forma um pouco abrupta sem grandes paleios e olhares diretos, quase que nos mandaram para outro palco onde os Modernos já se preparavam para atuar. Apesar de não ter sido um mau concerto pensamos que poderia ter sido melhor.

A voz de Tomás ficou um pouco deslocada daqueles rasgos roucos a que já nos tínhamos habituado, afinal, de Modernos para Capitão Fausto não muda assim tanto mas, mais uma vez, foi uma ótima banda para deixar o sangue voltar a correr como deve ser pois vinha aí um comboio em alta velocidade, os Tracy Lee Summer.

A última banda do palco 2 foram os Tracy Lee Summer (mais uma da Hey Pachuco! Records) e que boa maneira de terminar. O trio endiabrado debitou as cerca de 10 músicas em tempo recorde, uma chapada na cara de todos os presentes. O seu garage punk entusiasmou toda a gente, iniciando-se mesmo um pequeno mosh pit à frente do palco onde entraram mulheres, homens e crianças... Barreiro's Burniiing!!!

Chegou a vez dos muito aguardados The Act-Ups. Percebia-se pela constituição da sala que a banda era muito aguardada pela público, porém houve um choque sonoro demasiado grande para que conseguíssemos aproveitar o seu concerto pois vir de um concerto onde se meteu a 7ª a fundo do início ao fim para depois se entrar noutro onde a velocidade não passava da 2ª foi difícil. Saímos da reta da meta para entrar na zona das chicanes e sem fazer o apex... uma mudança um bocado brusca para nós mas não para o público pois o moshing, os saltos, os gritos e o crowdsurfing era constante. Não apanhámos a linha ideal desta vez mas fica para a próxima volta.

Entretanto ocorre mais um assalto de Crooner Vieira ao microfone, desta feita para cantar “My Way” (de Sinatra) e “Copacabana” (de Manilow) que com alguma dificuldade lá entrou a música. Para festejar isto tudo foram sorteadas 6 imperiais, um disco assinado pelo Crooner e uma guitarra eléctrica. Bom espírito e bom momento este vivido com Crooner (o animador do Barreiro) a cantar as suas fantásticas músicas no meio do público.

Para terminar este Barreiro Rocks tivemos sala cheia para vermos os Canadianos (e repetentes do festival) Bad News Boys. O conjunto musical que junta King Khan a Mark Sultan animou os presentes com o seu doo-woop imparável. A boa disposição, os fatos espampanantes e os constantes apupos à cerveja Super Bock foram parte constante da festa. A verdade é que esta era a banda mais esperada do festival e cumpriram exemplarmente com a expectativa dos presentes. Os Bad News Boys puseram toda a gente a dançar, a moshar e mesmo com um alinhamento grande voltaram para um encore muito pedido pelo público. Foi uma festa na verdadeira ascensão da palavra!

O barreiro rocks acabou com as baterias a meio gás por causa do frio, acabou segunda de madrugada com os DJ’s à moda do vinil. Sentimo-nos em casa durante 3 noites! Fizémos parte de uma pequena, e agora maior, família ali do outro lado do rio. Um festival que tem um animador como Crooner Vieira, que consegue enfiar músicas do Barry Manillow, Tom Jones, Julio Iglesias, José Augusto (''o Tony Carreira da América do Sul'') entre bandas de Stoner Psicadélico é um festival com muita personalidade que não deve nem teme! O Barreiro Rocks é um festival em que os organizadores se misturam com o público, fazem crowdsurf, fazem mosh, tiram fotos, partilham cerveja... nem modinhas nem peneirices para ninguém! Um festival é assim que se quer: afável, interessante e surpreendente, onde se compram vinis a preço de feira e se partilha comida vegan com as bandas e com desconhecidos.

Barreiro Rocks, até pode chover dinamite, mas para o ano vemo-nos outra vez!
Texto: Diogo Oliveira e Joana Brites



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