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Blowfuse c/ Artigo 21 + F.P.M - Popular Alvalade, Lisboa [3Abr2016]

16 de Abril, 2016 ReportagensDiogo Alexandre

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Depois da tempestade vem a bonança. Aplicado de forma algo diferente, é assim que me sinto após o verdadeiro intempério sentido dentro do Popular Alvalade no passado domingo dia 3 de abril. Que os Blowfuse são dotados de uma grande energia ao vivo já sabíamos, agora que fizessem aquilo que fizeram com o público português, não esperávamos de todo. No entanto, essa foi apenas a última das três partes da grande festa vivida e presenciada pelas 120 pessoas que esgotaram a sala lisboeta.

Para se apreciar devidamente a obra, convém prestar-se atenção a todos os pormenores. Logo a abrir, quase que em modo introdutório, surgem os F.P.M., que mesmo com um baixista improvisado (Tiago, guitarrista de origem, desloca-se para o baixo, transformando o quinteto em quarteto) conseguiram, desde cedo, meter o público a mexer. E a banda conseguiu-o quer com covers (há que destacar uma inesperada “Territorial Pissings”), quer com os seus originais que, apesar de terem pouco mais de dois meses (após edição de estúdio), são já entoados com a firmeza digna de verdadeiros clássicos marcantes de uma vida. “Poluição” serviu de rastilho para o mosh pit que se instalaria até ao final do concerto, atingindo o pico durante “Parar Para Pensar” (original dos Tara Perdida, banda da casa, diga-se) que aqui contou com a participação de Tiago Cardoso (vocalista dos Artigo 21, banda que se seguiria). Foi com a versão da outra banda de João Ribas, “Já Estou Farto” (Ku De Judas), que se despediram da sua plateia, deixando de fora “Pela Ruas” apesar da insistência do público.

Pouco tempo depois (e já eram quase 19h), sobem os Artigo 21 ao palco. Cinco homens prontos a prosseguir com a agitação providenciada pela banda anterior e que não desiludiram nesse aspeto. O público estava endiabrado desde o início, manifestando-se desde cedo logo durante as primeiras músicas e quando isso acontece, o concerto está quase ganho. Tiago Cardoso e companhia nem tiveram que se esforçar muito para arrancar com a locomotiva a alta velocida, assentada acima de tudo pelos tempos rápidos da sua música, como o Punk Rock atual assim o quer. Espalharam a sua mensagem de resistência, revolta social e consciência cívica para um público que mostrou que esta já estava mais que assimilada. Canções como “Preconceituoso”, “Mudança” e “Máscara”, esta última dedicada aos Blowfuse, assumindo o título de “La Mascarilla” e soltando algumas risadas no público.

Notoriamente influenciados por bandas como os Bad Religion ou Pennywise (o autocolante do baixo não engana ninguém), o grupo mostrou-se bastante oleado ao vivo, com Daniel Hipólito (guitarrista) e Aureo (baixista), movimentando-se, frequentemente, de um lado para o outro do pequeno palco do Popular, enquanto Tiago Cardoso se mantinha maioritariamente no centro, comunicando e incitando o público a cantar com ele e com a banda. O concerto encerra com “Utopia”, talvez a faixa que melhor descreve aquilo que são os Artigo 21, transbordando motivação e esperança. A frase “Sobreviver sem arriscar não é algo que consiga entender” foi entoada em alto e bom som por todos os presentes, com direito a muito mosh e crowdsurf. “Sei que é difícil mas nós temos que tentar” termina com um concerto emotivo e despretensioso que foi capaz de provar que o punk rock à anos 90 ainda mexe com muitas pessoas (como foi o caso desta tarde/noite no geral).



Terminado o concerto dos catalães, e após um crowdsurf forçado por termos sido empurrados para cima do palco devido ao reboliço que acontecia na nossa retaguarda, sentamo-nos numa das laterais da sala de tão cansados que estávamos, ainda a tentar interiorizar aquilo que tinha acabado de acontecer. A verdade é que chegámos à muito ponderada conclusão de que este foi um dos melhores concertos que vimos este ano, vencedor em todos os aspetos, tanto em termos sónicos como em termos físicos: uma simbiose perfeita entre público e banda. Até membros de outras bandas avistámos no crowdsurf e no violento mosh pit que, de certo, acrescentou mais algumas marcas à parede da sala de concertos do Popular Alvalade.

“Behind The Wall” abre o show, despoletando imediatamente uma reação espontânea e descontida de um público que se não era 100% composto por fãs, andava por lá perto. Segue-se “Where're You Jimmy”, retirada de Into The Spiral, segundo longa-duração da banda e aqueles que os deu a conhecer ao mundo. Nunca é demais realçar que estes Blowfuse (ex-Godfarts, mencionado pelos próprios) já andam a tocar este mesmo set de músicas há sensivelmente dois anos, tocando-o por quase toda a Europa, tanto em festivais como em salas mais intimistas como a da data portuguesa, de modo que o "à vontade" em palco era elevadíssimo, permitindo à própria banda aliar uma componente mais cénica à sua música.

Num concerto em que foi tocado tudo o que havia para tocar, ou pelo menos tudo o que estava minimamente ensaiado (nota para a interpretação de “Downhill To Hell In A Row” do esquecido Messed Up Minds, primeiro LP da banda), ou não fôssemos nós “o melhor público da tour” (pela primeira vez acredito mesmo que sim), houve também direito a covers: “Paranoid” dos Black Sabbath, que fechou o alinhamento regular, e, já no segundo e último encore (encore este, inesperado), “Sailin' On”, clássico de 1982 dos Bad Brains, que fechou em grande um concerto detentor do mesmo adjectivo empregue anteriormente. Entalada entre os covers ficou “Break”, que contou aqui com preciosa ajuda do público português, não só dos que cantavam (ou gritavam) a canção desde a plateia, e muito respeito para as duas almas caridosas que seguravam no tripé no microfone de Sergi Boufard (guitarrista) que demonstrou não ter resistência para aguentar tamanha jarda de concerto (o tripé e não o guitarrista), como também daqueles que se esforçavam por manter a “máquina” a trabalhar, invadindo por inúmeras vezes o palco da sala e tomando de assalto o microfone de Oscar Puig outras tantas, que em nada se importou com isso, diga-se, estreando-se na arte do stage dive após o término da canção.

“Break, let's break it down, let's crush and break it down!” é o refrão do último original dos catalães escutado pelo público lisboeta e também a frase que resume o concerto. Nada mais existe a acrescentar.

Fins després!

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