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Caetano Veloso & Gilberto Gil @ EDP Cooljazz [31Jul2015]

03 de Agosto, 2015 ReportagensDiogo Alexandre

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Vem viver a aldeia! - Bons Sons Dia 1

Melody Gardot @EDP Cooljazz [29Jul2015] Texto + Fotos
wav tu es aquilo que ouves

Acabados de chegar do concerto dos amigos Caetano e Gil e ainda não sabemos o que dizer. Saímos do trabalho por volta das 19h e, com apenas uma sandes no bucho, arrancamos para Oeiras, com a expectativa em alta para ver aquela que poderia ser a última digressão destes dois vultos da música brasileira. Tinha tudo para correr bem, certo? Errado.

Os agouros começaram de início quando demoramos 1h30 a fazer o percurso Lisboa-Oeiras, pela marginal. Já esperávamos os típicos engarrafamentos de hora de ponta por isso antecipámos a nossa partida de modo a ter uma boa margem temporal para imprevistos, margem essa que acabou por não se revelar suficiente.

Às 20h40 chegámos ao Parque dos Poetas e dirigimo-nos para o local da entrega das acreditações, que neste caso também distribuía os habituais convites, passatempos e entradas do staff. Já eram 21h30, o suposto horário de início de concerto, e ainda só tínhamos andado uns 10 metros, quer pela quantidade de VIPs que chegavam à última da hora e passavam à frente de todos, como por outros sujeitos que se infiltravam na fila a fim de se despacharem mais rápido. Por muito que reclamássemos, e não éramos o único meio de comunicação nesta posição, de nada servia. Custava muito fazerem uma fila de press/staff e outra para convites e passatempos? Num concerto de grande afluência como este, ter apenas dois “balcões” a trabalhar é um pouco ridículo. Recebemos as acreditações às 22h05, as fotografias do concerto, apenas permitidas nas 3 primeiras músicas, foram automaticamente canceladas, coisa que fez com que o nosso fotógrafo tenha feito a viagem em vão. O concerto já decorria quando entrámos, finalmente, no recinto.

De forma a emendar o percalço anterior, causado não por culpa nossa, pensamos em preencher o espaço de imagens em falta com fotografias de ambiente, público, etc, quando à entrada para a plateia o segurança nos exige que deixemos a mala no bengaleiro. Sim, a mala que continha o nosso material de trabalho, aparentemente, não podia entrar no recinto, e nem após lhe explicarmos as razões ele cedeu.
Tentando contornar a situação, literalmente, movimentamo-nos para o lado oposto do recinto, de forma a podermos apreciar e documentar o concerto num lugar lateral em que não víssemos apenas as laterais pretas do palco e meio ecrã, somos barrados, novamente, desta feita porque teríamos de ser acompanhados por um membro da organização para áreas fora da plateia em pé.

Entretanto, ainda localizados na lateral da plateia em pé, e sem um grande campo de visão para o palco propriamente dito, assistimos ao primeiro momento caricato da noite quando uma fã, enquanto Caetano Veloso interpretava “Terra”, magnífica música que exige quase um total silêncio, pede aos seguranças, e com razão, para que estes façam pouco barulho. Digamos em bom da verdade, que este cenário já nos é familiar: no primeiro dia de festival (também esgotado) aconteceu, exatamente, o mesmo com as conversas dos seguranças a sobreporem-se ao som dos pianos, interferindo com a audição dos presentes. A diferença entre o primeiro caso e este, é que os primeiros respeitaram e falaram mais baixo, enquanto que aqui desprezaram completamente a pessoa que os interpolou, continuando a sua conversa desinteressante em tom mercado do bolhão, o que levou a pessoa em questão a iniciar um debate com o segurança que duraria algum tempo. Adeus “Terra”, concentração zero.

Ainda sem um bom lugar definido e já que não poderíamos passar da zona terminal/circundante do estádio, pois teríamos que perguntar a alguém da organização que se encontrava num sítio em que ainda não sabemos onde se situava, decidimos encontrar o melhor lugar possível que nos permita uma boa visualização e uma boa audição. A hipótese de tirarmos fotografias, por esta altura, já tinha sido descartada.
Queremos salientar que o nosso objetivo não era ver o concerto pelos ecrãs laterais, também muitas vezes tapados pelas pessoas à nossa frente, mas sim, olhar diretamente para os artistas. O palco envontrava-se demasiado baixo e, pelos relatos que ouvimos, nem os pagantes da Plateia A conseguiram ver o espetáculo em condições. O melhor lugar que encontrámos foi junto às grades e atrás de um caixote do lixo. Não dizemos isto a brincar, foi mesmo o local onde permanecemos e o único em que, dentro das normas, nos era permitido ficar durante o resto do concerto. Às vezes lá avistávamos Caetano, ao fundo. O Gilberto, esse, só o vimos quando se levantou, antes do encore, pois permaneceu quase sempre tapado pelo banner do Cooljazz. Como é óbvio, não conseguíamos ver grande coisa e o som frequente dos “shakes” do bar também não ajudou.

Relatando o que ouvimos, já que o que vimos foi bastante reduzido, a maioria do público mostrou-se conhecedor de ambas as discografias dos artistas, cantando integralmente canções como “Expresso 2222”, “Andar Com Fé” e “A Luz De Tieta”, que levantou os presentes e encerrou o concerto. Destacamos a interpretação de “Drão”, por parte de Gilberto Gil, que resultou bastante bem em acústico.
Ficou no ar, também, a sensação de que o estádio de Oeiras se revelou demasiado grande para o tipo de música praticado. O teor intimista do concerto, tocado inteiramente em acústico, esbarrou com o excessivo tamanho do recinto. A dispersão sonora a partir do meio do recinto foi notória até para nós. Quer queiramos quer não, isto não é música de estádio.

Não obstante todos os problemas relacionados com falhas da organização, também o concerto se revelou aquém das expectativas, sendo a interação com o público quase nula e a sua duração algo curta, deixando muitos “hinos” de lado. Sem banda de abertura, esperávamos bem mais que hora e meia de concerto, ainda para mais quando apenas observámos atentamente 40 minutos.

Esta foi a nossa história de sexta-feira à noite. Para a próxima aguardamos que o DVD saia e compramo-lo na FNAC, já que a experiência não deve ter sido muito diferente.
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