3
DOM
4
SEG
5
TER
13
QUA
14
QUI
17
DOM
18
SEG
20
QUA
21
QUI

Cage the Elephant - Coliseu, Porto [6Fev2017] Texto + Fotos

11 de Fevereiro, 2017 ReportagensJoão Rocha

Partilhar no Facebook Partilhar no Google+ Partilhar no Twitter Partilhar no Tumblr
Coliseu do Porto

Monkey3 c/ Astrodome - Cave 45, Porto [7Fev2017] Foto-reportagem

Biffy Clyro c/ Frank Carter & The Rattlesnakes - Coliseu dos Recreios, Lisboa [27Jan2017]
cage_the_elephant_live_2017_wav

 

Todos os sinais meteorológicos indicavam a presença de uma noite intensa de inverno com o frio, o vento e a chuva a fazerem-se sentir sem o mínimo pudor. Já pelo fim da tarde as pessoas corriam de um lado para o outro evitando estar o mínimo tempo possível desabrigadas do tempo, no entanto, quem passava pelo Coliseu por volta das seis horas da tarde e avistava o aglomerado de pessoas que se encontravam na sua entrada, percebiam que estas não lá permaneciam meramente por abrigo, pelo contrário, preparavam-se para entrar voluntariamente numa intensa tempestade.

A abertura de portas estava marcada para cedo mas, por alguma razão desconhecida ao público em geral, estas só abriram depois da hora marcada para a entrada em palco da banda de abertura. Assim, quando os americanos Twin Peaks subiram ao palco, ainda o Coliseu do Porto se compunha, ou desconcertava com a tremenda (e de alguma forma surpreendente) afluência que se fez sentir para ver os Cage The Elephant. Ainda crus e propositadamente pouco polidos, cinco jovens cheios de energia punk, do estilo à atitude, transformaram a sala numa garagem de ensaios de uma qualquer banda em início de carreira. E não nos interpretem mal: não é de amadorismo que aqui falamos, mas sim de uma capacidade incrível de transportar quem assiste ao seu mundo privado onde o ar é rock. Poucos, ou ninguém, conheciam as letras, os acordes, as músicas em geral, mas em mais ou menos trinta minutos de concerto, os Twin Peaks e o público comportaram-se como se estivessem ali uns pelos outros. Ou pelo menos assim teria sido, não anunciassem no fim do seu espetáculo que a seguir estariam ali os Cage the Elephant: e perante tal lapalissada, a casa veio abaixo!

Inicialmente confirmados para uma atuação no Hard Club, a banda norte americana que fazia pouco tempo desde que havia pisado e encantado Coura, foi confrontada com uma tremenda adesão e procura de bilhetes, que levou à mudança de palco para o Coliseu. Se em Paredes de Coura já todos havíamos sido surpreendidos pela não tão expectável sensação dos Cage the Elephant perante o público português, na Invicta estes foram agraciados que nem Deuses. Casa cheia, casa quente, e apesar do temporal fora de portas, o verdadeiro furacão fez se ouvir e sentir naquela plateia. De jovens a idosos, betos a punks, uma gigantesca multidão aguardava para enfrentar o furacão que vinha dos EUA, e desde o momento da sua chegada até à sua ida, não houve um único momento de sossego, um único momento de quietude.

Os manos Shultz já são conhecidos pela sua incapacidade de permanecerem quietos durante uns breves segundos que seja, e se a entrada em palco foi feita em pulos e loops, como manda a boa lei do estrelato rock &roll, o resto da performance não perdeu o fôlego. Imediatamente em entrega, o público desatou em saltos, moche, e acompanhou a banda em todas as letras da discografia mais recente da banda. Falamos de Melophobia e Tell Me I’m Pretty, que fizeram entoar em uníssono na sala da Invicta hits como Trouble e Cigarette Daydreams, e esqueçam a ideia de que se tratava de um mero reflexo devido ao hype em torno da banda, porque quando estes revistaram o seu álbum de estreia homónimo com “Ain’t No Rest For the Wicked” a pujança e vigor das vozes e energia motora de cada um não ficou aquém dos trabalhos mais recentes da banda. Aliás, o único momento em que o “coro” vacilou (e meramente a cantoria, pois a nível motor, a trupe gospel permanecia hardcore) foi quando os Cage the Elephant interpretaram uma versão de “Mary Jane’s Last Dance” de Tom Petty and the Hearthbreakers, momento que também permitiu ao vocalista demonstrar e fazer brilhar a sua técnica na harmónica. Alimentado por esta energia absurda, Matt Shultz parecia atacado por um constante ataque epilético e em danças bizarras  desafiava e provocava ora a plateia, ora os camarotes, ora quem se atrevesse a olhar para ele e deixar-se seduzir pela sua energia, enquanto o seu irmão como sempre atirava-se para o meio do público e dedilhava intimamente a sua guitarra.

A nível performativo, os Cage the Elephant não trouxeram nada de novo desde a última vez que os vimos, mas o certo é que são daqueles raros casos em que não o precisam de fazer. A sua música agrada todo o tipo de público e mais que satisfaz a crítica (este ano voltam a estar nomeados para melhor álbum rock nos Grammys), e sendo uma autêntica bomba de energia, explodem qualquer que seja a ocasião. A intensidade só depende de quem os assiste, e se o Coliseu não rebentou no passado dia 6 de fevereiro de 2017, apenas se deve ao facto de estarmos a falar num sentido figurado. Depois de mais de uma hora de agradáveis moshs, headbanging, e até alguma melosidade, o sentimento que ficou é de um satisfeito recobro perante um furacão que se quis infinito. Felizmente a espera por um regresso não tardará, e só se pode especular que intempérie se fará abater sobre o NOS Alive’17.

 

por
em Reportagens
fotografia Mariana Vasconcelos

Cage the Elephant - Coliseu, Porto [6Fev2017] Texto + Fotos
Queres receber novidades?
Comentários
http://www.MOTORdoctor.PT
Contactos
WAV | 2017
Facebook WAV Twitter WAV Youtube WAV Flickr WAV RSS WAV
Queres receber novidades?