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Deafheaven @ Hard Club - Porto [5Mar2016] Texto + Fotos

08 de Março, 2016 ReportagensSara Dias

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“ The world has been darker than lights-out in a closet full of angry bats. And the whiskey and the wine entered our veins when our blood was too weak to carry on. ” – Roads To Judah



 
Imaginem-se na estrada: completamente perdidos, pedrados e desorientados. Acordam na berma, de corpo molhado, suado, ensanguentado, com os vossos pertences espalhados pela vegetação árida e áspera de um qualquer deserto americano. A boca está seca, e a garrafa de Bourbon que têm tão perto da vossa mão esquerda está vazia. As únicas luzes que vos iluminam são as luzes dos faróis dos automóveis que vos passam a alta velocidade rente ao ouvido direito. Vai tudo ficando cada vez mais desfocado, percebem então que estão em plena “senseless nightmare road” na companhia de Dean Moriarty. Só querem voltar a casa.

22h30. De feições tímidas de alguém que nem sabe bem se gosta de ali estar, o derradeiro maestro de Deafheaven sobe ao palco - agarra-se veemente à sua guitarra que não larga mais durante a restante hora e meia, como sua única e verdadeira companheira de viagem. Se Kerry McCoy é Sal Paradise, George Clarke é o seu Dean Moriarty que lhe segue em palco, com uma aura esplendorosa de serenidade. No entanto, em menos de um segundo, tudo muda. “Brought to the Water” explode-nos na cara, como uma vaga de energia que nos acorda da dormência que foi Myrkur.

“Sitting in a circle of clouds. Enforced upon my head. Above my eager eyes. Misplaced. My mind abandoned. Seized to substance. Abused in months of excess. Heat flashes of memory”. Levantamo-nos da berma, ainda confusos mas caminhamos. Numa hora e meia de contrastes vivemos uma montanha russa de emoções desde os momentos mais delicados e introspectivos aos momentos mais abrasivos e energéticos. Deafheaven vive num paradoxo de agressão e delicadeza único e que nunca se excluem mutuamente.

A Amplificasom é uma das maiores testemunhas do nascimento e crescimento dos Deafheaven enquanto banda, sendo que já é a terceira vez que os traz a Portugal, inclusive na sua primeira tour europeia ao lado de Russian Circles em 2012, apresentando o seu álbum de estreia Roads to Judah. Em 2013 passaram pelo Amplifest, com Sunbather na bagagem, e retornam agora com o mais recente longa-duração, New Bermuda. Este último disco tem tido algumas reações difusas e igualmente contrastadas, mas existe uma certeza: o New Bermuda em concerto ganha outra vida. Mesmo em “Luna”, alguns dos riffs que nos rementiam para uns Slayer, foram abafados por uma onda de distorção à lá Sunbather ao mesmo tempo que demonstrou a grande solidez de Roads to Judah. New Bermuda soa mesmo muito bem ao vivo, resumindo.

Como seria expectável o alinhamento abordou essencialmente o mais recente disco dos norte-americanos com “Brought to the Water”, “Luna”, “Gifts for the Earth”, “Baby Blue”. Porém, deste “New Bermuda” foi “Come Back” que esteve em grande destaque, faixa onde o paradoxo acima referido se consuma: consignamo-nos à escuridão ao mesmo tempo que explodimos numa euforia ébria. Já no encore, fomos presenteados com duas faixas de Sunbather, a homónima e “Dream House”. Estas, traduziram-se no verdadeiro ponto alto de uma noite que “floresceu a cada momento passado” e que culminou em mosh e em stage diving. Não só da parte do público, mas também do próprio vocalista, que a certa altura se atirou de costas e de braços abertos para um dos melhores públicos que já encheram a Sala 2 do Hard Club. Não obstante, uma sala que infelizmente continua a marcar pela má acústica e pelo péssimo jogo de luzes, facto que se notou de forma bastante óbvia durante a actuação de Myrkur onde mal se percecionava a voz da dinamarquesa Amalie Bruun.

Com “Dream House”, chegámos ao nosso destino. “It’s 5 AM… and my heart flourishes at each passing moment. Always and forever.”

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