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Equaleft - Hard Club, Porto [1Fev2019] Texto + Fotos

12 de Fevereiro, 2019 ReportagensJorge Alves

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Muito se fala da importância em apoiar o underground nacional, assim como da frequente ausência desse ato, mas por vezes ainda temos o prazer de assistir a felizes cenários como aquele que presenciamos nesta fria noite de fevereiro, onde a Sala 2 do Hard Club encheu para a apresentação de We Defy, regresso às lides discográficas por parte dos Equaleft.

Donos de uma sólida carreira recheada de pequenas mas inesquecíveis honras – foram banda de abertura, no Porto, para gigantes do metal como Sepultura ou Gojira - afirmam-se hoje como uma das poucas propostas de metal nacionais (não contando com nomes consagrados como os Moonspell) capazes de esgotar uma sala como a do Hard Club (a mais pequena, mas tal conquista não deixa de ser notável).

É certo que a ocasião especial pode ter ajudado, mas sentimos, contudo, que a mera presença dos Equaleft, com ou sem material novo, é mais do que suficiente para uma noite memorável, não fosse cada atuação do grupo nortenho uma pujante dose de adrenalina. Goste-se ou não da fórmula praticada pelo quinteto – um metal intenso, técnico e moderno, com momentos de groove poderosíssimos e claras influências de bandas como os Meshuggah e os supracitados Gojira (assim como de, sobretudo no novo disco, estruturas metalcore) – a verdade é que observar a impressionante e contagiante garra que o coletivo exibe cada vez que sobe a um palco, revela-se uma experiência inspiradora e enriquecedora. Uma entrega inquestionavelmente apaixonada que também se alimenta da receção calorosa do público que a testemunha; no fundo, a audiência desempenha um papel ativo e crucial na instalação dessa atmosfera mágica e sem a qual um concerto nunca se transformaria num verdadeiro espectáculo. Foi precisamente essa explosão emotiva de energia desenfreada que se verificou mal os acordes de “Before Sunrise”, que também abre o mais recente disco, ecoaram pelas negras paredes da sala, seguindo-se “Once Upon A Failure”, possivelmente uma das maiores pérolas de We Defy e, arriscamos dizer, de todo o percurso criativo dos Equaleft.

Como seria de esperar, o alinhamento viveu de uma constante viagem temporal, dividindo-se entre novidades e recordações de um passado não muito distante, pois aqui festejava-se não só o atual período áureo da banda, como também o trajeto artístico percorrido pela mesma até chegar a este ponto. Assim sendo, temas como “We Defy”, “Fragments” ou “Strive” misturaram-se com outros mais antigos como “Maniac” ou “ Invigorate”, sendo que graças à coesão que caracteriza a obra do grupo, nenhum soou deslocado, pois cada malha constitui uma peça do puzzle que os Equaleft constroem com cada álbum que lançam. Nem mesmo a breve participação de um saxofonista (Gonçalinho) diminuiu a intensidade desta selvagem prestação – curiosamente, só contribuiu para que esta se tornasse mais dinâmica e imprevisível, revestindo-se assim de um empolgante experimentalismo dissonante que complementou muitíssimo bem a brutalidade sonora.

Equaleft


Houve ainda mais convidados, como Dan Vesca dos Sotz ou Fernando Martins dos Web, amigos e colegas estimados da banda que também atuaram com os seus respetivos grupos na primeira parte - os Sotz destilando uma potente e competente dose de death metal, os veteranos Web mantendo bem acesa a chama do seu thrash metal de influências mais tradicionais - e cuja presença só enfatizou o ambiente de união que se vivia dentro do Hard Club. Nesta noite, os Equaleft mostraram estar em grande forma e prontos para proporcionar muitos mais assaltos aos nossos tímpanos - e ainda bem. Resta-nos dar os parabéns a um dos grupos mais consistentes e determinados do metal nacional.

Mesmo antes da chegada dos Equaleft, os lisboetas Analepsy, já depois de os Sotz e os Web terem aquecido a plateia, brindaram o muito público presente com uma belíssima e sofisticada sessão de slamming brutal death metal. Adjetivos talvez estranhos para qualificar algo tão musicalmente devastador, mas essa violência sonora é apresentada de forma tão deliciosamente cruel quanto cuidadosamente elaborada. Mesmo vivendo de uma inegável repetição – não há momentos de pausa nesta contínua sessão de tortura, autêntica banda sonora de um sangrento slasher - a elevada qualidade das composições faz com que escutá-las nunca, mas mesmo nunca, se torne cansativo.  Não foram os cabeças de cartaz, mas podiam ter sido, pois deram um concerto digno desse estatuto… simplesmente magníficos.

Analepsy, Web e Sotz
por
em Reportagens
fotografia Bruno Pereira

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