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Fat White Family - Hard Club, Porto [4Fev2020] Texto + Fotos

13 de Fevereiro, 2020 ReportagensCatarina Nascimento

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Blanck Mass - Understage – Teatro Rivoli, Porto [14Fev2020] Texto + Fotos

Scúru Fitchádu + Vaiapraia - Musicbox, Lisboa [31Jan2020] Foto-reportagem
Com um retorno mais que merecido para o público português depois da única prestação no país no Reverence Valada em 2016, os Fat White Family voltaram ao nosso país com um novo disco, uma nova postura e uma nova profundida lírica e instrumental. O concerto a norte foi apresentado numa Sala 1, do Hard Club, pronta para acolher um espetáculo que se avizinhava personificar numa rebelião cheia de protesto e garra.

O anúncio tardio mas certeiro da primeira parte do espetáculo encorajou o público pela escolha de uma recente banda portuguesa que tem vincado o mesmo espírito de bofetada de realidade. Os Cancro juntam Tiago Lopes, José Penacho (Marvel Lima e Riding Pânico) e Fabio Jevelim (Paus e Riding Pânico) e destacam-se por englobar letras cruas preenchidas de protesto, referências populares e samples reconhecíveis, mas com uma roupagem diferente. Fortes em presença de palco e jogo de luzes, os Cancro apresentaram o primeiro disco de estúdio +(mais), lançado em 2019. O primeiro single “Plástico” fechou o estandarte de fúria neste grande espetáculo na Invicta, com direito à arremeção do microfone, digno do temperamento de indignação. Uma boa preparação para o que se seguiria.

Cancro

Ao som das notas suaves iniciais de “Autoneutron”, primeira faixa do primeiro disco Champagne Holocaust, os Fat White Family entraram em palco meio que em marcha fúnebre. De postura madura, alguns mais aprumados e vestidos de fato, outros com óculos de estilo eternizado pelo “Matrix”, assumiam as suas posições para uma música mais psicadélica e com efeitos mais sedativos da alma. Nada que assustasse os fãs que não duvidavam que seria dos momentos mais calmos da noite. E assim foi, visto que “I am Mark E. Smith” deu seguimento às ostes, começando o chamamento que pedia dança e abuso da mistura de post-punk, experimental e toques de funk e garage rock conhecidos da banda britânica.

Seguiu-se “Tinfoil Deathstar” para preparar o público para a nova “Fringe Runner”, do mais recente Serfs Up, editado em 2019. Mesmo com um estilo mais groovy, ainda era difícil conseguir despertar o público que só encheu a Sala 1 pela metade. Mas nada disso impedia a euforia do vocalista que encarna as músicas da banda nas suas expressões corporais e teatrais. Um belo conjunto dos maiores êxitos de todos os álbuns de estúdio seguiu-se, como “Heaven On Earth”, a sensual “Touch the leather” e a lo-fi pop “Hits Hits Hits”. Com letras mais interventivas, têm uma voz dolorosamente real na faixa “Cream of the young”, onde abordam a pedofilia. Depois de “When I Leave”, “Bobby’s Boyfriend”e “Special Ape”, a banda apresentou a nova “I Believe in Something Better”, a prova de que o grupo finalmente se apercebe das suas ambições e de como as canalizar. É uma faixa especial, talvez por testemunhar esta fase menos niilista da banda e da aposta em crescerem musicalmente e deixarem os problemas com que se depararam com drogas.

Lias Saoundi, impetuoso vocalista que assume facetas tanto eletrizantes como compreensivas, é a alma e expressão de tudo o que fala em palco. A meio, já vai tirando casaco e camisa, bebe whiskey e Guiness, canta calorosamente sentado na berma do palco como que a fazer uma serenata para o público, faz crowdsurfs sem aviso, enfrenta a audiência, toca um gongo inesperado e dança freneticamente. O pedido de acompanhamento foi feito com sucesso, dado que era impossível ficar quieto em músicas como os êxitos “Feet” e “Whitest Boy On The Beach”, faixas mais eletrónicas e disco. Com Lias na voz, Nathan Saoudi (teclado), Adam J. Harmer (guitarra), Sam Toms (bateria), Adam Brennan (baixo) e Alex White (saxofone, sintetizadores, flauta transversal) – com a ausência em palco de Saul Adaczewski (voz, guitarra) –, os Fat White Family mais parecem um grande projeto e orquestra que prende a atenção dos que se deparam com a fusão de aspetos como a expressão pessoal, o fator de choque e a ironia da sociedade. Aliás, “Feet” é precisamente, pelas palavras do vocalista, “uma forma de mostrar o quanto odeia a revista Pitchfork”. Existe algo de muito real em como se sente a essência do punk ao ver a banda britânica, que nos surpreende pela riqueza de sons e géneros que conseguem materializar em palco.

As últimas “Is it Raining in Your Mouth?” e “Bomb Disneyland” aparecem com sarcasmo e momentos mais irrequietos, terminando o concerto de rompante e sem aviso algum. De repente, todos saiam do palco e Lias já de calça rasgada. O fim era quase certo, porém, os mais teimosos esperavam que algo fizesse a banda mudar de ideias enquanto já arrumavam o material sonoro. Uns bons 10 minutos passaram e ainda estavam pessoas à frente do palco enquanto a música ambiente do Hard Club já tocava. “As you wish”, disse Alex White e o inesperado aconteceu. “Tastes Good With The Money” finalizou a prestação dos Fat White Family e deixou uma enorme vontade de os ver outra vez o mais breve possível.

Fat White Family
por
em Reportagens
fotografia Hugo Adelino

Fat White Family - Hard Club, Porto [4Fev2020] Texto + Fotos
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