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Festival Para Gente Sentada 2018 [16/17Nov] Texto + Fotos

30 de Novembro, 2018 ReportagensJoão Rocha

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Braga voltou a receber mais uma edição do Festival Para Gente Sentada durante os dias 16 e 17 de Novembro. Os concertos desdobraram-se entre Theatro Circo, GNRation e a Rua do Castelo, sendo que na edição deste ano marcaram presença nomes como Marlon Williams, Nils Frahm, Filipe Sambado, West Coast Man – uma das nossas grandes surpresas -, entre outros.

Ao primeiro dia quase que nos sentimos aldrabados pelas notícias de lotação esgotada. Durante as primeiras músicas de Alice Phoebe Lou, a magnífica sala do Theatro Circo encontrava-se ainda com vários lugares vazios. Felizmente, a sala foi-se compondo de canção para canção – as entradas apenas eram permitidas durante os intervalos das músicas -, atingindo, ou melhor dizendo, igualando a presença da cantora Sul-Africana. Acompanhada em palco por mais três elementos – que mal se faziam notar, tal era a energia emanada por Phoebe Lou – a cantora e compositora deu um concerto curto mas intimista, onde interpretou maioritariamente músicas novas do seu novo álbum, uma vez que, e como a própria afirmou, já não se sente tão próxima das antigas. No entanto, “She” não pôde faltar, e guardada para o fim, valeu-lhe uma ovação em pé. Lá pelo meio houve ainda tempo de recriar “Hot Dreams” dos Timber Timbre, de fazer um discurso pró-feminista, e partilhar que era curioso estar a partilhar palco com Marlon Williams tendo em conta que ambos haviam estado a gravar os seus novos álbuns no mesmo estúdio, e com o mesmo produtor.

Já o cantor neozelandês partilhava com Alice Phoebe Lou a sensação de exacerbação perante a beleza da sala e de esta se encontrar cheia. Marllon Williams entrou em cena de uma forma um quanto teátrica. A grande cortina vermelha foi subindo e foi revelando o artista ao piano, sozinho, sob luz também ela vermelha. Depois de uma uma passagem em Paredes de Coura ainda este ano, veio conquistar o resto dos corações partidos ao Theatro Circo. Consigo trazia o seu novo álbum Make Way for Love e, acompanhado por mais 3 músicos, fez lembrar que as desilusões amorosas são um elo que nos une a todos. De facto, as músicas apresentadas seguiam a linha do amor e do desespero, levando-o a brincar antes de interpretar “Can I Call You” por esta ser uma música demasiado obscena para um sítio tão bonito. No entanto, os momentos altos da noite, e de todo o festival, aconteceram durante “What’s Chasing You”, “Nobody Gets What They Want Anymore” – esta interpretada pelo público de forma espontânea um pouco por todo o resto da noite -, e já no encore, com “When I Was a Young Girl” onde Marllon demonstra toda a sua capacidade vocal e de performer. Saiu-nos um exclamado “wow” depois de tal performance.

Dia 1 - 16/11


No dia seguinte, foi a vez do Theatro Circo intimidar a catalã Núria Graham. Em frente ao pano vermelho, apenas iluminada por um foco de luz e sozinha em palco com uma guitarra, logo começou por explicar que tudo havia sido emprestado. A sua mala havia-se extraviado durante a viagem e, sem roupa, desencantou um fato de treino e emprestaram-lhe uma guitarra para o espetáculo se concretizar. Apesar de um concerto curto, tocou pela primeira vez ao vivo a sua versão de “Black is the Colour”, um clássico do cancioneiro escocês. Também Britney Spears lhe emprestou “Toxic” para uma interpretação mais intimista. Não existiu qualquer tipo de artifício durante o concerto, exceptuando o reflexo dos focos de luz a embaterem na guitarra. Para terminar, uma nova música: “Stable”, que conta a história de um amor que aconteceu durante uma after-party. E é assim com o conselho de “go to after-parties”, que se despede do público português, para dar a vez ao nome mais esperado da edição deste ano do Festival Para Gente Sentada: Nils Frahm.

Quando a cortina subiu, logo foi agraciado com uma ansiosa ovação. O silêncio apoderou-se da sala, e na nossa frente, um quase estúdio espalhava-se pelo palco: todo o tipo de teclas possíveis e imaginárias, desde o piano de cauda a uma criação própria do músico alemão. Da esquerda para a direita, Nils ia percorrendo instrumento a instrumento, controlando os loops e criando melodias. Existem nas suas composições uma mixórdia de Brian Eno com Ludovico Einaudi, e isso faz-nos soltar exclamações de admiração de música para música (por isso, e pela sua tremenda delicadeza que quase faz soar natural ser-se talentoso). De uma certa forma parecia alheio a toda a plateia, como se estivesse naturalmente a criar em casa, dançando entre os instrumentos, o que ao nosso olhar parecia um ballet. Conforme as batidas vão se intensificando, também o jogo de luzes (maravilhoso, mas discreto) que trouxe consigo o faziam. As luzes “ferrugem” que criavam a ideia de intimidade durante os momentos mais calmos iam dando lugar aos focos intermitentes por detrás de panos brancos durante os ritmos mais intensos, causando a ideia de espaço e caos. Em certos momentos, o concerto passava a tornar-se uma masterclass, onde Frahm explicava como compor uma música: numa das vezes ao explicar a sua tentativa falhada em criar um órgão de tubos de pequenas dimensões, e como transformar o erro em algo belo – o segredo é misturar mais sons e batidas –, outra das vezes durante “Says” onde desmistificou o processo de criação da melodia.

Noutras alturas, o músico quase que soava como um velho amigo, que partilhava memórias, sempre com uma voz afável e silenciosa, bem no jeito de quem segreda. Recordou a sua passagem pelo Primavera, e como essa tinha sido uma das suas melhores experiências. No fim de um curto concerto de praticamente duas horas (queríamos muito mais!), o Alemão cunha a sua identidade no público português, que leva no coração um dos melhores concertos do ano.

A representar a música portuguesa, por Braga, durante os dois dias, passaram ainda no GNRation Medeiros/Lucas, Filipe Sambado, IAN e Riding Pânico. Apesar de bons concertos, o ambiente entre o público permaneceu meio amorfo, e mais disperso – provavelmente ainda embalados dos concertos que haviam visto na maravilhosa sala vermelha e dourada. A abrir as hostes, na rua, houve Madrepaz e West Coast Man, este último uma agradável surpresa aos nossos ouvidos, devido à maturidade da voz, letras e composições que foram apresentadas por um artista que nos era desconhecido.

Mais uma vez o Festival Para Gente Sentada volta a consagrar-se como um dos últimos redutos para verdadeiros amantes de música ao vivo, apresentando concertos maravilhosos e uma ânsia e expectativa pela chegada da próxima edição. Até para o ano Braga.

Dia 2 - 17/11
por
em Reportagens
fotografia Hugo Adelino

Festival Para Gente Sentada 2018 [16/17Nov] Texto + Fotos
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